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Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Category: Cinema (Page 1 of 19)

Papo de Quadrinho jogou muito e viu: Sonic – O Filme

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor Társis Salvatore assistiu ao filme baseado em um dos jogos mais icônicos de todos os tempos

SONIC – O Filme é uma aventura live-action baseada na franquia mundial da Sega que divertiu e diverte até hoje toda uma geração de gamers. Para quem não lembra, o jogo apresenta um ouriço azul (ou porco espinho para alguns) super veloz que precisa libertar as criaturas do seu mundo transformadas em monstros mecânicos pelo terrível Doutor Robotnik.

Filhote de Cruz-Credo

Quando surgiu a primeira imagem do Sonic “ao vivo” no início de 2019, houve um furor na internet. O visual apresentado tinha estilo mais “humanizado”, com proporções um tanto estranhas e uma feiura considerável. Esse visual do Sonic foi rechaçado pelos fãs e causou uma série de debates. A reação negativa foi tanta que a Paramount e a Sega decidiram ouvir os fãs, investiram mais alguns milhares de dólares e redesenharam o personagem. Um acerto para o filme, mas que também causou novos debates sobre qual o limite aceitável de pressão dos fãs sobre uma adaptação ou produto pop.

Antes e depois: Sonic na versão mais humana e na versão do filme, próxima do game.

Sessão da Tarde

Refeito o personagem e o susto dos fãs, chegamos mais animados para conferir como foi adaptar para a telona o simpático Sonic. O filme foi escrito por Pat Casey e Josh Miller. O quase desconhecido diretor Jeff Fowler faz um trabalho competente e apresenta as aventuras de um ouriço azul com poderes especiais chamado que tenta se adaptar à nova vida na Terra.

Na trama, Sonic tem uma admiração velada pelo policial Tom Wachowski (vivido pelo ator James Marsden) e sua família, que vivem em uma pequena cidade no interior. 

Com um roteiro redondo, o trabalho de Fowler foi divertir e fazer do Sonic um personagem com alma. O ouriço funciona como protagonista e destila numerosas citações e brincadeiras. Referências à cultura pop estão por todo lado. O ator Ben Schwartz faz a voz do Sonic, e, no Brasil, a dublagem ficou a cargo do experiente Manolo Rey, que tem uma das vozes mais conhecidas do país. A interação com os atores humanos James Marsden (o Ciclope da primeira franquia dos X-Men no cinema) e Tika Sumpter convence, lembrando que Marsden já fez outros trabalhos voltados ao público infantil.

O adorado ator Jim Carrey interpreta o big boss do filme, o Doutor Robotnik, um agente especial do governo que usa sua tecnologia para descobrir quem (ou o que) é o Sonic.

“Quando eu recebi o telefonema para fazer SONIC fiquei muito empolgado”, garantiu Jim Carrey. E de tão empolgado, não economizou caras, bocas e afetação. Que Carrey é um ator talentoso não há dúvida, mas deve ser divertido (além de lucrativo) ser convidado para papéis exagerados e espalhafatosos. É contra este vilão, uma mistura de geek, hipster e filho único, que Sonic e Tom unem forças para tentar impedir sua captura pelo governo norte-americano.

‘SONIC – O Filme’ tem tudo para agradar as crianças e, se bobear, alguns adultos. A interação com os atores humanos ficou convincente e os efeitos especiais realmente são bem feitos. O saldo é positivo.

Foi um modo honesto de reapresentar o carismático Sonic para toda uma geração principalmente as criançasque não passou horas alegres coletando anéis e correndo para derrotar um amaldiçoado vilão.Quem sabe, agora, eles podem descobrir ou redescobrir um dos mais importantes ícones dos games. 

Atenção: não saia da sala ao primeiro subir dos créditos! Tem uma cena pós que vale a pena conferir. 

Papo de Quadrinho viu: O Preço da Verdade (Dark Waters)

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu o filme O Preço da Verdade.

O Preço da Verdade é o mais novo longa do diretor californiano Todd Haynes. Diretor de obras como Carol (2015), Não estou lá (2007), Longe do Paraíso (2002) e Velvet Goldmine (1998) .

Reconhecido por trabalhar com histórias baseadas em fatos reais, Haynes se arrisca no gênero “drama de tribunal” trazendo um tom político ainda mais intenso do que em seus trabalhos anteriores.

O roteiro escrito por Mario Corre, Nathaniel Rich e Matthew Michael Carnahan foi desenvolvido a partir de uma matéria da revista do New York Times intitulada “The Lawyer Who Became DuPont’s Worst Nightmare” mostrando o escândalo da empresa DuPont que durante décadas usou o ácido C8 em seus utensílios de cozinha antiaderentes, uma substância que produziu envenenamento e doenças em seus consumidores, inclusive envenenando a água utilizada para cozinhar.

O protagonista é um advogado corporativo de causas ambientais interpretado por Mark Ruffalo (mais conhecido como Dr. Dave Banner, o Incrível Hulk da Marvel). Totalmente diferente do que vemos no universo Marvel, Ruffalo dá vida a um personagem com tom, sotaque e trejeitos do advogado interiorano Rob Bilott.

Sisudo e obsessivo, Bilott vai enfrentar de forma solitária a gigante da indústria química DuPont. Somos arrastados ao centro processo de mais de 15 anos levantando provas por conta do envenenamento de uma comunidade inteira da Virgínia Ocidental. Essa atuação é certamente material de indicação ao Oscar. Curiosidade: Ruffalo que também é conhecido por seu ativismo pela causa ambiental é um dos produtores do filme. Vemos aqui uma trajetória menos heróica que a do Hulk mas igualmente combativa.

