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Category: Quadrinhos (Page 1 of 65)

Teocrasília: um Brasil tomado pela religião

O lançamento da editora Guará para o mês de julho propõe um mergulho em um futuro distópico, não muito distante.

Teocrasília, de Denis Mello, apresenta uma realidade obscurecida por uma bancada religiosa chamada “Divino Altar”, que domina o país e institui um regime teocrático, inquisidor e assustadoramente autoritário. 

Porém, quando a resignação e o dogma se tornam o espírito de um novo tempo, tudo o que resta aos descontentes é um outro tipo derivada de fé. É com essa fé que Vicky, Yuri e Gambino são uma frente opositora às autoridades e estão presos em uma trama cheia de reviravoltas e suspense.

Embora Teocrasília alerte sobre os malefícios causados à sociedade quando se abandona a democracia e o Estado laico, o quadrinho não se trata de uma crítica à religião, mas, sim, à prática comum de envolver líderes e membros de comunidades religiosas na política, o que por vezes resulta na imposição de dogmas e coloca em risco o país.

Durante o culto: Teocrasília expõe a mistura entre religião e política

A primeira edição de Teocrasília será lançada em versão digital e pode ser adquirida a partir de 24 de julho no site da Guará, no Kindle e também na plataforma Super Comics. A série será mensal com preço de capa convidativo: R$6,00 cada edição.

O autor
Vencedor de prêmios HQMix, com a obra Beladona, Denis Mello é especializado em HQs na Escola Europeia Superior de Artes Visuais (EESI) em Angoulême, na França. Teocrasília foi indicada ao HQMix 2019 de Web Quadrinho.

FOGO FATO tem lançamento online

Em tempos de pandemia onde a vida cotidiana (sensata) se tornou uma grande live, temos alguns programas que valem conferir como o lançamento da HQ FOGO FATO da quadrinhista Aline Lemos de 8 a 10/7 no seu instagram (@desalineada_).

FOGO FATO é uma história de ficção científica e fantasia urbana sobre amor e exclusão na cidade, com foco em representatividade LGBT e mobilidade urbana. A arte é produzida em nanquim com finalização digital. É a primeira HQ longa da autora e sua publicação foi financiada coletivamente com a ajuda de 164 apoiadores.

Na trama a cidade de Limiar vive uma intensa modernização sob o governo da Autoridade Ultra, que implantou o milagroso sistema de transportes Bondes. Apesar dos triunfos tecnológicos, Limiar sofre com os crescentes conflitos envolvendo a população de fantasmas que passou a povoá-la misteriosamente.

FOGO FATO acompanha a dupla de hackers Cris e Mina, uma pessoa encarnada e sua namorada fantasma, numa investigação sobre os incêndios que atingem os cemitérios da cidade.

O PROCESSO
“Comecei a escrever FOGO FATO em 2016, com a vontade de abordar conflitos atuais, como a exclusão social e a mobilidade urbana, na perspectiva da ficção científica e da fantasia. Minhas referências eram o cyberpunk feminista, o realismo mágico e principalmente o passado e presente brasileiros, temas que sempre me apaixonaram. Foi difícil realizar um projeto longo como esse, apesar de toda a paixão. Os trabalhos remunerados iam sendo priorizados, os meses se passando, e a cada convulsão política do país eu tinha certeza de que minha distopia se tornaria desatualizada. FOGO FATO fala das diversas formas de existir e amar em contextos de exclusão e violência. É uma história fantástica sobre a realidade de sobreviver juntos, apesar das opressões que afetam nossas subjetividades e limitam nosso poder de atuação.”

O EVENTO
Às 20h, durante três dias:

8/7: Lançamento da prévia e disponibilização do livro para venda online. No instagram da autora (@desalineada_);
9/7: Bate-papo com Aline Lemos e PJ Brandão, pesquisador de HQs, professor de roteiro e host do podcast HQ Sem Roteiro. No instagram da autora (@desalineada_);
10/7: Festa de lançamento com desenho ao vivo e discotecagem de Larissinha. No Zoom.

SERVIÇO
O livro impresso de FOGO FATO ficará disponível para venda com valor de R$ 20. São 80 páginas P&B, formato 15 x 21cm com capa colorida.

