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CCXP Worlds 21 contará com 42% de mulheres e 40% de artistas LGBTQIAPN+

Artists’ Valley by Santander na CCXP Worlds 21 contará com 42% de mulheres e 40% de artistas LGBTQIAPN+
(do release)

São Paulo, 05 de novembro de 2021: Diversidade, essa foi a palavra que vem aos longos das todas as edições da CCXP moldando as mesas físicas e virtuais na CCXP e CCXPverso. Essa variação de olhares e interpretações de uma realidade fantástica muitas vezes se materializa em forma de arte e justifica o fato do Artists’ Valley by Santander ser considerado o coração do evento. Para a edição virtual da CCXP Worlds, 21 foram 581 artistas selecionados. Outro anúncio importante da organização é que faltando menos de um mês para acontecer, a CCXP resolveu dar um spoiler e colocar no ar uma página com o nome, descritivo e alguns trabalhos dos artistas antes da abertura da edição deste ano.

photo Matheus Nahra

Para a edição de 2021, 40,8% dos expositores do Artists’ Valley by Santander disseram se identificar dentro da sigla LGBTQIAPN+. A representatividade também pode ser conferida quando 10% dos inscritos se identificam como transgêneros, não binários, gender fluid, agênero e travestis. A participação de mulheres (cis e trans) nas mesas virtuais da CCXP para este ano representa 42,1% do total de artistas participantes – na edição anterior, elas representavam 36,4% e, em 2019, 33%. Ainda, 24,59% dos participantes se identificam como negros ou pardos. “A CCXP sempre valorizou a diversidade e a inclusão, e isso está fortemente presente no Artists’ Valley, que é o coração do festival. A multiplicidade de artistas presentes nessa área se traduz em uma produção igualmente diversa que contribui para atrair novos leitores e para o crescimento do mercado de quadrinhos no país”, destaca Ivan Costa, cofundador da CCXP e curador do Artists’ Valley.

A representatividade também se faz presente nos temas. Nas categorias de trabalhos, as obras independente/alternativa ficaram em primeiro lugar com 12,2%, o segundo lugar ficou com fantasia (11,7%) e fechando o top 3, aventura (8%). Uma análise interessante é que os mangás ficaram à frente de super-heróis, 5,6% contra 4,6%. O Artists’ Valley by Santander terá representantes da Argentina, Alemanha, Canadá, Hong Kong e Portugal. O conteúdo da seção será disponibilizado em inglês. Mesmo que virtual, quem passar pelo espaço poderá conferir também obras dos mais variados gêneros como ficção-científica, jornalismo, adaptação literária, erótico, terror, entre outros.

Como fosse uma ‘visão além do alcance’, o fã da CCXP terá acesso a partir de hoje a um ‘spoiler’ da CCXP Worlds 21. Trata-se da abertura da galeria de artistas presentes na edição CCXP Worlds 21 no site institucional .

Neste spoiler, o público poderá usar filtros de busca para encontrar o artista que procura e buscar por temas e palavras-chave. Outro ponto importante é que sempre que o internauta acessar a página, uma nova exibição randômica será apresentada. Quando o evento de fato começar, os quadrinistas e ilustradores poderão promover a interação entre fãs e artistas, que comercializam suas artes originais, prints e sketchbooks, entre outros materiais. Os artistas que utilizarem exclusivamente o e-commerce oficial do evento, o Mercado Livre, receberão um par de ingressos para a Spoiler Night da CCXP 22, além de outros benefícios.

Todos os participantes do Artists’ Valley by Santander terão acesso a uma credencial virtual ilustrada com uma arte do brasileiro Robson Rocha, artista homenageado no CCXP Worlds 21, vítima da Covid-19. Anteriormente, o palco já prestou homenagem a nomes como Will Eisner, Ziraldo, Julio Shimamoto e Angeli.

Outro produto da CCXP aguardado pelos fãs é o Road to Artists’ Valley, um documentário de quatro episódios que fará um aquecimento para o festival, contando como esta área se tornou, em poucos anos, o maior Artists’ Alley do mundo. O conteúdo inédito terá imagens de arquivo exclusivas e depoimentos das maiores lendas dos quadrinhos, que prometem emocionar os apaixonados por cultura pop.

Assim como todo conteúdo on demand e de Masterclasses, as mesas virtuais do Artists’ Valley by Santander da CCXP Worlds 21 ficarão abertas até o dia 05 de janeiro de 2022.

