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Category: Crítica (Page 1 of 4)

Papo de Quadrinho viu: Star Wars – A Ascensão Skywalker

A convite da assessoria de imprensa da Disney, Papo de Quadrinho assistiu a Star Wars – A Ascensão Skywalker numa sessão exclusiva para jornalistas.

Em respeito aos nossos leitores, o texto abaixo não contém spoilers.

Star Wars – A Ascensão Skywalker, que chega aos cinemas brasileiros amanhã (19), se intitula o capítulo final da saga espacial criada por George Lucas há mais de 40 anos.

O diretor J.J. Abrams sabia da responsabilidade de ter os olhos de boa parte do mundo voltados para seu trabalho e optou por seguir um caminho mais seguro, longe da ousadia de seu antecessor, Rian Johnson, em Os Últimos Jedi (2017).

Da mesma forma que transformou sua estreia na franquia, O Despertar da Força (2015), num filme-homenagem a Uma Nova Esperança (1977), agora Abrams presta tributo a outro filme da trilogia clássica (os fãs logo vão perceber as semelhanças na estrutura narrativa).

A Ascensão Skywalker trata de redenção, do conflito do Bem contra o Mal – assim mesmo, no sentido absoluto –, mas travado dentro dos protagonistas, que lutam contra o medo e o ódio que conduzem para o lado sombrio da Força – um dilema constante nos momentos cruciais da saga.

O passado de Rey (Daisy Ridley) é finalmente conhecido e, como prometeu o corroteirista Chris Terrio, a revelação não é aleatória. Em vez disso, confirma a estreita relação da protagonista com a Força e seus inimigos – entre eles, Kylo Ren (Adam Driver).

A Ascensão Skywalker é talvez o filme com mais ação de toda a saga principal. A abertura traz de cara uma perseguição entre as estrelas, seguida de cenas num campo de batalha e continua com um espetáculo de batalhas espaciais, confrontos de blasters, lutas de sabre de luz e um resgate heroico. Os stormtroopers ainda são ruins de mira, mas ganham um surpreendente recurso.

Demais personagens, como Poe Dameron (Oscar Isaac) e Finn (John Boyega), estão mais maduros e seguros de seu papel na Resistência, e protagonizam boa parte das cenas de ação.

Sob a batuta de Abrams, as mulheres continuam brilhando: as novatas Zorri Bliss (Keri Russell) e Janah (Naomi Ackie) são quem livra a cara dos heróis em momentos de apuro.

O roteiro toma alguns atalhos para fazer a trama andar, mas nada que comprometa se você mantiver em mente que se trata de um novelão ambientado muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante, e que não dá para cobrar verossimilhança o tempo todo.

O que dá para cobrar é coerência, e isto J.J. Abrams entrega. Apesar de optar por um caminho mais seguro, o diretor honra não só o que começou a construir em O Despertar da Força, mas principalmente o legado de mais de quatro décadas, e presenteia os fãs com um encerramento digno.

A Ascensão Skywalker tem um tom de despedida e é um deleite rever a eterna Princesa Leia (Carrie Fisher), ainda em que cenas recuperadas, e tantos outros personagens da trilogia clássica no que talvez seja sua última participação.

Mas soa pretensioso pensar que este nono episódio fecha a tampa da saga. A riqueza do universo criado por George Lucas permite numerosas possibilidades e faz pensar se daqui a algumas décadas não veremos o início de um novo ciclo, com os heróis da atual trilogia no papel dos “veteranos”.

O tempo -e a Força – dirão…

Papo de Quadrinho viu: As Panteras (Charlie´s Angels)

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu o novo filme da franquia As Panteras (Charlie´s Angels). Nossa resenha está livre de spoilers.

O novo filme As Panteras (Charlie´s Angels) de 2019 faz o reboot da franquia de forma competente e divertida sob a direção de Elizabeth Banks – que também atua na película. Apesar de reiniciar a franquia, a trama se passa no mesmo universo dos filmes anteriores (Charlie´s Angels de 2000 e Charlie´s Angels: Full Throttle de 2003) respectivamente, porém se mantém bem mais fiel ao espírito do seriado, que foi exibido nos Estados Unidos de 1976 a 1981. No Brasil, o seriado chegou com um delay peculiar da época e passou nos canais de TV abertos nos anos 1980 influenciando a cultura pop da época.

Em tempos de nostalgia em relação a produtos midiáticos que atingem status de cult, era de se imaginar que a franquia de As Panteras fossem retornar ao circuito dos cinemas ou dos seriados. Se os filmes dos anos 00 fizeram uma geração rever as detetives da agência de Charlie na condição de protagonistas, essa continuação de 2019, avança as discussões em termos do papel das mulheres em posições de poder, questionamento que nunca foi feito pelo seriado nem pelos filmes anteriores.