Justiça tardia

O drama se intensifica nas contradições e tensões que o protagonista enfrenta em sua batalha contra a DuPont, empresa que popularizou o Teflon – esse mesmo das panelas na qual uma boa parcela da população global cozinha.

Uma cidade inteira descobre que está adoecendo de câncer e outras doenças desenvolvidas por conta do lixo tóxico que contaminou a água da região na produção deste produto. Nesse embate podemos ver a relação do protagonista Rob Bilott com o chefe do prestigioso escritório de advocacia, Tom Terp (interpretado por Tim Robbins) e sua esposa e também advogada Sarah (Anne Hathway) que se destacam no entorno da figura de Rob e sua incansável luta por justiça.

É um filme incômodo, um convite à reflexão, pois traz à tona as falhas e brechas de um sistema jurídico que acaba não protegendo as comunidades em favor das grandes empresas.

Apesar de um roteiro linear e por vezes até cansativo e pesado, O Preço da Verdade alerta a audiência com dados apavorantes e pesquisas conclusivas que o componente químico C8 está presente em uma grande porcentagem da humanidade e da natureza atuais, sendo um agente causador de múltiplos tipos de câncer e outras doenças terríveis.  

Esse é filme imersivo e tenso, com uma narrativa dramática que vai num crescente. Nos deixa com um incômodo e uma raiva quando pensamos nas responsabilidades da indústria química e na forma como essa e outras empresas banalizam a vida humana em prol de seus lucros.

Um excelente filme ficcional sobre não-ficção. Recomendamos.

Papo de Quadrinho viu: Arlequina com as Aves de Rapina

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral e nosso editor Társis Salvatore conferiram o filme Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (que sejamos justos – na prática – é um filme da Arlequina com as Aves de Rapina)

Nos últimos meses temos ouvido na mídia especializada sobre um suposto esgotamento dos filmes de super-heróis enquanto “gênero cinematográfico”. Se por um lado, compreendemos que o esgotamento se dá por uma série de questões e decisões mercadológicas (e estéticas), por outro há um certo ranço e injustiça quando começam a sair os filmes das super-heroínas, permitindo (finalmente!) que mulheres estejam à frente de filmes de grandes estúdios.

Aves de Rapina: Arlequina e a sua emancipação fantabulosa é uma boa comédia de ação dentro dos filmes de super-heróis, cujo tom lembra muito mais uma animação – origem da própria Arlequina – do que os quadrinhos. Como comentamos acima, o protagonismo do filme foca mais no desenvolvimento da personagem Harlen Queenzel / Arlequina. Isso é possível graças ao talento e carisma de Margot Robbie que incorporou a personagem e trouxe a espevitação característica da Arlequina dando um tom humorístico e ao mesmo tempo complexo à mesma. A atriz também é co-produtora do filme juntamente com a roteirista Christina Rodson (que também fez Bumblebee da franquia Transformers) e a diretora Cathy Yan (diretora de Dead Pig).

Arlequina, rainha da p*rra toda

Para o chororô de alguns nerdys o roteiro optou por passar longe das Aves de Rapina dos quadrinhos da DC – principalmente porque a Arlequina nunca fez parte do grupo criado em 1995. Restaram das HQs algumas citações e o tom de caça aos bandidos e violência urbana que marcam o filme. Nesse sentido foi uma boa sacada o uso da personagem como a narradora não-confiável da trama. Assistimos assim o transcorrer da narrativa e a construção de Gotham através dos olhos da doutora e anti-heroína Arlequina que começa a história tentando encontrar sua própria identidade após o término do (conturbado e abusivo) relacionamento com o Coringa.

Aqui temos o mais um acerto do filme: se desvencilhar de Esquadrão Suicida do diretor David Ayer. Foi uma ótima tática para que a audiência voltasse sua atenção para o que interessa: a emancipação da Arlequina, provavelmente a única personagem que passou batida pelas duras (e justas) críticas ao filme. Esse descolamento também permitiu explorar a personagem fora do casal disfuncional e para tanto tecer de forma sutil críticas à condição de relacionamentos que tendem a apagar identidades, sobretudo das mulheres.

Esqueça o visual sombrio

A Diretora Cathy Yan coloca cores do filme fugindo da traumática paleta de cores “sombria” de diversos filmes anteriores da Warner/DC. Já no roteiro, vemos influências de filmes importantes como Pulp Fiction e O Profissional. Outro destaque fica por conta da mudança do visual da Arlequina num tom colorido, por vezes carnavalesco e menos sexualizado, remetendo à estética clubber e streetwear que com certeza vai agradar as cosplayers.

O figurino das outras personagens também ficou bacana, sobretudo A Caçadora /Helena Bertinelli (Mary Elizabeth Winstead), a policial latina Renée Montoya (Rosie Perez), a órfã/ladra Cassandra Cain (Ella Jay Basco). A cantora Canário Negro/Dinah Lance (Jurnee Smollett-Bell) ainda está descobrindo seus poderes – dai o porquê tem um figurino não tão espetaculoso quanto o das outras heroínas.

Formando uma girl band

Com a Arlequina narrando a história do modo que lhe desse na telha, somos apresentados às outras personagens de forma sintética e aos poucos acompanhamos suas trajetórias para o funcionamento história.

