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Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Category: Crítica (Page 1 of 4)

Papo de Quadrinho viu: Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor Társis Salvatore assistiu ao novo lançamento da Disney/Pixar.

A “Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica”, apresenta os irmãos Ian e Barley Lightfoot que vivem em um pacato subúrbio de uma cidade chamada New Mushroomton. A sociedade evoluiu de uma realidade cujos habitantes são criaturas mágicas: trolls, centauros, sereias, gnomos e.. elfos. Outras criaturas como unicórnios e dragões são animais de estimação, neste mundo mágico que perdeu sua magia ante a tecnologia, séculos atrás.

Mas a vida contemporânea em uma cidade média da era pós-industrial tem desafios considerados pouco atraentes se comparados à aventura épica vivida pelos jogadores de Dungeons and Dragons. Em um mundo mágico sem magia, só resta os problemas mundanos e aparentente intransponíveis para um jovem que completa 16 anos.

É ai que o desafio aparece e os irmãos tem que se unir para viver uma aventura real: realizar uma magia ancestral que vai permitir que eles passem um dia com seu pai falecido. Cada irmão com suas razões, motivações e desafios, precisam trabalhar juntos depois de aceitar o chamado para a aventura.

O novo longa-metragem original da Pixar é dirigido por Dan Scanlon e produzido por Kori Rae – a equipe por trás de “Universidade Monstros”. Scanlon leva o início da trama um pouco mais cadenciado, para explodir em ação no quarto final da história. Não que isso seja um problema. É bacana e importante vermos a vida de Ian ( Tom Holland), sua relação com sua mãe ( Julia Louis-Dreyfus), sua escola e claro, seu irmão Barley (Chris Pratt). Os coadjuvantes são ótimos, como a Manticore e as absolutamente impagáveis fadinhas motoqueiras.

O desfecho é o melhor possível. Infelizmente não é possível explicar mais sem spoilers. Mas é um final sensível, emocionante e bem dirigido. Temos uma animação com aquele padrão de qualidade da Pixar: tecnicamente impecável, o cuidado com os detalhes e referências, sobretudo na história, com os clichês de RGP e demais jogos é hilário. E o final da história, nós arriscamos dizer, em muitos momentos vai mexer mais mais com os sentimentos dos adultos do que das crianças. Uma dica: vimos a versão dublada e está excelente. Não tenha medo de ver essa versão.

“Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica” estreia nos cinemas brasileiros em 5 março. Não perca!

Papo de Quadrinho jogou muito e viu: Sonic – O Filme

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor Társis Salvatore assistiu ao filme baseado em um dos jogos mais icônicos de todos os tempos

SONIC – O Filme é uma aventura live-action baseada na franquia mundial da Sega que divertiu e diverte até hoje toda uma geração de gamers. Para quem não lembra, o jogo apresenta um ouriço azul (ou porco espinho para alguns) super veloz que precisa libertar as criaturas do seu mundo transformadas em monstros mecânicos pelo terrível Doutor Robotnik.

Filhote de Cruz-Credo

Quando surgiu a primeira imagem do Sonic “ao vivo” no início de 2019, houve um furor na internet. O visual apresentado tinha estilo mais “humanizado”, com proporções um tanto estranhas e uma feiura considerável. Esse visual do Sonic foi rechaçado pelos fãs e causou uma série de debates. A reação negativa foi tanta que a Paramount e a Sega decidiram ouvir os fãs, investiram mais alguns milhares de dólares e redesenharam o personagem. Um acerto para o filme, mas que também causou novos debates sobre qual o limite aceitável de pressão dos fãs sobre uma adaptação ou produto pop.

Antes e depois: Sonic na versão mais humana e na versão do filme, próxima do game.

Sessão da Tarde

Refeito o personagem e o susto dos fãs, chegamos mais animados para conferir como foi adaptar para a telona o simpático Sonic. O filme foi escrito por Pat Casey e Josh Miller. O quase desconhecido diretor Jeff Fowler faz um trabalho competente e apresenta as aventuras de um ouriço azul com poderes especiais chamado que tenta se adaptar à nova vida na Terra.

Na trama, Sonic tem uma admiração velada pelo policial Tom Wachowski (vivido pelo ator James Marsden) e sua família, que vivem em uma pequena cidade no interior. 

Com um roteiro redondo, o trabalho de Fowler foi divertir e fazer do Sonic um personagem com alma. O ouriço funciona como protagonista e destila numerosas citações e brincadeiras. Referências à cultura pop estão por todo lado. O ator Ben Schwartz faz a voz do Sonic, e, no Brasil, a dublagem ficou a cargo do experiente Manolo Rey, que tem uma das vozes mais conhecidas do país. A interação com os atores humanos James Marsden (o Ciclope da primeira franquia dos X-Men no cinema) e Tika Sumpter convence, lembrando que Marsden já fez outros trabalhos voltados ao público infantil.

