Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Categoria: Quadrinhos (Página 2 de 59)

Workshop “O que um(a) quadrinista não deve fazer”, por Janaína de Luna, da Mino

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Passando para divulgar o workshop “O que um(a) quadrinista não deve fazer”, promovido pela editora da Mino, . Ela é responsável por cuidar de obras de artistas como , Fábio Cobiaco, Joan Cornellà, entre outros.

O cartaz incrível acima foi assinado pelo . O encontro será neste sábado (15), na Ugra Press, em São Paulo, às 10h. As inscrições são limitadas, por isso é bom correr. Vi essa dica no chapa Ramon Vitral.

A lombada da edição portuguesa de Sandman

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A editora Levoir divulgou a imagem que formam a lombada da edição portuguesa de , de . A coleção é formada por 11 volumes, que tem nomes ligeiramente diferentes da versão lançada no Brasil. A arte é de Dave McKean, capista da série.

Depois de uma edição finalizada pela Conrad, a Panini lançou no Brasil a versão “Absolute”, recolorida, em quatro volumes. O primeiro número já teve uma reimpressão.

Mini-Infartos de Caio Gomez reunidos em livro

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O divertido trabalho de , Mini-Infarto, ganha edição em livro. O título traz a compilação da série publicada online e retrata situações medonhas do cotidiano (como lidar com uma barata voadora ou o telefone tocar de madrugada).

O livro traz os 31 já publicados, além de 7 inéditos. A obra está sendo vendida online pelo site da editora Beléleu. Natural de Brasília, Caio é uma das revelações do quadrinho de humor. Conheça o trabalho dele.

Abaixo mais um pouco dos Mini-Infartos.

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Homem de Ferro será uma adolescente negra em nova série da Marvel

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Ainda estou sob o efeito do impacto do novo da Marvel. Ou melhor, da . A editora revelou que a famosa armadura do personagem será usada por uma jovem mulher negra de 15 anos na reformulação da série.

Riri Williams é uma gênia da computação do prestigiado MIT, nos EUA. Ela irá estrelar o novo título Invincible Iron Man #1, que será escrito pelo vencedor do Eisner Brian Michael Bendis. Riri já tinha aparecido brevemente nas histórias do Homem de Ferro quando chamou a atenção de Tony Stark ao recriar a armadura em seu dormitório na universidade usando a técnica da engenharia reversa. Os desenhos serão de Stefano Caselli.

O surgimento da Mulher de Ferro faz parte de uma estratégia da em reformular personagens famosos de modo a atrair um público mais diverso além do jovem homem branco. Nesta proposta já tivemos a Thor mulher e a nova Ms Marvel, uma adolescente muçulmana filha de pais paquistaneses.

Bendis é um dos nomes responsáveis por mexer em cânones da editora. Foi ele quem criou o personagem Miles Morales, um jovem negro de ascendência latina que assumiu o traje do Homem-Aranha no lugar de Peter Parker. A HQ tornou-se um sucesso e Miles segue firme até hoje dentro da cronologia da editora. Bendis sempre foi ciente que essas mudanças não viriam sem uma reação contrária. Ele costuma debater na internet com fãs “irritados” com esse aumento de representatividade das histórias. “Tem fãs que dizem ‘mostrem-nos algo novo’, e tem outros que dizem ‘não façam nada diferente de como quando eu era criança. Então quando você introduz novos personagens sempre vai ter gente paranóica sobre como estamos arruinando a sua infância”, disse Bendis ao The Guardian. “Alguns dos comentários online – eu não acho que as pessoas realizam o quanto estão sendo racistas”.

A aparição de Riri faz parte da nova saga II, que também é escrita por Bendis. A saga, ainda inédita no Brasil, promete mudar as estruturas da Marvel pela milionésima vez. De reformulação em reformulação, é interessante ver que as histórias ganham novas cores e sabores além do habitual.

Leia o que escrevi sobre a nova série do Pantera Negra.

A Mulher Maravilha de Luciano Salles

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O quadrinista divulgou a sua versão da Mulher Maravilha. A ilustração faz parte de uma série de desenhos originais que Salles levará para a Comic Con Experience, em São Paulo, que acontece em novembro.

