Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Categoria: Lançamentos no Exterior (Página 1 de 2)

Revolução dos Bichos, de Odyr, será publicada na Itália, Espanha e EUA

Ainda nem saiu no Brasil, mas a HQ de , A Revolução dos Bichos, adaptação do clássico de George Orwell, será publicada no exterior. Segundo a coluna Babel, do Estadão, a obra ganhará edições na Itália (pela Mondadori), na Espanha (pela Penguin Random House España) e EUA (Houghton Mifflin Harcourt).

Odyr pintou a adaptação toda em aquarela. Aqui no Brasil a obra sai pela Companhia das Letras via selo Quadrinhos na Cia. A obra de Orwell é uma alegoria sobre os jogos de poder da nossa sociedade.

A capa da edição brasileira. 

 

“A Terrível Elizabeth”: HQ do brasileiro Aarabson sai pela Image nos EUA

O gibi do brasileiro , , vai ganhar edição em inglês pela Image Comics. A obra saiu pela Instituto HQ e teve pouca repercussão. Nos EUA, a HQ será chamada de The Terrible Elisabeth Dumn Against the Devils In Suits e sai no formato “one-shot”, uma edição única em formato americano.

A história gira em torno do pacto que o pai de Elizabeth, uma menina pouco sociável, faz com um homem que lhe aparece 20 anos depois para cobrar a dívida. Assustado, o patriarca da família Dunn oferece a filha como moeda de troca. O que ninguém se dava conta é que Elizabeth é uma adolescente com força descomunal e levá-la não será fácil.

Veja a galeria com o preview: 

The Comics Journal volta a ser publicada como revista impressa

A Comics Journal, uma das principais publicações sobre quadrinhos do mundo, volta a ser publicada de forma impressa. Continuando do número #303, a revista custará 15 dólares e terá duas edições por ano. O lançamento é da Fantagraphics.

O número de retorno chega em janeiro de 2019 com capa de Tomi Ungerer, autor de livros infantis e cartunista satírico. A edição traz ainda uma matéria sobre gentrificação nos quadrinhos, uma introdução aos trabalhos dos cartuns gays de Alex Gard e rascunhos do francês Antoine Cossé. Os novos editores serão RJ Casey e Kristy Valenti.

A Comics Journal foi fundada em 1976 e teve sua última edição em formato revista publicada em novembro de 2009 na edição #300. A edição #301 em 2011 marcou a mudança para o formato livro, que tinha mais de 600 páginas. A edição #302 veio em 2013 e desde então a revista funcionou apenas com o site (que é bem atualizado e traz ótimos conteúdos, aliás).

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A volta da Comics Journal impressa é bastante oportuna em tempos de excesso de informação online e competição pela atenção nas telas. O tempo do papel é diferente e isso pode significar um ganho de qualidade nas reflexões sobre o meio. E os quadrinhos merecem uma publicação de prestígio ocupando espaço nas bancas e livrarias.

Um mundo sem homens no trabalho de Aminder Dhaliwal

A quadrinista canadense tornou-se um fenômeno no Instagram e Tumblr com suas tiras e quadrinhos cheios de ironia e humor sobre gênero, feminismo e sexualidade. Feliz com essa notícia de que ela será publicada em livro pela Drawn & Quartely.

Woman World mostra um mundo sem nenhum homem. A premissa já foi vista na série Y – O Último Homem, de Brian K. Vaughan e Pia Guerra, mas ao contrário da série da Image, aqui o foco são as mulheres. E claro, a proposta aqui é outra, mais experimental, engraçada (e até filosófica, eu diria).

Segundo a editora o livro vai trazer as HQs mais populares de Aminder, além de muito material inédito. A webcomic dela segue no ar para quem quiser acompanhar.

O livro sai em setembro nos EUA.

Revival, nova editora de HQs francesa, se dedica aos clássicos

Mais HQs históricas chegando ao mercado. A nova editora francesa Revival, capitaneada por (o mesmo da nova Cahiers du BD), vai lançar obras clássicas que estavam fora de catálogo ou esquecidas. A coleção “Bédétèque Idéal” é uma iniciativa importante para uma cartografia ainda incipiente das histórias em quadrinhos. Sonho alguém fazer isso aqui no Brasil um dia.