SERVIÇO CCXP Worlds 2021
Datas: 4 e 5 de dezembro (Edição digital)

CREDENCIAIS:

• FREE EXPERIENCE (Gratuíto)

Acesso à plataforma CCXP Worlds 21. Acesso ao conteúdo dos palcos Thunder, Artists’ Valley by Santander, Tribo Game Arena, Creators & Cosplay Universe, Omelete Stage e Palco Colecionáveis. Acesso à fancam para interagir com visitantes de todos os mundos. Credencial digital da CCXP Worlds 21 .

• DIGITAL EXPERIENCE (R$ 50)

Tudo do FREE EXPERIENCE e mais: anúncios de produtos exclusivos e edições limitadas durante a programação; acesso a área de masterclasses*; video on demand*.

• HOME EXPERIENCE (R$50 + Frete)

Tudo do DIGITAL EXPERIENCE e mais um Home Kit enviado para a casa do fã com credencial física, cordão do Amazon Prime Video, tag de porta, pin e stickers da CCXP Worlds 21 .

*Os conteúdos de Mastercalsses e Vídeo On Demand ficarão disponíveis para os fãs que adquirirem os ingressos DIGITAL EXPERIENCE e HOME EXPERIENCE até o dia 05/01/2022. Parte do conteúdo exibido durante o evento não poderá ser disponibilizada na modalidade On Demand em razão dos direitos autorais.

Papo de Quadrinho viu: Eternos

A convite da Disney e da produtora Espaço Z, vimos Eternos em uma cabine de imprensa segura, com os presentes vacinados (mais de 73% da cidade de Porto Alegre está imunizada), todos portando máscaras e com distanciamento obrigatório. Aos poucos e com cuidado, as atividades e as resenhas retornam. A pandemia não acabou, mas, graças à ciência e ao SUS, a vida segue. Para ver esse filme ou qualquer outro, só vá ao cinema que exigir passaporte vacinal e que mantenha os cuidados básicos de distanciamento e uso de máscara.

Aviso feito, ora de falar da nova produção da Marvel pelas mãos da Diretora Chloé Zhao.

Poster oficial do artista Salvador Aguiano (@Hiperactivo)

Eternos dá sequência à fase 4 do MCU (Marvel Cinematic Universe), apresentando uma nova safra de heróis do universo que têm o desafio de manter o interesse da audiência e ainda expandir as histórias rumo às novas sagas espaciais da Marvel.

Assim como aconteceu com os Guardiões da Galáxia (2014), os Eternos são um grupo basicamente desconhecido do grande público. Os novos personagens do cinema são velhos personagens dos quadrinhos, uma mistura de super-heróis com ficção científica criada pelo mestre Jack Kirby, o célebre artista e parceiro de Stan Lee nos primórdios da Marvel Comics, em 1976.

Eternos, de Jack Kirby no traço de John Romita Jr.

Na trama, um grupo de super-heróis chegou à Terra nos primórdios da civilização conhecida, enviados com o propósito de proteger a humanidade dos terríveis monstros chamados de Deviantes.

Ao defenderem os humanos com poderes e tecnologia alienígena, os Eternos foram adorados como Deuses e Deusas. Sua tecnologia e suas aventuras se transformaram em nossa mitologia através da narrativa das civilizações antigas, que foram aos poucos moldadas e influenciadas por eles. Apesar da boa influência, sua missão era defender a humanidade dos Deviantes e não dos conflitos que a própria humanidade se impôs.

Após a extinção dos Deviantes em algum ponto da história, os Eternos viveram suas vidas paralelamente aos grandes conflitos da Terra e seguiram na linha do tempo humano, incógnitos, aguardando o momento de retornarem ao seu planeta de origem quando sua missão chegasse ao fim.

O grupo de Eternos é formado por Angelina Jolie (Thena), Salma Hayek (Ajak), Gemma Chan (Sersi), Richard Madden (Ikaris), Don Lee (Gilgamesh), Lia McHugh (Sprite), Kumail Nanjiani (Kingo), Lauren Ridloff (Makkari), Barry Keoghan (Druig) e Brian Tyree Henry (Phastos). Cada um conta com dons especiais para defender a humanidade.

Não podemos esquecer do ator Kit Harrigton, famoso por seu papel de Jon Snow em Game of Thrones – e por ter andado de ônibus no Rio durante suas férias na cidade – que já sabemos é Dane Whitman, o Cavaleiro Negro, outro personagem que marca a fase 4 do MCU.

A narradora da trama é Sersi, porém com bom tempo de tela para cada herói. Apesar de muitos atores em cena, as atuações são boas. Um conjunto excepcional de ação e efeitos especiais competentes são destaque do filme: repare nas cenas de batalha, principalmente com Makkari.

Sem Spoilers, vale dizer que são poucas as passagens do filme que relembram os filmes anteriores do MCU. Nada mais justo se o objetivo é seguir em frente: hora de abandonar Tony Stark, Steve Rogers e cia.