Sem nenhum livro novo para este ano, Salles apresentará no evento esses cinco desenhos. “A Wonder Woman, mas uma vez, foi sugestão do amigo Rafael Grampá. Desenhar mulher é sempre um desafio para mim. Tenho a tendência de ir para o lado bizarro das coisas mas como dizia o mestre Moebius, quando você vai desenhar uma mulher tem que parar tudo o que está fazendo para desenhar uma mulher. Agradeço a existência do Moebius e a generosidade do Grampá”, escreveu Salles no seu blog.

O último gibi de Salles foi Limiar: Dark Matter, que entrou na lista de melhores do ano da Revista O Grito!. O livro, que faz parte de uma trilogia iniciada com O Quarto Vivente, está em promoção na loja do autor.

Nada a Temer, por Marcelo D’Salete

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O quadrinista Marcelo D’Salete, autor de Cumbe, usou seu desenho como forma de resistência ao governo provisório de Michel Temer.

D’Salete adaptou uma cena de Cumbe, HQ que mostra a luta de negros escravizados durante o período colonial no Brasil, para mostrar indignação ao governo que assumiu o poder através de um parlamentar. A imagem foi divulgada no Facebook do artista.

Laerte convida: todo mundo no ato dia 31

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é uma das cartunistas mais importantes do Brasil. E usa sua relevância com responsabilidade: ou seja, se posiciona sobre um dos momentos mais críticos de nossa história. O desenho acima foi postado em seu Facebook e conclama todo mundo a ir à passeata contra o no dia 31 de março.

A passeata pede o respeito à democracia e se posiciona contra impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Laerte já postou outras tiras sobre a crise institucional hoje no Brasil:

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“Fascismo está crescendo… as massas estão sendo empolgadas por uma espécie de falta de direção geral, pela manipulação da mídia e do judiciário numa clara tentativa de derrubar o governo”, disse a quadrinista em entrevista ao TV Poeira.

A nova HQ de Guilherme Petreca, “Ye”

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A editora Veneta divulgou a capa da nova HQ de , , que entrou em pré-venda. Petreca é hoje um dos quadrinistas brasileiros mais talentosos de sua geração. No final do ano passado ele lançou Carnaval dos Meus Demônios, pela Balão e soltou ainda a HQ curta Galho Seco.

“Piratas, bruxas, malandros e monstros: o jovem mudo Ye enfrenta toda sorte de perigos e desventuras, em sua jornada de autodescoberta. A história retrata de forma poética a transição entre a adolescência e a fase adulta”, diz a sinopse da obra. O camarada Ramon Vitral soltou um preview de quatro páginas da obra. Promete bastante!

Ye tem 176 páginas e vai custar R$ 60.

Coleção de cards relembra HQs históricas lançadas no Brasil

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O Festival anunciou uma coleção de cards que homenagearão as revistas em quadrinhos mais importantes já lançadas no Brasil desde os primórdios do mercado. Entre elas estão a , pioneira na publicação de HQs no País, a Gibi, título que acabou tornando-se sinônimo de quadrinhos e a Pererê, de Ziraldo.

Serão 10 cards a cada edição anual do , em uma coleção que, ao longo dos anos, formará uma grande painel dos títulos mais importantes e influentes lançados em nosso país desde 1905. Os cards serão distribuídos gratuitamente aos visitantes do evento.

Este ano, o Festival Guia dos Quadrinhos ocorrerá nos dias 9 e 10 de abril e terá lugar no Club Homs, na Avenida Paulista nº 735. O evento dobrará sua capacidade de expositores e triplicará as mesas para quadrinistas brasileiros. Haverá também artistas convidados de renome internacional, exposições de arte, workshops, debates, leilões beneficentes e muitas outras atrações.

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Wimmen’s Comix: histórica revista feita por mulheres quadrinistas ganha antologia

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Já está sendo vendido o gigantesco volume The Complete Wimmen’s Comix, uma compilação com material da histórica publicação formada por autoras de quadrinhos nos anos 1970.

Fundada em 1972, a Wimmen’s Comix trazia um contraponto ao cenário underground de quadrinhos nos EUA, formado em sua maioria por homens. A revista trazia discussões sobre sexualidade, e era bem afiada em sua crítica à sociedade norte-americana do período.