Entre as obras estão , de Alain Saint-Ogan, lançada em 1936 e La Variante du Dragon, de Golo & Frank. As HQs dessa coleção englobam títulos lançados entre o final do século 19, nos primórdios dos quadrinhos, e os anos 1980. A editora também vai lançar novos autores, como é o caso de Berliac, autor de Sadboi.

A ActuaBD divulgou um vídeo da nova editora.

My Favorite Things Is Monsters é o fenômeno das HQs autorais este ano

Atualizado 21/07/2018: a HQ ganhou o Eisner de melhor álbum e vai sair no Brasil em outubro com o nome “Minha Coisa Favorita é Monstro”!

Ninguém tinha ouvido falar de até a editora norte-americana Fantagraphics lançar a HQ em fevereiro deste ano. Desde então a obra tem se tornando um dos fenômenos editoriais dos quadrinhos de 2017. Com a terceira tiragem anunciada nesta semana a HQ chegou aos 70 mil exemplares, o que é algo impressionante para um gibi autoral.

Chama ainda mais atenção o fato de Ferris ser totalmente desconhecida no cenário dos quadrinhos e de seu livro tratar de um tema não muito palatável: a monstruosidade em suas mais diferentes facetas.

A história se passa em Chicago nos anos 1960 e tem com protagonista uma menina de 10 anos, Karen Reyes, que se apresenta como uma menina-lobo. My Favorite Thing Is Monsters é na verdade o diário de Karen com seus pensamentos, medos, desejos, opiniões. Apaixonada por filmes de terror ela traduz suas emoções em diferentes escalas de monstruosidades. Há ainda referências a momentos históricos como o assassinato de Martin Luther King Jr. e o Holocausto. Uma das tramas principais do livro, inclusive, tem a ver com horrores da 2ª Guerra Mundial.

A HQ foi bastante elogiada em resenhas e também por nomes como Art Spielgeman, que afirmou que Ferris é “uma das mais brilhantes autoras de quadrinhos de nosso tempo”. O autor de Maus afirmou que ela usou o estilo do sketchbook como uma forma de alterar a linguagem dos quadrinhos.

A história de Ferris é tão interessante quanto o livro. Aos 40 anos ela era uma ilustradora freelancer quando contraiu a Doença do Nilo Ocidental, um vírus transmitido por um mosquito. Ela ficou paralisada e teve que aprender a desenhar novamente, apesar da dor crônica e dos movimentos prejudicados. Em um perfil para o New York Times, Ferris disse que lidar com monstros acabou tornando-se uma metáfora para sua vida, mas que a força de vontade a fez superar a doença.

O primeiro volume de My Favorite Things Is Monsters, com quase 400 páginas, é um best-seller. O segundo volume, já em pré-venda, sai em fevereiro de 2018 e terá mais 300 páginas. Espero que as editoras brasileiras não demorem a lançar essa obra, desde já um marco dos quadrinhos alternativos.

A volta do Viñetas Sueltas, o festival de quadrinhos da Argentina

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O festival de quadrinhos , um dos mais importantes da Argentina, está de volta. E para um país com uma produção tão rica de HQs a notícia é bem importante. A relevância do evento é enorme, pois ele foca na produção autoral e independente, o que projetos como Comic Cons e outros, não colocam como prioridade.

A última edição rolou em 2012. Agora a quinta edição será realizada nos dias 14 a 16 de outubro em Buenos Aires (no Palais de Glace, veja aqui o link do evento). Entre os convidados desta edição estão Ivan Brunetti (EUA), Pascal Rabaté (França), Jim Mahfood (EUA), Sammy Harkham (EUA), o editor italiano Antonio Scuzzarela e uma comitiva de quadrinistas e profissionais ligados ao quadrinho chinês, como como Zhao Zhicheng –Golo-, Wang He, Xu Ziran, Dong Peipei e Zhang Jing.

E os nomes nacionais argentinos também estarão presentes, como Esteban Podetti, Dante Ginevra, Erica Villar, Federico Reggiani, Fernando Baldó, Muriel Frega, Juani Navarro e Paula Andrade.

A arte incrível do cartaz é de Mario Scalerandi.

A lombada da edição portuguesa de Sandman

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A editora Levoir divulgou a imagem que formam a lombada da edição portuguesa de , de . A coleção é formada por 11 volumes, que tem nomes ligeiramente diferentes da versão lançada no Brasil. A arte é de Dave McKean, capista da série.