O vilão afetado Máscara-Negra/Roman Sionis (Ewan McGregor) é mostrado como um narcisista e misógino, extremamente dependente do assassino em série Victor Zsaz (Chris Messina). O filme sugere uma relação entre ambos e em alguns momentos dá a entender que Sionis é gay, mas ainda não foi dessa vez que tivemos um vilão assumido neste gênero. De qualquer forma, nas entrelinhas e em alguns simbolismos a sugestão aparece. Ewan McGregor faz um vilão menos atormentando e mais mimado em contraponto ao psicopata e assassino Zsasz.

Aqui os homens são claramente mesquinhos e maus enquanto as mulheres se destacam por superarem os problemas através da perspicácia e da união. Obviamente os clichês de formação de equipes estão todos lá com as eventuais resmunguices e brigas entre elas, até acertarem no tom da colaboração. Embora seja um filme por vezes violento, sem pretensões a grandes discussões e debates, a mensagem é clara e direta. O poder das heroinas reside na união coletiva entre as garotas – mesmo que de forma temporária – com a garantia de suas individualidades, uma vez que cada personagem tem uma trajetória de vida e diferenças que não podem ser apagadas.

As cenas de luta são bem coreografadas e funcionam bem para empolgar com diferentes momentos de ação, sobretudo a luta no Depto de Polícia e na Casa de Horrores do Parque de diversões abandonado. É um prazer ver uma luta de rua em oposição às lutas de CGI que emulam videogames em outros filmes Warner/DC.

Por fim dá para destacar a trilha sonora trazendo um time de vozes femininas desde o single Diamond de Megan Thee Stallion & Normani, a cantora pop teen Halsey (Experiment on me) e uma canção cantada pela própria Canário Negro em uma bela cena na boate do vilão Simons, “It’s A Man’s Man’s Man’s World”, além da versão de “Hit me with your best shot” , sucesso nos anos 1980 da cantora Pat Benatar – que já constava em filmes como o musical Rock of Ages e a série Glee).

Aves de Rapina: Arlequina e a sua emancipação fantabulosa é um filme despretensioso e divertido. Funciona como uma comédia de ação e apresenta uma livre adaptação das HQs. Acerta o tom de comédia com ação e bastante pancadaria e deve agradar principalmente as audiências mais jovens por conta dessa mistura de irreverência com girl power.

Ao final temos engatilhado a possibilidade de um filme da equipe em si e quem sabe isso pode abrir as portas para um filme da maravilhosa galeria das vilãs da DC que nem sempre são bem utilizadas. Ficamos na torcida pelo sucesso do filme e imaginando com curiosidade o quanto a bilheteria pode influenciar nas futuras escolhas da DC Comics no cinema. Por hora, compre sua pipoca e divirta-se.

Papo de Quadrinho viu: Star Wars – A Ascensão Skywalker

A convite da assessoria de imprensa da Disney, Papo de Quadrinho assistiu a Star Wars – A Ascensão Skywalker numa sessão exclusiva para jornalistas.

Em respeito aos nossos leitores, o texto abaixo não contém spoilers.

Star Wars – A Ascensão Skywalker, que chega aos cinemas brasileiros amanhã (19), se intitula o capítulo final da saga espacial criada por George Lucas há mais de 40 anos.

O diretor J.J. Abrams sabia da responsabilidade de ter os olhos de boa parte do mundo voltados para seu trabalho e optou por seguir um caminho mais seguro, longe da ousadia de seu antecessor, Rian Johnson, em Os Últimos Jedi (2017).

Da mesma forma que transformou sua estreia na franquia, O Despertar da Força (2015), num filme-homenagem a Uma Nova Esperança (1977), agora Abrams presta tributo a outro filme da trilogia clássica (os fãs logo vão perceber as semelhanças na estrutura narrativa).

A Ascensão Skywalker trata de redenção, do conflito do Bem contra o Mal – assim mesmo, no sentido absoluto –, mas travado dentro dos protagonistas, que lutam contra o medo e o ódio que conduzem para o lado sombrio da Força – um dilema constante nos momentos cruciais da saga.

O passado de Rey (Daisy Ridley) é finalmente conhecido e, como prometeu o corroteirista Chris Terrio, a revelação não é aleatória. Em vez disso, confirma a estreita relação da protagonista com a Força e seus inimigos – entre eles, Kylo Ren (Adam Driver).

A Ascensão Skywalker é talvez o filme com mais ação de toda a saga principal. A abertura traz de cara uma perseguição entre as estrelas, seguida de cenas num campo de batalha e continua com um espetáculo de batalhas espaciais, confrontos de blasters, lutas de sabre de luz e um resgate heroico. Os stormtroopers ainda são ruins de mira, mas ganham um surpreendente recurso.

Demais personagens, como Poe Dameron (Oscar Isaac) e Finn (John Boyega), estão mais maduros e seguros de seu papel na Resistência, e protagonizam boa parte das cenas de ação.

Sob a batuta de Abrams, as mulheres continuam brilhando: as novatas Zorri Bliss (Keri Russell) e Janah (Naomi Ackie) são quem livra a cara dos heróis em momentos de apuro.

O roteiro toma alguns atalhos para fazer a trama andar, mas nada que comprometa se você mantiver em mente que se trata de um novelão ambientado muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante, e que não dá para cobrar verossimilhança o tempo todo.

O que dá para cobrar é coerência, e isto J.J. Abrams entrega. Apesar de optar por um caminho mais seguro, o diretor honra não só o que começou a construir em O Despertar da Força, mas principalmente o legado de mais de quatro décadas, e presenteia os fãs com um encerramento digno.

