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Conrad lança biografia em quadrinhos de Amy Winehouse

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Sozinha a notícia já seria boa. Fica melhor ainda quando a editora esclarece que este é apenas o primeiro número de uma série batizada de O Clube dos 27, sobre outras estrelas do rock que morreram com esta idade – caso de Jim Morrison, Kurt Cobain e Janis Joplin.

Amy Winehouse chega às livrarias e lojas especializadas em março. Os autores são Javi Fernandez, Patrick Eudeline e Christofe Goffette. A intenção da Conrad é lançar um livro da série por ano, sendo que o próximo provavelmente será dedicado ao ex-vocalista do Nirvana.

A editora ainda não divulgou o preço do lançamento.

HQ autobiográfica de Aline Kominsky-Crumb chega ao Brasil

O trabalho da esposa do consagrado quadrinhista Robert Crumb não é totalmente desconhecido do público brasileiro. Uma HQ produzida em parceria pelo casal e publicada originalmente na New Yorker já saiu por aqui pela revista Piauí.

Essa Bunch é um Amor, que a Conrad acaba de lançar, é uma edição exclusiva para o mercado brasileiro. A maior parte do livro foi extraída de Love That Bunch, de 1990; o restante é de um trabalho mais recente, Need More Love, de 2007.

A HQ é uma espécie de autobiografia de Aline Kominsky-Crumb que, ao contrário do que muita gente pensa, já era cartunista antes de se casar com Robert Crumb, e considerada uma das principais expoentes dos quadrinhos undeground americanos.

No livro, Aline relembra de forma bastante transparente sua infância difícil, a perda da virgindade, os anos do movimento hippie, o casamento com Crumb – tudo por meio de seu alterego, a judia novaiorquina Bunch.

A edição brasileira traz, ainda, prefácio escrito por Harvey Pekar, autor da série American Splendor, falecido em 2010. Robert e Aline Crumb estiveram no Brasil no ano passado para participar da Festa Internacional Literária de Paraty (Flip) e num tumultuado encontro numa livraria em São Paulo.

A Conrad optou por dar ao livro um tratamento de luxo, com capa dura, 162 páginas coloridas e em preto e branco, e preço de R$ 49,90. Parece bastante razoável para uma obra desta importância.

Quatro títulos brasileiros incluídos no livro “1001 HQs que você deve ler antes de morrer”.

Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa (especificamente a fase publicada pela Editora Abril na década de 1970); Sábado dos meus amores, de Marcello Quintanilha (Conrad, 2009); Piratas do Tietê e outras barbaridades, de Larte (Circo Editorial, 1994); e O Dobro de Cinco, de Lourenço Mutarelli (Devir, 1999).

Estes são os quatro títulos brasileiros em quadrinhos indicados no livro 1001 HQs que você deve ler antes de morrer (1001 Comics you must read before you die), que o jornalista inglês Paul Gravett acaba de lançar (a venda começa amanhã nos Estados Unidos).

Para chegar à lista final, Gravett convidou 67 colaboradores de 27 países, entre eles o Brasil, representado pelo jornalista, escritor e roteirista Carlos Patati.

O livro tem 960 páginas e capa dura. Até hoje, está em pré-venda na Amazon ao preço de US$ 21,91; a partir de amanhã, sobe para US$ 36,95.

Alguma das editoras brasileiras mencionadas poderia se empolgar e lançá-lo por aqui, huh? Enquanto isso não acontece, o leitor pode conferir a lista completa das 1001 HQs aqui.

5 perguntas para Sonia Luyten

 Sonia Luyten é a maior especialista brasileira em mangás. Mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, tem mais de três décadas dedicadas ao estudo, docência e pesquisa dos quadrinhos no Brasil, Oriente e Europa. É autora de vários artigos e livros sobre o tema, com destaque para o livro: “Mangá: o poder dos Quadrinhos Japoneses”.

Sônia responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho:

1) Quem foi o grande responsável pelo interesse dos jovens nos animes e mangás no Brasil? Existe algum marco: filme, desenho ou gibi?
Embora já houvesse algumas publicações de mangá e algumas TVs  mostrando animes no Brasil, o grande boom aconteceu de forma global (e o Brasil entrou neste contexto no final dos anos 1990), com Cavaleiros do Zodíaco, e a Cultura Pop japonesa – como um todo – passou a fazer parte do universo dos jovens brasileiros. Algumas editoras comerciais como a Conrad, JBC e Panini iniciaram a tradução e publicação de mangás que já haviam sido sucesso no Japão. Isto somou-se à febre dos animes, concursos de cosplays e os megaencontros em todo Brasil.