Depois de uma edição finalizada pela Conrad, a Panini lançou no Brasil a versão “Absolute”, recolorida, em quatro volumes. O primeiro número já teve uma reimpressão.

Homem de Ferro será uma adolescente negra em nova série da Marvel

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Ainda estou sob o efeito do impacto do novo da Marvel. Ou melhor, da . A editora revelou que a famosa armadura do personagem será usada por uma jovem mulher negra de 15 anos na reformulação da série.

Riri Williams é uma gênia da computação do prestigiado MIT, nos EUA. Ela irá estrelar o novo título Invincible Iron Man #1, que será escrito pelo vencedor do Eisner Brian Michael Bendis. Riri já tinha aparecido brevemente nas histórias do Homem de Ferro quando chamou a atenção de Tony Stark ao recriar a armadura em seu dormitório na universidade usando a técnica da engenharia reversa. Os desenhos serão de Stefano Caselli.

O surgimento da Mulher de Ferro faz parte de uma estratégia da em reformular personagens famosos de modo a atrair um público mais diverso além do jovem homem branco. Nesta proposta já tivemos a Thor mulher e a nova Ms Marvel, uma adolescente muçulmana filha de pais paquistaneses.

Bendis é um dos nomes responsáveis por mexer em cânones da editora. Foi ele quem criou o personagem Miles Morales, um jovem negro de ascendência latina que assumiu o traje do Homem-Aranha no lugar de Peter Parker. A HQ tornou-se um sucesso e Miles segue firme até hoje dentro da cronologia da editora. Bendis sempre foi ciente que essas mudanças não viriam sem uma reação contrária. Ele costuma debater na internet com fãs “irritados” com esse aumento de representatividade das histórias. “Tem fãs que dizem ‘mostrem-nos algo novo’, e tem outros que dizem ‘não façam nada diferente de como quando eu era criança. Então quando você introduz novos personagens sempre vai ter gente paranóica sobre como estamos arruinando a sua infância”, disse Bendis ao The Guardian. “Alguns dos comentários online – eu não acho que as pessoas realizam o quanto estão sendo racistas”.

A aparição de Riri faz parte da nova saga II, que também é escrita por Bendis. A saga, ainda inédita no Brasil, promete mudar as estruturas da Marvel pela milionésima vez. De reformulação em reformulação, é interessante ver que as histórias ganham novas cores e sabores além do habitual.

Leia o que escrevi sobre a nova série do Pantera Negra.

Wimmen’s Comix: histórica revista feita por mulheres quadrinistas ganha antologia

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Já está sendo vendido o gigantesco volume , uma compilação com material da histórica publicação formada por autoras de quadrinhos nos anos 1970.

Fundada em 1972, a Wimmen’s Comix trazia um contraponto ao cenário underground de quadrinhos nos EUA, formado em sua maioria por homens. A revista trazia discussões sobre sexualidade, política e era bem afiada em sua crítica à sociedade norte-americana do período.

Em seus 20 anos de circulação trouxe nomes como , , , , , Carol Lay, , , , , e muitas outras. Agora a editora Fantagraphics reúne todo esse material em um livro de 728 páginas.

A edição da obra é histórica por resgatar a relevância da Wimmen’s Comix, mas também por publicar alguns trabalhos que seguem fora de catálogo por décadas. Estão presentes no livro a primeira HQ feita inteiramente por mulheres da história, “It Ain’t Me, Babe”, de 1970. A edição traz uma introdução de Trina Robbins.

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Pelo tamanho do livro e acabamento luxuoso, não podíamos esperar nada muito barato. O preço da obra é de 100 dólares (o que inclui uma caixa slipcase, além de dois volumes em capa dura). Na Amazon BR sai por R$ 357. Veja um preview.

The Best American Comics de 2016, editada por Roz Chast, já está em pré-venda

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Um dos projetos mais interessantes de quadrinhos, a reúne os melhores trabalhos lançados no ano anterior, sempre escolhidos por um editor diferente. Este ano a convidado é Roz Chast, cartunista da New Yorker e responsável pela elogiada obra Can’t We Talk about Something More Pleasant?, de 2014.

Já foram convidados como editores nomes como Alison Bechdel (2011) e (2010), entre outros.

