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Papo de Quadrinho viu: Aquaman

A convite da produtora Espaço Z e da Warner,  nossos editores em Porto Alegre e São Paulo conferiram o filme Aquaman.

Em respeito aos nossos leitores, trazemos uma resenha sem spoilers (e na medida do possível, usando poucos jargões náuticos).

Por Jota Silvestre e Társis Salvatore

O Aquaman foi criado em 1941 na chamada Era de Ouro dos quadrinhos (um período de inocência e consolidação das HQs de super-heróis) por Paul Norris, com co-criação de Mort Weisinger, e sempre foi um coadjuvante.

Assim como outros personagens da DC Comics, sofreu com diversas mudanças em suas origens, mas acabou ficando mais conhecido nos quadrinhos pela história usada em seu primeiro filme solo, que estreia nesta quinta-feira (13), em circuito nacional.

Filho do faroleiro Tom Curry (Temuera Morrison) com a rainha atlante Atlanna (Nicole Kidman), Arthur Curry (Jason Momoa) é a ponte entre dois mundos diferentes e o narrador da trama criada pelo diretor James Wan (Jogos Mortais, Invocação do Mal). E aqui temos o primeiro acerto.

Wan prova que não é apenas hábil em mostrar grandes cenas de luta: sabe conduzir uma boa história, amarrá-la de forma coesa e emocionante. Tudo contado de forma orgânica e sem atropelos.

A Jornada do Herói (Mundo Comum, Chamado à Aventura, Recusa ao Chamado, Encontro com o Mentor…) está toda descrita, com o protagonismo de Mera (Amber Heard) e o nascimento do ótimo vilão Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II).
Bem como as intrigas políticas de Atlântida estimuladas por Orm/Mestre dos Oceanos (Patrick Wilson) e Nereus (Dolph Lundgren) que almejam lançar o planeta em uma guerra entre os povos do mar e da superfície.

Embora os trailers tenham entregado bons momentos do filme, muitos ficaram guardados, seja na forma como Mera vai conhecendo a vida da superfície seja na crítica sobre a poluição sistemática dos mares e o aquecimento global.

Wan trabalha com excelência subtramas como as diferenças étnicas dos reinos no fundo do mar, o viés militarista, as lendas atlantes que misturam misticismo com tecnologia… Tudo bem narrado, com humor no tempero certo e com um trio de personagens (Aquaman-Mera-Arraia Negra) muito cativante. Como se não bastasse, a história vem emoldurada em um visual espetacular, que envolve de paisagens submarinas ao visual tecnológico, de armaduras ultramodernas a criaturas abissais.

Outro acerto é a trilha sonora de Rupert Gregson-Williams (o mesmo da ótima trilha de Mulher-Maravilha). É um ponto forte do filme que já chamava a atenção já nos trailers.

Enquanto isso nos quadrinhos…

Um efeito colateral esperado foi a DC Comics gradualmente aproximar a imagem de um de seus mais antigos personagens ao ator Jason Momoa. O que já acontece normalmente com os action figures, se espalhou para os quadrinhos e algumas edições recentes da revista do Aquaman trazem capas variantes com o visual do filme. Mas sem sustos, embora barbudo e cabeludo ele continua loiro como em sua origem.

Os arcos de histórias que são publicados no Brasil têm alguns altos e baixos, mas no geral o saldo é bastante positivo. Somado ao provável sucesso do filme (a estreia na China já rendeu US$ 94 milhões) podem elevar o personagem a seu merecido lugar entre os grandes super-heróis das histórias em quadrinhos.

É irônico que após tantas detrações e desdém no decorrer de anos – elas vão desde esquecimento, maus tratos nas mãos de roteiristas até piadas nas chamadas do Cartoon Network – que justamente Aquaman, um personagem tão subestimado, tenha um filme tão bom, redondo e quem sabe seja a bússola para guiar os filmes vindouros da Warner/DC.