O adorado ator Jim Carrey interpreta o big boss do filme, o Doutor Robotnik, um agente especial do governo que usa sua tecnologia para descobrir quem (ou o que) é o Sonic.

“Quando eu recebi o telefonema para fazer SONIC fiquei muito empolgado”, garantiu Jim Carrey. E de tão empolgado, não economizou caras, bocas e afetação. Que Carrey é um ator talentoso não há dúvida, mas deve ser divertido (além de lucrativo) ser convidado para papéis exagerados e espalhafatosos. É contra este vilão, uma mistura de geek, hipster e filho único, que Sonic e Tom unem forças para tentar impedir sua captura pelo governo norte-americano.

‘SONIC – O Filme’ tem tudo para agradar as crianças e, se bobear, alguns adultos. A interação com os atores humanos ficou convincente e os efeitos especiais realmente são bem feitos. O saldo é positivo.

Foi um modo honesto de reapresentar o carismático Sonic para toda uma geração principalmente as criançasque não passou horas alegres coletando anéis e correndo para derrotar um amaldiçoado vilão.Quem sabe, agora, eles podem descobrir ou redescobrir um dos mais importantes ícones dos games. 

Atenção: não saia da sala ao primeiro subir dos créditos! Tem uma cena pós que vale a pena conferir. 

Papo de Quadrinho viu: O Preço da Verdade (Dark Waters)

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu o filme O Preço da Verdade.

O Preço da Verdade é o mais novo longa do diretor californiano Todd Haynes. Diretor de obras como Carol (2015), Não estou lá (2007), Longe do Paraíso (2002) e Velvet Goldmine (1998) .

Reconhecido por trabalhar com histórias baseadas em fatos reais, Haynes se arrisca no gênero “drama de tribunal” trazendo um tom político ainda mais intenso do que em seus trabalhos anteriores.

O roteiro escrito por Mario Corre, Nathaniel Rich e Matthew Michael Carnahan foi desenvolvido a partir de uma matéria da revista do New York Times intitulada “The Lawyer Who Became DuPont’s Worst Nightmare” mostrando o escândalo da empresa DuPont que durante décadas usou o ácido C8 em seus utensílios de cozinha antiaderentes, uma substância que produziu envenenamento e doenças em seus consumidores, inclusive envenenando a água utilizada para cozinhar.

O protagonista é um advogado corporativo de causas ambientais interpretado por Mark Ruffalo (mais conhecido como Dr. Dave Banner, o Incrível Hulk da Marvel). Totalmente diferente do que vemos no universo Marvel, Ruffalo dá vida a um personagem com tom, sotaque e trejeitos do advogado interiorano Rob Bilott.

Sisudo e obsessivo, Bilott vai enfrentar de forma solitária a gigante da indústria química DuPont. Somos arrastados ao centro processo de mais de 15 anos levantando provas por conta do envenenamento de uma comunidade inteira da Virgínia Ocidental. Essa atuação é certamente material de indicação ao Oscar. Curiosidade: Ruffalo que também é conhecido por seu ativismo pela causa ambiental é um dos produtores do filme. Vemos aqui uma trajetória menos heróica que a do Hulk mas igualmente combativa.

Justiça tardia

O drama se intensifica nas contradições e tensões que o protagonista enfrenta em sua batalha contra a DuPont, empresa que popularizou o Teflon – esse mesmo das panelas na qual uma boa parcela da população global cozinha.

Uma cidade inteira descobre que está adoecendo de câncer e outras doenças desenvolvidas por conta do lixo tóxico que contaminou a água da região na produção deste produto. Nesse embate podemos ver a relação do protagonista Rob Bilott com o chefe do prestigioso escritório de advocacia, Tom Terp (interpretado por Tim Robbins) e sua esposa e também advogada Sarah (Anne Hathway) que se destacam no entorno da figura de Rob e sua incansável luta por justiça.

É um filme incômodo, um convite à reflexão, pois traz à tona as falhas e brechas de um sistema jurídico que acaba não protegendo as comunidades em favor das grandes empresas.

Apesar de um roteiro linear e por vezes até cansativo e pesado, O Preço da Verdade alerta a audiência com dados apavorantes e pesquisas conclusivas que o componente químico C8 está presente em uma grande porcentagem da humanidade e da natureza atuais, sendo um agente causador de múltiplos tipos de câncer e outras doenças terríveis.  

Esse é filme imersivo e tenso, com uma narrativa dramática que vai num crescente. Nos deixa com um incômodo e uma raiva quando pensamos nas responsabilidades da indústria química e na forma como essa e outras empresas banalizam a vida humana em prol de seus lucros.

Um excelente filme ficcional sobre não-ficção. Recomendamos.

