Revista O Grito!

Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Tag: Cinema

Papo de Quadrinho viu: Batman

Em respeito aos leitores, esta crítica não contém spoilers.

Batman estrelou ou coestrelou nove filmes em 28 anos (1989-2017), média de um filme a cada 3 anos. Encurralado por esta superexposição do Homem-Morcego nos cinemas e pressionado pelo embarque num projeto em andamento abandonado por Ben Affleck, Matt Reeves (mais conhecido por seu trabalho na nova franquia Planeta dos Macacos) saiu-se magistralmente bem em Batman, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta, dia 3.

No roteiro que divide com Peter Craig (de Jogos Vorazes e do ótimo Imperdoável, com Sandra Bullock), Reeves optou por iniciar a nova franquia do Batman numa condição inédita, ao situar a trama no segundo ano de sua luta contra o crime de Gotham City.

Com isso, fugiu da armadilha de reencenar, mais uma vez, o assassinato do casal Wayne que se converteria na gênese do Batman. No lugar, e sem apelar para imagens em flashback, o diretor preferiu refletir todo o trauma da perda precoce no comportamento angustiante do adulto Bruce Wayne e no olhar doloroso que ele dedica a uma criança que acabou de perder os pais também de forma brutal.

Herói atormentado

Robert Pattinson dá conta do recado com competência. Ironicamente, o ator padeceu da mesma rejeição que alguns de seus antecessores, como Michael Keaton, no filme de 1989, e Ben Affleck, no de 2016. Com a memória paralisada pela imagem do vampiro na franquia adolescente Crepúsculo, parcela dos fãs se esqueceu de conferir o amadurecimento dramático de Pattinson em filmes como O Farol e O Diabo de Cada Dia, só para citar dois entre muitos exemplos.

Você nunca viu – e dificilmente verá num futuro próximo – um Bruce Wayne/Batman tão atormentado, sombrio e depressivo quanto o construído por Reeves e Pattinson. A construção vem ao encontro da opção do diretor por um suposto “realismo” (até onde isso é possível dentro do gênero) que se aproxima mais da narrativa e da estética de Coringa do que da trilogia de Christopher Nolan, que flertou com este conceito “pé no chão”.

Robert Pattinson encarna a versão mais atormentada de Batman/Bruce Wayne até hoje

Reeves inovou até no jeito de explorar o batido efeito aterrador que a fantasia de morcego causa nos marginais. Em Batman, a mera projeção do batsinal no céu carregado de Gotham é suficiente para que muitos deles repensem seus crimes em andamento. A razão do medo se manifesta quando o vigilante surge mesclado às sombras e caminha com passos retumbantes. A fórmula pode não ser inédita, mas aqui é bastante eficaz.

A violência é crua, direta, sem malabarismos nem bandidos voando a metros de distância. O batmóvel é pouco mais que um carro antigo tunado; a moto é potente, mas nada espetacular; e o conhecido arpéu e um ou outro gadget continuam lá. Mas, em Batman, é o herói quem define a tecnologia, e não o contrário.

Sádico e calculista

Adeus, uniforme colante! O Charada é um sociopata que quer se vingar de Gotham City

Também na escolha do principal vilão da trama Reeves buscou não repetir fórmulas recentes. A última aparição do Charada em carne e osso se deu no longínquo 1995, em Batman Eternamente, interpretado de forma caricata por Jim Carrey. Ainda que mantenha o hábito de deixar pistas nas cenas dos crimes, a nova versão é um sádico que trocou o uniforme espalhafatoso por uma indumentária militar.

Embora o ator Paul Dano apareça na maior parte do tempo com o rosto coberto, quando se revela ele consegue transmitir a complexidade de seu personagem: um sociopata calculista e rancoroso, mas também um homem de compleição frágil que descobre como fazer de Batman os músculos de seu cérebro doentio para cumprir a vingança contra a cidade corrupta que o traiu.

Mais que enaltecer seus crimes, as pistas deixadas pelo Charada visam a enredar e esfregar na cara do Homem-Morcego a parcela do submundo que ele desconhece, aquela ocupada pela elite da cidade.

