Atualizado em 31.12.2014: 

Miracleman, que ocupava o sétimo lugar da lista, já foi publicado no Brasil, ainda que parcialmente, pela editora Tannos no final dos anos 1980. Assim sendo, fugiu do critério estabelecido e abriu lugar para o mais recente volume dos encadernados do Demolidor. Veja abaixo como ficou a nova lista.

 

Mais uma vez o final do ano impõe a difícil e prazerosa tarefa de preparar a lista das melhores HQs.

Como nas vezes anteriores, cabe explicar o critério: HQs inéditas publicadas no país ao longo de 2014, o que deixou bons importados e ótimos relançamentos de fora.

Que fique claro, também, que estes títulos foram os preferidos entre aqueles lidos pelos editores do Papo de Quadrinho. Apesar de ultrapassar 200 HQs lidas, é ainda um universo muito pequeno frente ao grande e qualificado volume de lançamentos do ano.

Portanto, como bem disse o jornalista Telio Navega na lista do Gibizada, mais do que uma seleção dos “melhores” – sempre subjetiva e passível de cometer injustiças – a relação abaixo serve como um guia para os leitores aproveitarem pelo menos uma parte da ótima safra de 2014.

Como foram muitos e bons lançamentos, decidimos dividir a lista deste ano em duas categorias: estrangeiros e nacionais. A primeira você encontra abaixo; a segunda, nos próximos dias.

10. Demolidor 6 (Panini)

DemolidorO sexto volume de encadernados do Demolidor fecha com chave de ouro a fantástica fase do personagem nas mãos do talentoso roteirista Mark Waid. Ele conseguiu, ao mesmo tempo, retomar a origem mais leve do Demolidor sem, no entanto, fingir que as últimas décadas da cronologia não existiram. Obrigado a encerrar esta fase para abrir o caminho do novo selo Marvel NOW!, Waid optou por uma história simples, porém direta e impactante. Sem dúvida, um dos melhores – se não o melhor – título de super-heróis nas bancas brasileiras.

Star Wars9. Star Wars Legends (Panini)

Muito esperado pelos fãs da saga de George Lucas, este lançamento marca o início, no Brasil, da publicação do material da editora Dark Horse, de 2013, que amplia a trama original. A primeira história, À Sombra de Yavin, se passa logo após a destruição da Estrela da Morte em Star Trek IV – Uma Nova Esperança. A segunda é situada cronologicamente um pouco antes, depois dos eventos mostrados em Star Wars III – A Vingança dos Sith.

Ladrão dos ladrões8. O Ladrão dos Ladrões (HQM Editora)

O que levou Conrad Paulson, o maior ladrão do mundo, reconhecido e respeitado por seus pares e clientes, a se aposentar? O amor perdido? O filho que fracassou ao tentar seguir seus passos? Ou a pressão de uma bela e incansável agente do FBI? Em se tratando de um ladrão, todas as respostas podem estar corretas… ou nenhuma delas. Numa trama repleta de espionagem e reviravoltas que lembram o filme Onze Homens e Um Segredo, o roteiro de Nick Spencer vem recheado pela arte elegante de Shawn Martinbrough. O personagem foi criado por Robert Kirkman, de The Walking Dead, e pode até virar série de TV.

A Guerra dos Tronos7. A Guerra dos Tronos HQ – volume 3 (Casa da Palavra)

A série em quadrinhos, que vem sendo lançada no Brasil em encadernados caprichados, adapta diretamente os livros de George R.R. Martin, e não o seriado da HBO. Apesar de a fidelidade ao texto original tornar ambas as obras bastante parecidas, a HQ permite um olhar diferente, em especial na caracterização dos personagens e na solução narrativa de algumas passagens. O nível de detalhamento é tamanho que só agora, neste terceiro volume, a adaptação dos quadrinhos alcançou o final da primeira temporada da série de TV.

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Sweet Tooth6. Sweet Tooth – Depois do Apocalipse volume 6 (Panini)

O encadernado conclui de forma genial o calvário do menino-cervo que constitui a chave para a praga que dizimou a Humanidade e transformou a geração seguinte em híbridos de animais. Finalmente todos os mistérios são revelados e Jeff Lemire dá uma aula de narrativa gráfica, fechando de forma sublime uma trama cheia de dor, preconceito e perdas.

 

Hideout5. Hideout (Panini)

História de terror escrita e desenhada primorosamente por Masasumi Kakizaki. A leitura tem duas camadas: a primeira, linear, é a trama de um homem que planeja assassinar a esposa numa viagem de férias, mas cai vítima de uma assustadora família canibal; a segunda, mais sutil, revela como nossos demônios interiores tendem a emergir numa situação limite. Em determinado ponto, a narrativa mistura fatos atuais com flashbacks que ajudam na construção dos personagens e na compreensão do inescapável final.

Calvin e Haroldo4. As tiras de domingo 1985 – 1995 – Calvin e Haroldo (Conrad)

Como o nome diz, o volume reúne as tiras dominicais publicadas por Bill Watterson neste período. Lançado originalmente em 2001, o álbum traz revelações importantes sobre as influências do autor, processo de licenciamento das tiras, evolução do traço dos personagens, bastidores das tiras polêmicas e muitas outras informações para satisfazer os fãs apaixonados pelo espirituoso garoto e seu amigo imaginário.

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Hoshi Mamoru Inu Capa.indd3. O Cão que Guarda as Estrelas (JBC)

São duas histórias que se relacionam. No início da primeira, o leitor já sabe como será o fim. Seguir a leitura sem um nó na garganta não é nada fácil. Um homem de meia idade perde tudo que tinha na vida: emprego, casamento, casa, saúde. O que lhe resta é a agradável e fiel companhia de um cão – e isso não é pouco. A segunda história parte do início (ou fim) da primeira e, novamente, versa sobre o amor pelos animais. Emocionante.

Fashion Beast2. Fashion Beast (Panini)

Reza a lenda que esta história nasceu como roteiro de Alan Moore para um filme de Malcolm McLaren, o polêmico produtor da banda punk Sex Pistols. Fashion Beast usa o conto infantil A Bela e a Fera como metáfora para revelar a face nada glamorosa da alta moda. Se já era atual no início dos anos 1990, é ainda mais hoje, num tempo de culto aos estilistas-celebridades.

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Parafusos-capa.indd1. Parafusos – Mania, Depressão, Michelangelo e eu (WMF Martins Fontes)

Poucas vezes o Transtorno Bipolar, que assola parte significativa da população, foi tratado de forma tão honesta, transparente e detalhada. Ainda mais com recurso da linguagem dos quadrinhos. Depois de diagnosticada com a doença, a quadrinhista Ellen Forney vai fundo no estudo de grandes gênios das artes que sofreram o mesmo mal. Ela narra os dolorosos processos do Transtorno Bipolar e a batalha contra o tratamento medicamentoso que poderia afetar sua criatividade. Tudo isso num traço estilizado, eloquente e desafiador.

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