Logo depois de decidir fazer minha pesquisa acadêmica sobre , de , a Raquel Cozer entrevista o autor e comenta sobre a principal e mais conhecida obra do autor.

Folha – Há uma curiosidade sobre o título “Maus” em português, porque ele tem a conotação de “malvados”, embora não sejam os “mouses” [os ratos da história, que são os judeus] os vilões, por assim dizer.

Spiegelman – Ah, isso é interessante… Na verdade, é só a palavra em alemão para “ratos”. Não me importo com que conotação a palavra possa ganhar, só gosto da ideia de que, apesar de o livro existir em cerca de 30 línguas hoje em dia, em todos ele se chama “Maus” [risos]. Ele faz sentido para mim se confundir.

Folha – O sr. acha que as pessoas que só leram “Maus” entre as suas HQs têm uma ideia limitada sobre o seu trabalho?

Spiegelman – De certa maneira, o trabalho dentro de “Maus”, mesmo quando coloco de lado a história que estou contando e vejo como as páginas são construídas, é uma continuação dos pensamentos de “Breakdowns”. Em “Breakdowns” eles não foram criados para ser invisíveis como são em “Maus”, mas o processo no geral é o mesmo, continuo pensando na página completa, em como funcionam os quadros na página. As coisas seriam mais fáceis se os colocasse um depois do outro e sentasse ao seu lado para explicar, mas está tudo relacionado com a linguagem abstrata das HQs. Se alguém diz: “Gostei muito de ‘Maus’, mas não fui atrás de conhecer o resto”, então provavelmente essa pessoa não tem interesse em HQs como forma de arte.

No Youtube, consegui achar um debate da BBC, chamado “Batalha dos Livros”, onde Maus é dissecado. Muito bom. Tô empolgado com essa minha pesquisa.