Nesta decida ao inferno, Batman se envolve com outras figuras de sua potencial galeria de vilões: Mulher-Gato e Pinguim, que, assim como ele, estão em início de carreira.

Irreconhecível por baixo da maquiagem, Colin Farrell faz um Pinguim irretocável, um capanga de segundo escalão, cínico e grosseiro, em busca de brechas para subir na hierarquia do crime organizado. O personagem está cotado para ganhar sua própria série no canal HBO Max, com Farrell de volta ao papel.

Zöe Kravitz, ótima, acaba de tomar o posto de Michelle Pfiffer como a Mulher-Gato definitiva do cinema. A trama é bastante feliz em explorar a tensão sexual entre a gata e o morcego, evidenciando de forma orgânica os aspectos que os igualam, mas também que os diferenciam e impedem que o romance prospere.

Salada de referências

Fãs dos quadrinhos vão reconhecer influências de Ano Um, O Longo Dia das Bruxas e Silêncio; cinéfilos vão se divertir caçando semelhanças com filmes noir como Falcão Maltês, policiais como Operação França e de terror, mais notadamente Seven, Zodíaco e Jogos Mortais.

O diretor Matt Reeves transita entre o estilo noir e os filmes de terror

Desta salada de referências e contando com um elenco espetacular – no qual estão incluídos, ainda, Jeffrey Wright como o tenente James Gordon, Andy Serkis como Alfred e John Turturro como Carmine Falcone – Reeves fez um filme original, único em sua proposta de revitalizar a franquia do Homem-Morcego e o gênero como um todo, sem, no entanto, abandonar elementos de um bom filme de super-heróis.

Neste quesito, vale a pena citar que Batman tem, sim, os easter eggs que fazem a alegria dos fãs, mas em volume muito menor do que os filmes recentes vêm entregando.

Para não dizer que são tudo são flores, Batman começa a perder o fôlego a partir da terça parte de suas quase três horas de duração, quando alguns clichês e elementos fantasiosos até então evitados começam a dar as caras. Nada que comprometa o conjunto, mas que poderia ser mantido afastado por uma questão de coerência.

Ainda assim, Batman acaba de abrir uma disputa honesta com O Cavaleiro das Trevas pelo posto de melhor filme do Homem-Morcego de todos os tempos.

Papo de Quadrinho assistiu a Batman a convite da assessoria de imprensa da Warner Bros. em São Paulo e da agência Espaço Z em Porto Alegre.

Papo de Quadrinho viu: Matrix Resurrections

Por Adriana Amaral

Um dos filmes mais esperados do ano, Matrix Resurrections nos leva de volta à mitologia criada pelas irmãs Wachowski em 1999. O primeiro filme começou cult e ganhou uma legião de fãs, originou além de duas sequências em 2003, a série de animes Animatrix (2003), o videogame Enter the Matrix, análises acadêmicas e muitos outros produtos.

Um marco do cinema de ficção-científica por resgatar os elementos cyberpunk de Neuromancer (William Gibson, 1984) e discutir de forma visual e pop o conceito de simulacro – referenciando o livro clássico Simulacros & Simulações do teórico francês Jean Baudrillard, o primeiro Matrix nos coloca dentro de um universo “soturno” e que continha o espírito da época em final de século e década (os anos 1990 do século XX).

Isso é representado desde o figurino, à trilha sonora (repleta de clássicos da música eletrônica da época, como o big beat do Prodigy e o industrial do Ministry, entre outros) aos efeitos especiais. Afinal quem nunca se imaginou desviando das balas em bullet-time?

Naquele filme, muito do imaginário da chamada cibercultura (a cultura tecnológica que hoje está em toda parte) estava desenhado: os conflitos humanidade-máquina, orgânico-digital, tecnologia-natureza entre tantos outros binarismos que permearam a ficção e ecoam em como nos relacionamos com as tecnologias enquanto sociedade.

Além disso, a mistura filosófica e religiosa de Platão ao agnosticismo e o budismo levantou muitos debates entre uma ou outra luta de kung-fu usando óculos escuros à noite, vinil e coturnos.

As sequências Matrix Reloaded e Matrix Revolutions (ambos de 2003), apesar de ainda manterem uma estética interessante, não trouxeram grandes inovações como o primeiro, mas estabeleceram e ampliaram os códigos visuais e simbólicos da franquia.

