Zeca Baleiro (Foto: Marcos Hermes/ Divulgação

EXPLODE CORAÇÃO!
Zeca Baleiro lança seu primeiro disco de inéditas desde 2005 com um único compromisso – o descompromisso.
Por Gabriel Gurman

Três anos após seu último lançamento de inéditas, Baladas do Asfalto e Outros Blues, o cantor e compositor maranhense se reinventa mais uma vez com o novo O Coração do Homem-Bomba – Volume 1. Se em seu disco anterior Baleiro flertava com o rock, agora incorpora elementos do forró, baião e ska, antes apresentados na série de shows Baile do Baleiro, cujo único objetivo era fazer as pessoas dançarem e divertirem. Um verdadeiro “Bailão”. E que mal há nisso?

É normal se observar a palavra “descompromisso” ao lado de adjetivos que sugiram falta de qualidade. Mas Zeca prova ao contrário. Enquanto outros compositores cabeças (ou seria “cabeçudos”?) tentam elaborar canções cada vez mais elaboradas e fantasiosas dentro de seu próprio conceito, o simples – mas devidamente acompanhado de talento – ainda soa melhor. É o velho problema de levar as coisas simples da vida muito mais a sério do que se deveria. Afinal, quem não gosta de relaxar e se divertir? “Se você quer fazer uma tese, faça uma tese. Canção não é espaço para isso”, pontua Baleiro em um comentário que também pode ser visto como uma auto-crítica a alguns trabalhos anteriores.

Como o título do disco sugere, o projeto O Coração do Homem-Bomba foi dividido em partes. Segundo Baleiro, essa opção se deu para que os ouvintes pudessem digerir cada uma das obras com mais calma, até porque, segundo o próprio, o volume 2 (a ser lançado ainda este ano) será bem diferente e mais introspectivo.

Boa notícia é ver que acompanhado deste ritmo dançante, o característico bom-humor lírico de Zeca Baleiro também reaparece em quase todas as dez músicas do disco – que contém ainda mais três vinhetas. “Se não tem água Perrier eu não vou me aperrear / se não tiver o que comer não precisa caviar / se faltar molho rosé no dendê vou me acabar / se não tem Moet Chandon cachaça vai apanhar”, canta o maranhense na ótima “Vai de Madureira”.

Vale também destacar outra pepita: “Toca Raul”, que já vinha sendo apresentada ao vivo, é uma resposta bem-humorada para aqueles engraçadinhos que, seja num show do Calypso ou do Sepultura, mandam um “Toca Rauuuuuuuuuuuuuuuuuuuul”: “Mal eu subo no palco um mala já grita de lá / – toca Raul! / A vontade que me dá é de mandar o cara tomar naquele lugar / mas aí eu paro e reflito / como é poderoso esse Raulzilto”, diz a letra da canção.

Parceiro constante de Zeca Baleiro e companheiro de geração e talento, Chico César (que lançou recentemente seu último disco Francisco, Forró y Frevo), aparece nos créditos das composições da imaginosa “Geraldo Vandré” e dá fantástica vinheta-coral “Aquela Prainha”: “Sabe aquela prainha lá do Ceará / Onde íamos todo sábado à tarde / no fim da tarde ouvir Black Sabbath / Pois é degrilgolou / Tá cheio de gringo lá”.

Popular, mas não popularesco, este nono disco conta ainda com três regravações cujo maior destaque é “Alma não tem cor”, do Karnak, música que Zeca Baleiro afirmou já estar tão consolidada no repertório de seus shows que seu público achava que a composição de André Abujamra era na verdade sua. Vale também destacar a ótima reinterpretação do clássico samba “Bola Dividida”, clássico do sambista Luiz Ayrão.

Se você gosta de ouvir músicas que o façam simplesmente se divertir, dançar e cantar (e isto não é fácil), este O Coração do Homem-Bomba – Vol. 1 é uma excelente pedida.

NOTA: 9,0

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Clipe de “Toca Raul” dirigido por Marcos Hermes

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