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Crítica: “Minutemen” é uma dos melhores HQs da série Antes de Watchmen

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Esta edição conclui a publicação Antes de Watchmen no Brasil. Pena que ficou para o final. Muitos leitores que abandonaram a coleção no meio do caminho podem não ter a oportunidade de chegar a um dos melhores volumes.

Pela mediocridade da série como um todo (com exceção do brilhante Doutor Manhattan), o trabalho de Darwyn Cooke se destaca. E não é só porque seu traço cartunesco encaixa-se perfeitamente em histórias de época (vide DC: A Nova Fronteira e The Spirit).

Antes de Watchmen: Minutemen é uma tentativa honesta e esforçada de criar a mitologia dos primeiros heróis mascarados do universo de Watchmen. A trama é narrada por Hollis Mason, o Coruja original, no que seria a primeira versão de seu livro “Sob o Capuz”.

O relato funciona como uma confissão dos pecados que Hollis acredita ter cometido. Expõe muito mais erros seus e de seus colegas do que é evidenciado em Watchmen.

A pressão dos amigos, a consciência de que pode prejudicar inocentes e a revelação de uma “verdade” por ele desconhecida faz com que mude de ideia e refaça seu livro, chegando à versão que ficou conhecida.

Cooke incorre no mesmo erro de seus colegas roteiristas: explica ou amplia fatos insinuados por Alan Moore e Dave Gibbons na obra original. Como dissemos lá atrás, na crítica de Antes de Watchmen: Coruja, explicar uma piada faz com que ela perca a graça.

A favor do autor conta seu esforço em criar um background completo e complexo dos Minutemen.

Conta, também, seu domínio da narrativa, com vários planos sequência, a repetição de elementos gráficos em diferentes quadrinhos – recurso bastante visto em Watchmen –, a narração simultânea de momentos distintos que convergem adiante, o uso de muitas técnicas de desenho para contar a história.

O problema é que, nessa tentativa, Cooke inventou situações que vão na contramão de Watchmen, como, por exemplo, a revelação do verdadeiro assassino do Justiça Encapuzada.

Antes de Watchmen: Minutemen também pode ser lido como uma metáfora da Era de Ouro dos quadrinhos. Por trás das páginas coloridas e heróis de colantes berrantes, havia toda uma indústria mentirosa e exploradora.

Por suas muitas qualidades e também pelos muitos defeitos dos anteriores, este último volume é um dos melhores da série – perde apenas para o já citado Doutor Manhattan, em que J.M. Straczynski pensou literalmente “fora da caixa”.

Leia as críticas anteriores:

Coruja

Espectral

Rorschach

Doutor Manhattan

Comediante

Ozymandias

Dollar Bill & Molloch

Crítica: Antes de Watchmen – Dollar Bill & Moloch é desperdício de papel

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Antes de Watchmen tem se mostrado uma série bastante regular. Na mediocridade.

As melhores edições, até agora, são aquelas que ou oferecem uma nova e instigante visão sobre os personagens (caso do ótimo Dr. Manhattan) ou contam sua história pregressa sem forçar o tempo todo uma relação de causa e efeito com Watchmen (Coruja e Espectral).

O resto é sofrível em diferentes graus. O sétimo volume da série, Dollar Bill & Moloch, se posiciona entre as piores, cabeça a cabeça com Rorschach e Comediante.

O título pode dar a impressão de que há alguma ligação entre membro dos Minutemen e o vilão que enfrentou as duas gerações de heróis. Nada disso. É só uma acomodação de séries que foram publicadas de forma independente nos Estados Unidos.

O que ambas têm em comum é a pobreza narrativa. Dollar Bill & Moloch limita-se a fantasiar o passado dos personagens em incontáveis recordatórios narrados em primeira pessoa, oferecidos pelos respectivos roteiristas Len Wein e J.M. Straczynski.

Para que interessa saber que Moloch converteu-se ao catolicismo pouco antes de sair da cadeia? Qual a importância de Dollar Bill ter sido um jovem atleta brilhante que teve a carreira interrompida por uma lesão?

O pior é a descaracterização. Em que pese a ótima arte de Eduardo Risso, ele transformou Moloch numa caricatura, quase uma gárgula. E em Dollar Bill (desenhado por Steve Rude), o Capitão Metrópolis não é mais aquele ingênuo cheio de boas intenções, e sim um perfeito idiota.

Antes de Watchmen – Dollar Bill e Moloch é puro desperdício de papel. Mas não é porque a revista já está impressa e nas bancas que o leitor precisa desperdiçar seu tempo e dinheiro. A HQ tem 84 páginas e preço de R$ 9,90.