Em seus 20 anos de circulação trouxe nomes como , , , , Roberta Gregory, , , , , , e muitas outras. Agora a editora Fantagraphics reúne todo esse material em um livro de 728 páginas.

A edição da obra é histórica por resgatar a relevância da Wimmen’s Comix, mas também por publicar alguns trabalhos que seguem fora de catálogo por décadas. Estão presentes no livro a primeira HQ feita inteiramente por mulheres da história, “It Ain’t Me, Babe”, de 1970. A edição traz uma introdução de Trina Robbins.

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Pelo tamanho do livro e acabamento luxuoso, não podíamos esperar nada muito barato. O preço da obra é de 100 dólares (o que inclui uma caixa slipcase, além de dois volumes em capa dura). Na Amazon BR sai por R$ 357. Veja um preview.

O curta-metragem “Lavagem”, de Shiko

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A editora Mino disponibilizou o curta-metragem , que deu origem à HQ de mesmo nome de , lançada no ano passado. A obra é uma das melhores HQs nacionais lançadas em 2015 e mostra a relação de um casal que habita um mangue. Com um traço naturalista, conta uma história em estilo horror gore sobre fé, paranoia e desejo.

Aqui a minha crítica para a HQ.

O curta foi lançado originalmente em 2011, com direção do próprio Shiko e produção da cooperativa Filmes a Granel. No elenco estão Mariah Teixeira, Omar Brito e João Faissal. Veja abaixo:

Editoras francesas pedem boicote ao Angoulême em busca de mais diversidade

Ilustração parodia o tradicional gato mascote do festival como um testículo. (Reprodução).

Ilustração parodia o tradicional gato mascote do festival como um testículo. (Reprodução).

O último Angoulême foi uma mancha na história do festival em seus mais de 40 anos. Depois de acumular uma reputação de ser o mais importante evento de quadrinhos do mundo, uma celebração da arte e um incentivo para a evolução do meio, seus organizadores se embrenharam em uma série de erros após excluírem mulheres quadrinistas do prêmio principal.

Agora, as maiores editoras de quadrinhos da França propõem um boicote ao festival caso o evento não anuncie mudanças nas regras. Gigantes editoriais como a Glénat, Delcourt, Dargaud e Casterman estão entre as empresas que assinaram um documento pedindo um novo momento menos sexista e mais inclusivo para o festival.

Leia Mais
FIQ discutiu presença das mulheres nos quadrinhos

Tudo começou após a divulgação dos indicados ao Grande Prêmio, uma das maiores distinções do Angoulême, concedido aos quadrinistas não por uma obra específica, mas pelo trabalho de uma vida. A surpresa geral foi não ter nenhuma mulher entre os 30 anunciados. Isso é, de longe, inadmissível, sobretudo em uma arte com tantos talentos femininos.

Não bastasse esse erro crasso, a organização do festival demorou a se desculpar e só piorou o debate. O diretor geral do evento, Franck Bondoux, relutando em reconhecer o erro histórico, disse que o festival não poderia “distorcer a realidade”. “O festival não pode distorcer a realidade, mesmo reconhecendo o fato de que a lista realmente poderia ter incluído o nome de uma ou duas mulheres”, disse. Ele ainda comentou que o festival não poderia adotar um sistema de cotas.

Angoulême tem um histórico ruim quando o assunto é reconhecer o trabalho de mulheres. Apesar de diversas quadrinistas já terem sido indicadas a outras categorias, como melhor álbum, roteiro, etc, apenas uma venceu o Grande Prêmio, Florence Cestac, em 2000. No ano passado, Marjane Satrapi (de Persépolis) foi indicada, mas não levou.

Entre os 30 homens indicados em 2016 vários deles decidiram pedir a retirada de seus nomes da lista em respeito às colegas. O primeiro a fazer isso foi Joan Sfar, celebrado autor de O Gato do Rabino, seguido por outros quadrinistas como Milo Manara, Daniel Clowes, entre outros. Como quadrinho é coisa série na França, a secretária do Estado para os Direitos das Mulheres, da França, Pascale Boistard, disse no Twitter que a luta por mais reconhecimento das mulheres autoras é importante. A secretária recebeu no final do ano passado o Coletivo das Criadoras de Quadrinhos contra o Sexismo.