Papo de Quadrinho viu: Arlequina com as Aves de Rapina

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral e nosso editor Társis Salvatore conferiram o filme Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (que sejamos justos – na prática – é um filme da Arlequina com as Aves de Rapina)

Nos últimos meses temos ouvido na mídia especializada sobre um suposto esgotamento dos filmes de super-heróis enquanto “gênero cinematográfico”. Se por um lado, compreendemos que o esgotamento se dá por uma série de questões e decisões mercadológicas (e estéticas), por outro há um certo ranço e injustiça quando começam a sair os filmes das super-heroínas, permitindo (finalmente!) que mulheres estejam à frente de filmes de grandes estúdios.

Aves de Rapina: Arlequina e a sua emancipação fantabulosa é uma boa comédia de ação dentro dos filmes de super-heróis, cujo tom lembra muito mais uma animação – origem da própria Arlequina – do que os quadrinhos. Como comentamos acima, o protagonismo do filme foca mais no desenvolvimento da personagem Harlen Queenzel / Arlequina. Isso é possível graças ao talento e carisma de Margot Robbie que incorporou a personagem e trouxe a espevitação característica da Arlequina dando um tom humorístico e ao mesmo tempo complexo à mesma. A atriz também é co-produtora do filme juntamente com a roteirista Christina Rodson (que também fez Bumblebee da franquia Transformers) e a diretora Cathy Yan (diretora de Dead Pig).

Arlequina, rainha da p*rra toda

Para o chororô de alguns nerdys o roteiro optou por passar longe das Aves de Rapina dos quadrinhos da DC – principalmente porque a Arlequina nunca fez parte do grupo criado em 1995. Restaram das HQs algumas citações e o tom de caça aos bandidos e violência urbana que marcam o filme. Nesse sentido foi uma boa sacada o uso da personagem como a narradora não-confiável da trama. Assistimos assim o transcorrer da narrativa e a construção de Gotham através dos olhos da doutora e anti-heroína Arlequina que começa a história tentando encontrar sua própria identidade após o término do (conturbado e abusivo) relacionamento com o Coringa.

Aqui temos o mais um acerto do filme: se desvencilhar de Esquadrão Suicida do diretor David Ayer. Foi uma ótima tática para que a audiência voltasse sua atenção para o que interessa: a emancipação da Arlequina, provavelmente a única personagem que passou batida pelas duras (e justas) críticas ao filme. Esse descolamento também permitiu explorar a personagem fora do casal disfuncional e para tanto tecer de forma sutil críticas à condição de relacionamentos que tendem a apagar identidades, sobretudo das mulheres.

Esqueça o visual sombrio

A Diretora Cathy Yan coloca cores do filme fugindo da traumática paleta de cores “sombria” de diversos filmes anteriores da Warner/DC. Já no roteiro, vemos influências de filmes importantes como Pulp Fiction e O Profissional. Outro destaque fica por conta da mudança do visual da Arlequina num tom colorido, por vezes carnavalesco e menos sexualizado, remetendo à estética clubber e streetwear que com certeza vai agradar as cosplayers.

O figurino das outras personagens também ficou bacana, sobretudo A Caçadora /Helena Bertinelli (Mary Elizabeth Winstead), a policial latina Renée Montoya (Rosie Perez), a órfã/ladra Cassandra Cain (Ella Jay Basco). A cantora Canário Negro/Dinah Lance (Jurnee Smollett-Bell) ainda está descobrindo seus poderes – dai o porquê tem um figurino não tão espetaculoso quanto o das outras heroínas.

Formando uma girl band

Com a Arlequina narrando a história do modo que lhe desse na telha, somos apresentados às outras personagens de forma sintética e aos poucos acompanhamos suas trajetórias para o funcionamento história.

O vilão afetado Máscara-Negra/Roman Sionis (Ewan McGregor) é mostrado como um narcisista e misógino, extremamente dependente do assassino em série Victor Zsaz (Chris Messina). O filme sugere uma relação entre ambos e em alguns momentos dá a entender que Sionis é gay, mas ainda não foi dessa vez que tivemos um vilão assumido neste gênero. De qualquer forma, nas entrelinhas e em alguns simbolismos a sugestão aparece. Ewan McGregor faz um vilão menos atormentando e mais mimado em contraponto ao psicopata e assassino Zsasz.

Aqui os homens são claramente mesquinhos e maus enquanto as mulheres se destacam por superarem os problemas através da perspicácia e da união. Obviamente os clichês de formação de equipes estão todos lá com as eventuais resmunguices e brigas entre elas, até acertarem no tom da colaboração. Embora seja um filme por vezes violento, sem pretensões a grandes discussões e debates, a mensagem é clara e direta. O poder das heroinas reside na união coletiva entre as garotas – mesmo que de forma temporária – com a garantia de suas individualidades, uma vez que cada personagem tem uma trajetória de vida e diferenças que não podem ser apagadas.

As cenas de luta são bem coreografadas e funcionam bem para empolgar com diferentes momentos de ação, sobretudo a luta no Depto de Polícia e na Casa de Horrores do Parque de diversões abandonado. É um prazer ver uma luta de rua em oposição às lutas de CGI que emulam videogames em outros filmes Warner/DC.