Sem nostalgia barata

Com todo esse contexto “mítico”, era bastante natural que se criassem expectativas em torno de Matrix Resurrections, agora apenas com Lana Wachowski à frente da produção.

Warner Bros. / Crédito: Murray Close

Nesse sentido, o ponto mais positivo do novo filme é justamente o fato de que Lana não se rendeu à nostalgia barata e reconfigura a franquia de forma irônica, e metalinguística e autorreferente na medida certa.

O tom do filme pode ser distinto do que muitos fãs queriam, mas traz ousadia e aponta para um caminho interessante nesse fechamento do universo de Matrix. Afinal, 2021 não é 1999 e os binarismos e dualidades do primeiro filme, embora estejam ainda mais acirrados e popularizados em questões como a do algoritmo e do intenso uso das redes e plataformas digitais, precisam ser ultrapassados.

E aí, o conceito de Resurrections deixa de ser o simulacro/simulação e a disputa com as máquinas e passa ser como superar os binarismos que nos enclausuraram nesse mundo. Binaryi, inclusive, é o nome do novo game que Thomas Anderson / Neo (Keanu Reeves) que trocou a imagem de um cara de TI genérico no primeiro filme para a de game designer pop star 20 anos depois.

A crítica ao binarismo pode ser pensada em várias camadas. Seja na questão de gêneros – a nada sutil metáfora da transição de gênero da própria Lana e de sua irmã Lily – bem como no protagonismo feminino (no qual Trinity é uma referência) e o controle sobre os corpos femininos.

Afinal a Trinity/Tiffany (Carrie-Anne Moss), presa em um casamento entediante e sem memórias em que cede sua energia vital ao sistema, ressurge para uma recuperação de seu papel central na reta final do filme. Também há um certo tom antietarista mostrando que o duo de heróis envelheceu e as dificuldades e contradições que o tom messiânico adquire quando deixamos a juventude.

Outro elemento de crítica ao binarismo está na união entre seres orgânicos e mecânicos, o que garante inclusive a sobrevivência da cidade de Ion e tira o tom um tanto ludita e distópico do primeiro filme, demonstrando que tecnologia e natureza são indissociáveis.

Não há respostas ou soluções fáceis para tais questões e, afinal de contas, estamos diante de uma das maiores franquias pop e cult do cinema, e a saída estética é a da linguagem da ironia e de um certo sarcasmo com o que significa a indústria do entretenimento nos anos 2020, com sua nostalgia exacerbadamente mercadológica e sua repetição de fórmulas.

É aqui que o filme ousa e não dá a um certo tipo de fã exatamente o que ele quer, como tem sido a regra do mercado. A inserção das referências é de outra ordem, por horas extremamente pessoal, por outra tentando falar de várias questões que foram correntes nos últimos 20 anos e nos quais Matrix já falava lá atrás: a questão transmídia, o impacto da cultura digital, os borrões entre a realidade e a ficção (algumas sombras “philipkdickianas” aprecem aqui e acolá na primeira metade do filme).

Dessa forma, outra boa sacada de Resurrections é o contexto do ambiente dos estúdios de criação de games e das indústrias criativas como um todo em seus estereótipos e jargões inseridos para dentro do contexto da própria Matrix. A atualização do conceito de bot, que já havia no primeiro filme, faz pensar bastante nas dinâmicas dos ataques virtuais.

Outro ponto de destaque é o grupo de “outcasts” que atuam junto com Neo e Trinity: todos queer e diversos. Jessica Henwick está perfeita como Bugs e Jonathan Groff faz um novo Smith que ao mesmo tempo lembra Hugo Weaving, mas tem suas questões específicas. Já o Analista de Neil Patrick Harris é um tanto caricato.

O novo Morpheus, no entanto, foi de certa forma subaproveitado em suas duas versões, embora o ator Yahya Abdul-Mateen II tenha se esforçado. O figurino de Lindsay Pugh, que já havia trabalhado com Lana em Sense8, é outro acerto e mantém o tom icônico que Kim Barret estabeleceu nos filmes anteriores em sua mistura de moda alternativa com elegância da alfaiataria em meio a lutas e explosões.