A Ascensão Skywalker tem um tom de despedida e é um deleite rever a eterna Princesa Leia (Carrie Fisher), ainda em que cenas recuperadas, e tantos outros personagens da trilogia clássica no que talvez seja sua última participação.

Mas soa pretensioso pensar que este nono episódio fecha a tampa da saga. A riqueza do universo criado por George Lucas permite numerosas possibilidades e faz pensar se daqui a algumas décadas não veremos o início de um novo ciclo, com os heróis da atual trilogia no papel dos “veteranos”.

O tempo -e a Força – dirão…

Papo de Quadrinho viu: Frozen II

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu a continuação do sucesso Frozen

Nossa resenha está livre de spoilers.

A nova animação da Disney, Frozen 2, sequência de Frozen (2013), nos traz de volta ao reino de Arendell e à vida das irmãs Elsa e Anna. Nesse segundo filme, a parceria entre as irmãs é mostrada de forma mais intensa com Elsa como rainha e Anna feliz com a vida em família no castelo onde também vivem o namorado Kristoff, o boneco de gelo Olaf e a rena Sven.

A rainha Elsa, no entanto, começa a ficar intrigada ao escutar frequentemente o chamado de uma voz misteriosa – dublada pela cantora indie pop da Noruega, Aurora – e quer entender a origem de seus poderes. Na trajetória em busca do passado e de suas origens, as irmãs, Kristoff, Olaf e Sven partem rumo à floresta mágica após lembrarem de histórias contadas quando eram crianças por seus pais. O epicentro dessa busca está na compreensão das identidades das irmãs e de sua família.

Na floresta, congelada sob um nevoeiro encantado, as personagens encontram então o seu povo nativo, os Northuldra, que habitavam ali desde o seu princípio bem como alguns soldados de Arendell. A resolução de todos esses mistérios está intrinsicamente ligada às origens da família de Elsa e Anna e aos pais das mesmas. Novos animaizinhos mágicos também aparecem para completar o time com destaque para a salamandra Bruni – fofíssima – e o cavalo de gelo Knorr. A aventura e o mistério são centrais nesse segundo filme. Embora em alguns momentos o ritmo caia, isso não compromete a história, que tem um cuidado permanente com a beleza dos cenários e efeitos especiais.

Durante a nova jornada, as irmãs enfrentam situações mais pesadas do que o filme anterior, especialmente em relação ao seu passado. É enfatizada a amizade e o amor que ambas mantêm e bem como suas diferenças de personalidade, o que permite que elas se complementem nos desafios que são apresentados e deste modo, os solucione de forma diferente.

As músicas dessa continuação não são tão cativantes quanto às do primeiro filme, mas o momento quase anos 1980 de Kristoff – que ensaia e tenta várias vezes pedir a mão de Anna em casamento – é impagável ao simular os clichês dos videoclipes de baladas oitentistas. A trilha também está menos infantil com destaque para “Into the Unknown” que é cantada por Elsa e também na versão da banda Panic at the Disco! e “Lost in the Woods” do Weezer nos créditos finais.

Frozen 2 foca muito mais na aventura e em momentos bastante tensos – numa espécie de “coming of age” das irmãs, agora um pouco mais amadurecidas, em que vemos ambas lidando com os dramas de ser quem são. Vemos a Disney tentando “expiar” seus conflitos em uma tentativa de leitura dos discursos descoloniais ao mostrar o povo Northuldra em suas virtudes e ao reposicionar o discurso bélico histórico dos colonizadores. Evidentemente que as nobres ainda ganham o protagonismo diplomático de resolução das situações, mas a ideia do desvelamento de “mentiras do passado” é uma sinalização interessante e deve ganhar uma certa tônica nas próximas produções do estúdio.

A discussão que a Disney não se atreveu a mexer no entanto diz respeito ao interesse afetivo de Elsa. Por um lado, é interessante que ela não precise ter o componente romântico e siga um caminho de auto-conhecimento, mas por outro a noção de que ela seria a primeira protagonista queer por parte de uma base do fandom é frustrada. O roteiro deixa tudo em aberto, embora a canção “Show yourself” cantada por Elsa – assim como Let it go – venha ganhando uma interpretação nesse sentido por parte do fandom LGBTQ+ da animação. Há várias camadas de sentido que podemos pensar para interpretar um filme, desde análises progressistas até conservadoras, o que inclui fãs que produzem conteúdos como: fan arts, fanvideos, mobilizações em rede, etc.

A Disney lança suas iscas e não se compromete, tentando se resguardar de reações mais acirradas. O entendimento da Disney sobre a cultura dos fãs é sempre tensa e ainda há uma carência de entendimento das práticas trazidas pela internet nesse contexto.

Atenção para um último e importante detalhe: há uma cena pós crédito, então, fiquem ligados. Compre seu sorvete e divirta-se nessa nova aventura congelante!

Papo de Quadrinho viu: As Panteras (Charlie´s Angels)

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu o novo filme da franquia As Panteras (Charlie´s Angels). Nossa resenha está livre de spoilers.

O novo filme As Panteras (Charlie´s Angels) de 2019 faz o reboot da franquia de forma competente e divertida sob a direção de Elizabeth Banks – que também atua na película. Apesar de reiniciar a franquia, a trama se passa no mesmo universo dos filmes anteriores (Charlie´s Angels de 2000 e Charlie´s Angels: Full Throttle de 2003) respectivamente, porém se mantém bem mais fiel ao espírito do seriado, que foi exibido nos Estados Unidos de 1976 a 1981. No Brasil, o seriado chegou com um delay peculiar da época e passou nos canais de TV abertos nos anos 1980 influenciando a cultura pop da época.