Por fim dá para destacar a trilha sonora trazendo um time de vozes femininas desde o single Diamond de Megan Thee Stallion & Normani, a cantora pop teen Halsey (Experiment on me) e uma canção cantada pela própria Canário Negro em uma bela cena na boate do vilão Simons, “It’s A Man’s Man’s Man’s World”, além da versão de “Hit me with your best shot” , sucesso nos anos 1980 da cantora Pat Benatar – que já constava em filmes como o musical Rock of Ages e a série Glee).

Aves de Rapina: Arlequina e a sua emancipação fantabulosa é um filme despretensioso e divertido. Funciona como uma comédia de ação e apresenta uma livre adaptação das HQs. Acerta o tom de comédia com ação e bastante pancadaria e deve agradar principalmente as audiências mais jovens por conta dessa mistura de irreverência com girl power.

Ao final temos engatilhado a possibilidade de um filme da equipe em si e quem sabe isso pode abrir as portas para um filme da maravilhosa galeria das vilãs da DC que nem sempre são bem utilizadas. Ficamos na torcida pelo sucesso do filme e imaginando com curiosidade o quanto a bilheteria pode influenciar nas futuras escolhas da DC Comics no cinema. Por hora, compre sua pipoca e divirta-se.

Papo de Quadrinho viu: Star Wars – A Ascensão Skywalker

A convite da assessoria de imprensa da Disney, Papo de Quadrinho assistiu a Star Wars – A Ascensão Skywalker numa sessão exclusiva para jornalistas.

Em respeito aos nossos leitores, o texto abaixo não contém spoilers.

Star Wars – A Ascensão Skywalker, que chega aos cinemas brasileiros amanhã (19), se intitula o capítulo final da saga espacial criada por George Lucas há mais de 40 anos.

O diretor J.J. Abrams sabia da responsabilidade de ter os olhos de boa parte do mundo voltados para seu trabalho e optou por seguir um caminho mais seguro, longe da ousadia de seu antecessor, Rian Johnson, em Os Últimos Jedi (2017).

Da mesma forma que transformou sua estreia na franquia, O Despertar da Força (2015), num filme-homenagem a Uma Nova Esperança (1977), agora Abrams presta tributo a outro filme da trilogia clássica (os fãs logo vão perceber as semelhanças na estrutura narrativa).

A Ascensão Skywalker trata de redenção, do conflito do Bem contra o Mal – assim mesmo, no sentido absoluto –, mas travado dentro dos protagonistas, que lutam contra o medo e o ódio que conduzem para o lado sombrio da Força – um dilema constante nos momentos cruciais da saga.

O passado de Rey (Daisy Ridley) é finalmente conhecido e, como prometeu o corroteirista Chris Terrio, a revelação não é aleatória. Em vez disso, confirma a estreita relação da protagonista com a Força e seus inimigos – entre eles, Kylo Ren (Adam Driver).

A Ascensão Skywalker é talvez o filme com mais ação de toda a saga principal. A abertura traz de cara uma perseguição entre as estrelas, seguida de cenas num campo de batalha e continua com um espetáculo de batalhas espaciais, confrontos de blasters, lutas de sabre de luz e um resgate heroico. Os stormtroopers ainda são ruins de mira, mas ganham um surpreendente recurso.

Demais personagens, como Poe Dameron (Oscar Isaac) e Finn (John Boyega), estão mais maduros e seguros de seu papel na Resistência, e protagonizam boa parte das cenas de ação.

Sob a batuta de Abrams, as mulheres continuam brilhando: as novatas Zorri Bliss (Keri Russell) e Janah (Naomi Ackie) são quem livra a cara dos heróis em momentos de apuro.

O roteiro toma alguns atalhos para fazer a trama andar, mas nada que comprometa se você mantiver em mente que se trata de um novelão ambientado muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante, e que não dá para cobrar verossimilhança o tempo todo.

O que dá para cobrar é coerência, e isto J.J. Abrams entrega. Apesar de optar por um caminho mais seguro, o diretor honra não só o que começou a construir em O Despertar da Força, mas principalmente o legado de mais de quatro décadas, e presenteia os fãs com um encerramento digno.

A Ascensão Skywalker tem um tom de despedida e é um deleite rever a eterna Princesa Leia (Carrie Fisher), ainda em que cenas recuperadas, e tantos outros personagens da trilogia clássica no que talvez seja sua última participação.

Mas soa pretensioso pensar que este nono episódio fecha a tampa da saga. A riqueza do universo criado por George Lucas permite numerosas possibilidades e faz pensar se daqui a algumas décadas não veremos o início de um novo ciclo, com os heróis da atual trilogia no papel dos “veteranos”.

O tempo -e a Força – dirão…

Papo de Quadrinho viu: As Panteras (Charlie´s Angels)

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu o novo filme da franquia As Panteras (Charlie´s Angels). Nossa resenha está livre de spoilers.