Apesar de algumas pontas soltas e de um tempo um tanto longo, Matrix Resurrections leva a franquia adiante de forma digna, atual e muito bem-humorada, sem apelações sentimentaloides, mesmo trazendo o amor como uma tecnologia que tem potencial para desconstruir os binarismos além do bem e do mal. A importância de se contar histórias e construir universos talvez seja o grande poder, ao transformar a vida das pessoas.

Não é uma ideia nova, pois no fundo a ficção cyberpunk ainda tem suas raízes calcadas em elementos românticos, mas faz com que o elo entre a dupla de heróis ganhe mais importância do que a narrativa redentora do “salvador”.

As ressurreições do título do filme aludem mais à ressurreição do próprio universo de Matrix e da construção de mundos ficcionais como um todo do que a uma tentativa cristã de ressuscitar Neo.

Preparados para voltarem à Matrix? Sim, o filme é divertido e contemporâneo, com cenas de luta e perseguição na medida certa.

Papo de Quadrinho viu: O Último Duelo

A convite da Disney e da produtora Espaço Z, Adri Amaral assistiu O Último Duelo (The Last Duel), mais recente filme de Ridley Scott.

A história é baseada no livro homônimo de Eric Jager – lançado pela Record em 2011 – que trata de uma ficção histórica que especula sobre o último duelo sancionado pela França em 1396 entre Jean de Carrouges (Matt Damon) e Jacques Le Gris (Adam Driver), vassalos do conde Pierre d’ Alençon (Ben Affleck loiríssimo e afetadíssimo).

O filme mostra a escalada de competição entre o cavaleiro e ex-escudeiro taciturno e religioso Carrouges e o escudeiro letrado e libertino Le Gris. Até o ponto em que Le Gris estupra esposa de Jean, Marguerite Carrouges, interpretada magistralmente por Jodie Comer (que já fez The White Princess e Star Wars – Ascensão Skywalker), desencadeando o processo judicial que culmina no duelo.

Entre manobras políticas e batalhas adentramos em um mundo masculino brutal de dominação, violência, guerras e intrigas no qual justiça e verdade parecem pouco importar.

A condução da narrativa do filme é a partir dos três pontos de vista (Carrouges, Le Gris e Marguerite). Nestas diferentes narrativas se constrói a tensão e nos dá perspectivas sobre o caráter, a história e as impressões dos envolvidos – um saldo positivo do roteiro escrito por Nicole Holofcner, Ben Affleck e Matt Damon – não por coincidência uma mulher e dois homens.

As cenas em planos mais fechados, evitam um tanto os clichês de lutas e batalhas de filmes de época demonstrando a selvageria dos combates; bem como as cenas internas na corte nos dão a dimensão das intrigas e da ganância de ambos os vassalos, os destituindo de heroísmo.

Não há romantização da Idade Média no filme, apenas a nua e crua luta por poder e a ideia de propriedade, seja da terra, dos animais e das mulheres, tudo garantido aos homens através da violência, da religião e das leis a manutenção do poder. Nesse sentido, a teatralidade da corte durante o julgamento construída a partir de olhares e até mesmo de movimentos corporais dos personagens mostra o absurdo de uma época em que crendices e maledicências valiam tanto quanto uma vida.

Apesar de cenas horrendas e violentas, nada é gratuito – sobretudo no que tange ao ataque a Marguerite – elas são centrais para o entendimento da construção de masculinidades e de vida em sociedade que devem ser descartados e nunca tomados como modelo e exaltação como, infelizmente, vemos ainda hoje.

O Último Duelo é um filme bom em todos os aspectos e deixa claro que não existe nada épico, mítico ou glorioso. É uma visão reta e bruta de um mundo que já nos trouxe avanços, mas que volta e meia podem ser perdidos.

6 motivos para assistir Snowpiercer na Netflix

Produção da TNT, Showpiercer estreou na Netflix no dia 17 de maio.

Em vez do tradicional sistema de maratona, os 10 capítulos estão sendo liberados a conta-gotas, um por semana.

Se você ainda não assistiu, veja seis motivos que o Papo de Quadrinho elencou para começar imediatamente.