A direção tem mais acertos do que erros. Poderia ter uma montagem um pouco mais enxuta, o que daria mais agilidade ao filme e consumiria menos tempo da plateia. Por outro lado, Chloé Zhao soube contar bem uma história com muitos personagens, o que não é fácil. Também usou diferentes passagens de tempo e geografia, um recurso que funcionou perfeitamente, tanto para levar a trama como para deixar explícitas as motivações de cada um dos Eternos.

Nosso veredito é que vale conferir esse filme bem contado e que equilibra aventura com um visual incrível. Eternos poderia ser mais curto, mas ainda assim é um bom recomeço para o MCU.

O que virá daqui por diante não sabemos, mas há pistas.

A ficção científica está em alta e parece ser a bola da vez. A confiança redobrada na ciência (apesar do negacionismo de pequenos grupos), a corrida espacial privada e numerosos bons filmes e séries de ficção científica parecem estar alcançando um público maior, fora dos grupos nerds iniciados.

Tudo isso pode ajudar a divulgar Eternos, uma mistura de super-heróis, ficção científica e mitologia. A retomada gradual da ida ao cinema, também. Estamos na torcida pelo fim da idiocracia, por saúde plena para o mundo todo e por grandes filmes nesta nova fase do MCU.

Em tempo: é um filme da Marvel, portanto só vale ir embora depois da cena pós-crédito.

Papo de Quadrinho viu: DUNA (part 1)

A convite da Warner e da produtora Espaço ZAdri Amaral assistiu DUNA, mais recente filme do diretor Denis Villeneuve, adaptando o clássico da ficção científica de Frank Herbert.

Antes de falar sobre o filme mais aguardado pelos fãs de ficção científica do ano, gostaria de dizer que o diretor canadense Dennis Villeneuve está coberto de razão nas entrevistas de divulgação do filme, é um filme pensado, concebido e produzido para ser visto dentro da experiência da sala de Cinema.

Como dizia meu professor de Introdução ao Cinema, o saudoso Aníbal Damasceno, “o que faz o filme é a circunstância do espetáculo”. Assim, assistir à Duna em toda a sua grandiosidade na tela e no som do IMAX já nos faz sentir como um grãozinho de areia do deserto de Arrakis.

Se o cinema vai sobreviver no pós-pandemia pode ser que a adaptação do livro de Frank Herbert tenha algumas pistas sobre o futuro do chamado “cinemão”. Obviamente sabemos que as condições sanitárias ainda não são as melhores, mas para quem já tem seu passaporte vacinal verificado com as duas doses – como foi o meu caso nessa sessão para a imprensa – recomendamos todos os cuidados (use máscara, mantenha o distanciamento, não coma no cinema) de quem adentra um novo e amplo universo. E o universo de Duna é grandioso e terrível em suas disputas pelo poder. A adaptação de Villeneuve enfatiza todo esse horror que já estava presente no livro homônimo de 1965 e que se parece, infelizmente, bem atual.

Nessa nova versão (a primeira adaptação foi um fracasso retumbante dirigido e roteirizado por David Lynch em 1984), podemos observar em detalhes, mas também de forma dinâmica a constituição do universo de Duna: a força da religião, as classes sociais demarcadas, o ambiente dos diferentes planetas do Império e as relações e tensões entre as diferentes casas da nobreza.

O desértico planeta Arrakis é visto como o maior fornecedor da especiaria do Império que serve como combustível para as viagens espaciais. Assim, iniciamos a saga sendo apresentados ao modus operandi brutal e sanguinário da Casa Harkonnen que colonizou e oprimiu o planeta Arrakis e seus habitantes – os fremens que se adaptaram às condições desérticas. 

Paul Atreides (Thimotée Chalamet) e Lady Jessica Atreides (Rebecca Ferguson)

O Imperador ordena a retirada das tropas Harkonnen e a passagem do comando para a Casa Atreides, governada pelo Duque Leto Atreides (Oscar Isaacs). Assim, inicia-se o conflito político que é parte essencial da trama. Somos introduzidos ao protagonista Paul Atreides (Thimotée Chalamet) e seu caminho para a transformação, além de sua mãe Lady Jessica Atreides (Rebecca Ferguson), cujo treinamento religioso como parte da ordem das Bene Gesserit foi também transmitido a Paul.

A partir dessa premissa, o filme constrói uma narrativa que consegue de forma muito brilhante utilizando com maestria todos os recursos cinematográficos para uma adaptação que estava cercada de expectativas, e cujas adaptações anteriores (o filme de Lynch e uma série de TV) foram insatisfatórias. 