O novo filme As Panteras (Charlie´s Angels) de 2019 faz o reboot da franquia de forma competente e divertida sob a direção de Elizabeth Banks – que também atua na película. Apesar de reiniciar a franquia, a trama se passa no mesmo universo dos filmes anteriores (Charlie´s Angels de 2000 e Charlie´s Angels: Full Throttle de 2003) respectivamente, porém se mantém bem mais fiel ao espírito do seriado, que foi exibido nos Estados Unidos de 1976 a 1981. No Brasil, o seriado chegou com um delay peculiar da época e passou nos canais de TV abertos nos anos 1980 influenciando a cultura pop da época.

Em tempos de nostalgia em relação a produtos midiáticos que atingem status de cult, era de se imaginar que a franquia de As Panteras fossem retornar ao circuito dos cinemas ou dos seriados. Se os filmes dos anos 00 fizeram uma geração rever as detetives da agência de Charlie na condição de protagonistas, essa continuação de 2019, avança as discussões em termos do papel das mulheres em posições de poder, questionamento que nunca foi feito pelo seriado nem pelos filmes anteriores.

Esse é um dos grandes acertos da direção de Elizabeth Banks e do roteiro, além do brilho de Kristen Stewart (Sabina) que mostra toda sua veia de comediante além de “tirar onda” de sua suposta rebeldia e menções a sua sexualidade – há um certo acento queer na personagem que pode ser desenvolvido de forma mais aprofundada caso haja um próximo filme. Kristen de certa forma domina o filme dando um belo “tapa na cara” dos críticos e da audiência que tende a associá-la com a franquia Crepúsculo mesmo depois de tanto tempo e de ter filmes “alternativos” no currículo.  Além de Kristen, Naomi Scott no papel da cientista atrapalhada Elena Houghlin e Ella Balinska como Jane completam o trio, ancoradas pelos Bosleys – Patrick Stewart, nosso eterno capitão Picard de Star Trek – e Elizabeth Banks – a diretora do filme. O trio funciona bem, embora o relacionamento de amizade entre elas pudesse ter se desenvolvido de forma menos rápida e os plot twists em relação aos vilões apresentem motivações bastante fracas. No entanto, nada que faça o filme perder a animação ao estilo clássico da “Sessão da Tarde”.

As Panteras (2019) é um filme bastante divertido que explora melhor que os anteriores a parceria entre as detetives e suas transformações no caminho de pensar que o trabalho entre mulheres precisa ser coletivo, nesse sentido trazendo referências mais explícitas a questões feministas como o assédio masculino em diversos ambientes, o roubo do trabalho intelectual das mulheres e apagamento das mesmas por figuras de poder masculinas. Apesar disso é um filme leve e que acerta no tom da questão dos figurinos e disfarces – um dos destaques no seriado dos anos 1970 – e logicamente traz elementos nostálgicos como referências aos filmes anteriores e algumas surpresas que remetem à série original. Atenção às cenas pós-créditos.

Um último destaque é a trilha sonora feita para as pistas de dança e traz apenas cantoras pop como Miley Cyrus e Lana del Rey, com ênfase para Ariana Grande, um clássico de Donna Summer e até mesmo a brasileira Anitta, uma vez que o Rio de Janeiro juntamente com Istambul e Hamburgo fazem parte das paisagens por onde as detetives se empenham em resolver a questão do roubo de uma tecnologia que coloca muitas vidas em risco. Por todos esses elementos, As Panteras (2019) é um filme recomendado pela diversão e por pautar temas atuais de forma descontraída – ainda que alguns questionamentos em torno de padrões precisem ser mais explícitos evitando o queer baiting por exemplo.

Papo de quadrinho viu: Midsommar – O Mal não espera a noite

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu o novo filme de terror do diretor Ari Aster. Hoje, trazemos na resenha alguns spoilers leves para o melhor entendimento do filme.

Um dos principais clichês da crítica musical é a chamada “síndrome do segundo álbum”, que normalmente acomete artistas e bandas cujo primeiro trabalho ganhou muita expressão ou visibilidade e em torno dos quais são criadas expectativas da reprise em uma próxima obra. Bastante esperado pela crítica e público, Midsommar – que no Brasil ganhou o curioso subtítulo de O Mal não espera a noite – é a segunda incursão do diretor e roteirista Ari Aster no gênero horror após sua aclamada estreia com o longa Hereditário (2018).  Nesse sentido, o hype criado pela crítica e público em torno da segunda obra do diretor faz com que o filme já ganhe na largada uma intensa visibilidade no circuito dos apreciadores do gênero.

Novamente o cineasta nos coloca dentro de uma história incômoda e perturbadora, porém deslocando os cenários e paisagens dos Estados Unidos no inverno – que aparecem pouco e apenas na parte inicial do filme – para uma ensolarada Suécia no verão. A vila no interior da Suécia com suas paisagens e arquitetura é um dos principais personagens do filme, atuando como condutora da narrativa a partir das festividades do solstício de verão.

