E o 4G no Brasil?

Texto que fiz sobre a chegada da tecnologia ao país. Saiu no MundoBit do Portal NE10.

Falta estrutura para o 4G no Brasil
Demanda da Copa do Mundo acelerou processo de instalação do 4G no país. Especialistas dizem que Governo não segue critério de qualidade

Um dos recursos mais comentados do novo iPad lançado pela Apple neste mês é seu acesso às redes 4G de alta velocidade. Os usuários poderão desfrutar de conexões 10 vezes mais rápidas que as atuais. Ainda sem data prevista para chegar por aqui, os brasileiros que comprarem o novo tablet não poderão usar essa novidade incrível. O motivo é que o 4G é praticamente inexistente por aqui. Mas, o País está correndo atrás.

O leilão da faixa de 2,5 gigahertz, destinada à tecnologia 4G está marcada para abril. Os vencedores deverão cumprir um cronograma de instalação e atendimento. O governo quer que todas as capitais com mais de 500 mil habitantes possuam serviços de telefonia e internet móvel 4G até maio de 2013, a tempo para suprir demandas da Copa do Mundo de 2014.

A meta foi estabelecida em uma audiência pública pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, na última quarta (14). Também foi mantida a exigência de tecnologia nacional nas faixas 2,5 GHz e 450 Mhz, esta voltada para as zonas rurais. Os investimentos de implantação das novas redes terão de usar 50% de produtos de fabricação nacional e destinar 10% para desenvolvimento e pesquisa. Segundo o ministro, as medidas são necessárias para incentivar a produção brasileira.

Apesar da demanda da Copa do Mundo ter motivado o Governo a implementar a tecnologia no Brasil, as previsões são pessimistas, segundo especialistas. “Não estamos atrasados em relação ao resto do mundo, mas falta infra-estrutura”, diz o professor e pesquisador do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Carlos Ferraz. “Acredito que apenas as cidades-sede da Copa tenham acessos 4G até 2014, mas ainda assim deficitário. Falta um planejamento maior e, mais importante, um requisito de qualidade por parte do Estado”, opina.

Sem a Copa do Mundo, o 4G demoraria ainda mais para chegar ao Brasil, mas Ferraz diz que não há integração entre as agências reguladoras e as empresas sobre o que é melhor para o Brasil. “A infra-estrutura de telecomunicações é toda privatizada, mas a Anatel poderia cobrar mais e fiscalizar no sentido de trazer mais qualidade e cobertura”. O pesquisador também explica que o preço também será determinante para popularização da tecnologia e que, à época da Copa, o público prioritário do 4G serão estrangeiros e alguns brasileiros com dispositivos adaptados.

A preocupação faz sentido. Quando foi lançado o edital do 3G, a meta do Governo era de que todo o território nacional tivesse acesso à tecnologia até 2019. Com o 4G, muitos usuários terão de adquirir novos telefones e tablets – como o novo iPad – para poder usar o 4G.

MAS O QUE DANADO É 4G? – O 4G é o nome dado à quarta geração de tecnologia de acesso à internet móvel. O padrão escolhido para o Brasil foi o LTE, depois de concorrer com outras tecnologias de banda larga como o Wimax. As operadoras de telecomunicações e o uso em países como EUA influenciaram na decisão.

LTE é sigla para Long Term Evolution, ou Evolução de Longo Prazo, na sigla em inglês. “É um padrão de redes de comunicação móveis que se encontra em fase de adaptação por parte dos operadores que utilizam tecnologias GSM como 3G/W-CDMA e HSPA e também pelos operadores de CDMA”, segundo definição da Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil. “Esta nova tecnologia de rádio permite velocidades de 100(109)Mb/s de download e 50Mb/s de upload(taxas máximas)”, completa o documento.

“A maior vantagem do LTE é sua capacidade de gerenciar vários terminais em uma mesma célula”, diz o professor do curso de Ciência da Computação, Sílvio Bandeira. Atualmente com o 3G, quanto mais dispositivos acessam a internet em uma determinada área, mais lenta fica a conexão.

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