Esse é um dos grandes acertos da direção de Elizabeth Banks e do roteiro, além do brilho de Kristen Stewart (Sabina) que mostra toda sua veia de comediante além de “tirar onda” de sua suposta rebeldia e menções a sua sexualidade – há um certo acento queer na personagem que pode ser desenvolvido de forma mais aprofundada caso haja um próximo filme. Kristen de certa forma domina o filme dando um belo “tapa na cara” dos críticos e da audiência que tende a associá-la com a franquia Crepúsculo mesmo depois de tanto tempo e de ter filmes “alternativos” no currículo.  Além de Kristen, Naomi Scott no papel da cientista atrapalhada Elena Houghlin e Ella Balinska como Jane completam o trio, ancoradas pelos Bosleys – Patrick Stewart, nosso eterno capitão Picard de Star Trek – e Elizabeth Banks – a diretora do filme. O trio funciona bem, embora o relacionamento de amizade entre elas pudesse ter se desenvolvido de forma menos rápida e os plot twists em relação aos vilões apresentem motivações bastante fracas. No entanto, nada que faça o filme perder a animação ao estilo clássico da “Sessão da Tarde”.

As Panteras (2019) é um filme bastante divertido que explora melhor que os anteriores a parceria entre as detetives e suas transformações no caminho de pensar que o trabalho entre mulheres precisa ser coletivo, nesse sentido trazendo referências mais explícitas a questões feministas como o assédio masculino em diversos ambientes, o roubo do trabalho intelectual das mulheres e apagamento das mesmas por figuras de poder masculinas. Apesar disso é um filme leve e que acerta no tom da questão dos figurinos e disfarces – um dos destaques no seriado dos anos 1970 – e logicamente traz elementos nostálgicos como referências aos filmes anteriores e algumas surpresas que remetem à série original. Atenção às cenas pós-créditos.

Um último destaque é a trilha sonora feita para as pistas de dança e traz apenas cantoras pop como Miley Cyrus e Lana del Rey, com ênfase para Ariana Grande, um clássico de Donna Summer e até mesmo a brasileira Anitta, uma vez que o Rio de Janeiro juntamente com Istambul e Hamburgo fazem parte das paisagens por onde as detetives se empenham em resolver a questão do roubo de uma tecnologia que coloca muitas vidas em risco. Por todos esses elementos, As Panteras (2019) é um filme recomendado pela diversão e por pautar temas atuais de forma descontraída – ainda que alguns questionamentos em torno de padrões precisem ser mais explícitos evitando o queer baiting por exemplo.

Papo de quadrinho viu: Midsommar – O Mal não espera a noite

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu o novo filme de terror do diretor Ari Aster. Hoje, trazemos na resenha alguns spoilers leves para o melhor entendimento do filme.

Um dos principais clichês da crítica musical é a chamada “síndrome do segundo álbum”, que normalmente acomete artistas e bandas cujo primeiro trabalho ganhou muita expressão ou visibilidade e em torno dos quais são criadas expectativas da reprise em uma próxima obra. Bastante esperado pela crítica e público, Midsommar – que no Brasil ganhou o curioso subtítulo de O Mal não espera a noite – é a segunda incursão do diretor e roteirista Ari Aster no gênero horror após sua aclamada estreia com o longa Hereditário (2018).  Nesse sentido, o hype criado pela crítica e público em torno da segunda obra do diretor faz com que o filme já ganhe na largada uma intensa visibilidade no circuito dos apreciadores do gênero.

Novamente o cineasta nos coloca dentro de uma história incômoda e perturbadora, porém deslocando os cenários e paisagens dos Estados Unidos no inverno – que aparecem pouco e apenas na parte inicial do filme – para uma ensolarada Suécia no verão. A vila no interior da Suécia com suas paisagens e arquitetura é um dos principais personagens do filme, atuando como condutora da narrativa a partir das festividades do solstício de verão.

A trama central é mostrada a partir do casal Christian e Dani, embora Dani seja o fio condutor por onde observamos a maior parte dos acontecimentos – e seu grupo de amigos sobre quem sabemos muito pouco, mas cujas personalidades só serão delineadas em sua estadia na vila sueca.

A trajetória de Dani em uma luta quase claustrofóbica devido à perda dos pais e da irmã de forma brutal logo no início do filme a conduz a uma tentativa desesperada por contato humano e intimidade com o namorado Christian (Jack Reynor) que a trata com um distanciamento e frieza que aumenta à medida em que o filme avança e as bizarrices da pequena “comuna” sueca começam a ficar mais intensas.

Ari Aster comentou em alguns vídeos e entrevistas de divulgação que Midsommar é um filme sobre separações e sobre família. A conexão entre seitas e família vem de longa data, entretanto aqui nos é contada através de movimentos de câmera, das expressões faciais drogadas dos personagens sob uso intenso de psicotrópicos e dos diálogos expressos através de Pelle (Vilhelm Blomgren), o personagem sueco que convidou os colegas norte-americanos para a visita a sua terra Natal.

O sofrimento de Dani (Florence Pugh) com uma falta de pertencimento e uma ligação complicada com sua família perdida constituem os elementos que precisam ser expurgados coletivamente e que a levam para um renascimento em meio às festividades.

