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2013: O que vem por aí (outras editoras)

LeYa: a editora confirmou para este ano o lançamento da primeira colocada no Prêmio Barba Negra, de 2011: Imaginário Coletivo, de Wesley Rodrigues (imagem acima). Quando foi anunciado o final da LeYa com a Barba Negra no final do ano passado, o editor Sandro Lobo garantiu que o compromisso assumido com os vencedores do concurso seria honrado. Sobre os outros dois colocados – Salalé e O Pássaro da Boa-Hora – não há informação.

Kalaco: O editor Franco de Rosa confirma os lançamentos para este ano, porém sem data definida, de duas produções nacionais: 3.000 Anos Depois, do “clã Deodato”: Deodato Borges e Mike Deodato Jr., e Família Titan, de Gian Danton (roteiro) e Joe Bennett (arte).

Zarabatana: a editora reprogramou para 2013 um lançamento previsto para 2012, Crônicas de Jerusalém, HQ canadense de Guy Delisle com uma visão bem humorada da convivência entre israelenses e palestinos. A Zarabatana vai publicar também mais um volume, o sexto, de Macanudo, do argentino Liniers.

Pixel: o selo de quadrinhos da Ediouro teve um 2012 bem agitado, com lançamento de revistas em formatinho e preço acessível de vários clássicos: Recruta Zero, Gasparzinho e Brasinha entre eles. Neste ano, a Pixel dará continuidade a estes títulos e está definindo os detalhes para uma edição especial comemorativa dos 70 anos dos primeiros desenhos animados da personagem Luluzinha.

2012: O que vem por aí pela Leya

Desde que se instalou no País há pouco mais de dois anos, o grupo editorial português publicou alguns ótimos títulos em parceria com a brasileira Barba Negra, tanto estrangeiros (Cicatrizes, Koko be good, 676 Aparições de Killoffer) quanto nacionais (Emir Saad, Uma Patada com Carinho, Morro da Favela, Encruzilhada).

A editora lança, já neste mês de janeiro, a HQ iraniana O Paraíso de Zahra, de Amir e Khalil – os nomes são fictícios, criados para proteger os autores de prováveis perseguições políticas.

Publicada originalmente na Internet no início de 2010 em 12 idiomas, a narrativa parte de uma marcha nas ruas de Teerã por eleições presidenciais e segue acompanhando o drama de Zaha em busca de seu filho desaparecido durante a manifestação.

O Paraíso de Zahra é uma referência ao cemitério na região sul da capital iraniana, um dos possíveis destinos do filho de Zaha.

A HQ tem 272 páginas, formato 16 x 23 cm e preço de R$ 39,90.

Alguém duvida do bom momento do quadrinho brasileiro?

A organização da Rio Comicon divulgou no início deste mês a relação das HQs mais vendidas nos quatro dias do evento (20 a 23 de outubro):

1. Daytripper (Panini), de Fábio Moon e Gabriel Bá

2. Necronauta – O almanaque dos mortos (Zarabatana Books), de Danilo Beyruth

3. Kardec (Barba Negra/LeYa), de Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa

4. Asterios Polyp (Quadrinhos na Cia.), de David Mazzucchelli

5. Eu, Wolverine (Panini), de Chris Claremont e Frank Miller

6. Luluzinha (Pixel)

7. Macanudo 1 (Zarabatana Books), de Liniers

8. Noturno (Zarabatana Books), de Salvador Sanz

9. Bando de dois (Zarabatana Books), de Danilo Beyruth

10. Macanudo Agenda 2012 (Eku), de Liniers

Dos 10 títulos mais vendidos, 5 são brasileiros, 3 argentinos e 2 norte-americanos, sendo apenas um do gênero de super-heróis.

Soma-se a isto a excelente análise feita pelo jornalista Paulo Ramos ao final do Festival Internacional de Quadrinhos sobre os quadrinhos independente (leia a íntegra aqui), da qual destaco alguns pontos:

– Entre 40 e 50 lançamentos independentes e nacionais

– Maior número de estandes destes títulos

– Produções graficamente bem editadas e com conteúdo à altura

Entre os lançamentos do FIQ divulgados aqui no Papo de Quadrinho, nota-se também a importância que editoras estabelecidas dedicaram ao quadrinho nacional (caso da Nemo e da Barba Negra, por exemplo), sem falar do anúncio do selo Graphic MSP, a ser lançado em 2012 com produções de artistas de fora dos Estúdios Mauricio de Sousa.

Dito isto, a quem interessa uma lei que imponha cotas de produção nacional às editoras que publicam quadrinhos?

Incentivos fiscais, obviamente, são bem-vindos. Alguns dos bons quadrinhos brasileiros que li ultimamente foram projetos aprovados pelo ProAC, do governo paulista.

Agora: não confundir “bem-vindos” com “essenciais”. Tem muita gente boa, fazendo quadrinho de qualidade e, melhor ainda, vendendo suas revistas sem a benção do Estado.

