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Crítica: Aquaman – Volume 1: The Trench

4355O reboot da DC Comics, intitulado, “Os Novos 52” gerou muita polêmica. Ainda que estivesse clara a necessidade de limpar o histórico de muitos personagens e revitalizá-los, algumas dessas mudanças não agradaram aos fãs. Outras, trouxeram gratas surpresas e acabaram cumprindo seu papel de reapresentar (ou recriar) personagens importantes, que por conta de roteiristas ruins, foram subaproveitados.

Foi o caso do Aquaman,  de Paul Norris e Mort Weisinger, que praticamente desde sua criação em 1941, esteve sempre relegado a papéis secundários nos quadrinhos e com o tempo, virou piada entre os leitores por conta de seus poderes mal descritos e considerados inúteis, principalmente em batalhas na superfície.

E ao contrário de sua cópia marvete – Namor – o príncipe submarino – Aquaman nunca havia ganhado o devido destaque.

Mas o tempo das piadas acabou e com o tal reboot uma dupla de peso veio ao seu resgate: o renomado roteirista Geoff Johns e o desenhista brasileiro Ivan Reis, que trabalharam juntos em sucessos de crítica e público como Lanterna Verde e A Noite Mais Densa.

Aquaman – Volume 1: The Trench, reúne as primeiras seis histórias lançadas após o anúncio dos novos 52 e não à toa, foi best-seller da lista do New York Times no mês de seu lançamento em 2012.

A história de Aquaman recomeça com o próprio morando na área costeira de Boston com sua esposa Mera.
Devido à sua natureza mestiça, já que ele é filho de um marinheiro com uma atlante, Aquaman deixa os mares para se instalar no antigo farol que pertenceu ao seu pai.

No que acredita ser seu recomeço, Aquaman se vê obrigado a lidar com a curiosidade e com os preconceitos que todos os moradores da região têm, acreditando que ele é um herói de segunda classe, em um paralelo interessante com a opinião de fanboys na vida real.

Ao mesmo tempo, um misterioso grupo de sinistras criaturas assassinas aparece atacando os locais e rapidamente Aquaman demonstra sua força e autoridade impedindo o ataque. Além de explicar seus poderes, a história mostra que o herói não pretende de fato ser aceito e compreendido pelos habitantes da superfície; ele apenas age de acordo com seu instinto que é salvar vidas.
Mera, sua esposa, cuja força de combate e o poder de moldar a água tem um papel fundamental na condução da história, auxilia Aquaman que investiga a origem das criaturas e qual a razão de seu ataque. Desta forma, aos poucos, Aquaman conquista o respeito e admiração dos habitantes que defende.

geoff-johns-aquaman-vol-1-001Os desdobramentos da história levarão Aquaman ao encontro do mistério de como Atlântida foi afundada, intercalando o passado e o futuro do personagem.

Entre os elementos que podemos chamar de “recriação” do super-herói, Johns utiliza o passado de Aquaman para brincar com sua fragilidade, antes tão exacerbada pelo público, ao mesmo tempo que o reconstrói como um personagem sério, fisicamente poderoso e com um futuro promissor. A arte de Ivan Reis emoldura essa nova fase.

Outro ponto para o roteiro: Mera é poderosa e parceira de Aquaman sem nunca ficar em uma posição subalterna. O casal se auxilia e formam uma dupla afinada. Mera é uma mulher forte, bonita, cujos mistérios começam a ser desvendados ainda neste encadernado.

Por todos esses elementos, dá para arriscar que Aquaman se tornou o personagem mais interessante do reboot, provando que um bom roteirista pode transformar qualquer super-herói com potencial em sucesso.
E quando pensamos nos mares, um vasto território desconhecido e fantástico, há muito para ser explorado, sem contar com sua interação com a superfície.

Ao mesmo tempo em que surgiu sua revista, seu papel também se destacava nos primeiros números da Liga da Justiça, escrita desenhada por Jim Lee. A partir de agora, veremos como a DC tratará o herói em outras mídias de sucesso como suas animações.

As histórias desde encadernado gringo foram publicadas no Brasil na revista mix “Os novos 52! Universo DC”.

 

Comentários

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6 Comments

  1. Andre

    Poxa, interessante mesmo. A historia tá melhor trabalhada, e como é louvável o trampo do Geoff e Ivan Reis pra alavancar um personagem viu…

    Será que teremos um apanhado das histórias nesse mesmo formato por aqui um dia ou será que o apelo da personagem ainda não justificaria tal publicação?

    • Andre, o Aquaman anda bem falando aqui no Brasil, mas não sei se as vendas justificariam o lançamento de um encadernado. Até onde eu sei, não há nada programado. Um abraço!

  2. Pedro Marques

    “E ao contrário de sua cópia marvete — Namor — o príncipe submarino — Aquaman nunca havia ganhado o devido destaque.”

    Hãã… desde quando Namor é cópia do Aquaman? Namor foi criado por Bill Everett em 1939, ou seja, dois anos ANTES do Aquaman.

    E assim como o Cyborg é uma cópia xerox do Deathlock, Aquaman sim é que é um plágio descarado do Namor, e reparem que até a origem de Aquaman é um “copy/paste” do herói submarino da Marvel, já que ele também é mestiço e é filho de uma marinheiro com uma atlante…

    • Pedro, Namor só passou a ser relevante nos HQs a partir de sua introdução no universo Marvel em The Fantastic Four #4. Vale lembrar que a Liga da Justiça era quem dominava amplamente o mercado neste período e o Aquaman fazia parte desse grupo. Não fosse Aquaman, dificilmente Namor reapareceria nas HQs. Além disso, ele reaparece como vilão, não como herói, praticamente uma recriação. Ou seja, ele só ganharia destaque muito tempo depois. É isso que me refiro, não à sua criação em si.

      Tanto Cyborg quando Deathlock são personagens secundários, quem apareceu primeiro não é realmente importante, embora hoje em dia Cyborg tenha sido alçado a personagem principal na Liga da Justiça.

      Abraço!

  3. Pedro Marques

    Note que o plot do Namor e sua origem (filho de pai humano/marinheiro, e mãe atlante) escrito por Bill Everett em 1939, foi também plagiado DESCARADAMENTE no background do Aquaman anos depois pelo pilantra Mort Weisinger.

    E agora veja como você escreveu seu texto: “E ao contrário de sua cópia marvete — Namor — o príncipe submarino…”

    Sério mesmo? Namor agora é uma “cópia marvete” do Aquaman? Não seria o contrário? Enfim…

    • Pedro, de novo: o problema não é quem apareceu antes. O mito da Atlântida não é nenhuma exclusividade de uma editora.
      O Escudo é um super-herói que é anterior e “inspirou” a criação do Capitão América. Quem é Escudo?
      O Aranha de Prata é anterior e “inspirou” a criação do Homem Aranha. Quem é Aranha de Prata?
      Se Namor inspirou a criação do Aquaman, não sabemos, o que sabemos é que os norte-americanos ADORAM um processo por plágio. Se Aquaman é uma cópia, pq não foi processado? Porque NÃO É cópia. Aquaman teve uma dúzia de vezes sua origem recontada, mas foi o sucesso de Aquaman que trouxe Namor do limbo.
      Abraço!

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