Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Categoria: Quadrinhos (Página 1 de 59)

Algumas notas sobre o Jornadas Internacionais de Quadrinhos da USP

  • Entre os últimos dias 22 e 24 de agosto rolou em São Paulo (na Escola de Comunicação e Artes – ECA USP), as 5ªs Jornadas Internacionais das Histórias em Quadrinhos. O evento já é o maior da América Latina e reafirmou ainda mais a sua relevância acadêmica pois passou a ser realizado de maneira anual a partir desta edição de 2018. 
  • Segundo Paulo Ramos, um dos organizadores do evento, este ano o Jornadas teve recorde de trabalhos inscritos, o que surpreendeu muita gente. Por ser a primeira vez que acontecia em dois anos consecutivos, existia o temor da diminuição da quantidade de resumos submetidos. 
  • Muitos trabalhos interessantes foram apresentados no Jornadas este ano, mas destaco aqui a grande quantidade de trabalhos sobre a obra de Marcelo D’Salete, autor de Cumbe e Angola Janga. É bom ver que a a academia já se debruça sobre uma das obras mais importantes das HQs brasileiras em muito tempo. 
  • Apresentei parte de minha pesquisa sobre o imaginário do sertão nos quadrinhos, desta vez com um olhar apenas sobre a obra de Jô Oliveira. Vi muitos trabalhos que, assim como o meu, também analisam a bibliografia dos quadrinhos brasileiros e sua relação com a história e as representações da cultura brasileira. 
  • A conferência de abertura foi da professora Barbara Postema, que também lançou no Brasil o livro Estruturas Narrativas nos Quadrinhos (Peirópolis). Na sua palestra ela falou sobre os quadrinhos mudos. 
  • A conferência de abertura foi novamente bem descontraída –  diferente de muitos congressos acadêmicos – e ainda contou com o anúncio dos vencedores do Troféu HQ Mix nas categorias “melhor TCC”, “melhor dissertação” (vencida por Mayara Lista) e “melhor tese” (vencida por Liber Paz, agora bicampeão do prêmio).
  • Não pude ir no último dia, mas deu para ter uma ideia de como o evento foi bem prestigiado. Sem dúvidas, o Jornadas é hoje um dos espaços mais ricos de debate sobre quadrinhos no Brasil.  Mais do que um evento acadêmico ele é um agregador de uma riqueza crítica sobre essa mídia e suas diversas intersecções com áreas diversas. A presença de veículos especializados cobrindo o evento também indica que o interesse do grande público tem crescido. 
  • E o que é importante: estamos construindo um registro dos estudos de HQs, o que nos ajuda a dar perspectiva e aumentar a importância que os quadrinhos têm hoje nos diversos programas de pós-graduação. 
  • E teve paçoca! 

 

Revolução dos Bichos, de Odyr, será publicada na Itália, Espanha e EUA

Ainda nem saiu no Brasil, mas a HQ de , A Revolução dos Bichos, adaptação do clássico de George Orwell, será publicada no exterior. Segundo a coluna Babel, do Estadão, a obra ganhará edições na Itália (pela Mondadori), na Espanha (pela Penguin Random House España) e EUA (Houghton Mifflin Harcourt).

Odyr pintou a adaptação toda em aquarela. Aqui no Brasil a obra sai pela Companhia das Letras via selo Quadrinhos na Cia. A obra de Orwell é uma alegoria sobre os jogos de poder da nossa sociedade.

A capa da edição brasileira. 

 

“A Terrível Elizabeth”: HQ do brasileiro Aarabson sai pela Image nos EUA

O gibi do brasileiro , , vai ganhar edição em inglês pela Image Comics. A obra saiu pela Instituto HQ e teve pouca repercussão. Nos EUA, a HQ será chamada de The Terrible Elisabeth Dumn Against the Devils In Suits e sai no formato “one-shot”, uma edição única em formato americano.

A história gira em torno do pacto que o pai de Elizabeth, uma menina pouco sociável, faz com um homem que lhe aparece 20 anos depois para cobrar a dívida. Assustado, o patriarca da família Dunn oferece a filha como moeda de troca. O que ninguém se dava conta é que Elizabeth é uma adolescente com força descomunal e levá-la não será fácil.