O quadrinho brasileiro vive um bom momento. A hora é de avançar nesta questão, resolvendo o calcanhar de Aquiles que é a distribuição para fazer com que toda esta produção chegue a um número maior de leitores.

A imposição de cotas em nada ajuda este processo.

FIQ 2011: Lançamentos da Barba Negra

A editora reservou duas novidades em quadrinhos brasileiros para o Festival Internacional de Quadrinhos.

A primeira é Uma patada com carinho, da cartunista gaúcha Fabiane Bento Langona, a Chiquinha, estrelada pela aliá Elefoa, a girafa Gisbelle e a ursa Janete, em suas desventuras pelo universo feminino.

A sessão de autógrafo no FIQ acontece dia 12, sábado, às 11h, na Praça Sergio Bonelli. Na véspera, Chiquinha participa do bate-papo sobre Mulheres e Quadrinhos na Arena Carlos Trillo junto com Adriana Melo, Erica Awano e Cris Peter.

Uma patada com carinho tem 128 páginas, formato 14 x18 cm e preço de R$ 34,90.

O outro lançamento é Emir Saad – O Monstro de Zazanov, que reúne as tiras publicadas semanalmente por André Dahmer no portal G1. O personagem principal é um ditador à moda antiga, que  só quer governar com mãos de ferro sem ser importunado.

André distribuiu autógrafos no dia 11, às 15h, na Praça Sergio Bonelli. Emir Saad tem 128 páginas, formato 18 x18 cme custa R$ 34,90.

HQs na Bienal: lançamentos da Barba Negra e Leya Brasil

A editora destaca duas novidades para o evento literário: Koko be Good, da coreana Jen Wang, e a HQ francesa Pequeno Pirata.

Nesta última, o autor David B. adapta a fábula infantil do início do século 20, Le Loi Rose, de Pierre Mac Orlan. A trama fala da sombria tripulação pirata da embarcação Holandês Voador em busca do perdão pelos seus crimes e que, subitamente, encontra um bebê.

Pequeno Pirata foi indicada este ano ao Eisner Awards na categoria Melhor Edição Americana de Livro Estrangeiro.

O que significa “ser bom”? É esta questão que a quadinhista coreana Jen Wang, conhecida por suas webcomics, levanta na fábula moderna Koko be Good sobre o jovem Jon, que tem seus planos interrompidos pela chegada da excêntrica, encrenqueira e imprevisível Koko em sua vida.

Pequeno Pirata tem 48 páginas e Koko be Good, 304. Ambas vão custar R$ 29,90.

A editora ainda preparou alguns eventos para a Bienal do Livro do RJ: no dia 4, Arnaldo Brando, de Mundinho Animal, e Daniel Lafayete, de Ultralafa, autografam nos estandes da Saraiva e do Submarino a partir das 14h30; no dia 11, no espaço Café Literário, o quadrinhista André Dahmer, editor da Barba Negra, fala sobre “HQ – Cruzamento e Linguagem”.

Vale o Investimento: Zumbi: O Livro dos Mortos

À primeira vista, o livro escrito pelo jornalista Jamie Russel pode parecer apenas mais um almanaque sobre mais um gênero do cinema.

Não é. O ótimo lançamento da Leya/Barba Negra é um dos melhores – se não o melhor – estudos a tratar deste tema.

Logo na introdução, Russel diz a que veio: “Poucos monstros dos filmes de terror são tão malvistos quanto o zumbi. Enquanto vampiros, lobisomens e até assassinos seriais demandam respeito, o zumbi nunca é visto como algo mais que um bufão que se arrasta às margens do cinema de terror (…)”.

Parte deste preconceito vem da falta de uma herança literária dos zumbis – diferente do Conde Drácula ou do monstro de Frankenstein, por exemplo. São, também, um mito moderno, nascido (pelo menos enquanto entretenimento) no começo do século XX.

O autor faz um verdadeiro tratado antropológico da mitologia dos mortos-vivos desde suas raízes no vudu do Haiti até virar febre nos Estados Unidos nos anos 1930.

Para Russel, poucos monstros do cinema serviram tanto ao propósito de representar as tensões culturais da sociedade. Nos primeiros filmes norte-americanos do gênero, realizados durante a ocupação dos Estados Unidos na ilha caribenha, o zumbi representava os conflitos raciais, a supremacia da “ciência branca” sobre a “superstição negra”.

Nas décadas seguintes, a figura do morto-vivo encarnou os temores da Segunda Guerra e da Guerra Fria, o desrespeito aos direitos civis, a propagação da AIDS.

Zumbi: O Livro dos Mortos é baseado em farta bibliografia de várias áreas do conhecimento, do cinema à psiquiatria, e muito bem ilustrado.

No final, aí sim o leitor encontra uma completíssima filmografia zumbi. A edição da Leya/Barba Negra teve o cuidado de separar esta extensa lista entre os filmes lançados e não lançados no Brasil.

Zumbi: O Livro dos Mortos tem 464 páginas, formato 23 x 20 cm e custa R$ 44,90. Vale o investimento!

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