A AUTORA
Aline Lemos é quadrinista natural de Belo Horizonte. Desde 2014 produz publicações independentes e realiza oficinas sobre o tema.
Colaborou em A Folha de S. Paulo, A Zica, MÊS, Zine XXX e o portal Lady´s Comics, entre outros. Publicou sete fanzines e o livro
Artistas Brasileiras (Editora Miguilim, 2018), vencedor do prêmio HQ MIX 2019 na categoria Homenagem.

Site: www.desalineada.tumblr.com/fogofato
Instagram: www.instagram.com/desalineada_
Twitter: https://twitter.com/desalineady

SÓ MAIS UMA HISTÓRIA DE UMA BANDA em pré-venda

Começou esta semana a pré-venda da versão impressa de SÓ MAIS UMA HISTÓRIA DE UMA BANDA.

Uma HQ que lembra como era curtir um som nos anos 1990

Na trama, a banda de enorme sucesso nos anos 1990, CECÍLIA NÃO SABE CANTAR conseguiu o prodígio, em seu curto período de existência, de ser uma banda amada pelos alternativos e também pela galera pop. Mas, como quase todo grupo formado por personalidades brilhantes, terminou se separando.
Pessoas que conviviam com os integrantes, embora não saibam o motivo, dizem que o rompimento não foi bonito. Uma conceituada revista de música da época lançou o boato de que o vocalista Marcelo Carvalho e o guitarrista Raul Vieira brigaram por uma disputa de ego!
Quando Raul compôs uma música e Marcelo não quis colocar em seu segundo álbum, as coisas desandaram. Mais de vinte anos depois, um grupo de influencers, o Gramophone Plugado, convida Marcelo Carvalho, Roberta Bueno, Raul Vieira e os irmãos Mariana e Robson Mendes para um show de reunião do CECÍLIA NÃO SABE CANTAR. Agora, o que todo mundo quer saber é: eles conseguirão recuperar o que perderam naquele verão de 1998?

Esta HQ em formato físico terá mais páginas, porém nada que comprometa a sua leitura caso você tenha comprado a versão PDF na lojinha da quadrinhista Germana Viana:  http://germana.iluria.com/

Essas páginas extras funcionam como um agradecimento e um material de colecionador para quem comprar a versão impressa. 

A HQ tem formato de 15,5 x 23 cm, com 40 páginas p&b e capa colorida. E está disponível no https://www.catarse.me/historiadebanda

Sobre a autora:
GERMANA VIANA é quadrinista, nasceu em Recife/PE, mas já está em São Paulo tempo o suficiente para ter misturado os dois sotaques.
É autora de Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço 1 e 2As Empoderadas (vencedora do troféu HQMix categoria WebQuadrinhos), Só Mais Uma História de uma Banda e é coordenadora, editora e uma das autoras de Gibi de Menininha – Historietas de Terror e Putaria (Vencedor do troféu Angelo Agostini de Melhor Lançamento de 2018 e do HQMix na categoria Melhor Revista Mix de 2018), de Gibi de MenininhaO Faroeste é Mais Embaixo, Os Catecismos de Mama Jellybean e GdM Apresenta.

A autora participou ainda de diversas coletâneas, como: SPAMAmor em QuadrinhosCafé Espacial, Orixás: Renascimento Marcatti 40.  

God country (minissérie)

por Júlio Black

Um redneck texano com Mal de Alzheimer recupera a memória quando a arma mais poderosa do universo – uma espada de três metros de comprimento – cai em suas mãos, e decide que não vai devolvê-la ao seu dono, um onipotente deus de um reino moribundo.

Bem que poderíamos resumir assim a trama de “God Country”, HQ publicada pela Image Comics em 2017 e que descobri recentemente fuçando nesse nosso vasto mundinho digital.

“God Country” é uma minissérie (seis edições) que conta com o roteiro de Donny Cates, arte excepcional de Geoff Shaw, colorização também excepcional de Jason Wordie e se passa essencialmente numa fazenda lá no interiorzão do Texas.

O protagonista é Emmett Quinlan, um idoso viúvo e portador do Mal de Alzheimer, responsável uma série de aporrinhações na vida do filho. Ele sai sozinho pela estrada, agride pessoas, fica perdido, a polícia precisa dar um fim às tretas, porém seu filho não aceita colocá-lo num asilo, mesmo que isso coloque seu casamento numa sinuca.