A trama central é mostrada a partir do casal Christian e Dani, embora Dani seja o fio condutor por onde observamos a maior parte dos acontecimentos – e seu grupo de amigos sobre quem sabemos muito pouco, mas cujas personalidades só serão delineadas em sua estadia na vila sueca.

A trajetória de Dani em uma luta quase claustrofóbica devido à perda dos pais e da irmã de forma brutal logo no início do filme a conduz a uma tentativa desesperada por contato humano e intimidade com o namorado Christian (Jack Reynor) que a trata com um distanciamento e frieza que aumenta à medida em que o filme avança e as bizarrices da pequena “comuna” sueca começam a ficar mais intensas.

Ari Aster comentou em alguns vídeos e entrevistas de divulgação que Midsommar é um filme sobre separações e sobre família. A conexão entre seitas e família vem de longa data, entretanto aqui nos é contada através de movimentos de câmera, das expressões faciais drogadas dos personagens sob uso intenso de psicotrópicos e dos diálogos expressos através de Pelle (Vilhelm Blomgren), o personagem sueco que convidou os colegas norte-americanos para a visita a sua terra Natal.

O sofrimento de Dani (Florence Pugh) com uma falta de pertencimento e uma ligação complicada com sua família perdida constituem os elementos que precisam ser expurgados coletivamente e que a levam para um renascimento em meio às festividades.

E é nessa tentativa de pertencimento que a estranheza da vila comunal “onde todos cuidam coletivamente das crianças” e “são irmãos e irmãs” que a trama de quase 2h30 minutos ganha fôlego e cria situações surreais e outras cujo reação do espectador é o riso, um riso nervoso de quem sabe que a perversidade se encontra em meio a suposta beleza e à estética floral de tons de branco, azul claro e rosa fazendo com que sejam destacados os elementos de folkhorror.

É o excesso de luz e de sol – a entidade adorada e louvada pelos moradores da comunidade – não a tradicional escuridão dos filmes de terror que nos causam o pavor e a sensação de desconforto, um anuncio que algo ruim está sempre prestes a acontecer.

Ter tanta gente vestida de branco e agindo coletivamente como uma espécie de colmeia orquestrada de pessoas, uma seita agindo com propósitos que não estão claros, causam um incômodo constante ao longo do filme. É o inverso do convencional, do soturno, das roupas escuras; mas o medo, o bizarro, e o incômodo é constante.

O solstício de verão, objeto de pesquisa de um dos colegas antropólogos que se aventurou com o casal é a outra grande presença da narrativa, ampliando gradativamente o embate entre os forasteiros e os locais.

A utilização da trilha sonora e da sonoridade é um bom destaque do filme que nos ajuda junto com a falta de noção de passagem de tempo devido a luminosidade constante também ajuda na perturbação trazida pelo filme.

A construção de mundo e a utilização dos elementos simbólicos (quadros, pinturas, padrões de tecidos com desenhos, elementos pictóricos, entre outros) nos deixam antever a história desde o início do filme e conduzem os espectadores pela jornada da protagonista em busca de sua identidade e de um pertencimento coletivo oferecido pela vila e que ela não encontrava nem no namorado nem nos colegas.

Dani procura seu reencontro consigo mesma em meio ao caos e o grotesco. Vivendo em uma sociedade como a norte-americana que cada vez mais tenta apagar as marcas do luto e do sofrimento, Dani se finalmente expõe sua dor e seu lado sombrio, encontrando na vila sua forma de expressá-las. É um filme de terror não convencional que vale conferir. Atenção para as duas horas e meia de duração, que arrastam um pouco o filme.

Papo de Quadrinho viu Homem-Aranha: Longe de Casa

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor conferiu o novo filme do Homem-Aranha. Em respeito aos nossos leitores, trazemos uma resenha sem spoilers.

Estreia nesta quinta-feira (4/07) o esperado Homem-Aranha: Longe de Casa, com uma missão digna do maior herói da Marvel: manter o interesse do público após o hype dos Vingadores: Ultimato.

O trabalho do diretor Jon Watts foi duplo: contar uma boa história para um publico fã do Cabeça de Teia e conseguir encaixá-la nos eventos que ocorreram após o último filme e, ainda, encerrar a chamada Fase 3 do Universo Cinematográfico da Marvel.

Uma missão que ele conclui com louvor, graças a uma trama bem integrada aos eventos do MCU e, ao mesmo tempo, empolgante e divertida.

Tudo começa após os eventos que marcaram o retorno à vida de metade da população mundial morta por Thanos em Vingadores: Guerra Infinita e trazida de volta pelo Hulk em Ultimato. O jovem Peter Parker (Tom Holland) segue com sua turma do colégio para uma viagem de duas semanas pela Europa e é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson).