1. É baseada numa HQ

Le Transperceneige (Snowpiercer: The Escape) foi publicada pela primeira vez na França em 1982 pela editora Casterman, com roteiro de Jacques Lob e desenhos de Jean-Marc Rochette.

Saíram duas sequências muitos anos depois: The Explorers (1999) e The Crossing (2000), com Benjamin Legrand no lugar de Jacques Lob nos roteiros. O quarto volume, Terminus, saiu em 2015 com novo roteirista, Olivier Bocquet.

Nos Estados Unidos, as HQs começaram a chegar em 2014, pela Titan Comics.

Você pode ler as três primeiras histórias no livrão que a editora Aleph lançou em 2015, com o ótimo nome de O Perfuraneve.

Lá fora, a Titan anunciou uma trilogia prequela e já colocou o primeiro volume à venda. Os demais estão programados para agosto de 2020 e junho de 2021.

2. Faz uma forte crítica social

A turma do fundão é tratada como animais

O pano de fundo da trama é um cataclisma ambiental que congelou a Terra. Os poucos sobreviventes (cerca de 3.000) se abrigaram num trem autossustentável que percorre o planeta todo sem paradas.

O problema é que o trem reproduz a desigualdade que existia anteriormente. Nos vagões próximos à locomotiva ficam os ricos, com direito a luxo, alimentação, educação, cultura e lazer.

Nos vagões do fundo, os pobres e miseráveis vivem aglomerados em condições sub-humanas, expostos à fome, crimes, falta de privacidade e violência policial.

Entre os extremos, os vagões do meio reproduzem as nuances da classe média.

3. Já virou filme

Chris Evans viveu o revolucionário Curtis na adaptação para o cinema

Em 2013, Snowpiercer foi adaptada para o cinema por Bong Joon Ho – ele mesmo, o diretor do premiado Parasita, em seu primeiro filme em língua inglesa.

O filme foi estrelado por Chris Evans (o Capitão América dos filmes da Marvel), Tilda Swinton (também trabalhou pra Marvel no papel do Ancião), John Hurt (de V de Vingança) e Ed Harris (de Westworld).

Por aqui, passou pelos cinemas em 2015 com o nome Expresso do Amanhã, e dá para assistir em Blu-Ray e no Amazon Prime.

4. São histórias diferentes…

O fundista Andre Layton (Daveed Diggs) precisa resolver um assassinato

Snowpiercer conta uma história diferente na HQ, no filme e na série, embora todos sigam o mote principal (a luta de classes) e conservem alguns elementos em comum.

Na HQ, a trama acompanha Proloff, que conseguiu fugir do fundo do trem e alcançou os vagões intermediários. Ele conhece a ativista da terceira classe Adeline e, no percurso para interrogatório, ficamos conhecendo os setores, classes e funcionamento do trem.

Em Expresso do Amanhã, Curtis (Evans) é líder do grupo do fundo que inicia a revolução mais bem-sucedida para tomar o controle do trem. No caminho até a sala de máquinas, ele vai se indignando com os diferentes estilos de vida dos passageiros.

Na série da Netflix, o fio condutor é a investigação de um assassinato na segunda classe. Os administradores do trem convocam o “fundista” Andre Layton (Daveed Diggs, de The Get Down), que era detetive antes do cataclisma, para solucionar o crime. O sistema de castas do trem é apresentado pelos olhos dele durante a investigação.

Então, mesmo que você já tenha lido a HQ e assistido ao filme, a série traz uma abordagem totalmente nova, sem desrespeitar o contexto original e com referências que são bacanas de pegar.

5. … porém interligadas

A HQ, o filme e a série parecem apenas variações sobre o mesmo tema, mas não são.

A Titan Comics publicou este infográfico provando que cada história se passa num tempo diferente e estão relacionadas.

Na cronologia de Snowpiercer, a série da Netflix se passa 7 anos após o cataclisma climático, o filme 15 anos depois e a primeira HQ em algum momento entre eles.

As adaptações se passam em tempos diferentes e estão relacionadas

6. E tem a Jennifer Connelly

Jennifer Connelly: linda e talentosa como sempre

Para você, veterano, que não acompanhou os últimos trabalhos dela, saiba que Jennifer Connelly continua tão linda e talentosa quanto em Labirinto (1986) e Rocketeer (1991).