Entre a estética e o conteúdo em si da trama, são muitos pontos a destacar na grandiosidade da obra. 

O trio de roteiristas (Dennis Villeneuve, John Spait e Eric Roth) enfatiza as mensagens ecológicas e políticas – que já estavam presentes no livro – desde o casting bastante diverso até a sutileza de planos abertos quando vemos a pequenez das pessoas perto da força da natureza – o deserto de Arrakis e de seus deuses do deserto, bem como nas ações e tramas pelo poder, que não podemos esmiuçar aqui para não dar spoilers, mas que são ponto chave na trama. 

Pelo ponto de vista dos nativos fremens, podemos observar os danos do imperialismo, da colonização e da ganância. O caráter místico ganha também um tom de quase horror embora a lisergia e o onírico que são alguns destaques na obra original estejam presentes, embalados na magnífica trilha do oscarizado compositor alemão Hans Zimmer que mistura elementos clássicos e marciais com sons orientais e futuristas. O sound design é importantíssimo em muitos momentos chaves da trajetória das personagens, sobretudo nos acontecimentos em torno da experiência da Casa Atreide no planeta desértico.

A direção de arte traz uma paleta de cores não tão escuras quanto em filmes anteriores do diretor canadense, oscilando entre luz e trevas quando necessário. Nesse quesito, o figurino de Bob Morgan (que fez filmes como Malévola e Inception) e Jaqueline West (responsável por Benjamin Button) é um dos destaques, trazendo os elementos de alfaiataria, roupas marciais e cerimoniais tanto quanto os trajes de combate são elementos simbólicos centrais para a compreensão das lógicas e dinâmicas de cada grupo e seu papel nesta sociedade. O design de set em geral e sobretudo das naves também é um deslumbre visual de impacto.

Duna – Parte I é honestamente falando, deslumbrante do início ao fim, um verdadeiro épico que consegue dialogar com várias gerações – ponto que também atribuo à química entre atores como Timothé Chalamet (Paul), Sharon Duncan-Brewster (Dr. Liet Kynes) e a Duncan Idaho (Jason Momoa) em seu melhor papel até o momento.

Sem parecer corrido, o filme consegue manter o ritmo e adaptar de forma genial uma obra que é clássica e de nicho ao mesmo tempo. É a ficção-científica em seu lugar audiovisual mais nobre: entre a extrapolação do presente, elementos estéticos do passado e o desenho de um futuro apavorante. Agora é aguardar – ansiosa – a Parte II.

Papo de Quadrinho viu: O Último Duelo

A convite da Disney e da produtora Espaço Z, Adri Amaral assistiu O Último Duelo (The Last Duel), mais recente filme de Ridley Scott.

A história é baseada no livro homônimo de Eric Jager – lançado pela Record em 2011 – que trata de uma ficção histórica que especula sobre o último duelo sancionado pela França em 1396 entre Jean de Carrouges (Matt Damon) e Jacques Le Gris (Adam Driver), vassalos do conde Pierre d’ Alençon (Ben Affleck loiríssimo e afetadíssimo).

O filme mostra a escalada de competição entre o cavaleiro e ex-escudeiro taciturno e religioso Carrouges e o escudeiro letrado e libertino Le Gris. Até o ponto em que Le Gris estupra esposa de Jean, Marguerite Carrouges, interpretada magistralmente por Jodie Comer (que já fez The White Princess e Star Wars – Ascensão Skywalker), desencadeando o processo judicial que culmina no duelo.

Entre manobras políticas e batalhas adentramos em um mundo masculino brutal de dominação, violência, guerras e intrigas no qual justiça e verdade parecem pouco importar.

A condução da narrativa do filme é a partir dos três pontos de vista (Carrouges, Le Gris e Marguerite). Nestas diferentes narrativas se constrói a tensão e nos dá perspectivas sobre o caráter, a história e as impressões dos envolvidos – um saldo positivo do roteiro escrito por Nicole Holofcner, Ben Affleck e Matt Damon – não por coincidência uma mulher e dois homens.

As cenas em planos mais fechados, evitam um tanto os clichês de lutas e batalhas de filmes de época demonstrando a selvageria dos combates; bem como as cenas internas na corte nos dão a dimensão das intrigas e da ganância de ambos os vassalos, os destituindo de heroísmo.

Não há romantização da Idade Média no filme, apenas a nua e crua luta por poder e a ideia de propriedade, seja da terra, dos animais e das mulheres, tudo garantido aos homens através da violência, da religião e das leis a manutenção do poder. Nesse sentido, a teatralidade da corte durante o julgamento construída a partir de olhares e até mesmo de movimentos corporais dos personagens mostra o absurdo de uma época em que crendices e maledicências valiam tanto quanto uma vida.