Esse grupo reúne 147 artistas e luta por mais espaço e visibilidade para as quadrinistas mulheres. Foram eles quem criaram o trocadilho com o nome oficial de Angoulême, que logo viralizou: de FIBD – Festival International de la Bande Dessinée (Festival Internacional de Quadrinhos), a sigla mudou para FIBD – Femmes Interdites de Bande Dessinée (Mulheres Proibidas nos Quadrinhos).

Depois de toda essa repercussão negativa, o , de forma constrangedora, decidiu que o prêmio este ano não teria indicados. Qualquer quadrinista era elegível e todos os membros e autores que tiveram trabalhos publicados em 2015 puderam votar em quem quiseram. Ao fim, venceu o belga Hermann, pouco conhecido no Brasil, autor de Lune de Guerre e outros. (Um parêntesis: Marcello Quintanilha venceu como melhor HQ policial com o ótimo Tungstênio).

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Um novo Angoulême

O festival tem agora uma chance de remediar sua imagem negativa e retomar seu posto na relevância das HQs no mundo. O recado das editoras é importante para lembrar de que uma maior diversidade de gênero é benéfico para todo mundo, de autores ao público.

O documento emitido nesta quinta à imprensa também mostra a força cultural que tem os quadrinhos no mundo, sobretudo na Europa. “O Festival conseguiu desacreditar a nossa profissão nos olhos do mundo”, diz o documento. “O festival deve ser repensado em profundidade, em sua estrutura, sua governança, estratégia, projetos e ambições”. Os editores pedem que a Ministra da Cultura da França seja a mediadora nesse debate pela nova fase do evento.

Veja abaixo o documento na íntegra, em francês e em inglês.

Atualizado: aqui a versão em português (tradução de Sergio Costa Floro).

Salvemos o festival Angoulême

Apoiadores leais do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême (FIBD) desde a sua criação, os editores têm repetidamente alertado seus organizadores, seus financiadores e os poderes públicos sobre as deficiências recorrentes deste evento anual.

Consequência da falta tanto de uma visão compartilhada como de uma gestão eficaz, a última edição do Festival tem acumulado erros: ausência de mulheres na lista de autores elegíveis no Grand Prix da cidade de Angoulême, o descontentamento de autores frequentemente mal tratados pela organização, declínio de público, a falta de transparência nas seleções dos prêmios, cerimônia de encerramento desastrosa…

O Festival conseguiu deslegitimar a nossa profissão aos olhos do mundo, como demonstrado apropriadamente por Fabrice Piault, editor chefe de Livres Hebdo, em seu editorial de 05 de fevereiro de 2016.

Este evento tem um lugar central na vida dos quadrinhos. é impossível deixá-lo deteriorar-se e, assim, degenerar a imagem da 9ª Arte tanto na França como no exterior.

É por isso que decidimos não participar na próxima edição da FIBD se uma revisão radical não for implementada sem demora. O festival deve ser repensado em profundidade, em sua estrutura, sua gestão, sua estratégia, seu projetos e suas ambições.

Dada a magnitude da tarefa e a importância da questão, tanto para a nossa profissão quanto para a população de Angouleme e sua região, onde os quadrinhos geraram todo um complexo institucional e industrial, fazemos um apelo ao Estado: solicitamos à Senhora Ministra da Cultura que nos receba e nomeie um mediador para realizar urgentemente, esta reforma radical.

Assinaram o documento as editoras do Sindicato Nacional: Casterman, Dargaud, Delcourt, Denoël, Fluide Glacial, Futuropolis, Gallimard, Glénat, Jungle, Le Lombard, Panini, Rue de Sèvres, Sarbacane, Soleil, Urban, Vents d’Ouest.

Editoras da União das editoras alternativas (SEA): Anathème, Arbitraire, L’Association, Ça & Là, La Cafetière, La Cerise, La 5éme Couche, Cornélius, Éditions 2024, Frémok, Ici Même, Ion, L’Égouttoir, L’Employé du Moi, L’Œuf, Le Lézard Noir, Les Requins Marteaux, Les Rêveurs, Misma, Pré Carré, Radio As Paper, Super Loto, Vide Cocagne, Même Pas Mal, The Hoochie Coochie.

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