Na série da Netflix, ela interpreta Melanie Cavill, administradora do trem.

Papo de Quadrinho viu: As Panteras (Charlie´s Angels)

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu o novo filme da franquia As Panteras (Charlie´s Angels). Nossa resenha está livre de spoilers.

O novo filme As Panteras (Charlie´s Angels) de 2019 faz o reboot da franquia de forma competente e divertida sob a direção de Elizabeth Banks – que também atua na película. Apesar de reiniciar a franquia, a trama se passa no mesmo universo dos filmes anteriores (Charlie´s Angels de 2000 e Charlie´s Angels: Full Throttle de 2003) respectivamente, porém se mantém bem mais fiel ao espírito do seriado, que foi exibido nos Estados Unidos de 1976 a 1981. No Brasil, o seriado chegou com um delay peculiar da época e passou nos canais de TV abertos nos anos 1980 influenciando a cultura pop da época.

Em tempos de nostalgia em relação a produtos midiáticos que atingem status de cult, era de se imaginar que a franquia de As Panteras fossem retornar ao circuito dos cinemas ou dos seriados. Se os filmes dos anos 00 fizeram uma geração rever as detetives da agência de Charlie na condição de protagonistas, essa continuação de 2019, avança as discussões em termos do papel das mulheres em posições de poder, questionamento que nunca foi feito pelo seriado nem pelos filmes anteriores.

Esse é um dos grandes acertos da direção de Elizabeth Banks e do roteiro, além do brilho de Kristen Stewart (Sabina) que mostra toda sua veia de comediante além de “tirar onda” de sua suposta rebeldia e menções a sua sexualidade – há um certo acento queer na personagem que pode ser desenvolvido de forma mais aprofundada caso haja um próximo filme. Kristen de certa forma domina o filme dando um belo “tapa na cara” dos críticos e da audiência que tende a associá-la com a franquia Crepúsculo mesmo depois de tanto tempo e de ter filmes “alternativos” no currículo.  Além de Kristen, Naomi Scott no papel da cientista atrapalhada Elena Houghlin e Ella Balinska como Jane completam o trio, ancoradas pelos Bosleys – Patrick Stewart, nosso eterno capitão Picard de Star Trek – e Elizabeth Banks – a diretora do filme. O trio funciona bem, embora o relacionamento de amizade entre elas pudesse ter se desenvolvido de forma menos rápida e os plot twists em relação aos vilões apresentem motivações bastante fracas. No entanto, nada que faça o filme perder a animação ao estilo clássico da “Sessão da Tarde”.

As Panteras (2019) é um filme bastante divertido que explora melhor que os anteriores a parceria entre as detetives e suas transformações no caminho de pensar que o trabalho entre mulheres precisa ser coletivo, nesse sentido trazendo referências mais explícitas a questões feministas como o assédio masculino em diversos ambientes, o roubo do trabalho intelectual das mulheres e apagamento das mesmas por figuras de poder masculinas. Apesar disso é um filme leve e que acerta no tom da questão dos figurinos e disfarces – um dos destaques no seriado dos anos 1970 – e logicamente traz elementos nostálgicos como referências aos filmes anteriores e algumas surpresas que remetem à série original. Atenção às cenas pós-créditos.

Um último destaque é a trilha sonora feita para as pistas de dança e traz apenas cantoras pop como Miley Cyrus e Lana del Rey, com ênfase para Ariana Grande, um clássico de Donna Summer e até mesmo a brasileira Anitta, uma vez que o Rio de Janeiro juntamente com Istambul e Hamburgo fazem parte das paisagens por onde as detetives se empenham em resolver a questão do roubo de uma tecnologia que coloca muitas vidas em risco. Por todos esses elementos, As Panteras (2019) é um filme recomendado pela diversão e por pautar temas atuais de forma descontraída – ainda que alguns questionamentos em torno de padrões precisem ser mais explícitos evitando o queer baiting por exemplo.

Papo de Quadrinho viu: Brightburn – Filho das Trevas


A convite da produtora Espaço Z e Sony Pictures, nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu Brightburn – Filho das Trevas, que une superpoderes e terror à mais mitológica origem de um super-herói nos quadrinhos.