E é nessa tentativa de pertencimento que a estranheza da vila comunal “onde todos cuidam coletivamente das crianças” e “são irmãos e irmãs” que a trama de quase 2h30 minutos ganha fôlego e cria situações surreais e outras cujo reação do espectador é o riso, um riso nervoso de quem sabe que a perversidade se encontra em meio a suposta beleza e à estética floral de tons de branco, azul claro e rosa fazendo com que sejam destacados os elementos de folkhorror.

É o excesso de luz e de sol – a entidade adorada e louvada pelos moradores da comunidade – não a tradicional escuridão dos filmes de terror que nos causam o pavor e a sensação de desconforto, um anuncio que algo ruim está sempre prestes a acontecer.

Ter tanta gente vestida de branco e agindo coletivamente como uma espécie de colmeia orquestrada de pessoas, uma seita agindo com propósitos que não estão claros, causam um incômodo constante ao longo do filme. É o inverso do convencional, do soturno, das roupas escuras; mas o medo, o bizarro, e o incômodo é constante.

O solstício de verão, objeto de pesquisa de um dos colegas antropólogos que se aventurou com o casal é a outra grande presença da narrativa, ampliando gradativamente o embate entre os forasteiros e os locais.

A utilização da trilha sonora e da sonoridade é um bom destaque do filme que nos ajuda junto com a falta de noção de passagem de tempo devido a luminosidade constante também ajuda na perturbação trazida pelo filme.

A construção de mundo e a utilização dos elementos simbólicos (quadros, pinturas, padrões de tecidos com desenhos, elementos pictóricos, entre outros) nos deixam antever a história desde o início do filme e conduzem os espectadores pela jornada da protagonista em busca de sua identidade e de um pertencimento coletivo oferecido pela vila e que ela não encontrava nem no namorado nem nos colegas.

Dani procura seu reencontro consigo mesma em meio ao caos e o grotesco. Vivendo em uma sociedade como a norte-americana que cada vez mais tenta apagar as marcas do luto e do sofrimento, Dani se finalmente expõe sua dor e seu lado sombrio, encontrando na vila sua forma de expressá-las. É um filme de terror não convencional que vale conferir. Atenção para as duas horas e meia de duração, que arrastam um pouco o filme.

Papo de Quadrinho viu Homem-Aranha: Longe de Casa

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor conferiu o novo filme do Homem-Aranha. Em respeito aos nossos leitores, trazemos uma resenha sem spoilers.

Estreia nesta quinta-feira (4/07) o esperado Homem-Aranha: Longe de Casa, com uma missão digna do maior herói da Marvel: manter o interesse do público após o hype dos Vingadores: Ultimato.

O trabalho do diretor Jon Watts foi duplo: contar uma boa história para um publico fã do Cabeça de Teia e conseguir encaixá-la nos eventos que ocorreram após o último filme e, ainda, encerrar a chamada Fase 3 do Universo Cinematográfico da Marvel.

Uma missão que ele conclui com louvor, graças a uma trama bem integrada aos eventos do MCU e, ao mesmo tempo, empolgante e divertida.

Tudo começa após os eventos que marcaram o retorno à vida de metade da população mundial morta por Thanos em Vingadores: Guerra Infinita e trazida de volta pelo Hulk em Ultimato. O jovem Peter Parker (Tom Holland) segue com sua turma do colégio para uma viagem de duas semanas pela Europa e é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson).

O ex-chefão da S.H.I.E.L.D. convoca o Homem-Aranha para uma missão urgente: enfrentar criaturas que surgem em cidades-símbolo do Velho Mundo. Para isso, ele vai contar com o auxílio do herói enigmático chamado por sua turma de Mysterio (Jake Gyllenhaal).

Mas como ele vai salvar a Europa desta ameaça e ao mesmo tempo manter sua identidade secreta preservada? E o mais importante: como pretende salvar o mundo se tudo o que ele quer no momento é largar suas obrigações super-heroicas para curtir merecidas férias e se aproximar da crush MJ (Zendaya)?

Esse é o principal acerto do filme: uma fórmula equilibrada que mistura uma boa aventura divertida, com a atuação carismática do trio de atores principais, Tom Holland, Jake Gyllenhaal e Zendaya, sem perder a mão nos detalhes da história.

Homem-Aranha: longe de casa, funciona porque entrega uma diversão completa, começando com a pergunta que todos querem saber sobre o retorno das pessoas salvas pelos Vingadores, passando por uma reviravolta já manjada – uma vez que Mistério é um dos vilões mais famosos do panteão vilanesco do Homem-Aranha.

Ainda assim, muitos conceitos interessantes são retratados, como a ideia de um multiverso que abre possibilidades para o futuro (lembrando que os direitos do Homem-Aranha nos cinemas é de propriedade da Sony, assim como o Venon), porém sem dar grandes pistas de qual será o andamento dos próximos filmes ainda conectados ao universo dos Vingadores.

Por hora, os fãs do Aranha, tanto dos filmes como dos quadrinhos, podem se regojizar com o herói carismático que todos gostamos: um adolescente atrapalhado, nerd, apaixonado pega garota bacana da escola e bem intencionado, que precisa entender seu papel heroico no mundo pós-Vingadores e lidar com o luto pela morte de seu mentor Tony Stark (Robert Downey Jr.).