O ex-chefão da S.H.I.E.L.D. convoca o Homem-Aranha para uma missão urgente: enfrentar criaturas que surgem em cidades-símbolo do Velho Mundo. Para isso, ele vai contar com o auxílio do herói enigmático chamado por sua turma de Mysterio (Jake Gyllenhaal).

Mas como ele vai salvar a Europa desta ameaça e ao mesmo tempo manter sua identidade secreta preservada? E o mais importante: como pretende salvar o mundo se tudo o que ele quer no momento é largar suas obrigações super-heroicas para curtir merecidas férias e se aproximar da crush MJ (Zendaya)?

Esse é o principal acerto do filme: uma fórmula equilibrada que mistura uma boa aventura divertida, com a atuação carismática do trio de atores principais, Tom Holland, Jake Gyllenhaal e Zendaya, sem perder a mão nos detalhes da história.

Homem-Aranha: longe de casa, funciona porque entrega uma diversão completa, começando com a pergunta que todos querem saber sobre o retorno das pessoas salvas pelos Vingadores, passando por uma reviravolta já manjada – uma vez que Mistério é um dos vilões mais famosos do panteão vilanesco do Homem-Aranha.

Ainda assim, muitos conceitos interessantes são retratados, como a ideia de um multiverso que abre possibilidades para o futuro (lembrando que os direitos do Homem-Aranha nos cinemas é de propriedade da Sony, assim como o Venon), porém sem dar grandes pistas de qual será o andamento dos próximos filmes ainda conectados ao universo dos Vingadores.

Por hora, os fãs do Aranha, tanto dos filmes como dos quadrinhos, podem se regojizar com o herói carismático que todos gostamos: um adolescente atrapalhado, nerd, apaixonado pega garota bacana da escola e bem intencionado, que precisa entender seu papel heroico no mundo pós-Vingadores e lidar com o luto pela morte de seu mentor Tony Stark (Robert Downey Jr.).

Impressionam também os efeitos especiais do filme, principalmente por tratar de elementos como água e fogo em grandes centros urbanos, apresentados em situações que se passam durante o dia. A ação do filme é pura história em quadrinhos, com um enquadramento que as vezes coloca a audiência diretamente na pele do herói e no centro da ação, algo extremamente bacana de ver em uma tela grande.

Homem-Aranha: longe de casa é o tipo de filme que a gente sai comentando, surpreso com os desdobramentos finais e feliz ao mesmo tempo. Um bom retorno do MCU depois de tantas emoções recentes que, embora não possam ser superadas tão facilmente, mostram que ainda há espaço para bons filmes de super-heróis.

Em tempo: fique na sala até o último instante para curtir as surpresas do final do filme e da cena pós-crédito.

Papo de Quadrinho viu: Brightburn – Filho das Trevas


A convite da produtora Espaço Z e Sony Pictures, nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu Brightburn – Filho das Trevas, que une superpoderes e terror à mais mitológica origem de um super-herói nos quadrinhos.

A história da origem do Superman já é um marco na cultura popular, quando uma nave caiu na Terra trazendo um bebê e foi encontrada pelo casal de fazendeiros Jonathan Kent e Martha Kent. O casal cria a criança como seu filho adotivo, Clark Kent, que mais tarde viria a ser herói que todos conhecemos: como gentil, generoso, nobre, incorruptível, praticamente um escoteiro gentil, altruísta e um símbolo da “verdade, justiça”, sendo tudo o que aspiramos ser e muito mais. Com poderes como superforça, invulnerabilidade, voo, visão de calor, entre outros frutos da sua natureza biológica, sua personalidade e humanidade são consequência da criação.

Mas e se as coisas fossem um pouco diferentes? E se o rapaz tivesse crescido com um sentimento de superioridade sobre o restante da humanidade, egoísta e achando que poderia escravizar todos? Esse é o mote de Brightburn – Filho das Trevas, do diretor David Yerovesky.

O filme aborda praticamente a mesma origem do Superman, em que Brandon Breyer (o Clark Kent desse universo) é criado por Kylie Brayere (David Denman) e Tori Brayer (Elizabeth Banks),  réplicas exatas dos carinhosos e cuidadosos Kent, depois de ser encontrado em uma nave espacial. Ele vai descobrindo seus superpoderes à medida que cresce, porém ao invés de um comportamento bom, o rapaz se torna um assassino frio e maléfico.

O que causa essa grande mudança? É nesse ponto que os escritores Brian e Mark Gunn (irmãos do diretor e roteirista James Gunn, de Guardiões da Galáxia, que participa como produtor da película) erram a mão. Deslocando o filme do que poderia ser uma ótima apresentação de conflito psicológico entre “natureza versus criação”, os roteiristas decidem tornar o filme mais simplista ao conectar a brusca persona maléfica de Brandon à uma possessão por sua nave espacial. A partir desse ponto, o personagem vira uma máquina de matar que utiliza seus superpoderes elimina todos que se atrevem a contrariar seus passos.

