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Os quadrinhos mantêm uma relação sinérgica e antiga com a música. Apesar de mais recente, o mesmo vale para o jornalismo. Mas jornalismo musical em quadrinhos não é algo que se vê todo dia, ainda mais numa produção nacional.

Pois foi isso que o “Reverendo” Fabio Massari fez em Malcolm, com suporte da arte de Luciano Thomé. O lançamento é da Edições Ideal, pelo selo Mondo Massari.

A HQ transcreve a entrevista que Massari fez meio de improviso com Malcolm McLaren em 1995, quando o agitador cultural e criador da banda punk Sex Pistols desembarcou na sede da MTV Brasil sem aviso prévio.

O material completo nunca foi levado ao ar pela emissora; portanto, Malcolm é o primeiro registro dos 50 minutos daquela conversa.

A chance da quadrinização de uma entrevista dar errado é grande. Não é o caso aqui. Massari e Thomé ilustram a fala de McLaren com imagens das cenas narradas e referências iconográficas, o que torna a leitura bastante agradável.

O produtor traça um panorama do cenário musical britânico nos anos 1970, detalha os mecanismos da indústria fonográfica e cultural, relembra as raízes da World Music. Tudo pela lente de sua personalidade ególatra, mas não por isso menos interessante.

Para dar vida à verborragia meio lisérgica de McLaren, Luciano Thomé tinha dois caminhos, e nenhum deles envolve a arte convencional: ou partia para um estilo delirante à Dave McKean e Bill Sienkiewicz ou para um traço minimalista, garranchoso. Optou pelo segundo, no que fez muito bem, pois conseguiu estabelecer um rico diálogo entre forma e conteúdo.

Malcolm é um livro que vale ser lido pela oportunidade de se conhecer em primeira pessoa o pensamento de um polêmico, porém importante, ícone da cultura pop; mas deve ser lido, sobretudo, pelo ineditismo da experiência de transpor uma entrevista para a arte sequencial.

O livro tem 64 páginas, capa dura colorida, miolo em preto e branco e preço de R$ 29,90. Vale muito o investimento.

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