E é justamente após o mais recente transtorno provocado pelo pai que a fazenda é atingida por um tornado; coisa normal, daqueles que deixam de prêmio um demônio gigante e… Valofax, uma espada de três metros de altura e que é a tal arma mais poderosa do universo. E que escolhe justamente o senil Emmett como seu campeão. Emmet recupera o vigor físico e suas memórias enquanto estiver de posse do artefato mágico.

Emmett Quinlan encontra Valofax e muda seu destino

Não demora muito para Emmett dar um pau no demônio e descobrir a origem de Valofax com a chegada de Aristeus, filho de Attum, senhor do Reino da Eternidade, Deus dos Reis etc. e tal. O garotão (quase quatro metros de altura) reclama a espada em nome do pai, que precisa dela para manter a integridade do seu reino moribundo e evitar que sejam esquecidos na poeira do tempo.

Ou seja: motivos não faltarão para o tradicional ‘o couro come, a criança chora e ninguém vê”, seja no Texas ou num reino além da imaginação dos meros mortais.

“God Country” poderia ser apenas isso, uma HQ de porradaria extrema entre um caipira e deuses ancestrais – o que já seria muito bom, aliás, pois as sequências de batalha são de chutar bundas. Mas Donny Cates inclui na história diversas reflexões sobre família, legado, memória, despedidas, sacrifício e redenção. Não é pouca coisa, se pensarmos bem.

Veja bem: Emmett não quer ficar com a espada porque fica poderoso pra dedéu e recuperou a memória. Ele sente que tem o dever de defender sua família, seu legado, as histórias que tinha para compartilhar com o filho, a neta.

Ao final, a luta por Valofax é pano de fundo para uma história sobre o legado que todos nós sonhamos deixar um dia, o amor e sacrifício que fazemos por nossas famílias. É por tudo isso que o fã de quadrinhos precisa procurar “God Country” que infelizmente não foi publicada ainda no Brasil, mas é fácil de encontrar em inglês em seu site de compras de quadrinhos digitais favorito.

6 motivos para assistir Snowpiercer na Netflix

Produção da TNT, Showpiercer estreou na Netflix no dia 17 de maio.

Em vez do tradicional sistema de maratona, os 10 capítulos estão sendo liberados a conta-gotas, um por semana.

Se você ainda não assistiu, veja seis motivos que o Papo de Quadrinho elencou para começar imediatamente.

1. É baseada numa HQ

Le Transperceneige (Snowpiercer: The Escape) foi publicada pela primeira vez na França em 1982 pela editora Casterman, com roteiro de Jacques Lob e desenhos de Jean-Marc Rochette.

Saíram duas sequências muitos anos depois: The Explorers (1999) e The Crossing (2000), com Benjamin Legrand no lugar de Jacques Lob nos roteiros. O quarto volume, Terminus, saiu em 2015 com novo roteirista, Olivier Bocquet.

Nos Estados Unidos, as HQs começaram a chegar em 2014, pela Titan Comics.

Você pode ler as três primeiras histórias no livrão que a editora Aleph lançou em 2015, com o ótimo nome de O Perfuraneve.

Lá fora, a Titan anunciou uma trilogia prequela e já colocou o primeiro volume à venda. Os demais estão programados para agosto de 2020 e junho de 2021.

2. Faz uma forte crítica social

A turma do fundão é tratada como animais

O pano de fundo da trama é um cataclisma ambiental que congelou a Terra. Os poucos sobreviventes (cerca de 3.000) se abrigaram num trem autossustentável que percorre o planeta todo sem paradas.

O problema é que o trem reproduz a desigualdade que existia anteriormente. Nos vagões próximos à locomotiva ficam os ricos, com direito a luxo, alimentação, educação, cultura e lazer.

Nos vagões do fundo, os pobres e miseráveis vivem aglomerados em condições sub-humanas, expostos à fome, crimes, falta de privacidade e violência policial.

Entre os extremos, os vagões do meio reproduzem as nuances da classe média.

3. Já virou filme

Chris Evans viveu o revolucionário Curtis na adaptação para o cinema

Em 2013, Snowpiercer foi adaptada para o cinema por Bong Joon Ho – ele mesmo, o diretor do premiado Parasita, em seu primeiro filme em língua inglesa.