Dizer que Aquaman é um dos melhores filmes do Universo Estendido da DC pode não parecer grande coisa, dada a decepção dos fãs com Batman vs. Superman, Liga da Justiça e Esquadrão Suicida.

Por outro lado, preste atenção quando dizemos que Aquaman se equipara ao Mulher-Maravilha, embora sejam cenários bem diferentesMais ainda: no primeiro ato, o filme se equipara a uma das produções cinematográficas mais queridas dos fãs de quadrinhos: Superman – O Filme, de 1978.

Com Aquaman – e o vindouro Shazaam! – parece que a Warner/DC enterrou de vez o clima sombrio que predominou até então em suas produções. Finalmente, o estúdio perdeu a vergonha de dizer que, sim!, faz filmes bons baseados em histórias em quadrinhos.

PS: desnecessário lembrar os leitores que filme bom de super-heróis tem cena pós créditos ;)

Papo de Quadrinho viu: Liga da Justiça (SEM SPOILERS)

A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas nesta terça-feira (14). Em respeito aos nossos leitores e seguidores nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

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Para que serve um filme de super-heróis?
Se você responder essa pergunta, pode ser que o entendimento deste filme (e dos muitos que estão por vir neste subgênero cinematográfico) se torne mais claro e com isso as motivações para assistir filmes de super-heróis adquiram outros significados.

Se o objetivo for se divertir, se encantar, se emocionar com o dia sendo salvo por pessoas com dons especiais e, finalmente, ter o prazer de passar algumas horas vendo ao vivo seus super-heróis favoritos dos quadrinhos – ali, em uma versão em carne e osso – você não deve perder o filme Liga da Justiça.

Vamos listar 5 motivos para você ir ao cinema e se divertir, e focar no que deu certo, SEM SPOILERS. Sim, nós sabemos que a boa crítica deve pesar o que deu errado também, mas vamos dar uma chance de fazer diferente desta vez.

1. É A LIGA DA JUSTIÇA, C%$&@L&O!

Não importa se você é fã veterano de histórias em quadrinhos, “bazingueiro” ou nunca deu bola para super-heróis e gibis: você nasceu neste planeta e sabe o que é a Liga da Justiça. Um grupo de super-heróis reunido para defender a Terra e seus habitantes de ameaças externas e internas. Ver o grupo em ação já é motivo suficiente para pagar o ingresso (cada dia mais caro) e passar 2 horas em companhia de Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Ciborgue, Flash e Aquaman – os super-heróis da vez (#saudadesLanternaVerde), escolhidos para essa estreia cinematográfica.

2. É UMA BOA (E SIMPLES) HISTÓRIA

Não tem nenhum segredo ou roteiro rocambolesco. A história se passa levando em conta os eventos que ocorrem após a morte do Superman, mostrados no polêmico  Batman vs Superman – A Origem da Justiça. Sem o Azulão de Krypton, a Terra está aberta para qualquer ameaça em larga escala. Assim, surge um vilão ancestral, o Lobo da Estepe, comandante de um exército de criaturas horrendas chamadas de parademônios. Nos quadrinhos, esses monstros são ligados ao maior vilão da editora, Darkseid, criação do genial Jack Kirby.

O Lobo da Estepe está na Terra em busca das Caixas Maternas, artefatos de poder imensurável, capazes de terraformar um planeta por meio da vida ou da morte. A motivação é essa, tomar o planeta Terra e transformá-lo em um inferno (muito, muito pior do que é hoje). Simples assim, sem enormes digressões filosóficas e conceituais, sem muita margem para interpretação. E ainda que este vilão seja o ponto mais fraco do filme, não compromete. Ele não tem incríveis axiomas emocionais, nem um intelecto soberbo alienígena ou um refinamento tático: é um comandante de invasão e veio aqui acabar com tudo. Ponto.

