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A trajetória de Draconian começou no final dos anos 1990, na extinta revista Dragão Brasil. Com adaptações e adição de histórias inéditas, a criação de Paulo Cesar Santos ganhou publicação própria, independente, em outubro de 2012.

Draconian reúne histórias curtas centradas num grupo de amigos vampiros. A exemplo dos modernos seriados de TV do gênero, eles têm aparência jovem, são descolados e convivem entre os vivos em harmonia e mais ou menos ocultos.

Tocam sua vida da mesma forma que os humanos, frequentam galerias de arte, baladas e trabalham. Uma das melhores frases vem de um atendente de loja: “Mano, nem todo vampiro tem um ‘conde’ antes do nome, tá ligado?”.

Como costuma acontecer nesse tipo de coletânea, o resultado é irregular. Alguns roteiros são mais consistentes e interessantes que outros. Por envolver o mesmo grupo de personagens, as histórias melhoram com a evolução da leitura na medida em que se dão as interligações e a troca de referências entre eles. Atenção para as muitas referências ao rock e à cultura pop.

O elemento que se mantém regular todo o tempo é o traço firme e elegante de Paulo Cesar. Seu estilo clássico faz bom uso do claro e escuro; a diagramação é arrojada e a narrativa, fluida. Destaque para a splash page da história Você deve se lembrar e sua reprodução da França ocupada pelos nazistas em 1941.

Para quem ainda não teve oportunidade de ler, vale a pena uma conferida nesta obra, que conta também com roteiros de André Farias.

Draconian é uma edição caprichada, com 128 páginas, capa colorida e miolo em preto e branco em papel couché. O preço é justo, R$ 20, e a HQ pode ser adquirida nas lojas físicas e virtuais da Gibiteria, Monkix e Comix, ou diretamente com o autor pelo e-mail draconianhq@gmail.com. Vale o investimento.

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