À primeira vista, o livro escrito pelo jornalista Jamie Russel pode parecer apenas mais um almanaque sobre mais um gênero do cinema.

Não é. O ótimo lançamento da Leya/Barba Negra é um dos melhores – se não o melhor – estudos a tratar deste tema.

Logo na introdução, Russel diz a que veio: “Poucos monstros dos filmes de terror são tão malvistos quanto o zumbi. Enquanto vampiros, lobisomens e até assassinos seriais demandam respeito, o zumbi nunca é visto como algo mais que um bufão que se arrasta às margens do cinema de terror (…)”.

Parte deste preconceito vem da falta de uma herança literária dos zumbis – diferente do Conde Drácula ou do monstro de Frankenstein, por exemplo. São, também, um mito moderno, nascido (pelo menos enquanto entretenimento) no começo do século XX.

O autor faz um verdadeiro tratado antropológico da mitologia dos mortos-vivos desde suas raízes no vudu do Haiti até virar febre nos Estados Unidos nos anos 1930.

Para Russel, poucos monstros do cinema serviram tanto ao propósito de representar as tensões culturais da sociedade. Nos primeiros filmes norte-americanos do gênero, realizados durante a ocupação dos Estados Unidos na ilha caribenha, o zumbi representava os conflitos raciais, a supremacia da “ciência branca” sobre a “superstição negra”.

Nas décadas seguintes, a figura do morto-vivo encarnou os temores da Segunda Guerra e da Guerra Fria, o desrespeito aos direitos civis, a propagação da AIDS.

Zumbi: O Livro dos Mortos é baseado em farta bibliografia de várias áreas do conhecimento, do cinema à psiquiatria, e muito bem ilustrado.

No final, aí sim o leitor encontra uma completíssima filmografia zumbi. A edição da Leya/Barba Negra teve o cuidado de separar esta extensa lista entre os filmes lançados e não lançados no Brasil.

Zumbi: O Livro dos Mortos tem 464 páginas, formato 23 x 20 cm e custa R$ 44,90. Vale o investimento!

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