Apesar de cenas horrendas e violentas, nada é gratuito – sobretudo no que tange ao ataque a Marguerite – elas são centrais para o entendimento da construção de masculinidades e de vida em sociedade que devem ser descartados e nunca tomados como modelo e exaltação como, infelizmente, vemos ainda hoje.

O Último Duelo é um filme bom em todos os aspectos e deixa claro que não existe nada épico, mítico ou glorioso. É uma visão reta e bruta de um mundo que já nos trouxe avanços, mas que volta e meia podem ser perdidos.

Sweet Tooth estreia em 4 de junho

Há dez anos, “O Grande Esfacelamento” causou estragos no mundo e levou ao misterioso surgimento de híbridos: bebês nascidos parte humanos, parte animais. Sem saber se os híbridos são a causa ou o resultado do vírus, muitos humanos os temem e caçam. Após uma década vivendo com segurança em sua casa isolada na floresta, Gus (Christian Convery), um menino-cervo acolhido, inesperadamente faz amizade com um viajante solitário chamado Jepperd (Nonso Anozie). Juntos, eles partem em uma aventura extraordinária pelas ruínas da América em busca de respostas: sobre as origens de Gus, o passado de Jepperd e o verdadeiro significado de um lar. Mas sua história é cheia de aliados e inimigos inesperados, e Gus logo aprende que o mundo exuberante e perigoso além da floresta é mais complexo do que ele imaginava. Baseada na série em quadrinhos da DC criada por Jeff Lemire, SWEET TOOTH tem produção executiva de Jim Mickle, Beth Schwartz, Robert Downey, Jr., Susan Downey, Amanda Burrell e Linda Moran.

Beth Schwartz, produtora executiva, escritora e co-showrunner, nos conta sobre como foi levar os quadrinhos de 2009 para a tela: “A série SWEET TOOTH está em produção desde 2016 e os quadrinhos já existiam bem antes disso, mas acho que todo mundo vai se identificar com a série e essa história mais do que esperávamos quando a gente começou a trabalhar nela. Ao assistir SWEET TOOTH, você terá esperança em relação ao futuro”. O produtor executivo, escritor, diretor e co-showrunner Jim Mickle, complementa: “Queríamos criar uma série capaz de oferecer fuga e aventura, onde a natureza estivesse recuperando o mundo e o clima fosse de conto de fadas. SWEET TOOTH é um novo tipo de história distópica, bastante exuberante e esperançosa. Queremos que as pessoas venham a esse mundo onde há beleza, esperança e aventura. Essa é uma história emocionante: andamos de trens, subimos montanhas, corremos pelas florestas. É uma série sobre o que constitui uma família, o verdadeiro significado de um lar e por que é importante manter a fé na humanidade”.

Data de estreia: 4 de junho
Baseado em personagens criados por Jeff Lemire para Vertigo
Todas as informações em: www.netflix.com/sweettooth

HQ plurilíngue retrata língua indígena de sinais de forma inédita

A história em quadrinhos produzida por Ivan de Souza retrata, de forma pioneira, a língua indígena de sinais utilizada pelos surdos da etnia terena. A obra tem o propósito fortalecer o reconhecimento e a preservação das línguas de sinais indígenas e é apresentada em formato plurilíngue, sinalizada também na Língua Brasileira de Sinais (Libras). 

Sol: a pajé surda ou Séno Mókere Káxe Koixómuneti, em língua terena, conta a história de uma mulher indígena surda anciã chamada Káxe que exerce a função religiosa de pajé (Koixómuneti) em sua comunidade. Ao ser procurada para auxiliar em um parto e após pedir a benção dos ancestrais para o recém-nascido, o futuro do povo terena é revelado e transmitido a ela em sinais. “A história mostra um pouco da rica cultura desse povo, as situações, consequências e resistência após o contato com o povo branco”, revela Souza. 

O trabalho de conclusão do curso de licenciatura em Letras Libras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) teve início em 2017, quando o estudante pesquisava a história dos surdos no Paraná, na iniciação científica. Todo o processo teve acompanhamento de pesquisadoras que já desenvolviam atividades com os terena surdos, usuários da língua terena de sinais. A comunidade indígena também teve participação ativa no desenvolvimento e depois, na validação da obra junto ao seu povo. 

Souza e os especialistas que o auxiliaram no projeto também desenvolveram um sinalário, isto é, um registro em libras dos principais conceitos apresentados na narrativa visual e um glossário plurilíngue abrangendo palavras utilizadas no dia a dia da comunidade. “Levantamos os vocabulários que mais se repetiam e organizamos em uma planilha. Depois buscamos localizar os sinais já existentes em sites e aplicativos. Filmamos os sinais e disponibilizaremos esse material no YouTube, com o objetivo de expandir o conhecimento sobre as línguas sinalizadas e de minimizar a barreira linguística”, explica. 

