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Crítica: “Vingadores – Era de Ultron” tinha a obrigação de ser melhor

Avengers-Age-of-Ultron

Em respeito aos leitores do blog, o texto abaixo não traz spoilers

Dizem que em time que está ganhando não se mexe. Isso pode ser válido em algumas situações; noutras, é o primeiro passo para a acomodação e o fracasso. Infelizmente, é esta parte do ditado que se aplica a Vingadores – Era de Ultron, que estreia nos cinemas brasileiros amanhã (23), uma semana antes que nos Estados Unidos.

A Marvel decidiu não mexer na fórmula vencedora do primeiro filme, de 2012, e a repetiu – mas sem o mesmo frescor. Dizer que Era de Ultron é “mais do mesmo” é uma meia verdade. Apesar do clima “pipoca”, o roteiro do primeiro Os Vingadores foi competente em construir a equipe e teve a preocupação básica de criar elementos narrativos para justificar a ação dos personagens.

Nesta sequência, o roteiro não é apenas raso, é plano. Não tem reviravoltas nem turning point (como a “morte” do agente Coulson, no primeiro) ou um clímax que não dependa da pura ação. Em algumas passagens, a trama resvala para o sentimentalismo piegas e toma tantos atalhos para solucionar conflitos que soa ilógica.

Era de Ultron mostra uma equipe afinada logo na primeira cena de ação. Pelo menos para os fãs de quadrinhos, são em momentos como este que o filme cresce. Cresce também na interação entre os personagens e nas piadas bem colocadas – em menor número que no filme anterior.

Ainda é legal ver o Capitão América lançar o escudo, e Thor, o martelo, mas os fãs já se acostumaram a isso. A comentada luta de Hulk contra Homem de Ferro na armadura Hulkbuster é de encher os olhos, mas não o suficiente para superar os demais problemas.

Era de Ultron é o ápice da Fase 2 e tinha potencial, e a obrigação, de levar o universo cinematográfico da Marvel a um novo patamar. Não foi o caso. O filme não faz justiça à sua importância estratégica nem ao seu papel de preparar a nova fase. Não causa impacto, não provoca ruptura, não emociona e pouco diverte.

Se o nível de exigência é elevado, isso se deve á própria Marvel, não só pelo primeiro filme dos Vingadores – que chamamos neste mesmo espaço de “O melhor filme de super-heróis de todos os tempos” – mas também por Capitão América 2 – O Soldado Invernal e Guardiões da Galáxia, estes, sim, exemplos da ousadia que o estúdio vinha demonstrando até agora.

É bastante provável que Era de Ultron seja um enorme sucesso comercial. O filme deve alcançar, e até mesmo ultrapassar, o US$ 1,5 bilhão de bilheteria do seu antecessor. Que isso não seja motivo para a Marvel se acomodar. O estúdio já provou que sabe fazer mais e melhor.

Papo de Quadrinho viu: “Agents of S.H.I.E.L.D.”

Agents-of-SHIELD

A série derivada do filme Os Vingadores estreou nesta terça-feira nos Estados Unidos e chega a Brasil com apenas dois dias de atraso: quinta-feira, dia 26, às 21h no canal pago Sony.

Agents of S.H.I.E.L.D. não só expande o universo cinematográfico da Marvel, mas também contribui para torná-lo ainda mais coeso.

O episódio piloto evidencia que a agência está exposta: informações secretas sobre os superseres explodiram na épica batalha de Nova York contra Loki e seus Chitauri. A SHIELD tenta apagar os rastros da tecnologia alienígena perdida pelas ruas antes que caiam nas mãos erradas, ao mesmo tempo em que precisa sair do radar de grupos interessados que outros segredos venham à tona.

A população compartilha do mesmo estranhamento de Tony Stark em Homem de Ferro 3. Ninguém saiu incólume daquele episódio. Algumas pessoas ficam assustadas ao lembrar que “gigantes” caminham entre elas; outras querem ser heróis.

É o caso de Mike Peterson, um homem comum que se submeteu a uma experiência para ganhar superpoderes, e agora encontra-se a meio caminho de se tornar herói ou vilão. A S.H.I.E.L.D. sai em seu encalço quando ele é flagrado fazendo um salvamento espetacular durante um incêndio, mas não é a única.

A série tem impressões digitais do seu criador, escritor e diretor, Joss Whedom, espalhadas por todo lado: é divertida, movimentada, os diálogos são rápidos e inteligentes.

Whedom, que dirigiu Os Vingadores e repetirá o trabalho em Os Vingadores: Era de Ultron, é também insuperável na construção de personagens cativantes. É isso que ele faz com excelência neste episódio piloto: apresenta a personalidade de cada agente e dá um aperitivo de como trabalharão em equipe sob a batuta do Agente Coulson.

Aliás, enganou-se quem pensava que o Coulson, dado como morto em Os Vingadores, seria um mero convidado. Ele é o protagonista, participa da maior parte da ação e é quem dá o tom da série. Logo no início, explica os motivos da sua “morte” e a ausência depois disso. Mas ao que tudo indica, nem ele próprio, um dos mais graduados agentes da S.H.I.E.L.D., conhece toda a verdade.

A “participação especial” fica por conta da agente Maria Hill, com apenas duas rápidas aparições, no início e no final do episódio de estreia.

Com numerosas referências ao Universo Marvel, Agents of S.H.I.E.L.D. entrega o que promete, e abre um leque enorme de possibilidades de intercâmbio entre quadrinhos, cinema e TV. Para os fãs, a série é um ótimo remédio contra a abstinência entre um filme e outro da Marvel.

Nota: 10

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