2) A que você atribui esse interesse dos jovens brasileiros pelo mangá, em vez dos tradicionais super-heróis Marvel/DC?
Os motivos são vários. Em primeiro lugar, sempre houve um vazio editorial para o segmento dos adolescentes, que era preenchido com publicações estrangeiras. O Mauricio de Sousa, hoje em dia, faz sucesso com a Turma da Mônica Jovem exatamente por sua boa qualidade e deu continuidade aos fãs fiéis da infância.
Outro fator foi a globalização da Cultura Pop japonesa que – com a difusão pela internet – entrou de cheio no Brasil. Estes jovens, mais do que depressa, passaram a “ver” o que estava acontecendo no mundo. No final dos anos 1990 e início do novo milênio, os super heróis americanos já estavam desgastados. O mangá e anime entraram no gosto do jovem brasileiro (e também de outras partes do mundo) em função de vários fatores: os heróis não são eternos. Eles duram enquanto são publicados. A indústria japonesa sabe fazer seu marketing e eles estão presentes em todo lugar – merchandising, objetos, itens de coleção etc. Os heróis japoneses também são mais humanos. Eles sofrem, são persistentes e lutam por seu ideal. Tem muito a ver com a cultura oriental, de origem confucionista. Por fim, a estética do mangá e anime é muito atraente, vibrante e entrou no gosto internacional.

3) O sucesso comercial de Turma da Mônica Jovem no estilo mangá é uma prova de que para se ter sucesso editorial aqui no Brasil é preciso pensar em desenhar nesse estilo?
Não necessariamente. Não sou contra o desenho em estilo mangá pois o mangá não é propriedade do Japão. Sempre digo que a arte não tem fronteiras.
Os japoneses, no início de sua produção, copiaram o modelo ocidental. Logo perceberam que tanto o conteúdo como o desenho não iam ao encontro do gosto japonês. O próprio criador da palavra mangá, o famoso xilogravurista Hokusai, teve muita influência da Europa, dos gravuristas holandeses.
Acredito que, no Brasil, muitos jovens gostam de fazer HQ  em estilo mangá. Mas não basta. É preciso ter um bom roteiro. Com um bom roteiro pode-se fazer histórias em qualquer estilo. Temos, portanto, que olhar para dentro, procurar algo que o público se identifique. E não ter vergonha de nós mesmos: tanto no estilo como no roteiro. Os japoneses conseguiram isto. Por que não a gente?

4) Os tablets afetam (ou não) o mercado de mangás?
Nenhum meio de comunicação ou inovação tecnológica atrapalha o outro. Com o advento do rádio, o jornal impresso modificou-se, com o advento da TV, o rádio idem. Com a internet, os outros meios de comunicação adaptaram-se a ela. Os tablets vieram para somar e não atrapalhar.

5) Quando nós editores do Papo de Quadrinho conhecemos o mangá, havia basicamente o Akira, o Lobo Solitário, além de uma minissérie, Crying Freeman. Hoje existem centenas de mangás nas bancas brasileiras. Como escolher um entre tantas opções? Você tem alguma dica para facilitar a vida de quem não conhece os títulos e inúmeros subgêneros do mangá?
Se alguém quer se iniciar no mundo dos mangás, deve começar com Osamu Tezuka. Tem várias histórias deles traduzidas no Brasil e também sua vida e obra (da Conrad, da qual fiz a introdução).
Uma obra belíssima é Buda. Vale a pena ler, recomendado para todas as idades.
O básico para anime é também Tezuka (Astro Boy) e  Miyazaki, com inúmeros títulos: La PiutaA viagem de Chihiro, Naushika e Totoro.
No Brasil, editorialmente, não há um segmento definido para o público masculino e feminino como no Japão, mas pode-se escolher entre Sakurai, Dragonball, Samurai X, Death Note (que foi muito bem adaptado no Brasil para uma peça de teatro) Naruto e One Piece.
Para um público mais cult recomendo o mangá Mulheres, de Yoshihiro Tatsumi. Ele inventou o termo “gekigá”, que significa drama (geki) ilustrado (gá), para designar uma nova maneira de se fazer mangá, com temas adultos, desconcertantes e até cruéis. Fiz também a introdução deste belíssmo exemplar falando de Tatsumi e a retratação das mulheres numa época de pobreza no Japão.

HQ brasileira trata da 2ª Guerra Mundial

A Conrad anuncia para o mês que vem Guerra 1939-1945, do estreante Julius Ckvalheivro. O álbum reúne seis histórias narradas sob o ponto de vista de diferentes personagens: soldados, pilotos, kamikazes, prisioneiros.

 Cada história é introduzida por um texto de contextualização sobre o conflito. A arte é toda em preto e branco e realista, tendo como referência material fotográfico.

 

Guerra 1939-1945 tem 136 páginas e preço de R$ 29,90.

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