HQ mostra lado cruel das guerras implementadas pelos EUA, só que desta vez em seu próprio território

ZDM – TERRA DE NINGUÉM VOL. 1
Brian Wood (texto) e Riccardo Burchielli (arte)
[Panini Books, 132 págs, R$

Os limites que o selo Vertigo, da DC Comics, dedicado a leitores adultos, alcança, garante à DC uma das melhores bibliotecas do mercado mainstream de quadrinhos. ZDM é uma das séries de maior sucesso da editora americana e mostra uma caótica zona de guerra no meio de uma guerra civil americana. Seu autor, Brian Wood, é uma estrela dentro das comics, sendo atualmente o único a ter a regalia de ter duas séries publicadas ao mesmo tempo – a outra Vikings, está saindo na revista mensal Vertigo, também da Panini. O desenhista Burchielli representa uma nova onda de artistas italianos que invadiram o mercado de HQ’s dos EUA. A Panini Books coloca nas livrarias o primeiro volume da obra, em edição encadernada, inaugurando sua fase à frente dos títulos Vertigo, antes com a editora Pixel.

ZDM conta a história de Matthew Roth, um estagiário de foto-jornalismo que acaba escalado para cobrir uma reportagem nos chamados Estados Livres, uma zona em Nova York dominada por milícias altamente armadas. Claro, tudo dá errado e ele decide conhecer melhor este outro mundo, enviando matérias para a rede de TV Liberty News. Nesta parte esquecida da nação americana, Matty vai encontrar todo tipo de personagens, além de presenciar o modo como aquelas pessoas são tratadas pelas forças oficiais. Neste mundo, você estará a salvo se tiver uma credencial e um colete de imprensa.

O intuito de Wood é claramente falar de política, criticar o poderio norte-americano e sua ânsia por guerras. Também carregou nas ironias, ao mostrar o cotidiano de refugiados e terroristas armados vivendo dentro dos EUA. Como se dissesse que tal realidade é presenciada pelos soldados americanos diariamente em suas ocupações no Oriente Médio. É de se levar em conta também, que a HQ foi escrita durante o final dos anos Bush, em 2006. Mas, os paralelos ficam apenas no argumento político. A inventividade de Wood é destaque aqui, como um grupo de ambientalistas que defendem o zoológico de NY e contrabandeiam bambu através de uma extensa plantação criada nos subterrâneos. Ou o casal que atuam em lados opostos e se olham através das miras em suas armas, trocando bilhetes de amor.

Wood só não caprichou muito na construção dos personagens, que segue o clichê do anti-herói que, pego de surpresa numa situação-limite passa a sofrer transformações morais até se tornar outra pessoa. Alguns diálogos de Matty também chegam a ser pobres, utilizados como tentativa de reforçar sua personalidade. A garota durona e benevolente que salva o mocinho em momentos de crise também dá às caras aqui. É Zee, uma enfermeira punk que atende crianças e velhos mutilados pela guerra. Mas, dada a agilidade na narrativa e o roteiro coeso, essas deficiências são logo superadas.

ZDM ganhou nova tradução no Brasil, depois de ter tido algumas histórias publicadas no Brasil na extinta revista Pixel Magazine, com seu nome em inglês DMZ. Esta edição da Panini mostra a importância que a editora dedica à obra, já que outras séries famosas, como Y – O Último Homem, serão publicadas em bancas, no formato encadernado. Com capa dura e boa impressão, faltou nesta edição alguns extras para compensar o salgado preço de R$ 36,90 por cinco histórias. [Paulo Floro]

NOTA: 7,5

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