ET.: Agora as esperanças de ver mais alguma coisa boa em Antes de Watchmen recaem no oitavo e último volume da série, Minutemen. Darwyn Cooke não costuma decepcionar.

Antes de Watchmen – Rorschach: crime e drama em NY

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Rorschach é o terceiro encadernado que chega ao Brasil com uma das minisséries que compõem o conjunto de Antes de Watchmen (Before Watchmen). Reúne as quatro edições americanas e dá continuidade à história paralela A Condenação do Corsário Carmesin.

A história segue os mesmos moldes volumes anteriores, Coruja, e Espectral, apresentando as aventuras do temível vigilante Rorschach, ambientadas em sua base de operações, a decadente cidade de Nova Iorque dos anos 1970, que nos anos 1980 se tornaria o palco derradeiro da série original.

Em Rorschach a única conexão direta com Watchmen é a própria cidade de Nova Iorque. As citações são discretas, entre elas o Ginga Diner, lanchonete frequentada por Walter Kovacs (alter ego de Rorschach).

A história se passa em 1977, quando o vigilante já se tornou em um matador impiedoso de criminosos. Em Watchmen é explicado que ao  investigar o caso do rapto da menina Blaire Roche dois anos antes, Kovacs descobre que a criança foi brutalmente assassinada. Esse crime altera sua conduta, “transformando-o definitivamente em Rorschach”, disposto a fazer justiça e matar se necessário.

Na trama, Rorschach procura um assassino serial de mulheres, mas precisa adiar a busca quando cruza um cafetão, ex-militar, que comanda tráfico e a prostituição local.

A arte de Lee Bermejo, com um traço disforme e expressionista (ao estilo das pinturas de Egon Schiele), reforça a opressão e degradação da cidade e funciona muito bem.
Detalhes simulam o estilo Moore-Gibbons, como o diário do vigilante – que começa datilografado, para só no final da história se tornar manuscrito – que filosofa e guia o leitor na caça aos criminosos.

Há muita violência mas sem ser gratuita: faz parte do câncer social do período em Nova Iorque, que Rorschach tenta combater a todo custo.
Aos poucos, o roteiro de Azzarello vai detalhando não apenas as motivações que mantiveram Rorschach um violento caçador de bandidos, mas sua extrema dificuldade em lidar com outras pessoas, sobretudo as mulheres.

ATENÇÃO – SPOILER EM BRANCO: Um detalhe muito legal é a curta participação especial de Travis Bickle (o taxista do filme Taxi Driver de 1976) na história.

É uma história policial interessante, porém outra HQ desnecessária em se tratando do universo de Watchmen.

Antes de Watchmen: Rorschach tem 108 páginas, capa cartão e preço de R$ 12,90 e a leitura é recomendada para 18 anos.

Antes de Watchmen: Espectral: sexo, drogas e rock’n roll

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Espectral é o segundo encadernado que chega ao Brasil com uma das minisséries que compõem o conjunto de Antes de Watchmen (Before Watchmen). Reúne as quatro edições americanas e dá continuidade à história paralela A Condenação do Corsário Carmesin.

Assim como no primeiro volume, Coruja, também este se concentra em apresentar as aventuras da jovem vigilante e estabelecer uma relação de causa e efeito com a obra principal.

Em Espectral, a conexão com Watchmen é não só direta – detalha a relação conflituosa de Laurie Júpiter com sua mãe, a Espectral original – mas também sutil. Os roteiristas Darwyn Cooke e Amanda Conner espalharam aqui e ali vários elementos que aparecem na obra de Moore e Gibbons: o globo de neve, os buttons do Smile.

O flerte com a obra original também se dá na linguagem. Em vários momentos, a narrativa emula o estilo Moore-Gibbons, com imagens repetidas na transição de quadros e sobreposições em que se o desenho diz uma coisa e o texto, outra.

Por conta deste cuidado dos autores, Espectral é mais interessante que Coruja. A arte de Amanda Conner é agradável, fluida, e a artista demonstra grande domínio da narrativa gráfica.

A trama é mais reflexiva. Há poucas e boas cenas de ação, e a história concentra-se na formação da nova Espectral, uma adolescente sufocada pela frustração e superproteção da mãe.

A pressão faz com que Laurie fuja de casa e antes de voltar, transformada, aproveite tudo que a geração “sexo, drogas e rock’nroll” tinha a oferecer. O clima psicodélico traduz o ideal de liberdade buscado pela garota e a arte se encarrega de dar o clima.

O ponto alto fica com a curta, porém decisiva, participação do Comediante na trama.

Antes de Watchmen: Espectral tem 108 páginas, capa cartão e preço de R$ 12,90.

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