Em tempos de nostalgia em relação a produtos midiáticos que atingem status de cult, era de se imaginar que a franquia de As Panteras fossem retornar ao circuito dos cinemas ou dos seriados. Se os filmes dos anos 00 fizeram uma geração rever as detetives da agência de Charlie na condição de protagonistas, essa continuação de 2019, avança as discussões em termos do papel das mulheres em posições de poder, questionamento que nunca foi feito pelo seriado nem pelos filmes anteriores.

Esse é um dos grandes acertos da direção de Elizabeth Banks e do roteiro, além do brilho de Kristen Stewart (Sabina) que mostra toda sua veia de comediante além de “tirar onda” de sua suposta rebeldia e menções a sua sexualidade – há um certo acento queer na personagem que pode ser desenvolvido de forma mais aprofundada caso haja um próximo filme. Kristen de certa forma domina o filme dando um belo “tapa na cara” dos críticos e da audiência que tende a associá-la com a franquia Crepúsculo mesmo depois de tanto tempo e de ter filmes “alternativos” no currículo.  Além de Kristen, Naomi Scott no papel da cientista atrapalhada Elena Houghlin e Ella Balinska como Jane completam o trio, ancoradas pelos Bosleys – Patrick Stewart, nosso eterno capitão Picard de Star Trek – e Elizabeth Banks – a diretora do filme. O trio funciona bem, embora o relacionamento de amizade entre elas pudesse ter se desenvolvido de forma menos rápida e os plot twists em relação aos vilões apresentem motivações bastante fracas. No entanto, nada que faça o filme perder a animação ao estilo clássico da “Sessão da Tarde”.

As Panteras (2019) é um filme bastante divertido que explora melhor que os anteriores a parceria entre as detetives e suas transformações no caminho de pensar que o trabalho entre mulheres precisa ser coletivo, nesse sentido trazendo referências mais explícitas a questões feministas como o assédio masculino em diversos ambientes, o roubo do trabalho intelectual das mulheres e apagamento das mesmas por figuras de poder masculinas. Apesar disso é um filme leve e que acerta no tom da questão dos figurinos e disfarces – um dos destaques no seriado dos anos 1970 – e logicamente traz elementos nostálgicos como referências aos filmes anteriores e algumas surpresas que remetem à série original. Atenção às cenas pós-créditos.

Um último destaque é a trilha sonora feita para as pistas de dança e traz apenas cantoras pop como Miley Cyrus e Lana del Rey, com ênfase para Ariana Grande, um clássico de Donna Summer e até mesmo a brasileira Anitta, uma vez que o Rio de Janeiro juntamente com Istambul e Hamburgo fazem parte das paisagens por onde as detetives se empenham em resolver a questão do roubo de uma tecnologia que coloca muitas vidas em risco. Por todos esses elementos, As Panteras (2019) é um filme recomendado pela diversão e por pautar temas atuais de forma descontraída – ainda que alguns questionamentos em torno de padrões precisem ser mais explícitos evitando o queer baiting por exemplo.

Papo de quadrinho viu: Midsommar – O Mal não espera a noite

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu o novo filme de terror do diretor Ari Aster. Hoje, trazemos na resenha alguns spoilers leves para o melhor entendimento do filme.

Um dos principais clichês da crítica musical é a chamada “síndrome do segundo álbum”, que normalmente acomete artistas e bandas cujo primeiro trabalho ganhou muita expressão ou visibilidade e em torno dos quais são criadas expectativas da reprise em uma próxima obra. Bastante esperado pela crítica e público, Midsommar – que no Brasil ganhou o curioso subtítulo de O Mal não espera a noite – é a segunda incursão do diretor e roteirista Ari Aster no gênero horror após sua aclamada estreia com o longa Hereditário (2018).  Nesse sentido, o hype criado pela crítica e público em torno da segunda obra do diretor faz com que o filme já ganhe na largada uma intensa visibilidade no circuito dos apreciadores do gênero.

Novamente o cineasta nos coloca dentro de uma história incômoda e perturbadora, porém deslocando os cenários e paisagens dos Estados Unidos no inverno – que aparecem pouco e apenas na parte inicial do filme – para uma ensolarada Suécia no verão. A vila no interior da Suécia com suas paisagens e arquitetura é um dos principais personagens do filme, atuando como condutora da narrativa a partir das festividades do solstício de verão.

A trama central é mostrada a partir do casal Christian e Dani, embora Dani seja o fio condutor por onde observamos a maior parte dos acontecimentos – e seu grupo de amigos sobre quem sabemos muito pouco, mas cujas personalidades só serão delineadas em sua estadia na vila sueca.

A trajetória de Dani em uma luta quase claustrofóbica devido à perda dos pais e da irmã de forma brutal logo no início do filme a conduz a uma tentativa desesperada por contato humano e intimidade com o namorado Christian (Jack Reynor) que a trata com um distanciamento e frieza que aumenta à medida em que o filme avança e as bizarrices da pequena “comuna” sueca começam a ficar mais intensas.