Apesar do enredo pender para um filme de terror genérico no estilo “slash movies” temperado com superpoderes, o diretor David Yarvesky merece créditos pela brutalidade explícita das cenas de morte, que poderão atrair os fãs do gore. As cenas em que a mandíbula de uma das vítimas fica pendurada ou em que um caco de vidro é retirado de dentro do olho são de deixar os nervos à flor da pele. Entretanto as emoções param aí…

As interpretações são benfeitas e um dos pontos positivos do filme, com Jackson A. Dunn (que interpretou o jovem Scott Lang em Vingadores: Ultimato) retratando um Brandon Beyer assustador e misterioso, até mesmo quando o personagem ainda é “bom”. Elizabeth Banks e David Denman são o ponto forte do filme como o casal Breyer, representando de forma sólida os encantadores pais de família que aos poucos vão se dando conta do perigo que têm dentro de casa.

Outro destaque é a trilha sonora nos momentos mãe-filho do filme. Composta por Tim Williams, a música remete e emula o tema criado por Hans Zimmer para o filme Superman: Man of Steel (2013). Praticamente um easter-egg para os fãs do Homem de Aço.

Uma pena que, ao tentar apresentar o lado sombrio de uma origem alternativa do Superman, a película peca ao não se aprofundar numa discussão moral e cai no clichê de filmes de terror convencionais de assassinos, em que o que mais vale são as cenas de morte, o suspense passageiro e os momentos gore.

A sensação ao sair do cinema foi de mais um filme de terror genérico, deixando o telespectador que buscava um paralelo maligno à origem do Superman com vontade de algo mais.

Papo de Quadrinho viu: John Wick 3 – Parabellum

A convite da produtora Espaço Z nosso editor acompanhou ‘John Wick 3 – Parabellum’, novo longa da franquia. Em respeito aos nossos leitores nossa resenha NÃO TEM SPOILERS

“Si vis pacem, para bellum (Se você quer paz, prepare-se para a guerra).

O primeiro John Wick era apenas um sonho do roteirista Derek Kolstad que pretendia criar um passeio através de um universo cativante, perigoso e sangrento, estruturado em suas próprias regras, porém oculto nas sombras da nossa sociedade desde os tempos imemoriais. Esse roteiro atraiu o ator Keanu Reeves, que encarnou o personagem com perfeição e o restante é uma história de sucesso com os filmes: “John Wick – De Volta Ao Jogo” (2014) e “John Wick: Um Novo Dia Para Matar” (2017).
Assim, John Wick se tornou um ícone abraçado por platéias curiosas e empolgadas por ver e saber mais sobre ele e seu universo.

Em ‘Parabellum’ (ou ‘prepare-se para a Guerra’) a história começa exatamente onde John Wick terminou em “Um Novo Dia Para Matar”, com o protagonista fugindo do Hotel Continental, na pulsante Manhattan. Ele quebrou uma das regras fundamentais: matou um poderoso chefe da máfia no espaço neutro e protegido do hotel, o que lhe “excomungou” e rendeu um prêmio substancioso por sua cabeça, algo que aguça a imaginação de todos ao redor do mundo.

É durante sua fuga que sabemos mais sobre The High Table (ou Alta Cúpula dos Assassinos), grupo que não apenas gerencia a morte ao redor do mundo, mas também serve como uma espécie de sistema de justiça, com seus executores dos reinos do crime pelo mundo. Todo esse sistema é mantido graças a um sólido código de honra e uma elite que faz cumprir essa lei.

Aos poucos é revelado mais sobre esse incrível mundo mitológico e hiper-real com hotéis secretos e os homens e mulheres mais perigosos do mundo que o procuram a cada esquina.

Para sobreviver, nosso anti-herói precisa sair de cena e ao voltar às suas origens. É assim que conheceremos mais sobre os mistérios de como John Wick se tornou o assassino “Baba Yaga”.

Reeves faz um personagem brutal e ao mesmo tempo carismático, embora nunca sorria. Sua fuga é marcada por sequencias impressionantes de lutas, mortes, perseguições e tiroteios – tudo emoldurado dentro de uma fotografia minuciosamente bem feita. Há tempos que esse editor se diverte muito mais com os exageros do “wickiverso” do que com as aventuras de um 007.

Por fim, é preciso dizer que embora  seja um filme divertido e conte com um elenco estrelado de grandes atores e atrizes como Ian McShane (Gerente) e Halle Berry (Sofia), a história em si mesma não acrescenta muito ao todo – é apenas mais um capítulo de vingança e morte. Mas pelo menos desta vez, todo os assassinos sabem o que acontecem quando se atira em um cachorro.

O filme estreia nesta quinta-feira (16/05) com uma ação desenfreada, maior até que os filmes antecessores.  O espectador encontrará um Wick ainda mais letal e violento em busca de sua sobrevivência, uma experiência de adrenalina e violência tão bem feita que empolga.

Despretencioso, vale o ingresso e vai agradar aos fãs do genero.

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