Impressionam também os efeitos especiais do filme, principalmente por tratar de elementos como água e fogo em grandes centros urbanos, apresentados em situações que se passam durante o dia. A ação do filme é pura história em quadrinhos, com um enquadramento que as vezes coloca a audiência diretamente na pele do herói e no centro da ação, algo extremamente bacana de ver em uma tela grande.

Homem-Aranha: longe de casa é o tipo de filme que a gente sai comentando, surpreso com os desdobramentos finais e feliz ao mesmo tempo. Um bom retorno do MCU depois de tantas emoções recentes que, embora não possam ser superadas tão facilmente, mostram que ainda há espaço para bons filmes de super-heróis.

Em tempo: fique na sala até o último instante para curtir as surpresas do final do filme e da cena pós-crédito.

Papo de Quadrinho viu: Brightburn – Filho das Trevas


A convite da produtora Espaço Z e Sony Pictures, nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu Brightburn – Filho das Trevas, que une superpoderes e terror à mais mitológica origem de um super-herói nos quadrinhos.

A história da origem do Superman já é um marco na cultura popular, quando uma nave caiu na Terra trazendo um bebê e foi encontrada pelo casal de fazendeiros Jonathan Kent e Martha Kent. O casal cria a criança como seu filho adotivo, Clark Kent, que mais tarde viria a ser herói que todos conhecemos: como gentil, generoso, nobre, incorruptível, praticamente um escoteiro gentil, altruísta e um símbolo da “verdade, justiça”, sendo tudo o que aspiramos ser e muito mais. Com poderes como superforça, invulnerabilidade, voo, visão de calor, entre outros frutos da sua natureza biológica, sua personalidade e humanidade são consequência da criação.

Mas e se as coisas fossem um pouco diferentes? E se o rapaz tivesse crescido com um sentimento de superioridade sobre o restante da humanidade, egoísta e achando que poderia escravizar todos? Esse é o mote de Brightburn – Filho das Trevas, do diretor David Yerovesky.

O filme aborda praticamente a mesma origem do Superman, em que Brandon Breyer (o Clark Kent desse universo) é criado por Kylie Brayere (David Denman) e Tori Brayer (Elizabeth Banks),  réplicas exatas dos carinhosos e cuidadosos Kent, depois de ser encontrado em uma nave espacial. Ele vai descobrindo seus superpoderes à medida que cresce, porém ao invés de um comportamento bom, o rapaz se torna um assassino frio e maléfico.

O que causa essa grande mudança? É nesse ponto que os escritores Brian e Mark Gunn (irmãos do diretor e roteirista James Gunn, de Guardiões da Galáxia, que participa como produtor da película) erram a mão. Deslocando o filme do que poderia ser uma ótima apresentação de conflito psicológico entre “natureza versus criação”, os roteiristas decidem tornar o filme mais simplista ao conectar a brusca persona maléfica de Brandon à uma possessão por sua nave espacial. A partir desse ponto, o personagem vira uma máquina de matar que utiliza seus superpoderes elimina todos que se atrevem a contrariar seus passos.

Apesar do enredo pender para um filme de terror genérico no estilo “slash movies” temperado com superpoderes, o diretor David Yarvesky merece créditos pela brutalidade explícita das cenas de morte, que poderão atrair os fãs do gore. As cenas em que a mandíbula de uma das vítimas fica pendurada ou em que um caco de vidro é retirado de dentro do olho são de deixar os nervos à flor da pele. Entretanto as emoções param aí…

As interpretações são benfeitas e um dos pontos positivos do filme, com Jackson A. Dunn (que interpretou o jovem Scott Lang em Vingadores: Ultimato) retratando um Brandon Beyer assustador e misterioso, até mesmo quando o personagem ainda é “bom”. Elizabeth Banks e David Denman são o ponto forte do filme como o casal Breyer, representando de forma sólida os encantadores pais de família que aos poucos vão se dando conta do perigo que têm dentro de casa.

Outro destaque é a trilha sonora nos momentos mãe-filho do filme. Composta por Tim Williams, a música remete e emula o tema criado por Hans Zimmer para o filme Superman: Man of Steel (2013). Praticamente um easter-egg para os fãs do Homem de Aço.

Uma pena que, ao tentar apresentar o lado sombrio de uma origem alternativa do Superman, a película peca ao não se aprofundar numa discussão moral e cai no clichê de filmes de terror convencionais de assassinos, em que o que mais vale são as cenas de morte, o suspense passageiro e os momentos gore.

A sensação ao sair do cinema foi de mais um filme de terror genérico, deixando o telespectador que buscava um paralelo maligno à origem do Superman com vontade de algo mais.

Papo de Quadrinho viu: John Wick 3 – Parabellum

A convite da produtora Espaço Z nosso editor acompanhou ‘John Wick 3 – Parabellum’, novo longa da franquia. Em respeito aos nossos leitores nossa resenha NÃO TEM SPOILERS

“Si vis pacem, para bellum (Se você quer paz, prepare-se para a guerra).