O filme foi estrelado por Chris Evans (o Capitão América dos filmes da Marvel), Tilda Swinton (também trabalhou pra Marvel no papel do Ancião), John Hurt (de V de Vingança) e Ed Harris (de Westworld).

Por aqui, passou pelos cinemas em 2015 com o nome Expresso do Amanhã, e dá para assistir em Blu-Ray e no Amazon Prime.

4. São histórias diferentes…

O fundista Andre Layton (Daveed Diggs) precisa resolver um assassinato

Snowpiercer conta uma história diferente na HQ, no filme e na série, embora todos sigam o mote principal (a luta de classes) e conservem alguns elementos em comum.

Na HQ, a trama acompanha Proloff, que conseguiu fugir do fundo do trem e alcançou os vagões intermediários. Ele conhece a ativista da terceira classe Adeline e, no percurso para interrogatório, ficamos conhecendo os setores, classes e funcionamento do trem.

Em Expresso do Amanhã, Curtis (Evans) é líder do grupo do fundo que inicia a revolução mais bem-sucedida para tomar o controle do trem. No caminho até a sala de máquinas, ele vai se indignando com os diferentes estilos de vida dos passageiros.

Na série da Netflix, o fio condutor é a investigação de um assassinato na segunda classe. Os administradores do trem convocam o “fundista” Andre Layton (Daveed Diggs, de The Get Down), que era detetive antes do cataclisma, para solucionar o crime. O sistema de castas do trem é apresentado pelos olhos dele durante a investigação.

Então, mesmo que você já tenha lido a HQ e assistido ao filme, a série traz uma abordagem totalmente nova, sem desrespeitar o contexto original e com referências que são bacanas de pegar.

5. … porém interligadas

A HQ, o filme e a série parecem apenas variações sobre o mesmo tema, mas não são.

A Titan Comics publicou este infográfico provando que cada história se passa num tempo diferente e estão relacionadas.

Na cronologia de Snowpiercer, a série da Netflix se passa 7 anos após o cataclisma climático, o filme 15 anos depois e a primeira HQ em algum momento entre eles.

As adaptações se passam em tempos diferentes e estão relacionadas

6. E tem a Jennifer Connelly

Jennifer Connelly: linda e talentosa como sempre

Para você, veterano, que não acompanhou os últimos trabalhos dela, saiba que Jennifer Connelly continua tão linda e talentosa quanto em Labirinto (1986) e Rocketeer (1991).

Na série da Netflix, ela interpreta Melanie Cavill, administradora do trem.

A Última Dança: Um conto sensível e tocante em quadrinhos

A Última Dança, mais recente trabalho do brasiliense Wesley Samp, traz a história de Lalá, uma garota alegre que adora dançar, mas que precisará reaprender a sorrir após uma reviravolta em sua vida.

Um conto sensível e tocante, feito para todas as idades, a HQ será lançada oficialmente na CCXP 2019, de 5 a 8 de dezembro, em São Paulo.

Com 64 páginas coloridas, A Última Dança faz parte do universo de Os levados da breca, primeira webcomic do autor, que conta com outros dois livros: As filosofias de recreio de Paulo e Wes (2016) e Um começo (2017).

Ambas também estarão à venda na mesa do artista na CCXP (E 23-24). Após o evento, as HQs podem ser adquiridas na loja virtual do autor.

Wesley Samp começou sua carreira nos quadrinhos em 2007, com a webcomic Os levados da breca. Em 2014, criou o site Depósito do Wes, onde publica todos os seus quadrinhos online, incluindo a série Cada um com seus problemas!, que retrata, de maneira bem-humorada, os problemas do cotidiano como simpáticos bichinhos.

Com passagens pela revista Mad e diversos jornais no País, Wesley já publicou cinco livros independentes, sendo indicado ao Troféu HQMix por seu trabalho online e impresso.

Ilustradora trans lança livro autobiográfico em quadrinhos

Pequenas Felicidades Trans é um projeto autobiográfico da quadrinista e ilustradora Alice Pereira, que transporta para os quadrinhos a vida de uma mulher trans, em especial o processo de transição vivenciado pela artista. 