De acordo com o autor, o trabalho tem relevância para os indígenas da comunidade terena e de outras etnias e para a sociedade em geral. “Esse é mais um material disponível para os terena ensinarem sua história de forma acessível a ouvintes e surdos. É importante também para mostrar à sociedade como existem povos, culturas, identidades e línguas diferentes no país. E que essa diversidade precisa ser respeitada, preservada e valorizada”.  

Ele pretende distribuir a HQ em escolas indígenas, com o objetivo de auxiliar o fortalecimento linguístico e de ressaltar a importância das línguas de sinais para essas comunidades.  O autor conta que uma das principais dificuldades que teve no desenvolvimento da obra foi estudar a religiosidade, as pinturas e as tradições da comunidade e que, apesar de enriquecedor, o processo foi desafiador e demandou muito esforço na transposição e no acompanhamento junto à ilustradora, Julia Alessandra Ponnick, que é acadêmica do curso de Design Gráfico da UFPR, autora, ilustradora e roteirista de histórias em quadrinhos.  

DC FANDOME REVELA O PROCESSO CRIATIVO DO QUADRINISTA IVAN REIS

DC FanDome é uma mega experiência virtual gratuita para fãs, na qual nenhuma credencial é necessária. Após o sucesso da primeira parte do evento realizada em 22 de agosto, que reuniu 22 milhões de espectadores ao redor do mundo, a Warner Bros. Pictures anuncia para o dia 12 de setembro, no DC Fandome: Explore o Multiverso, a exibição de um conteúdo inédito e especial focado no universo dos quadrinhos, em parceria com o quadrinista brasileiro Ivan Reis

Ivan Reis, um dos artistas favoritos aqui do Papo

No seu estúdio pessoal, em São Bernardo (SP), Ivan revela ao público um pouco da sua técnica de trabalho, do esboço à finalização das peças. No evento, os fãs poderão acompanhar o passo a passo do desenho do Batman, inspirado na nova produção Batman, que será estrelada por Robert Pattinson e dirigida por Matt Reeves, além da divulgação de outros projetos do quadrinista, que inclui o lançamento de colecionáveis e novidades em publicações como a revista do Superman, entre outras.  

“A minha parceria com a DC tem mais de uma década, e estou muito feliz em fazer parte desse momento. O DC FanDome é um evento singular focado nos fãs e de proporção global. Apresentar o meu trabalho para diferentes audiências, com personagens que marcaram gerações é muito gratificante”, diz. 

O resultado com o celebrado artista brasileiro você confere agora em 12 de setembro, sábado, a partir de 14h no DC WatchVerse em DCFandome.com. 

Sobre o artista 

Há mais de 25 anos no mercado de quadrinhos, Ivan iniciou sua carreira nos Estúdios Mauricio de Sousa e já trabalhou em revistas de vários gêneros para diversas editoras, além da Marvel e DC. Na Marvel, desenhou títulos como Vingadores, Homem de Ferro e Hulk; e na DC, desenhou as revistas Superman, Lanterna Verde e Aquaman, além de eventos importantes como Infinite Crisis, Blackest Night, Brightest Day, Multiversity e foi um dos criadores envolvidos na grande reformulação DC Universe Rebirth. Celebrado artista, em 2016 desenhou Batman n°6, sua primeira história solo do Homem-Morcego, a revista mais vendida do mercado americano em setembro daquele ano. Ganhador de vários prêmios em sua carreira, é artista exclusivo da DC há muitos anos e atualmente é o desenhista oficial da Revista Superman, um dos principais títulos da Editora. 

Sobre o DC FanDome: Explore o Multiverso 

Durante este megaevento de 24 horas, os fãs poderão criar e controlar sua própria experiência de visualização de mais de 100 horas de conteúdo sob demanda da televisão, cinema, quadrinhos, jogos e muito mais – todos destacando o trabalho de mais de 500 talentos, artistas e escritores de todo o mundo. Apenas o conteúdo que se quer ver, quando quer ver, onde quer ver (no celular e no desktop). Este evento dá aos fãs a oportunidade de levar seu amor pela DC a outro nível! Os fãs terão acesso a conteúdos exclusivos dos bastidores na TV e no Cinema, uma extensa biblioteca de quadrinhos da DC, bem como fan art, cosplay e muito mais. 