O primeiro John Wick era apenas um sonho do roteirista Derek Kolstad que pretendia criar um passeio através de um universo cativante, perigoso e sangrento, estruturado em suas próprias regras, porém oculto nas sombras da nossa sociedade desde os tempos imemoriais. Esse roteiro atraiu o ator Keanu Reeves, que encarnou o personagem com perfeição e o restante é uma história de sucesso com os filmes: “John Wick – De Volta Ao Jogo” (2014) e “John Wick: Um Novo Dia Para Matar” (2017).
Assim, John Wick se tornou um ícone abraçado por platéias curiosas e empolgadas por ver e saber mais sobre ele e seu universo.

Em ‘Parabellum’ (ou ‘prepare-se para a Guerra’) a história começa exatamente onde John Wick terminou em “Um Novo Dia Para Matar”, com o protagonista fugindo do Hotel Continental, na pulsante Manhattan. Ele quebrou uma das regras fundamentais: matou um poderoso chefe da máfia no espaço neutro e protegido do hotel, o que lhe “excomungou” e rendeu um prêmio substancioso por sua cabeça, algo que aguça a imaginação de todos ao redor do mundo.

É durante sua fuga que sabemos mais sobre The High Table (ou Alta Cúpula dos Assassinos), grupo que não apenas gerencia a morte ao redor do mundo, mas também serve como uma espécie de sistema de justiça, com seus executores dos reinos do crime pelo mundo. Todo esse sistema é mantido graças a um sólido código de honra e uma elite que faz cumprir essa lei.

Aos poucos é revelado mais sobre esse incrível mundo mitológico e hiper-real com hotéis secretos e os homens e mulheres mais perigosos do mundo que o procuram a cada esquina.

Para sobreviver, nosso anti-herói precisa sair de cena e ao voltar às suas origens. É assim que conheceremos mais sobre os mistérios de como John Wick se tornou o assassino “Baba Yaga”.

Reeves faz um personagem brutal e ao mesmo tempo carismático, embora nunca sorria. Sua fuga é marcada por sequencias impressionantes de lutas, mortes, perseguições e tiroteios – tudo emoldurado dentro de uma fotografia minuciosamente bem feita. Há tempos que esse editor se diverte muito mais com os exageros do “wickiverso” do que com as aventuras de um 007.

Por fim, é preciso dizer que embora  seja um filme divertido e conte com um elenco estrelado de grandes atores e atrizes como Ian McShane (Gerente) e Halle Berry (Sofia), a história em si mesma não acrescenta muito ao todo – é apenas mais um capítulo de vingança e morte. Mas pelo menos desta vez, todo os assassinos sabem o que acontecem quando se atira em um cachorro.

O filme estreia nesta quinta-feira (16/05) com uma ação desenfreada, maior até que os filmes antecessores.  O espectador encontrará um Wick ainda mais letal e violento em busca de sua sobrevivência, uma experiência de adrenalina e violência tão bem feita que empolga.

Despretencioso, vale o ingresso e vai agradar aos fãs do genero.

Papo de Quadrinho viu: Uma Aventura Lego II

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor em Porto Alegre conferiu o novo filme da franquia Lego.

Quando a primeira Aventura Lego foi lançada (2014), pegou o mundo de surpresa. Divertida, engraçada e frenética, a animação trazia um caldeirão de referências e personagens carismáticos, entre conhecidos e novos, e uma boa história, sem se esquecer que seu universo é baseado em um brinquedo de blocos dinamarqueses remontáveis.

Essa ação de remontar blocos com novas possibilidades não é somente um mote de venda de bonecos, mas foi habilmente usado na primeira história.  Depois vieram Lego Batman (2017) e Lego Ninjago (2017).

Com o sucesso desta fórmula, Uma Aventura Lego II procura dar um passo além, quebrando a 4ª parede e deixando claro que os bonecos fazem parte de um universo maior e real, mas ainda assim explorando a mitologia criada pela Lego com seus licenciamentos e seus personagens próprios. Esse é o grande mérito do diretor Mike Mitchell de Trolls (2016).

Nesta nova aventura, temos mais uma vez o jovem e otimista construtor Emmet (que na dublagem original é feita pelo ator Chris Pratt), vivendo em uma sociedade destroçada pela invasão de ‘alienígenas’ da linha Lego Duplo (a linha de brinquedos para crianças pequenas) que aparecem para destruir tudo, numa clara referência às crianças pequenas que querem ‘destruir’ a brincadeira dos irmãos e irmãs mais velhos.

É nesta sociedade chamada de Apocalipsópolis (referência à Mad Max, com direito a estátua da Liberdade destruída de Planeta dos Macacos) que surge um novo vilão de outro universo.

Esse novo inimigo captura Lucy, Batman, Capitão Pirata, Ultra Gata e o Astronauta e os arrasta para uma galáxia distante: um prenúncio do fim do mundo. Resta ao dócil Emmet partir para o resgate e salvar seus amigos e o universo, desta vez com a ajuda de um novo personagem, Rex, um aventureiro casca grossa que quer transformar Emmet em um cara durão.

Chama atenção como o diretor consegue contar bem uma história em meio à ação colorida e frenética, ao mesmo tempo em que insere várias referências pop para os pais. O filme investe na quebra da 4ª parede, outro acerto que conecta ainda mais o público infantil com o ato de imaginar e brincar usando blocos.