A antologia é uma ótima oportunidade de acompanhar o que vem sendo feito de interessante nos quadrinhos dos EUA sem ter muito trabalho. O The Best American Comics serviu de inspiração para o Fabuloso Quadrinho Brasileiro, coletânea que estreou no ano passado com edição de Érico Assis.

The Best American Comics de 2016 está em pré-venda na Amazon, mas só será lançada em outubro de 2016. A edição 2015 pode ser comprada na Amazon brasileira por cerca de 95 reais. [Via Vitralizado]

A importância da HQ do Pantera Negra escrita por Ta-Nehisi Coates

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Com a proximidade do filme de , a Marvel ligou o modo turbo do marketing do personagem. A editora divulgou as capas do novo gibi do herói que será escrito pelo aclamado autor . Só isso já é motivo para ficar muito empolgado.

Em tempos mais críticos quanto à representatividade e diversidade racial na arte, a Marvel acerta ao apostar em um escritor comprometido com o tema. Coates é autor de Entre o Mundo e Eu, livro que foi ovacionado pela crítica dos EUA no ano passado e saiu por aqui pela Objetiva. Está ainda na minha lista de leituras futuras, mas li o trecho publicado na revista piauí em setembro do ano passado. (já disponível para não-assinantes).

Em Entre o Mundo e Eu Coates relembra sua infância em Baltimore nos EUA faz reflexões sobre como as tensões raciais que sempre fizeram parte da sociedade norte-americana. Polêmico, ele também aborda a importância da cultura negra em contraponto à violência policial sofrida contra os jovens nos bairros de periferia. Em resumo, é uma obra sobre o que é ser negro na América. O contraponto à situação do Brasil é bem possível de ser feita.

Coates: questões raciais na linha de frente.

Coates: questões raciais na linha de frente.

Vejam que trecho poderoso:

Eu não podia mais prever onde encontraria meus heróis. Às vezes eu caminhava com amigos ate a rua U e circulava pelos clubes de lá. Era a época da Bad Boy e do Biggie, “One More Chance” e “Hypnotize”. Eu quase nunca dançava, por mais que quisesse. Ficava paralisado por um medo infantil do meu próprio corpo. Mas via como os negros se moviam, como dançavam como se seus corpos fossem capazes de tudo, e seus corpos pareciam ser tão livres como a voz de Malcolm X. Lá fora os negros não controlavam nada, que dirá o destino de seus corpos, que podiam ser requisitados pela polícia; que podiam ser apagados pelas armas, tão pródigas; que podiam ser estuprados, espancados, encarcerados. Mas nos clubes, sob a influência de rum e Coca-Cola na proporção de dois para um, no encantamento das luzes baixas, sob o domínio do hip-hop, eu os sentia no controle total de cada passo, cada aceno, cada giro.

Voltando ao Pantera Negra, é significativo a Marvel ter tido esse cuidado em selecionar Coates, um estrante nos quadrinhos, como o escritor do título. Com isso poderemos ler uma HQ com algum significado além de trazer lastro à produção hollywoodiana. Este também é o ano em que o personagem completa 50 anos. A arte será de Brian Stelfreeze.

Ainda não sabemos detalhes sobre a trama do gibi, mas o personagem é bem rico em possibilidades. Em todos esses anos, figurando a maior parte do tempo como coadjuvante do universo dos Vingadores, o Pantera sempre foi subaproveitado, com poucas exceções. Basta lembrar que ele é um super-herói que governa um estado na África (Wakanda, uma terra rica e de tecnologia avançada que possui reservas do fictício metal Vibranium). Criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1966 ele foi o primeiro super-herói negro da história.

No Brasil as publicações com o personagem são escassas. Ele apareceu na mensal Marvel Action (já encerrada), em histórias do Demolidor e outros títulos. No final de 2014 ganhou uma edição na coleção da Salvat na ótima fase desenhada por John Romita Jr. Um título raro e muito recomendado saiu pela editora Globo em 1990, uma minissérie em duas partes homônima com roteiro de Peter B. Gillis e arte de Denys Cowan.

pantera

O longa do Pantera Negra estreia dia 15 de fevereiro de 2018 e terá direção de Ryan Coogler (de Creed). Quem interpreta Tchalla/Pantera é Chadwick Boseman (de James Brown). Veja abaixo as capas variantes da nova HQ do herói.

Capa por Oliver Coipel.

Capa por Olivier Coipel.

Arte de Alex Ross.

Arte de Alex Ross.

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