A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu a continuação do sucesso Frozen

Nossa resenha está livre de spoilers.

A nova animação da Disney, Frozen 2, sequência de Frozen (2013), nos traz de volta ao reino de Arendell e à vida das irmãs Elsa e Anna. Nesse segundo filme, a parceria entre as irmãs é mostrada de forma mais intensa com Elsa como rainha e Anna feliz com a vida em família no castelo onde também vivem o namorado Kristoff, o boneco de gelo Olaf e a rena Sven.

A rainha Elsa, no entanto, começa a ficar intrigada ao escutar frequentemente o chamado de uma voz misteriosa – dublada pela cantora indie pop da Noruega, Aurora – e quer entender a origem de seus poderes. Na trajetória em busca do passado e de suas origens, as irmãs, Kristoff, Olaf e Sven partem rumo à floresta mágica após lembrarem de histórias contadas quando eram crianças por seus pais. O epicentro dessa busca está na compreensão das identidades das irmãs e de sua família.

Na floresta, congelada sob um nevoeiro encantado, as personagens encontram então o seu povo nativo, os Northuldra, que habitavam ali desde o seu princípio bem como alguns soldados de Arendell. A resolução de todos esses mistérios está intrinsicamente ligada às origens da família de Elsa e Anna e aos pais das mesmas. Novos animaizinhos mágicos também aparecem para completar o time com destaque para a salamandra Bruni – fofíssima – e o cavalo de gelo Knorr. A aventura e o mistério são centrais nesse segundo filme. Embora em alguns momentos o ritmo caia, isso não compromete a história, que tem um cuidado permanente com a beleza dos cenários e efeitos especiais.

Durante a nova jornada, as irmãs enfrentam situações mais pesadas do que o filme anterior, especialmente em relação ao seu passado. É enfatizada a amizade e o amor que ambas mantêm e bem como suas diferenças de personalidade, o que permite que elas se complementem nos desafios que são apresentados e deste modo, os solucione de forma diferente.

As músicas dessa continuação não são tão cativantes quanto às do primeiro filme, mas o momento quase anos 1980 de Kristoff – que ensaia e tenta várias vezes pedir a mão de Anna em casamento – é impagável ao simular os clichês dos videoclipes de baladas oitentistas. A trilha também está menos infantil com destaque para “Into the Unknown” que é cantada por Elsa e também na versão da banda Panic at the Disco! e “Lost in the Woods” do Weezer nos créditos finais.

Frozen 2 foca muito mais na aventura e em momentos bastante tensos – numa espécie de “coming of age” das irmãs, agora um pouco mais amadurecidas, em que vemos ambas lidando com os dramas de ser quem são. Vemos a Disney tentando “expiar” seus conflitos em uma tentativa de leitura dos discursos descoloniais ao mostrar o povo Northuldra em suas virtudes e ao reposicionar o discurso bélico histórico dos colonizadores. Evidentemente que as nobres ainda ganham o protagonismo diplomático de resolução das situações, mas a ideia do desvelamento de “mentiras do passado” é uma sinalização interessante e deve ganhar uma certa tônica nas próximas produções do estúdio.

A discussão que a Disney não se atreveu a mexer no entanto diz respeito ao interesse afetivo de Elsa. Por um lado, é interessante que ela não precise ter o componente romântico e siga um caminho de auto-conhecimento, mas por outro a noção de que ela seria a primeira protagonista queer por parte de uma base do fandom é frustrada. O roteiro deixa tudo em aberto, embora a canção “Show yourself” cantada por Elsa – assim como Let it go – venha ganhando uma interpretação nesse sentido por parte do fandom LGBTQ+ da animação. Há várias camadas de sentido que podemos pensar para interpretar um filme, desde análises progressistas até conservadoras, o que inclui fãs que produzem conteúdos como: fan arts, fanvideos, mobilizações em rede, etc.

A Disney lança suas iscas e não se compromete, tentando se resguardar de reações mais acirradas. O entendimento da Disney sobre a cultura dos fãs é sempre tensa e ainda há uma carência de entendimento das práticas trazidas pela internet nesse contexto.

Atenção para um último e importante detalhe: há uma cena pós crédito, então, fiquem ligados. Compre seu sorvete e divirta-se nessa nova aventura congelante!

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