São essas mudanças em relação ao primeiro filme que remontam (trocadilho involuntário) o universo Lego e dão um passo além para a franquia.

É um filme que deve trazer boas lembranças aos pais e cumpre o papel de entreter e capturar a atenção das crianças. Afinal a razão de ser deste universo ainda são as crianças (ou seriam também os adultos?).

Compre sua pipoca, leve seus filhos, sobrinhos, netos e passe umas horas divertidas no cinema. Todos merecem.

Papo de Quadrinho viu: Círculo de Fogo – A Revolta

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A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas nesta terça-feira (21). Em respeito aos nossos leitores e seguidores nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

Guillermo del Toro está em evidência depois de ter recebido o Oscar de melhor diretor com a A Forma da Água, uma fantasia linda que mostra as relações de afeto entre pessoas que acabaram excluídas.

A paixão do diretor por monstros e criaturas fantásticas faz parte de sua formação nerd – comum também há estes editores – com robôs gigantes, naves e monstros que encantaram nossa infância.

Robô Gigante (1967 – Toei Company), Gamera (1965 – Daiei), Godzilla (1954 – Toho Film), Spectreman (1971 – P-Productions), Ultraman (1966 – Tsuburaya Productions) e Ultraseven (1967 – Tsuburaya Productions) entre eles, só para ficar nos mais importantes. E foi com a cabeça repleta de referências e interesse em fazer uma homenagem a este importante pilar da cultura nerd que Del Toro lançou Circulo de Fogo em 2013.

O filme foi mal recebido pelos ocidentais e bem recebido pelos orientais (o que faz um certo sentido, por conta destas referências citadas), mas permitiu ao diretor fazer uma continuação, desta vez como produtor. Circulo de Fogo: A revolta tem direção de Steven S. Deknight (showrunner da primeira temporada de Demolidor, na Netflix), e conta com a jovem estrela de Star Wars, o querido John Boyega, no papel principal.

Robô Gigante é Amor

Circulo de Fogo (2013) mostrou uma invasão alienígena vinda não do espaço, mas de outra dimensão, através de uma fenda no Oceano Pacífico. Ondas de monstros invasores são contidas pela engenhosidade humana que criou os Jaegers (caçadores em alemão): robôs gigantes para frear a invasão na base do tiro, porrada e bomba.

Mas para pilotar esses robôs monumentais são necessários dois pilotos conectados em um fluxo neural compatível. Finda a guerra com o sacrifício máximo de pilotos e robôs, a humanidade parecia salva com o fechamento da fenda e começou a se reconstruir.

Agora em Círculo de Fogo: A revolta, 10 anos se passaram após a guerra e a humanidade seguiu adiante, como o jovem Jake Pentecostes (John Boyega), cujo pai deu a vida para garantir a vitória da humanidade.

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Jake abandona a academia onde novos Jaegers haviam sido criados e preparados para um possível novo ataque – que nunca chegou – e vai curtir uma vida de diversão do pós-guerra, preso ao submundo do crime. Isso até conhecer a jovem Amara (Cailee Spaeny) uma hacker que constrói seu próprio robô. Quando uma ameaça ainda mais terrível desencadeia pânico e destruição, Jake tem a oportunidade de honrar o legado de seu pai.

Uma continuação bem feita 

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O filme acerta em muitos aspectos. Primeiro, com uma continuação divertida e cenas de batalha que impressionam pela grandiosidade destrutiva. O roteiro traz uma continuação que cumpre o que promete sem pretensões maiores.

Deknight explora o carisma dos jovens Boyega e Cailee em subtramas que constroem a relação entre os protagonistas. O restante é pancadaria de primeira qualidade, o que não é nenhum demérito. Infelizmente tanto efeito não ganha nenhum contorno especial em 3D ou Imax, negligenciando uma possibilidade técnica que, se bem explorada, poderia ser imersiva.

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Círculo de Fogo – A Revolta cumpre seu objetivo principal: divertir honestamente. O filme apresenta um novo grupo de defensores da Terra, uma nova geração de robôs defensores e monstros terríveis. Assistir às batalhas em grande escala é um prazer nerd que não dá para abrir mão, tudo bem embalado e sem esquecer de homenagear os precursores do gênero, que mostravam dia sim, dia não, Tóquio sendo devastada. Compre sua pipoca e divirta-se.

Justiceiro é a melhor série da Marvel-Netflix desde Demolidor

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Depois de algum suspense quanto à data de estreia, a primeira temporada de Justiceiro (The Punisher) finalmente desembarcou na Netflix na última sexta-feira (17).

É a sétima produção conjunta da plataforma de vídeos em parceria com a Marvel e uma das melhores até agora.

Jessica Jones (2015) e Luke Cage (2016) começaram bem, mas cansaram depois da primeira metade. Punho de Ferro (2017) nem isso: mal sobreviveu aos três primeiros episódios – e o fato de a série ser comandada pelo mesmo showrunner de Inumanos, Scott Buck, diz muita coisa a esse respeito.