Ari Aster comentou em alguns vídeos e entrevistas de divulgação que Midsommar é um filme sobre separações e sobre família. A conexão entre seitas e família vem de longa data, entretanto aqui nos é contada através de movimentos de câmera, das expressões faciais drogadas dos personagens sob uso intenso de psicotrópicos e dos diálogos expressos através de Pelle (Vilhelm Blomgren), o personagem sueco que convidou os colegas norte-americanos para a visita a sua terra Natal.

O sofrimento de Dani (Florence Pugh) com uma falta de pertencimento e uma ligação complicada com sua família perdida constituem os elementos que precisam ser expurgados coletivamente e que a levam para um renascimento em meio às festividades.

E é nessa tentativa de pertencimento que a estranheza da vila comunal “onde todos cuidam coletivamente das crianças” e “são irmãos e irmãs” que a trama de quase 2h30 minutos ganha fôlego e cria situações surreais e outras cujo reação do espectador é o riso, um riso nervoso de quem sabe que a perversidade se encontra em meio a suposta beleza e à estética floral de tons de branco, azul claro e rosa fazendo com que sejam destacados os elementos de folkhorror.

É o excesso de luz e de sol – a entidade adorada e louvada pelos moradores da comunidade – não a tradicional escuridão dos filmes de terror que nos causam o pavor e a sensação de desconforto, um anuncio que algo ruim está sempre prestes a acontecer.

Ter tanta gente vestida de branco e agindo coletivamente como uma espécie de colmeia orquestrada de pessoas, uma seita agindo com propósitos que não estão claros, causam um incômodo constante ao longo do filme. É o inverso do convencional, do soturno, das roupas escuras; mas o medo, o bizarro, e o incômodo é constante.

O solstício de verão, objeto de pesquisa de um dos colegas antropólogos que se aventurou com o casal é a outra grande presença da narrativa, ampliando gradativamente o embate entre os forasteiros e os locais.

A utilização da trilha sonora e da sonoridade é um bom destaque do filme que nos ajuda junto com a falta de noção de passagem de tempo devido a luminosidade constante também ajuda na perturbação trazida pelo filme.

A construção de mundo e a utilização dos elementos simbólicos (quadros, pinturas, padrões de tecidos com desenhos, elementos pictóricos, entre outros) nos deixam antever a história desde o início do filme e conduzem os espectadores pela jornada da protagonista em busca de sua identidade e de um pertencimento coletivo oferecido pela vila e que ela não encontrava nem no namorado nem nos colegas.

Dani procura seu reencontro consigo mesma em meio ao caos e o grotesco. Vivendo em uma sociedade como a norte-americana que cada vez mais tenta apagar as marcas do luto e do sofrimento, Dani se finalmente expõe sua dor e seu lado sombrio, encontrando na vila sua forma de expressá-las. É um filme de terror não convencional que vale conferir. Atenção para as duas horas e meia de duração, que arrastam um pouco o filme.

Papo de Quadrinho viu Homem-Aranha: Longe de Casa

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor conferiu o novo filme do Homem-Aranha. Em respeito aos nossos leitores, trazemos uma resenha sem spoilers.

Estreia nesta quinta-feira (4/07) o esperado Homem-Aranha: Longe de Casa, com uma missão digna do maior herói da Marvel: manter o interesse do público após o hype dos Vingadores: Ultimato.

O trabalho do diretor Jon Watts foi duplo: contar uma boa história para um publico fã do Cabeça de Teia e conseguir encaixá-la nos eventos que ocorreram após o último filme e, ainda, encerrar a chamada Fase 3 do Universo Cinematográfico da Marvel.

Uma missão que ele conclui com louvor, graças a uma trama bem integrada aos eventos do MCU e, ao mesmo tempo, empolgante e divertida.

Tudo começa após os eventos que marcaram o retorno à vida de metade da população mundial morta por Thanos em Vingadores: Guerra Infinita e trazida de volta pelo Hulk em Ultimato. O jovem Peter Parker (Tom Holland) segue com sua turma do colégio para uma viagem de duas semanas pela Europa e é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson).

O ex-chefão da S.H.I.E.L.D. convoca o Homem-Aranha para uma missão urgente: enfrentar criaturas que surgem em cidades-símbolo do Velho Mundo. Para isso, ele vai contar com o auxílio do herói enigmático chamado por sua turma de Mysterio (Jake Gyllenhaal).

Mas como ele vai salvar a Europa desta ameaça e ao mesmo tempo manter sua identidade secreta preservada? E o mais importante: como pretende salvar o mundo se tudo o que ele quer no momento é largar suas obrigações super-heroicas para curtir merecidas férias e se aproximar da crush MJ (Zendaya)?

Esse é o principal acerto do filme: uma fórmula equilibrada que mistura uma boa aventura divertida, com a atuação carismática do trio de atores principais, Tom Holland, Jake Gyllenhaal e Zendaya, sem perder a mão nos detalhes da história.

Homem-Aranha: longe de casa, funciona porque entrega uma diversão completa, começando com a pergunta que todos querem saber sobre o retorno das pessoas salvas pelos Vingadores, passando por uma reviravolta já manjada – uma vez que Mistério é um dos vilões mais famosos do panteão vilanesco do Homem-Aranha.

Ainda assim, muitos conceitos interessantes são retratados, como a ideia de um multiverso que abre possibilidades para o futuro (lembrando que os direitos do Homem-Aranha nos cinemas é de propriedade da Sony, assim como o Venon), porém sem dar grandes pistas de qual será o andamento dos próximos filmes ainda conectados ao universo dos Vingadores.