 Confira abaixo um pouco mais do Multiverso: 

1.      WatchVerse: Os painéis incluem a introdução oficial de Batwoman da WBTV, bem como Superman & Lois, Legends of Tomorrow da DC, Stargirl da DC, Black Lightning, versões expandidas de The Flash (TV) e painéis de Titãs que estrearam durante o Hall of Heroes e muito mais. Além disso, fique atento às notícias de última hora ao longo do dia. 

2.      InsiderVerse: No InsiderVerse, os fãs podem ir aos bastidores com os mestres artesãos que dão vida à DC em todas as suas formas, de histórias em quadrinhos a jogos, TV, filmes, parques temáticos, produtos de consumo e muito mais. 

3.      Blerd & Boujee: A programação de Blerd & Boujee celebra a cultura Blerd (também conhecida como “Black nerd”) e seu impacto em todo o mundo, apresentando diversos artistas, vozes, músicos e conteúdo. 

4.      FunVerse: Diversão é o nome do jogo no FunVerse e um lugar perfeito para compartilhar seu DC Fandom. Leia centenas de quadrinhos digitais gratuitos, faça uma pose na estação de selfies, explore o Escape Room do Coringa e muito mais. 

5.      YouVerse: Onde os FÃS são as estrelas. Confira mais de 17.000 fan art, cosplay e envios de conteúdos gerados por usuários de todo o mundo e não se esqueça de votar em seus favoritos. 

“O matrimônio de Céu & Inferno” tá com o diabo no corpo

Um clássico de William Blake adaptado aos quadrinhos pela editora AVEC

por Julio Black

Adaptar clássicos da literatura tem sido um filão muito bem explorado pelos quadrinhos nacionais.

Quer dois exemplos? “Dois irmãos”, de Milton Hatoum, ganhou vida nas HQs pelas mãos dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, e alguns dos contos de “Ânsia eterna”, de Júlia Lopes de Almeida, ganharam cor e movimento graças à artista Verônica Berta.

E é o caso da graphic novel “O matrimônio de Céu & Inferno”, livremente inspirada na obra homônima do escritor, poeta, pintor, tipógrafo e gravurista inglês William Blake.

A obra foi lançada em 2019 pela AVEC Editora com roteiro de Enéias Tavares, autor de “Brasiliana Steampunk” e “Guanabara Real”, e arte de Fred Rubim, de “A canção do Cão Negro” e “Le Chevalier nas Montanhas da Loucura”.

Tá lá na quarta capa da graphic novel: William Blake cruzou os caminhos do coisa ruim em 1792, que aproveitou para revelar ao inglês a sabedoria do inferno e também como ela poderia ser passada de geração para geração.

Tendo como base esse encontro peculiar, Enéias Tavares constrói a história dos quatro protagonistas de “O matrimônio de Céu & Inferno”: a prostituta argentina Verônica; a pintora – e traficante por necessidade – Dani; o repugnante pastor neopentecostal Santos, líder e “maestro” da denominação Orquestra Divina; e o assassino profissional Amarante, que está na folha de pagamentos do religioso do pau oco e tem uma crise de consciência após o mais recente “serviço”.

Quatro personagens que nos contam a história de Blake

Apesar de “profissões” tão diferentes, Verônica, Santos e Amarante estão próximos desde o início, mesmo que a prostituta e o matador não estejam muito satisfeitos com isso – principalmente a prostituta, que tem uma de suas colegas morta pelas mãos de um dos pastores da seita que só é religiosa no nome. Dani, a princípio, é uma personagem relativamente marginal na história, mas fundamental para o momento em que baixa o Tarantino na dupla de criadores, bem no clímax da graphic novel.

O grande mérito de “O matrimônio de Céu & Inferno” é ter como inspiração a obra de William Blake para contar as histórias de personagens que têm suas culpas para confessar e pecados para espiar, ou que estão nem aí para essa história de “Deus castiga”. Enquanto alguns buscam redenção, outros desejam mais e mais poder e grana, não importando o preço a pagar ou os fiéis que vão ser ludibriados, numa trama marcada por violência, crime, morte, sangue aos baldes, culpa, (muitos) pecados, dramas e traumas pessoais.

Além do ótimo roteiro de Enéias Tavares que recria e transfora a temática original oferecida por Blake é preciso destacar a excelente arte de Fred Rubim, com um padrão claro, por vezes geométrico, e que sabe usar muito bem detalhes das cenas, com um poder de narrativa que trata as ações e as cores para destacar o plot de cada protagonista.

Tradutores de quadrinhos lançam podcast semanal Notas dos Tradutores

Do press-release

Um podcast sobre tradução, tradutores e traduzir – ou inventar com o trabalho dos outros. Essa é a descrição do Notas dos Tradutores, podcast que lançou seu primeiro episódio nesta semana.