Defensores, que uniu os quatro heróis urbanos, não é de todo má, mas ficou muito aquém do que poderia ter rendido.

A primeira temporada de Demolidor continua imbatível, com sua violência crua e bom desenvolvimento (sem contar o elemento surpresa), enquanto a segunda foi praticamente salva pela subtrama envolvendo… o Justiceiro!

Marvel's The Punisher

E é justamente nesta posição que a série solo de Frank Castle se posiciona no ranking das melhores produções da Marvel-Netflix até agora: entre a primeira e a segunda temporada de Demolidor.

A trama é bem desenvolvida ao longo dos 13 episódios, sem cansar o espectador nem acelerar em direção ao desfecho. Mesmo as subtramas, como a do jovem que voltou traumatizado do Afeganistão ou a do veterano que montou um grupo de apoio para ex-soldados, trabalham a favor da trama principal.

Justiceiro começa com Frank Castle (Jon Bernthal) ainda limpando a área (eufemismo para exterminando) do que restou dos assassinos de sua família.

Feito isso, ele se transforma num homem sem propósito, um soldado sem missão. Mas como a jornada de todo herói, fatores externos tiram Frank Castle de sua catarse e o jogam no olho do furacão. Pior: ele descobre que no caso da morte de sua mulher e filhos, o buraco é mais embaixo – ou melhor, nas camadas mais acima da hierarquia governamental.

O responsável por essa reviravolta é David Lieberman (o ótimo Ebon Moss-Bachrach), vulgo Micro, um ex-analista da Agência Nacional de Segurança que precisa se fingir de morto para garantir a segurança de sua família. Ele sabe que seus inimigos são os mesmos de Castle e acredita que o ex-fuzileiro é um meio essencial para atingir seus fins.

O difícil é convencer Castle disso, e o rodízio de papéis entre caça e caçador que se forma, a dinâmica entre interesse, identificação e, finalmente, amizade entre eles é uma das melhores coisas de Justiceiro.

Marvel's The Punisher

Pode ser que a série desaponte alguns fãs que esperavam 13 horas de banho de sangue. Sim, há cenas de violência típica dos quadrinhos do anti-herói – algumas bem pesadas – mas o que a série tem de melhor é a forma como desenvolve os personagens e as relações entre eles.

E isso se estende para todo o elenco, da agente da Departamento de Segurança Nacional, Dinah Madami (Amber Rose Revah), até o ex-fuzileiro Billy Russo (Ben Barnes).

A forma como Russo evolui de melhor amigo de Frank Castle a algo mais parecido com sua contraparte nos quadrinhos é primorosa, e boa dose do mérito é de Barnes, que consegue construir um personagem com numerosas camadas.

As aparições de Karen Page são pontuais e certeiras, e a atriz Deborah Ann Woll está cada vez mais à vontade com a personagem.

Se no geral Justiceiro já entrega um produto bom muito, há momentos que são dignos de nota. O 10º episódio é um primor de narrativa, com o recurso de um mesmo fato contado sob diferentes perspectivas, e o 12º não só é um dos mais cruéis como também serve para definir o momento em que Frank Castle aceita em sua alma e em seu coração o encargo do Justiceiro.

Será muito bom se Justiceiro servir de exemplo para as próximas produções da Marvel-Netflix. Os fãs agradecem.

Papo de Quadrinho viu: Liga da Justiça (SEM SPOILERS)

A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas nesta terça-feira (14). Em respeito aos nossos leitores e seguidores nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

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Para que serve um filme de super-heróis?
Se você responder essa pergunta, pode ser que o entendimento deste filme (e dos muitos que estão por vir neste subgênero cinematográfico) se torne mais claro e com isso as motivações para assistir filmes de super-heróis adquiram outros significados.

Se o objetivo for se divertir, se encantar, se emocionar com o dia sendo salvo por pessoas com dons especiais e, finalmente, ter o prazer de passar algumas horas vendo ao vivo seus super-heróis favoritos dos quadrinhos – ali, em uma versão em carne e osso – você não deve perder o filme Liga da Justiça.

Vamos listar 5 motivos para você ir ao cinema e se divertir, e focar no que deu certo, SEM SPOILERS. Sim, nós sabemos que a boa crítica deve pesar o que deu errado também, mas vamos dar uma chance de fazer diferente desta vez.

1. É A LIGA DA JUSTIÇA, C%$&@L&O!

Não importa se você é fã veterano de histórias em quadrinhos, “bazingueiro” ou nunca deu bola para super-heróis e gibis: você nasceu neste planeta e sabe o que é a Liga da Justiça. Um grupo de super-heróis reunido para defender a Terra e seus habitantes de ameaças externas e internas. Ver o grupo em ação já é motivo suficiente para pagar o ingresso (cada dia mais caro) e passar 2 horas em companhia de Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Ciborgue, Flash e Aquaman – os super-heróis da vez (#saudadesLanternaVerde), escolhidos para essa estreia cinematográfica.