A história da origem do Superman já é um marco na cultura popular, quando uma nave caiu na Terra trazendo um bebê e foi encontrada pelo casal de fazendeiros Jonathan Kent e Martha Kent. O casal cria a criança como seu filho adotivo, Clark Kent, que mais tarde viria a ser herói que todos conhecemos: como gentil, generoso, nobre, incorruptível, praticamente um escoteiro gentil, altruísta e um símbolo da “verdade, justiça”, sendo tudo o que aspiramos ser e muito mais. Com poderes como superforça, invulnerabilidade, voo, visão de calor, entre outros frutos da sua natureza biológica, sua personalidade e humanidade são consequência da criação.

Mas e se as coisas fossem um pouco diferentes? E se o rapaz tivesse crescido com um sentimento de superioridade sobre o restante da humanidade, egoísta e achando que poderia escravizar todos? Esse é o mote de Brightburn – Filho das Trevas, do diretor David Yerovesky.

O filme aborda praticamente a mesma origem do Superman, em que Brandon Breyer (o Clark Kent desse universo) é criado por Kylie Brayere (David Denman) e Tori Brayer (Elizabeth Banks),  réplicas exatas dos carinhosos e cuidadosos Kent, depois de ser encontrado em uma nave espacial. Ele vai descobrindo seus superpoderes à medida que cresce, porém ao invés de um comportamento bom, o rapaz se torna um assassino frio e maléfico.

O que causa essa grande mudança? É nesse ponto que os escritores Brian e Mark Gunn (irmãos do diretor e roteirista James Gunn, de Guardiões da Galáxia, que participa como produtor da película) erram a mão. Deslocando o filme do que poderia ser uma ótima apresentação de conflito psicológico entre “natureza versus criação”, os roteiristas decidem tornar o filme mais simplista ao conectar a brusca persona maléfica de Brandon à uma possessão por sua nave espacial. A partir desse ponto, o personagem vira uma máquina de matar que utiliza seus superpoderes elimina todos que se atrevem a contrariar seus passos.

Apesar do enredo pender para um filme de terror genérico no estilo “slash movies” temperado com superpoderes, o diretor David Yarvesky merece créditos pela brutalidade explícita das cenas de morte, que poderão atrair os fãs do gore. As cenas em que a mandíbula de uma das vítimas fica pendurada ou em que um caco de vidro é retirado de dentro do olho são de deixar os nervos à flor da pele. Entretanto as emoções param aí…

As interpretações são benfeitas e um dos pontos positivos do filme, com Jackson A. Dunn (que interpretou o jovem Scott Lang em Vingadores: Ultimato) retratando um Brandon Beyer assustador e misterioso, até mesmo quando o personagem ainda é “bom”. Elizabeth Banks e David Denman são o ponto forte do filme como o casal Breyer, representando de forma sólida os encantadores pais de família que aos poucos vão se dando conta do perigo que têm dentro de casa.

Outro destaque é a trilha sonora nos momentos mãe-filho do filme. Composta por Tim Williams, a música remete e emula o tema criado por Hans Zimmer para o filme Superman: Man of Steel (2013). Praticamente um easter-egg para os fãs do Homem de Aço.

Uma pena que, ao tentar apresentar o lado sombrio de uma origem alternativa do Superman, a película peca ao não se aprofundar numa discussão moral e cai no clichê de filmes de terror convencionais de assassinos, em que o que mais vale são as cenas de morte, o suspense passageiro e os momentos gore.

A sensação ao sair do cinema foi de mais um filme de terror genérico, deixando o telespectador que buscava um paralelo maligno à origem do Superman com vontade de algo mais.

Vingadores: Ultimato – Um épico grandioso e intimista

A Marvel encerrou seu primeiro grande arco de história no cinema de forma épica. Vingadores: Ultimato, que estreia nesta quinta-feira (25), é grandioso e intimista ao mesmo tempo. É tudo que você espera, e mais.

É um filme feito para emocionar, divertir e surpreender, sem abrir mão da origem nos quadrinhos nem deixar de contar uma boa história.

É um filme-homenagem aos 11 anos do estúdio e a todos os 21 filmes que vieram antes.

