SIGNOS EM ROTAÇÃO
David Fincher volta à cena cinematográfica mais maduro e azeitado no relato de Zodíaco, famoso serial killer americano
por Fernando de Albuquerque

Desde sempre assassinos em série serviram de pano de fundo para ótimas tramas cinematográficas. Afinal, seus crimes são o que há de melhor para se contar uma história com tensão, narrativa cifrada e mais uma série de requisitos persuasivos. Zodíaco, filme de David Fincher, tem tudo isso e, sem sombra de dúvida, vale a pena esperar para que ele chegue as locadoras, já que está deixando as salas de cinema.

Fincher volta então à temática que o acometeu há dez anos atrás em S7ven – Os Sete Pecados Capitais. Mas dessa vez ele está praticamente irreconhecível, sobrando apenas a semelhança de haver um criminoso maníaco e genioso por trás do protagonista. Em trabalhos anteriores, como Clube da Luta(1999) e O Quarto do Pânico(2002), ele abusa de uma linguagem com mais estilo e bem própria que explora técnicas mais ousadas que seduzem o espectador. Já em Zodíaco a preferência é pelas sutilezas de uma história que não tem fim, já que o crime, ainda hoje, está sem resolução.

A projeção narra uma série de atrocidades que tiveram início na cidade de Vallejo, na baía de São Francisco, EUA. Lá um assassino, conhecido pelo nome de Zodíaco, enviava aos jornais cartas cheias de escárnio e escritas com vários códigos trazendo ameaças e detalhes sobre as vítimas. Os crimes seguiram até meados da década de 1970 e ele garante ter feito 37 vítimas, apesar do número jamais ter sido confirmado. O tom da narrativa beira o documental com passagens assustadoras, que apenas Fincher consegue criar. As cenas em que ele retrata alguns dos assassinatos são sombrias, diretas e cruas. Clima que o diretor impõem baseando-se na sua própria experiência. Na época dos assassinatos, Fincher, então com sete anos, viu seu ônibus escolar ser escoltado por carros da polícia de sua casa à escola.

Muito mais do que mais um suspense policial, Zodíaco é um filme que versa sobre obsessões. Jake Gyllenhaal interpreta Robert Graysmith, um cartunista do jornal San Francisco Chronicle que, fascinado por quebra-cabeças, começa a investigar o mistério do assassino do Zodíaco por conta própria. Suas pesquisas fazem com que seu caminho cruze com o dos policiais destacados para o caso, Dave Toschi (Mark Ruffalo) e Bill Armstrong (Anthony Edwards), e com o do repórter policial Paul Avery (Robert Downey Jr.) – cada um também determinado a descobrir a identidade do matador. A obsessão de Graysmith culminou com dois livros Zodiac e Zodiac Unmasked: The Identity of Americas Most Elusive Serial Killer Revealed. Ambos inspiraram o filme.

Zodíaco acaba agradando mais aos espectadores que preferem enigmas, como o cartunista que protagoniza o filme. Fincher consegue criar um clima tenso de expectativa durante as investigações de forma a envolver o espectador, que se vê mais preso às histórias dos protagonistas do que à do próprio assassino. Além de levantar questões bastante pertinentes sobre o resultado do impacto da imprensa, mais ou menos como fez Todos os Homens do Presidente em 1976.

ZODÍACO
David Fincher
[2007, EUA]

NOTA: 8,0

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