2. É UMA BOA (E SIMPLES) HISTÓRIA

Não tem nenhum segredo ou roteiro rocambolesco. A história se passa levando em conta os eventos que ocorrem após a morte do Superman, mostrados no polêmico  Batman vs Superman – A Origem da Justiça. Sem o Azulão de Krypton, a Terra está aberta para qualquer ameaça em larga escala. Assim, surge um vilão ancestral, o Lobo da Estepe, comandante de um exército de criaturas horrendas chamadas de parademônios. Nos quadrinhos, esses monstros são ligados ao maior vilão da editora, Darkseid, criação do genial Jack Kirby.

O Lobo da Estepe está na Terra em busca das Caixas Maternas, artefatos de poder imensurável, capazes de terraformar um planeta por meio da vida ou da morte. A motivação é essa, tomar o planeta Terra e transformá-lo em um inferno (muito, muito pior do que é hoje). Simples assim, sem enormes digressões filosóficas e conceituais, sem muita margem para interpretação. E ainda que este vilão seja o ponto mais fraco do filme, não compromete. Ele não tem incríveis axiomas emocionais, nem um intelecto soberbo alienígena ou um refinamento tático: é um comandante de invasão e veio aqui acabar com tudo. Ponto.

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3. OS SUPER-HERÓIS ESTÃO ÓTIMOS

Os primeiros 5 minutos do filme ganham o espectador. Aos poucos, vemos a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) em ação enquanto Batman (Ben Affleck) procura os outros super-heróis para formar um grupo de defesa da Terra que está, ao que tudo indica, diante de um ameça iminente. Na medida em que Bruce Wayne parte em busca destes escolhidos que possuem dons especiais, vamos aos poucos vendo o que cada um é capaz de fazer individualmente.

A Mulher-Maravilha continua ótima, tanto quanto em seu filme solo. Protagoniza cenas memoráveis de luta e, no decorrer do longa, tem uma relação intrincada e interessante com Batman.

E o Superman (Henry Cavill)? Bom, ele retorna e faz muito bem seu papel na história. Aquaman (Jason Momoa) surge muito bem dados os contextos da história e sua participação dá pistas – e boas esperanças – do que será seu filme solo. O Flash (Ezra Miller) é o alívio cômico, e também tem boa participação. Lembram do Flash do desenho Liga da Justiça sem limites do Bruce Tim? É esse Flash que está no filme.

Por fim, uma grata surpresa: Ciborgue (Ray Fisher). Apesar do visual que lembra um transformer humano, o Victor Stone do filme tem toda a carga trágica dos quadrinhos. Se você não sabe quem é o Ciborgue, ou só viu nas animações infantis de Teen Titans Go! não se preocupe, pois sua trágica história é revelada nesse filme.

No transcorrer da trama, vemos o time todo em ação, como já foi mostrado em trailers e cenas divulgadas. O objetivo do filme afinal é mostrar essas lutas amarradas em uma boa história, e assim chegamos no próximo item.

4. É UM FILME REDONDO

A estrutura e narrativa têm um ritmo adequado, bem conduzido, mas claro, não é e nem precisa ser uma obra-prima cinematográfica. O filme dá certo porque os eventos acontecem no ritmo certo. Como e por que os super-heróis se reúnem para defender a Terra e o custo dessa batalha são questões que vão envolvendo a audiência.

Outro acerto é a Warner sair do clima excessivamente sombrio, equilibrar essa paleta de cores escura adotada anteriormente (influencia de Joss Whedon, talvez?). Algumas piadas, ajustes e uma narrativa simples e coerente fizeram a diferença. Existem alguns problemas, mas nada que comprometa. Poderia ser melhor se a Warner tivesse contado as histórias anteriores de seu universo de forma diferente.

Não que o estúdio precisasse copiar o modelo eficiente da Marvel, mas o fato de não ter mais tempo para explorar as relações entre os super-heróis e outros pequenos ajustes finos impedem que Liga da Justiça seja um filme épico (para usar uma palavrinha da moda). Mas nada disso diminui seu valor nem a diversão, pode ficar tranquilo.

Atenção para duas cenas pós-créditos! Não saia do cinema antes do acender das luzes.

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5. VOLTAR A SER CRIANÇA FAZ BEM

Para uma geração que ficou feliz com Superman: O filme (1978) e nunca imaginou viver uma Era heroica no cinema, com dezenas de filmes – alguns muito bons –  baseados no universo dos super-heróis dos quadrinhos, ter o prazer de acompanhar as aventuras de uma Liga da Justiça no cinema com amazonas, atlantes, parademônios, novos deuses de Jack Kirby, caixas maternas… quem sonharia? Ajudou muito Liga da Justiça ser um filme bem-feito, com roteiro amarrado, paleta de cores mais viva.

Foi um prazer ver tudo isso! Ainda que não seja uma obra-prima, Liga da Justiça cumpre com louvor o papel de representar bem esses heróis tão icônicos para a Cultura Pop e, modo sutil, levantar algumas questões, valores do heroísmo, companheirismo e dos perigos que a nossa escuridão pode trazer. Nunca é tarde para enfrentar as trevas, ainda que elas pareçam invencíveis. São ideias que chegam em boa hora para o mundo atual que vivemos, principalmente por essas bandas tupiniquins.

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