A trama é conhecida ou pelo menos imaginada pela grande maioria dos fãs: os Vingadores remanescentes precisam encontrar uma forma de desfazer a dizimação causada por Thanos ao final de Guerra Infinita.

Nem por isso, seu desenrolar é óbvio ou previsível. Qualquer pista de como eles levam o plano adiante será um spoiler.

O que dá para dizer é que cada vingador lidou com a dizimação à sua própria maneira e, durante a jornada, cada um deles vai encarar seus próprios fantasmas.

Daí vem a maior carga dramática do filme e também seus momentos mais divertidos. O humor, em escala até menor que em outras produções da Marvel, é mais que orgânico, é cirúrgico.

Vingadores: Ultimato inverte muitas das expectativas, tanto no conjunto quanto no desfecho de cenas específicas.

A Marvel foi extremamente competente em guardar segredo sobre algumas passagens e personagens, e estas surpresas estão entre as melhores coisas do filme.

Desejo de coração que você consiga fugir dos spoilers para viver esta experiência ao máximo.

Sem exagero, Vingadores: Ultimato é um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos.

Não só pelo filme em si – que, sim, é ótimo –, mas principalmente pelo que ele representa em termos de fechamento de todas as pontas um universo complexo, intrincado e interligado.

Quando começam a subir os créditos, a sensação é que vai demorar outra década para voltarmos a assistir a algo com tamanha magnitude.

Vingadores: Ultimato é aquele gibizão de 300 páginas que você pega para ler numa tarde preguiçosa e não quer que acabe nunca mais.

Warner troca o comando dos filmes da DC

dcfilms

Se havia alguma dúvida do descontentamento dos executivos da Warner com o resultado criativo e comercial de Liga da Justiça, ela não existe mais.

A Variety divulgou na manhã de hoje (4) que Walter Hamada é o novo presidente da divisão de filmes da DC Comics.

A notícia que Jon Berg e Geoff Johns seriam substituídos começou a circular poucas semanas depois da estreia de Liga da Justiça, quando então já se conhecia a recepção pouco calorosa dos fãs.

E olha que os dois foram chamados às pressas para socorrer Zack Snyder depois da decepção de Batman vs. Superman: A Origem da Justiça.

Hamada trabalhava como produtor executivo da New Line – que também pertence à Warner –, onde produziu sucessos como Invocação do Mal 1 e 2 e It: a Coisa, sexta maior bilheteria dos Estados Unidos em 2017.

Geoff Johns continuará supervisionando os quadrinhos, séries de TV e animações da DC, mas está fora do poder decisório dos filmes e vai ocupar apenas um papel consultivo.

“Forrest Gump” completa 30 anos e ganha edição especial pela Aleph

 

forrest_aleph

Forrest Gump, a encantadora obra de Winston Groom sobre a trajetória do jovem que só queria fazer as coisas certas, foi lançada originalmente há 30 anos, em 1986.

Em comemoração à data, a Aleph lança uma edição luxuosa que chega às livrarias a partir da segunda quinzena deste mês.

Forrest Gump (392 páginas, R$ 79,90, tradução de Aline Storto Pereira) tem acabamento em capa dura, 13 ilustrações do quadrinhista Rafael Coutinho e um ensaio comparando o livro à sua adaptação cinematográfica, escrito pela francesa Isabelle Roblin – professora da Université du Littoral-Côte d’Opale.

A capa é dupla-face: uma sobrecapa de papel com impressão em ambos os lados permite ao leitor escolher o seu design favorito do artista Pedro Inoue (veja acima), o mesmo de 2001: Uma Odisseia no Espaço e a da edição comemorativa de 50 anos de Laranja Mecânica.

Com direção de Robert Zemeckis e estrelado por Tom Hanks, Forrest Gump, o filme, conquistou seis Oscars, incluindo o de Melhor Filme. No livro, o protagonista é ainda mais inusitado e peculiar que no cinema. Aliás, toda a narrativa é mais polêmica e densa no original do que na adaptação.

Para quem conhece Forrest Gump só do cinema, vale a pena conferir essa edição comemorativa.

Papo de Quadrinho é um blog da Revista O Grito!. Todos os direitos reservados. © 2013–2022