A produção é de três profissionais da área que trabalham sobretudo com quadrinhos:

Mario Luiz C. Barroso, com mais de trinta anos de carreira nas HQs, tem mais de dez mil créditos no GuiaDosQuadrinhos.com. Foi editor da Abril Jovem durante uma década e é o tradutor atual de Homem-Aranha, Deadpool, Mulher-Maravilha, Batman e outros personagens na Panini.

Carlos Henrique Rutz capitaneia a tradução de Príncipe Valente na Planeta DeAgostini e dos títulos Eaglemoss DC. Traduz há dez anos, é professor de inglês e coautor de livros didáticos.

Érico Assis, jornalista da área de HQ que traduz quadrinhos como Bone, Moonshadow, linha Vertigo/Black Label e outras publicações para as principais editoras do país. Também é doutor em tradução e professor.

O Notas dos Tradutores terá episódios semanalmente às segundas-feiras, de aproximadamente trinta minutos. Para ouvir, procure “Notas dos Tradutores” no seu agregador de podcasts preferido ou acesse https://anchor.fm/notasdostradutores.

Você também pode ouvir aqui o primeiro episódio, “N. do T.”, que trata justamente da nota do tradutor, o recurso que alguns tradutores – e leitores – adoram e outros odeiam.

Nos próximos episódios, o podcast vai trazer discussões sobre vários temas ligados à tradução, entrevistas com profissionais da área e muitos detalhes sobre o processo editorial de quadrinhos.

Você pode acompanhar o Notas dos Tradutores no Twitter, Facebook e Instagram.

Ou entrar em contato para dúvidas e sugestões em notasdostradutores@gmail.com

PerifaCon abre inscrições para sua 2ª edição

  Em 2020 acontece a 2ª edição da comic con das favelas, que abre inscrições para artistas, voluntários, expositores e visitantes

SÃO PAULO, 30 de janeiro de 2020 – Nos dias 11 e 12 de abril, o Centro de Formação Cultural da Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, será palco da 2ª edição do PerifaCon que é a primeira comic con das favelas que tem o objetivo de democratizar o acesso das periferias à cultura pop, nerd e geek.

O PerifaCon é um evento direcionado para todas as idades, gostos e públicos. As inscrições estão abertas para visitantes, expositores (inscrições encerradas), voluntários, imprensa & influenciadores, cosplayers, vendedores de comida e bebida, lojas de temática geek e editoras (inscrições encerradas). Para participar basta se inscrever nos formulários acima.

Para maior comodidade dos visitantes, após efetuar o cadastro na plataforma da Eventbrite, pode-se retirar os ingressos antecipadamente, assim, evitando filas no dia do evento e tendo maior aproveitamento nas atividades proporcionadas pela PerifaCon. As inscrições para visitantes também poderão ser feitas no dia do evento.

Vale recordar que em sua primeira edição (2019), o PerifaCon contou com mais de 7 mil visitantes na Fábrica de Cultura do Capão Redondo situado na Zona Sul da cidade, sendo que o estimado eram apenas 2 mil pessoas. Foram mais de 42 atrações para crianças, jovens e adultos acontecendo simultaneamente durante 7 horas de programação.

Serviço
PERIFACON – A SEGUNDA EDIÇÃO DA COMIC CON DAS FAVELAS

Data: 11 e 12 de abril de 2020
Local: Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes — Rua Inácio Monteiro, 6900 — Conjunto Habitacional Sitio Conceição, SP, 08490-000

Contato para a imprensa
Luíze Tavares – RP, Criadora & Produtora da PerifaCon
(11) 96220-6107 | E-mail: luize@perifacon.com.br

Sobre a PerifaCon
A PerifaCon é uma iniciativa de amantes de quadrinhos, livros, desenhos e cultura pop em geral, que cresceram nas periferias de São Paulo. O evento tem como objetivo levar para a periferia esse universo que historicamente é negligenciado nessa temática além de fomentar o consumo da cultura pop, nerd & geek contribuindo para a quebra de barreiras culturais promovendo o acesso de marcas e produtores à periferia e vice-versa.

Sobre o Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes (CFCCT)
O Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes é o maior equipamento cultural da Prefeitura de São Paulo na Zona Leste da cidade. Gerenciado pela Fundação Paulistana de Educação, Tecnologia e Cultura, o CFCCT tem sua programação integrada às atividades desenvolvidas em outros equipamentos da Secretaria (teatros, centros culturais, galerias, museus, pontos de cultura e de leitura). Com 30 mil metros quadrados, o local oferece à população atividades artística e esportivas; e de formação profissional, lazer e meio ambiente.

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