THE EMANCIPATION OD ZEZÉ
Após dois anos sem um único álbum de inéditas, a dupla mais pop do sertanejo brasileiro lança disco com tom de desabafo e marca volta de Zezé após cirurgia nas cordas vocais
Por Talles Colatino

ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO
Zezé di Camargo & Luciano
[Som Livre , 2008]

Todo mundo tem seu dia de diva e com Zezé di Camargo não foi diferente. Antes, ele tinha tudo o que era necessário para conquistar o posto de grande estrela: uma mega-estrutura ao favor do seu trabalho, um irmão que serve mais como bibelô de luxo para dar entrevistas quando ele está cansado, um filme sobre sua vida e senhoras histéricas suficientes pra movimentar uma festa na Avenida Paulista capazes de dar um braço – e não só um braço – pra “chegar junto”. Para Zezé só faltava uma única coisa ao longo dos mais de 15 anos de sucesso da dupla que forma com Luciano: uma grande reviravolta. Mas nada que o tempo não soube dar.

Nos últimos meses, Zezé di Camargo enfrentou o medo de interromper a carreira devido ao intenso tratamento contra um cisto congênito nas cordas vocais, o que poderia atrapalhar o desempenho vocal do sertanejo conhecido por seus agudos e vibratos indefectíveis. “Ele não aceitou playback e não acabou com os compromissos só pra cuidar da voz. Ficou um ano trabalhando até poder parar e fazer a cirurgia. Financeiramente ele não precisaria fazer isso, mas muitas pessoas que estão por trás de Zezé di Camargo e Luciano, que vivem desse trabalho, tem essa consciência”, lembrou Luciano, na entrevista coletiva do lançamento do novo trabalho da dupla, que chegou às lojas recentemente.

O processo de gravação do disco ficou bem abalado por causa do tratamento. Zezé confessou que teve medo. “Quando tentei cantar as músicas, a voz não vinha. Aí veio uma incerteza muito grande…”, explicou. Mas Zezé viu sua estrela brilhar e, com ela, vinha a grande reviravolta que faltava: uma sempre bem vinda superação. Pessoal, ao menos. O primeiro disco dessa nova fase de Zezé leva (mais uma vez) o mesmo nome da dupla, anunciando novos tempos e retrocedendo caminhos. Inconstante, contraditório e esquizofrênico, como uma boa diva seria e faria.

O disco tem início com a seguinte introdução falada por Zezé: “Os últimos anos foram os mais difíceis da minha vida. Eu estava perdendo um pouco de mim, tava perdendo a minha alegria, eu estava perdendo a minha voz. Mas Deus me deu a sabedoria pra entender que mais tenho bem pra dar, do que o mal pra tirar. Ele me fez entender e aprender que o peixe nasceu pra nadar, que o homem nasceu pra amar e que o passarinho… nasceu pra cantar”. E isso é apenas os 40 primeiros segundos do CD.

O que vem depois disso, bem, não é nada diferente que eu ou você já ouvimos de Zezé di Camargo e Luciano. Nada mesmo. Está tudo lá: vibratos intermináveis, cafonice e rimas memoráveis em frases como: “Diz nada não/ Apenas vai pegando as minhas coisas/ E amontoando aí no chão” ou “De solidão / Eu já fiz faculdade/ E hoje sei o que é perder uma grande paixão”. Se algo chama realmente a atenção para um novo nesse disco é um estranho retorno a um caipira que já desencarnou do corpo de Zezé e Luciano faz tempo… é o caso “Nóis Namora”. Ou de uma investida num forró que cairia como luva no repertório da Calcinha Preta ou da Aviões do Forró. Essa atende pela a doce alcunha de “Pelos Botecos do Brasil”. De resto, só baladas sobre encontros, despedidas, dores-de-corno e arrependimentos. Essas tantas coisas que a gente, pessoas comuns, não consegue superar. Só Zezé, que é uma diva.

NOTA: 4

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