Veja a galeria com o preview: 

The Comics Journal volta a ser publicada como revista impressa

A Comics Journal, uma das principais publicações sobre quadrinhos do mundo, volta a ser publicada de forma impressa. Continuando do número #303, a revista custará 15 dólares e terá duas edições por ano. O lançamento é da Fantagraphics.

O número de retorno chega em janeiro de 2019 com capa de Tomi Ungerer, autor de livros infantis e cartunista satírico. A edição traz ainda uma matéria sobre gentrificação nos quadrinhos, uma introdução aos trabalhos dos cartuns gays de Alex Gard e rascunhos do francês Antoine Cossé. Os novos editores serão RJ Casey e Kristy Valenti.

A Comics Journal foi fundada em 1976 e teve sua última edição em formato revista publicada em novembro de 2009 na edição #300. A edição #301 em 2011 marcou a mudança para o formato livro, que tinha mais de 600 páginas. A edição #302 veio em 2013 e desde então a revista funcionou apenas com o site (que é bem atualizado e traz ótimos conteúdos, aliás).

A volta da Comics Journal impressa é bastante oportuna em tempos de excesso de informação online e competição pela atenção nas telas. O tempo do papel é diferente e isso pode significar um ganho de qualidade nas reflexões sobre o meio. E os quadrinhos merecem uma publicação de prestígio ocupando espaço nas bancas e livrarias.

Um mundo sem homens no trabalho de Aminder Dhaliwal

A quadrinista canadense tornou-se um fenômeno no Instagram e Tumblr com suas tiras e quadrinhos cheios de ironia e humor sobre gênero, feminismo e sexualidade. Feliz com essa notícia de que ela será publicada em livro pela Drawn & Quartely.

Woman World mostra um mundo sem nenhum homem. A premissa já foi vista na série Y – O Último Homem, de Brian K. Vaughan e Pia Guerra, mas ao contrário da série da Image, aqui o foco são as mulheres. E claro, a proposta aqui é outra, mais experimental, engraçada (e até filosófica, eu diria).

Segundo a editora o livro vai trazer as HQs mais populares de Aminder, além de muito material inédito. A webcomic dela segue no ar para quem quiser acompanhar.

O livro sai em setembro nos EUA.

Revival, nova editora de HQs francesa, se dedica aos clássicos

Mais HQs históricas chegando ao mercado. A nova editora francesa Revival, capitaneada por (o mesmo da nova Cahiers du BD), vai lançar obras clássicas que estavam fora de catálogo ou esquecidas. A coleção “Bédétèque Idéal” é uma iniciativa importante para uma cartografia ainda incipiente das histórias em quadrinhos. Sonho alguém fazer isso aqui no Brasil um dia.

Entre as obras estão , de Alain Saint-Ogan, lançada em 1936 e La Variante du Dragon, de Golo & Frank. As HQs dessa coleção englobam títulos lançados entre o final do século 19, nos primórdios dos quadrinhos, e os anos 1980. A editora também vai lançar novos autores, como é o caso de Berliac, autor de Sadboi.

A ActuaBD divulgou um vídeo da nova editora.

O NY Times fez uma edição especial de sua edição de domingo toda em quadrinhos

O NY Times fez a edição de sua revista dominical, o , toda em quadrinhos. O tradicional jornal norte-americano chamou um time de peso para criar histórias a partir de pautas da editoria de “Cidades” (ou Metro Desk, como eles chamam). São 12 histórias ilustradas por , , , , Bill Bragg, , , Bianca Bagnarelli, , , e Tom Gauld.

O resultado é um delicado compêndio de histórias bem cotidianas que retratam aspectos bem diversos das reportagens do caderno de cidades. O NYTimes publicou as HQs na íntegra em um site interativo. Algumas são bem boas como a de David Mazzucchelli sobre um esquema de falsificação de dinheiro e a de Tom Gauld sobre um homem que perdeu a vista que tinha de sua janela. Aqui tem todas as 12 HQs.

O é um dos jornais que mais dão espaço aos quadrinhos autorais com quadrinistas e cartunistas sempre presentes em pautas, especiais e projetos multimídia.

My Favorite Things Is Monsters é o fenômeno das HQs autorais este ano

Atualizado 21/07/2018: a HQ ganhou o Eisner de melhor álbum e vai sair no Brasil em outubro com o nome “Minha Coisa Favorita é Monstro”!

