Revista O Grito!

Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Vale o investimento: O Andarilho das Sombras

andarilhosdassombras

Vampiros são provavelmente as criaturas mais exploradas do mundo fantástico.

Suas lendas surgiram muito antes da Literatura existir, em diferentes culturas, com nomes distintos. Talvez por isso sua mitologia seja tão longeva e tenha saído da tradição oral e se fixado no imaginário popular de modo tão enraizado.

Versões góticas, monstruosas, sedutoras, cômicas, modernas, pornôs, espaciais, até versões purpurinadas… não seria um exagero dizer que todas as abordagens possíveis, ou a maioria delas, foram apresentadas ao leitor desde que Dracula, de Bran Stoker, desenvolveu literariamente o vampiro moderno em 1897.

Vários escritores brasileiros também se debruçaram sobre mito e alguns chegaram ao sucesso. Outros podem chegar. É o caso do paulista Eduardo Kasse com seu romance de estreia, O Andarilho das Sombras lançado pela editora Draco no ano passado como primeiro volume de uma série idealizada por ele e chamada “Tempos de Sangue”.

Diferentemente da corrente atual de histórias desenvolvidas por escritores nacionais, que posicionam os seres sobrenaturais no Brasil, o drama do nobre Harold Stonecross acontece na Europa Medieval – o que não é um demérito, e sim um posicionamento histórico e geográfico necessário para contar a origem do mito criada por Kasse.

Enquanto sobrevive nas florestas e cidades escuras da Europa na Idade das Trevas, Harold, um homem amaldiçoado, lembra-se do passado, ao mesmo tempo em que narra em primeira pessoa seu presente.

Imortal e com poucos medos, Harold comporta-se como um ator interpretando um texto, sem grandes espaços para improvisações, com a eternidade para refletir suas atitudes, recheadas com humor negro.  Sua realidade é crua, ele é um demônio em busca de sangue, e a imortalidade não parece afetar sua índole, ainda que matar seja uma necessidade tanto para os monstros, quanto para quaisquer outro homem na Idade Média.

Num misto de misticismo e história oficial, a verdade da existência dos “vampiros” naquele período confunde-se com as histórias de terror contadas pelos velhos. Tudo porque o jovem nobre Stonecross sacrificou sua alma por uma promessa maliciosa, em um jogo de poder entre deuses ancestrais e decadentes.

Curiosidade: em nenhum momento o termo vampiro é citado; nem existia naquele período.

A leitura é fluída sem ser rasa, um equilíbrio entre a contextualização histórica e o drama de Harold Stonecross. Outros personagens são interessantes e cativam o leitor; bons coadjuvantes, divertem, conduzem o monstro em sua história e apresentam alguns tipos comuns da Europa naquele período.

O livro não reinventa necessariamente o gênero de vampiros, mas é divertido, tem boas passagens, boa pesquisa histórica e vai agradar aos fãs de literatura fantástica. Tem que aproveitar também o bom momento que o gênero vive no Brasil, principalmente com autores nacionais, muitos deles, escritores de qualidade. A edição da Draco ficou bonita. É livro de estreia muito bom, e vale o investimento.

Em tempo: o segundo livro da série “Tempos de Sangue” está para ser lançado. Mais informações no site da Editora Draco.

Serviço:

O Andarilho das Sombras
Editora: Draco
Gênero: Fantasia Histórica
Páginas: 384
Preço sugerido: R$57,90 (papel)
ou R$ 24,90 (e-book)

Comentários

Previous

HQ registra intercâmbio Brasil-Alemanha

Next

“Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses” tem pré-estreia no RJ

2 Comments

  1. Muito boa resenha Jota.

    Confesso que se visse esse livro em uma estante na livraria acharia que é apenas mais um livro tentando surfar nessa temática pegando carona em livros como “Entrevista com o Vampiro”.

    Legal!

    Marcelo.

Deixe uma resposta para Társis Salvatore Cancelar resposta

Papo de Quadrinho é um blog da Revista O Grito!. Todos os direitos reservados. © 2013–2020