Por hora, os fãs do Aranha, tanto dos filmes como dos quadrinhos, podem se regojizar com o herói carismático que todos gostamos: um adolescente atrapalhado, nerd, apaixonado pega garota bacana da escola e bem intencionado, que precisa entender seu papel heroico no mundo pós-Vingadores e lidar com o luto pela morte de seu mentor Tony Stark (Robert Downey Jr.).

Impressionam também os efeitos especiais do filme, principalmente por tratar de elementos como água e fogo em grandes centros urbanos, apresentados em situações que se passam durante o dia. A ação do filme é pura história em quadrinhos, com um enquadramento que as vezes coloca a audiência diretamente na pele do herói e no centro da ação, algo extremamente bacana de ver em uma tela grande.

Homem-Aranha: longe de casa é o tipo de filme que a gente sai comentando, surpreso com os desdobramentos finais e feliz ao mesmo tempo. Um bom retorno do MCU depois de tantas emoções recentes que, embora não possam ser superadas tão facilmente, mostram que ainda há espaço para bons filmes de super-heróis.

Em tempo: fique na sala até o último instante para curtir as surpresas do final do filme e da cena pós-crédito.

Papo de quadrinho viu: MIB Homens (e mulheres) de Preto: Internacional

A convite da produtora Espaço Z nosso editor acompanhou ‘“MIB Homens de Preto: Internacional”’, novo longa que apresenta uma nova fase da franquia. Em respeito aos nossos leitores nossa resenha NÃO TEM SPOILERS.

Nos anos 1990, período em que as teorias da conspiração não governavam um país e estavam restritas à imaginação, tablóides e a diversão especulativa, o roteirista Lowell Cunningham trouxe para os quadrinhos uma agência para cuidar de visitantes interplanetários, os “Homens de Preto” (Man in black ou sua sigla: MIB).Inspirado em uma das mais tradicionais teorias da conspiração de ufologistas, envolvendo alienígenas, naves e invasões da Terra, os “Homens de Preto” (Man in black – MIB) são agentes vestidos com ternos pretos (ufa!) e óculos escuros que aparecem para resolver casos de contatos imediatos – que não serão divulgados oficialmente.

A agência na verdade licencia, monitora e policia a atividade alienígena neste pálido ponto azul, protegendo a todos de maneiras que seus cidadãos não podem imaginar (e nunca saberão), além de se encarregar do processamento das chegadas de alienígenas como imigrantes refugiados. Carregando armas de alta tecnologia construídas com a ajuda da tecnologia interplanetária, sua ferramenta mais útil é o cultuado neuralizador, um dispositivo em forma de caneta que emite um feixe de luz que apaga a memória daqueles que tiveram contato com alienígenas, mantendo a existência secreta da MIB como apenas um rumor, reconhecida apenas como um déjà vu e descartada com a mesma rapidez.

A criação de Cunningham foi levada aos cinemas em MIB (1997) que um pouco diferente dos quadrinhos, misturou comédia com ficção-científica. Capitaneados por  pelos atores Tommy Lee Jones e Will Smith, o filme fez um grande sucesso, levou o Oscar de Melhor Maquiagem e ainda gerou duas sequencias: MIB II (2002) e MIB³ (2012).

Eis que estreia amanhã (13) o novo filme expandindo a franquia com locações por toda a planície da Terra. A premissa dos filmes anteriores permanece: existem alienígenas de outros mundos vivendo entre nós. Assim, MIB Homens de Preto: Internacional apresenta novos agentes, armas, alienígenas e locações.

Desta vez temos o Agente H (Chris Hemsworth) e a novata M (Tessa Thompson) que se tornam parceiros e tem o trabalho de enfrentar uma nova ameaça alienígena que pode tomar a forma de qualquer um, incluindo agentes da MIB. Os atores Liam Neeson, Rebecca Ferguson e Kumail Nanjiani também aparecem em papéis-chaves.

O diretor F. Gary Gray, cuja filmografia abrange títulos de ação (Velozes e Furiosos 8), comédias (Sexta-Feira em Apuros) e dramas (Straight Outta Compton: A História do N.W.A.), se manteve fiel ao misto de aventura, sci-fi e comédia da franquia.

A trama se apresenta uma menina chamada Molly, que, juntamente com seus pais, teve um contato imediato. Ela evita o neuralizador da MIB que apaga a memória dos pais  e fica obcecada em descobrir a verdade sobre os alienígenas na Terra e sobre os misteriosos homens vestidos de preto que a visitaram pouco depois daquele encontro que mudou sua vida. Empregando todo seu tempo disponível e buscando respostas, anos depois, Molly descobre a sede da MIB em Nova York. Impressionada com a inteligência e as habilidades investigativas de Molly, que a levaram a se tornar a única pessoa a conseguir invadir a MIB sem ser convidada, a Agente O (Emma Thompson) a transforma em uma agente, atribuindo-lhe uma nova identidade: M.

Ainda como uma agente em estágio propatório, M é enviada para a sede de Londres e acabam se envolvendo em uma trama com H (Chris Hemsworth), um agente lendário com um ar de arrogância, reconhecido por já ter salvado o mundo armado apenas com sua astúcia e seu De-Atomizador. Mas a autoconfiança excessiva de H pode permitir que uma raça assassina tome posse de um artefato capaz de acabar com a paz da Terra e colocar em perigo toda a galáxia.

O filme tem uma trama simples, porém divertida e bons momentos de aventura e comédia (fruto da produção executiva de Steven Spielberg). As locações chamam a atenção por levarem o espectador por lugares legais em Londres, Paris, Nápoles e Marrakesh, tudo bem amarrado com bons efeitos especiais.

