Yeah Yeah Yeahs (Foto: Divulgação)

MUDANDO A ROTA
Sintetizadores dão o tom dos novos caminhos tomados pelo Yeah Yeah Yeahs com seu novo, e terceiro disco
Por Gabriel Gurman, de São Paulo

YEAH YEAH YEAHS
It’s Blitz!
[Interscope, 2009]

“Zero”, a música que abre It´s Blitz, terceiro disco da carreira do Yeah Yeah Yeahs, pode ser considerada a perfeita metonímia da mudança de rumo tomada pela banda. Não por acaso escolhida com primeiro single deste trabalho, a música é recheada de sintetizadores, que, se de início causam estranhamento, após o susto faz se tornar nítida a evolução deste trio liderado pela cativante Karen O.

Em 2001, perído pré-explosão da era de downloads desenfreados, My Space e Facebooks (era o começo das bandas-geração-internet), quando o Yeah Yeah Yeahs e a cena nova-iorquina surgiram como “a salvação do rock”, o trio ganhou a atenção da mídia com seus riffs de guitarra suja e a postura ícone-fashion de sua cantora e líder. Analisando a carreira das bandas que explodiram no mesmo momento ao YYYs, é interessante observar como o trio foi um dos mais hábeis a se “aproveitar” das oportunidades da cena, se renovando a cada música, mas sem perder sua essência. E o uso de sintetizadores é uma destas oportunidades.

Se em bandas como The Killers seu uso se tornou um abuso descarado e praticamente uma homenagem-pastiche aos anos 1980, outros grupos, onde o Franz Ferdinand é o principal exemplo, vem utilizando-o de maneira interessante, se remetendo a “década perdida”, mas, paradoxalmente, se tornando cada vez mais contemporâneos com a cena musical de hoje em dia.

Se no primeiro disco o Yeah Yeah Yeahs mostrava um art-punk-sexual, o segundo álbum, Show Me Your Bones, lançado em 2006 já indicava um “reposicionamento” na carreira da banda. Era o clássico modelo onde a palavra “maduro”, para se caracterizar um álbum, não poderia ser encarada pejorativamente. E It´s Blitz é a evolução natural. Se o single “Zero” se destaca como “música para pistas”, não faltam momentos em que a banda abusa de suas possiblidades, como nas grandiosas “Runaway” e “Little Shadow”, canções a la Brian Eno, onde a voz de Karen se mistura com uma orquestra de cordas.

Mas o que realmente se destaca em It´s Blitz são as canções synthpops, que com certeza simplificarão a vida dos DJs. Ou seja, não será mais necessária a procura de um remix para mandar o som dos nova-iorquinos nas baladas mundo afora. Ao lado do já citado single “Zero”, se destacam a contagiante “Heads Will Roll”, onde Karen grita “Off, off, off with your head!/ Dance, dance, dance till you’re dead!” e as ótimas “Shame And Fotune” e “Dragon Queen”.

Produzido por Nick Launay (Arcade Fire, Talking Heads) e Dave Sitek, do também nova-iorquino TV On The Radio, It´s Blitz alterna momentos de puro synthpop com canções densas e introspectivas, mas de maneira totalmente coerente com o rumo que vem traçando ao longo de sua carreira que já dura quase uma década.

Não perdendo sua essência musical, o contínuo “reposcionamento” estético musical do grupo é um sopro de criatividade no cenário musical atual, onde as paradas são tomadas por bandas que se copiam interminavelmente, ou pior, chupam descaradamente todos os elementos que já fizeram sucesso e o compilam como se fosse seu. Mérito para o guitarrista Nick Zinner, o baterista Brian Chase e, logicamente, Karen O, que já nos deixam ansiosos sobre o que esperar dos próximos trabalhos, sensação rara no mercado fonográfico atual.

NOTA: 8,0

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