O projeto, que começou nas redes sociais, foi lançado em 2019 por meio de financiamento coletivo, ultrapassando a meta inicial. O livro surgiu a partir de um diário, que Alice transformou em quadrinhos pensando no público cis (quem não é transgênero).

Eu estava numa fase em que as pessoas estavam me conhecendo, eu já tinha me revelado para quase todo mundo, mas me faziam sempre as mesmas perguntas

A autora diz que se surpreendeu com a aceitação também do público cis.

Foi legal ter essa repercussão muito grande com as pessoas trans, que passaram a se identificar. Eu não imaginava que ia gerar tanta identificação

Apesar de todos os avanços, transgêneros e transexuais ainda são uma população muito marginalizada, dificilmente convidados a escrever, roteirizar ou até mesmo atuar em obras com a sua própria temática.

Como resultado, geralmente pessoas não trans contam as histórias de pessoas trans. Com isso estas obras acabam sempre repletas de clichês e visões estereotipadas, distante da realidade e das vivências desta população

Pequenas Felicidades Trans é um relato pessoal, escrito e desenhado com delicadeza e simplicidade, buscando despertar o entendimento e a empatia do leitor em relação a uma vivência trans.

Com esse entendimento, a quadrinista priorizou uma concepção visual geométrica e calcada na simplicidade do traço, utilizando elementos básicos. 

Foto: Valda Nogueira

Alice Pereira tem 44 anos e nasceu no Rio de Janeiro/RJ. Começou a estudar quadrinhos há 10 anos e, em 2016, lançou seu primeiro livro, uma história do petróleo em quadrinhos. Em 2019, publicou Pequenas Felicidades, obra lançada no Brasil e em Portugal.

“Último assalto” usa boxe como metáfora para falar de desigualdade social

Em “Último Assalto”, de Daniel Esteves e Alex Rodrigues, o jovem Kevin Silva precisa enfrentar a pobreza e o preconceito antes de se tornar um campeão.

São muitos os casos de jovens que encontraram no esporte a saída de uma situação de desamparo social. Kevin Silva, protagonista de Último Assalto (Zapata Edições, 160 páginas, R$ 35), poderia muito bem ser um deles: apaixonado pelo boxe, ele é negro e pobre, foi abandonado pelo pai e perdeu a mãe enquanto cumpria medidas socioeducativas na Fundação Casa.

De volta ao convívio social, tudo que ele quer é reconstruir a vida, reconquistar a confiança do treinador Tony, subir no ringue e dar uma vida decente para si e o tio doente. Nesta jornada, Kevin fica igualmente dividido entre os bons conselhos de Cibele e a má influência de Rafa.

Último Assalto, de Daniel Esteves (roteiro) e Alex Rodrigues (desenhos), usa o boxe como metáfora para falar da desigualdade social. Kevin é de fato um lutador acima da média, mas contra a meritocracia pesam os mesmos obstáculos que a maioria dos jovens das periferias brasileiras enfrenta: preconceito, subemprego, a necessidade de sobreviver e a exploração dos poderosos.

A HQ foi financiada pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) e realizada com apoio da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo.

Universos paralelos, homofobia e metalinguagem

A Zapata Edições lança também a HQ Sobre o tempo em que estive morta (112 páginas, R$ 30), com roteiro de Esteves e arte de Sueli Mendes, Pedro Okuyama e Wanderson de Souza.

A trama acompanha o retorno de Cris, uma escritora em crise, à sua cidade natal 15 anos depois de um misterioso acidente de barco. Dada como morta pela população local, inclusive seus pais e melhores amigos, Cris precisa não só fazer as pazes com o passado, mas também encontrar seu lugar no presente. Universos paralelos, homofobia, fanatismo e metalinguagem se misturam para indicar um novo começo para a jovem escritora.

Sobre o tempo em que estive morta foi um dos projetos selecionados pelo 1º Edital de Publicação de Histórias em Quadrinhos da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo.

Último Assalto e Sobre o tempo em que estive morta estarão à venda na Comic Con Experience (CCXP), de 5 a 8 de dezembro, em São Paulo. Depois disso, no dia 14, serão lançadas também em evento na escola de artes HQ em FOCO, juntamente com outros títulos novos da editora: Salseirada, de Al Stefano, e Correr, de Alex Rodrigues.

