JUSTIÇA ATÉ CERTO PONTO
Filme de Rodrigo Plá é thriller social sobre desconfortos de uma sociedade segregada
Por Raphaella Spencer

Alejandro (Daniel Tovar) vive em La Zona, um condomínio fechado na Cidade do México. A beleza planejada desse condomínio é contrastada com as casas atascadas empilhadas nos morros ao seu redor. Um dia a queda de um outdoor sobre o muro de La Zona vai gerar um enfrentamento entre essas duas realidades.

Miguel (Alan Chávez) junto com dois amigos resolvem entrar pelo acesso aberto pelo outdoor e assaltar uma das casas do condomínio. A tentativa é frustrada pelo forte esquema de vigilância do lugar e resulta na morte de seus dois companheiros e de um vigia noturno. Mas os “incidentes” são mascarados pelos moradores do lugar que preferem fazer justiça com as próprias mãos e começam uma busca por Miguel, que ainda está preso dentro do condomínio.

Essa é a situação-dispositivo de Zona de Crime, que dará a Rodrigo Plá, na direção de seu primeiro longa, escrito por ele e sua esposa Laura Santullo, condições de trazer a tona todos os problemas que surgem do conflito social latente em todas as grandes cidades e desencadeia vários outros temas sempre relacionados a essa desigualdade.

Daniel Gimenez Cácho, (também atuou em Fale com Ela) Maribel Verdú (pode ser vista em E Tua Mãe Também) e Daniel Tovar, que interpreta o jovem Alejandro, formam o núcleo familiar que vai concentrar todas as ações. De um lado o pai, que em busca de oferecer proteção a sua família acaba procurando a justiça feita com as próprias mãos, do outro uma mãe mais humana, mas acomodada na situação em que vive, que vai alardear um pouco sua indignação, mas só se envolve com o problema dos outros até esse ponto. No meio disso Alejandro, filho do casal, que vai ter contato direto com Miguel, ambos vão se descobrir mais semelhantes em suas ansiedades e juventude, que a aparência ou suas origens determinariam.

Descrito assim, Zona do Crime, parece ter todos os ingredientes dos grandes filmes atuais que discutem a situação social na qual estamos inseridos, mas a sensação que fica é que todos os temas foram tratados muito superficialmente, talvez pelo tratamento muito hollywodiano do roteiro, que se preocupa com solucionar todos os enredos e acaba criando começo meio e fim para situações que por si só já valeriam a pena se durassem um pouco mais. Apesar da intenção de instigar no espectador incômodo e desconforto, já que somos parte de uma sociedade segregada que convive todos os dias com parte as situações expostas no filme, isso não procede, saímos do filme com a impressão de ter visto mais um thriller social, sobre assuntos que já tiveram abordagens que nos tocaram mais.

Zona do Crime foi premiado no Festival de Cannes 2007, o filme levou o prêmio Leão do Futuro, dado a diretores estreantes. Rodrigo Plá, tem uma carreira recente, mas já traz na bagagem um Oscar de melhor curta estrangeiro por Ojo en La Nuca, estrelado por Gael Garcia Bernal. Sua parceria constante com sua esposa, Laura Santullo deu origem ao seu mais novo filme, Desierto Adentro. A história de um homem que acredita ter cometido um grande pecado e teme o castigo de deus e a morte de seus filhos e procura esconderijo numa igreja que começa a cnstruir no meio do deserto. O filme encerra a mostra competiva do festival de Cannes, que segue em andamento na Riviera Francesa.

ZONA DE CRIME
Rodrigo Plá
[La Zona, México, 2007]

NOTA: 7,0

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