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3. OS SUPER-HERÓIS ESTÃO ÓTIMOS

Os primeiros 5 minutos do filme ganham o espectador. Aos poucos, vemos a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) em ação enquanto Batman (Ben Affleck) procura os outros super-heróis para formar um grupo de defesa da Terra que está, ao que tudo indica, diante de um ameça iminente. Na medida em que Bruce Wayne parte em busca destes escolhidos que possuem dons especiais, vamos aos poucos vendo o que cada um é capaz de fazer individualmente.

A Mulher-Maravilha continua ótima, tanto quanto em seu filme solo. Protagoniza cenas memoráveis de luta e, no decorrer do longa, tem uma relação intrincada e interessante com Batman.

E o Superman (Henry Cavill)? Bom, ele retorna e faz muito bem seu papel na história. Aquaman (Jason Momoa) surge muito bem dados os contextos da história e sua participação dá pistas – e boas esperanças – do que será seu filme solo. O Flash (Ezra Miller) é o alívio cômico, e também tem boa participação. Lembram do Flash do desenho Liga da Justiça sem limites do Bruce Tim? É esse Flash que está no filme.

Por fim, uma grata surpresa: Ciborgue (Ray Fisher). Apesar do visual que lembra um transformer humano, o Victor Stone do filme tem toda a carga trágica dos quadrinhos. Se você não sabe quem é o Ciborgue, ou só viu nas animações infantis de Teen Titans Go! não se preocupe, pois sua trágica história é revelada nesse filme.

No transcorrer da trama, vemos o time todo em ação, como já foi mostrado em trailers e cenas divulgadas. O objetivo do filme afinal é mostrar essas lutas amarradas em uma boa história, e assim chegamos no próximo item.

4. É UM FILME REDONDO

A estrutura e narrativa têm um ritmo adequado, bem conduzido, mas claro, não é e nem precisa ser uma obra-prima cinematográfica. O filme dá certo porque os eventos acontecem no ritmo certo. Como e por que os super-heróis se reúnem para defender a Terra e o custo dessa batalha são questões que vão envolvendo a audiência.

Outro acerto é a Warner sair do clima excessivamente sombrio, equilibrar essa paleta de cores escura adotada anteriormente (influencia de Joss Whedon, talvez?). Algumas piadas, ajustes e uma narrativa simples e coerente fizeram a diferença. Existem alguns problemas, mas nada que comprometa. Poderia ser melhor se a Warner tivesse contado as histórias anteriores de seu universo de forma diferente.

Não que o estúdio precisasse copiar o modelo eficiente da Marvel, mas o fato de não ter mais tempo para explorar as relações entre os super-heróis e outros pequenos ajustes finos impedem que Liga da Justiça seja um filme épico (para usar uma palavrinha da moda). Mas nada disso diminui seu valor nem a diversão, pode ficar tranquilo.

Atenção para duas cenas pós-créditos! Não saia do cinema antes do acender das luzes.

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5. VOLTAR A SER CRIANÇA FAZ BEM

Para uma geração que ficou feliz com Superman: O filme (1978) e nunca imaginou viver uma Era heroica no cinema, com dezenas de filmes – alguns muito bons –  baseados no universo dos super-heróis dos quadrinhos, ter o prazer de acompanhar as aventuras de uma Liga da Justiça no cinema com amazonas, atlantes, parademônios, novos deuses de Jack Kirby, caixas maternas… quem sonharia? Ajudou muito Liga da Justiça ser um filme bem-feito, com roteiro amarrado, paleta de cores mais viva.

Foi um prazer ver tudo isso! Ainda que não seja uma obra-prima, Liga da Justiça cumpre com louvor o papel de representar bem esses heróis tão icônicos para a Cultura Pop e, modo sutil, levantar algumas questões, valores do heroísmo, companheirismo e dos perigos que a nossa escuridão pode trazer. Nunca é tarde para enfrentar as trevas, ainda que elas pareçam invencíveis. São ideias que chegam em boa hora para o mundo atual que vivemos, principalmente por essas bandas tupiniquins.

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