Sobre os autores

Daniel Esteves: Roteirista e professor de HQs na escola HQ em FOCO, é responsável pelo selo Zapata Edições e roteirista de diversos quadrinhos, entre eles: Por mais um dia com Zapata, KM Blues, Bichos, São Paulo dos Mortos, Nanquim Descartável, O Louco a Caixa e o Homem, Herança Africana no Brasil, A Luta contra Canudos e 147. Publicou cerca de 1.600 páginas de roteiro em mais de 50 revistas e livros de HQs, tendo sua produção independente contemplada com oito Troféus HQ Mix, principal premiação brasileira do segmento. Ganhou também o troféu Angelo Agostini em 2009 e 2012, como Melhor Roteirista Brasileiro.

Alex Rodrigues: Atua há mais de dez anos como ilustrador atendendo diversas editoras e agências de publicidade. Ministrou aulas de desenho na escola HQ em FOCO e, como quadrinista, colaborou para diversas edições: Por mais um dia com Zapata, São Paulo dos Mortos, Bichos, Archimedes Bar, MDM, Nanquim Descartável e Pelota.

Sueli Mendes: Ilustradora e quadrinista, participou de diversas edições da revista Café Espacial, da série Haole (Social Comics) e do segundo volume de Gibi de Menininha. Pelo selo Zapata Edições, publicou em dois volumes da série São Paulo dos Mortos, sendo vencedora do prêmio HQ Mix de Melhor Publicação Independente de Grupo, junto com os demais autores, por sua participação no volume 3.

Wanderson de Souza: Ilustrador, quadrinista e professor de desenho, participou das publicações Nanquim Descartável, Front, Café Espacial e Petisco Apresenta. Pela Zapata Edições, ilustrou KM Blues, vencedora do HQ Mix na categoria Independente e, pela editora Nemo, desenhou os álbuns Sonhos de uma noite de Verão e Herança Africana no Brasil.

Pedro Okuyama: Ilustrador e quadrinista, publicou as HQs Hacking Wave, Café, As Baratas e As Ideias. Pela Zapata Edições, participou de Pelota e Zé Murai. Em 2019, participou da antologia em quadrinhos Rancho do Corvo Dourado e da organização do evento Perifacon. Publica também HQs online em seu site Histórias Lacônicas.

Último Assalto

Autores: Daniel Esteves (roteiro) e Alex Rodrigues (desenhos)

Editora: Zapata Edições

Páginas: 160

Formato: 20 x 28 cm

Preço: R$ 35,00

Capa colorida, miolo em preto e branco

Sobre o tempo em que estive morta

Autores: Daniel Esteves (roteiro), Sueli Mendes, Pedro Okuyama e Wanderson de Souza

Editora: Zapata Edições

Páginas: 112

Formato: 20 x 28 cm

Preço: R$ 30,00

Capa colorida, miolo em preto e branco

Lançamento: Comic Con Experience (CCXP), de 5 a 8 de dezembro, no São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Água Funda, São Paulo – SP) e HQ em FOCO, 14 de dezembro (R. Coelho Barradas, 153 – Vila Prudente, São Paulo – SP)

Mais informações: www.zapataedicoes.com.br

“Steampunk Ladies”, de Zé Wellington, ganha continuação

Na nova aventura, dupla de heroínas se unem a sufragistas britânicas contra o autoritário primeiro-ministro

A Editora Draco anuncia o lançamento de Steampunk Ladies: Choque do Futuro, com roteiro de Zé Wellington (Cangaço OverdriveQuem Matou João Ninguém?), desenhos de Sara Prado (Adagio), Wilton Santos (Star Wars – Age of Republic: Obi-Wan) e Leonardo Pinheiro, cores de Ellis Carlos, Ale Starling eThyago Brandão e letras e grafismos de Deyvison Manes.

O prefácio e o posfácio são assinados por Lívia Stevaux (MinasNerds) e Dana Guedes (escritora e entusiasta steampunk), respectivamente. 

A história se passa logo após os acontecimentos de Steampunk Ladies: Vingança a Vapor, de 2015 (leia nossa resenha aqui). Em um passado em que a tecnologia evoluiu muito além do que na nossa realidade a partir das máquinas a vapor, a Inglaterra do século XIX se tornou o centro das grandes invenções do planeta.