Ninguém tinha ouvido falar de até a editora norte-americana Fantagraphics lançar a HQ em fevereiro deste ano. Desde então a obra tem se tornando um dos fenômenos editoriais dos quadrinhos de 2017. Com a terceira tiragem anunciada nesta semana a HQ chegou aos 70 mil exemplares, o que é algo impressionante para um gibi autoral.

Chama ainda mais atenção o fato de Ferris ser totalmente desconhecida no cenário dos quadrinhos e de seu livro tratar de um tema não muito palatável: a monstruosidade em suas mais diferentes facetas.

A história se passa em Chicago nos anos 1960 e tem com protagonista uma menina de 10 anos, Karen Reyes, que se apresenta como uma menina-lobo. My Favorite Thing Is Monsters é na verdade o diário de Karen com seus pensamentos, medos, desejos, opiniões. Apaixonada por filmes de terror ela traduz suas emoções em diferentes escalas de monstruosidades. Há ainda referências a momentos históricos como o assassinato de Martin Luther King Jr. e o Holocausto. Uma das tramas principais do livro, inclusive, tem a ver com horrores da 2ª Guerra Mundial.

A HQ foi bastante elogiada em resenhas e também por nomes como Art Spielgeman, que afirmou que Ferris é “uma das mais brilhantes autoras de quadrinhos de nosso tempo”. O autor de Maus afirmou que ela usou o estilo do sketchbook como uma forma de alterar a linguagem dos quadrinhos.

A história de Ferris é tão interessante quanto o livro. Aos 40 anos ela era uma ilustradora freelancer quando contraiu a Doença do Nilo Ocidental, um vírus transmitido por um mosquito. Ela ficou paralisada e teve que aprender a desenhar novamente, apesar da dor crônica e dos movimentos prejudicados. Em um perfil para o New York Times, Ferris disse que lidar com monstros acabou tornando-se uma metáfora para sua vida, mas que a força de vontade a fez superar a doença.

O primeiro volume de My Favorite Things Is Monsters, com quase 400 páginas, é um best-seller. O segundo volume, já em pré-venda, sai em fevereiro de 2018 e terá mais 300 páginas. Espero que as editoras brasileiras não demorem a lançar essa obra, desde já um marco dos quadrinhos alternativos.

Diretas Já, por Henfil (ainda atual)

, por , ainda atual hoje em dia. A sacada foi de Paulo Ramos, no Blog dos Quadrinhos (uma das melhores fontes sobre HQs no país, hoje atualizado pelo Facebook).

Este é o cartaz do Festival Internacional de Quadrinhos de Beja

O é um dos mais importantes eventos do gênero na Europa e vem crescendo para se tornar um dos mais interessantes do mundo quando o assunto é a HQ autoral. O evento acontece agora em maio na cidade portuguesa de Beja. Mais detalhes no Fb deles.

PEC 241 e outros males do governo Temer, por Laerte

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Desde o golpe que afastou a presidenta Dilma Rousseff, a cartunista vem denunciando todos os retrocessos que estão sendo levados a debate e votação. A PEC 241, que coloca teto nos gastos e limita investimentos em educação e saúde por 20 anos, foi uma das mais atrozes. A charge acima é bem representativa desse período e foi publicada pela autora no Twitter.

A volta do Viñetas Sueltas, o festival de quadrinhos da Argentina

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O festival de quadrinhos , um dos mais importantes da Argentina, está de volta. E para um país com uma produção tão rica de HQs a notícia é bem importante. A relevância do evento é enorme, pois ele foca na produção autoral e independente, o que projetos como Comic Cons e outros, não colocam como prioridade.

A última edição rolou em 2012. Agora a quinta edição será realizada nos dias 14 a 16 de outubro em Buenos Aires (no Palais de Glace, veja aqui o link do evento). Entre os convidados desta edição estão Ivan Brunetti (EUA), Pascal Rabaté (França), Jim Mahfood (EUA), (EUA), o editor italiano Antonio Scuzzarela e uma comitiva de quadrinistas e profissionais ligados ao quadrinho chinês, como como Zhao Zhicheng –Golo-, Wang He, Xu Ziran, Dong Peipei e Zhang Jing.

E os nomes nacionais argentinos também estarão presentes, como Esteban Podetti, Dante Ginevra, Erica Villar, Federico Reggiani, Fernando Baldó, Muriel Frega, Juani Navarro e Paula Andrade.

A arte incrível do cartaz é de Mario Scalerandi.

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