Tessa Thompson além de bonita sobra com boa atuação, enquanto Chris Hemsworth é aquele canastrão que apredemos a gostar em Thor e Vingadores – desnecessário lembrar que ambos trabalharam juntos no MCU (Universo cinematográfico da Marvel).

É um bom filme para ver com a família e se divetir. Ao mesmo tempo é um quarto filme cuja continuação mantém um legado que atraiu tantos fãs ao cinema. O que faltou foi uma trilha ou música marcante como os filmes anteriores.

E não podemos esquecer  que o comediante brasileiro Sérgio Mallandro faz uma ponta bastante inusitada no filme. Confira no cinema mais próximo, antes que a Terra acabe.

Papo de Quadrinho viu: X-men – Fênix Negra

A convite da produtora Espaço Z e Sony Pictures, nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu X-men – Fênix Negra, última aventura dos mutantes pelas mãos da Fox.

A franquia dos mutantes pelas mãos da Fox termina no mais recente filme X-Men: Fênix Negra, que entra em cartaz nesta quinta feira (6) nos cinemas. O filme, que mais uma vez traz às telas a transformação de Jean Grey na Fênix é o ato final de uma sequência de filmes do supergrupo mutante que começou em 2000 e passou por pontos altos (X-Men 2, Logan) e algumas bombas (X-Men 3: O confronto final) e teve até mesmo um reboot (X-Men: Primeira Classe de 2011).

Dirigido e roteirizado por Simon Kinberg, a história se inicia em forma de flashback, contando a história de Jean Grey (a atriz Sophie Turner, a “Sansa Stark”, de Game of Thrones), que ao passar por um trauma de infância acaba sendo convidada pelo Professor Charles Xavier a se unir aos X-Men na sua escola para superdotados.

Anos depois, em 1992, os X-Men são considerados heróis nacionais. Durante uma missão de resgate de astronautas, que coloca a equipe em perigo no espaço, Jean Grey acaba utilizando seus poderes para salvar todos de uma explosão solar. Porém esse fato acaba alterando os poderes e emoções da telepata que acaba se tornando uma ameaça para seus companheiros e para o planeta à medida que essa recém adquirida força Fênix vai emergindo sem controle através dela.

Em relação às participações do longa temos Mística (Jennifer Lawrence), visivelmente cansada do papel, fazendo o link racional da equipe; Charles Xavier (James Mcavoy) , como o mentor da equipe, que durante o enredo se deixa levar pelo ego e mostra que mesmo os mais experientes podem errar; Ciclope (Tye Sheridan), o mutante de rajadas óticas e namorado de Jean,  além do teletransportador Noturno (Kodi Smit-McPhee), o velocista Mercúrio (Evan Peters), a deusa do clima Tempestade/Ororo (Alexandra Shipp) e o acrobata azul Fera/Hank McCoy (Nicholas Hoult). A trama também conta com a participação de Magneto (Michael Fassbender) e sua irmandade de mutantes, além de Jessica Chastain como uma alienígena que busca a força Fênix, num papel praticamente sem carisma algum e com uma motivação clichê.

Entre altos e baixos do filme, um destaque fica para a trilha grandiosa e competente de Hans Zimmer (Homem de Aço), que consegue segurar o enredo, principalmente da segunda metade da história.

De forma geral, o filme procura trazer questões contidas nos quadrinhos, como a batalha interna de Jean com as tentações da força Fênix e sua relação familiar com a equipe de mutantes. As semelhanças com a saga dos gibis terminam aí (com exceção da breve aparição de uma cantora mutante), ou seja, nada de Clube do Inferno, Mestre Mental ou Shiars. Num primeiro momento isso pode decepcionar os fãs da franquia, que desde o fadado X-Men: O Confronto Final (2006) ficaram na promessa de uma adaptação à altura dessa fase dos mutantes.

Parece impossível, talvez inviável, que uma adaptação cinematográfica de duas horas seja 100% fidedigna à trama original dos quadrinhos. Vale lembrar que a série animada do início dos anos 1990 conseguiu fazer isso usando quase uma temporada completa, mas lembremos: é uma série animada.

Ainda assim, detalhes bacanas que fazem dessa saga algo especial foram limados, tirando a grandiosidade que existe no original. Por essas e outras,  X-Men: Fênix Negra, acaba deixando a desejar no quesito adaptação – simplifica demais a trama – deixando um final agridoce e uma sensação de que “faltou algo a mais” para consagrar a franquia dos mutantes nos cinemas.

Nosso veredito é que para o espectador que busca um cinema pipoca de super-heróis mutantes sem grandes pretensões, o filme cai bem, tentando passar uma mensagem bacana sobre o conceito de uma família adotiva e de como essas relações se dão entre os X-Men. Já quem é muito fã da franquia X, principalmente os iniciado nos quadrinhos, talvez se frustre ao notar que a tentativa de trazer a “Saga da Fênix Negra” em toda sua grandeza para os cinemas não tenha sido bem sucedida.  São mídias diferentes, mas o gostinho de quero mais permanece. Quem sabe, futuramente, seja um trabalho para a Disney resolver?

Uma dica final: a revista Mundo dos Super-heróis deste mês se debruça sobre o filme e faz uma comparação sobre a adaptação, relembrando os grandes momentos dos quadrinhos e falando detalhes do filme para quem não está tão familiarizado com os quadrinhos.

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