Saídos da cabeça de um mesmo inventor, esses projetos revolucionários têm sido usados em uma campanha britânica para colocar o resto do mundo de joelhos.

Como única força de oposição resistente, um grupo de sufragistas contará com a ajuda de Sue e Rabiosa, duas mulheres recém-chegadas da América. Elas vieram acertar as contas com o controlador primeiro-ministro inglês e um misterioso grupo cuja atuação é global.

Para essas mulheres, vencer o autoritarismo é também vencer as barreiras que as separam dos seus direitos.

Steampunk Ladies: Choque do futuro foi apoiado pela Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Ceará – Lei Estadual de Incentivo à Cultura Nº 13.811, de 16 de agosto de 2016. A HQ tem  72 páginas coloridas, formato 17x24cm, papel couché 115g, capa cartonada com orelhas e preço de R$ 39,90.

Salseirada, de Al Stefano, homenageia Mestre Salu e o folclore brasileiro

Protagonistas da trama receberam o nome do rabequeiro e de outro ícone do maracatu, Zabé da Loca.

Próximo lançamento acontece no Butantã Gibicon, dia 1º de dezembro, e depois segue para a CCXP, de 5 a 8 de dezembro, ambos em São Paulo.

Uma das maiores autoridades em cultura popular do Brasil, Manuel Salustiano Soares, o Mestre Salu (1945-2008), inspirou uma geração de artistas como Chico Science, Antonio Nobre e Siba. Mais recentemente, inspirou também o quadrinhista Al Stefano na produção de seu novo livro em quadrinhos, Salseirada (Zapata Edições, 120 páginas, R$ 30).

Repleta de referências ao folclore brasileiro, a trama mostra como o rabequeiro Salú encontrou a “rabeca do tempo”, instrumento mágico que controla o clima. Junto com sua irmã Zabé e o amigo Mutum, ele percorre o sertão nordestino levando música e chuva para aliviar o sofrimento de pequenos lavradores assolados pela seca e pela fome.

O problema é que, no passado, a rabeca do tempo pertenceu a um coronel ganancioso, que usou o instrumento mágico para eliminar desafetos e prosperar. Agora, seu neto e um bando de jagunços querem recuperar a rabeca a qualquer preço. Somente a intervenção de espíritos da floresta, como a Caipora, Pé de Garrafa, Quibungo e Lobisomem, pode impedir que ela retorne para as mãos erradas…

Inspiração

A história já estava pronta quando Stefano, durante o processo de pesquisa iconográfica, se deparou com a rica trajetória de Mestre Salu e, por coincidência, com seu quarto e último disco, chamado Mestre Salu e a sua Rabeca Encantada.

A partir daí, as canções do rabequeiro embalaram o trabalho do artista na produção de Salseirada. Em homenagem ao mestre, o protagonista da HQ foi batizado como Salú, do mesmo modo que sua irmã ganhou o nome da musicista Zabé da Loca (Isabel Marques da Silva), outro ícone do maracatu pernambucano.

Lançamentos

Salseirada foi um dos projetos selecionados pelo 1º Edital de Publicação de Histórias em Quadrinhos da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo e teve pré-lançamentos em novembro, durante uma palestra de Al Stefano e do editor Daniel Esteves sobre produção de HQs, na Biblioteca Paulo Setúbal, em São Paulo, e no evento Jundcomics, em Jundiaí/SP.

O próximo lançamento acontece no Butantã Gibicon, no dia 1º de dezembro e, depois, segue para a Comic Con Experience (CCXP), de 5 a 8 de dezembro, ambos na capital paulista. A HQ já está disponível na loja virtual da Zapata Edições.

Sobre o autor

Al Stefano: Iniciou a carreira como ilustrador nos anos 90 atendendo as maiores editoras do País em livros didáticos, literatura e revistas, além de produtos, jogos, storyboards e publicidade. Participou de diversas publicações de HQs, como Por mais um dia com Zapata, São Paulo dos Mortos, Archimedes Bar, Bichos, Orixás, Metal Pesado, Monica(s), Zemurai e Pelota, entre outras. Como autor, lançou As Aventuras coloniais de Mineirão e Zé Bonfim, projeto contemplado pelo ProAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo.

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