SEXO E PODER NO PÓS-APOCALIPSE
Pixel lança de maneira ordenada e popular, Y – O Último Homem, HQ onde todo ser do sexo masculino foi dizimado da Terra
Por Paulo Floro

Y – O ÚLTIMO HOMEM
Brian K. Vaughan
[Pixel, 32 págs, R$ 10,90]

Em 2002, uma praga dizimou todos os mamíferos do sexo masculino do planeta, com exceção de uma artista de fugas e seu macaquinho. Foi com o fatalismo de Y – O Último Homem que Brian K. Vaughan se transformou num dos nomes mais quentes a surgir no mercado de quadrinhos. Como se o selo Vertigo já não estivessem lotados de mentes criativas (Garth Ennis, Grant Morrison, Bill Willingham) escrevendo séries de sucesso, ele conseguiu não só entrar neste time, como propor uma nova forma de pensar os quadrinhos adultos.

Vaughan trouxe para o selo Vertigo a idéia de que nem sempre é necessário criar uma grife, um universo, onde os personagens sempre existirão mesmo após a história ter sido contada. Y foi idealizada limitada a 60 edições (o que ocorreu este ano) e com um delimitado e sólido enredo. Nele, uma praga misteriosa mata repentinamente todos os espécimes mamíferos do sexo masculino. Desde o primeiro número somos jogados numa trama para se entender como aconteceu esse processo.

Neste mundo apocalíptico, restam apenas 1% dos proprietários de terra do mundo todo e restam 51% da mão de obra na agricultura. 85% dos representantes governamentais estão mortos, assim como 10% dos sacerdotes católicos, imãs muçulmanos e rabinos judeus ortodoxos. Este primeiro número já dá uma panorâmica do que irá resultar este futuro pensado por Vaughan.

Vício
Além de ter um rígido controle sobre sua obra, Brian K. Vaughan tinha uma proposta ousada para Y. Com a série ele conseguiu atrair leitores que não costumam acompanhar quadrinhos, muitas do sexo feminino, inclusive. Isto encheu os olhos da DC, uma das líderes da indústria dos quadrinhos norte-americana que a cada ano se vê ameaçada pela queda das vendas.

A receita foi simples, mas corajosa. Ao lado da desenhista vencedora do Eisner, Pia Guerra, o autor fez a série como um storyboard cinematográfico. Segundo, que isolou a história de qualquer universo de personagens DC, o que aumentou a fidelidade dos leitores (e também os poupou de entediantes referências para iniciados). Cada capítulo é repleto de pontas soltas, mistérios plantados para prender a atenção à leitura (alguns dirão “viciar”), os chamados cliffhangers.

No Brasil, a série nunca teve muito apelo por causa das caras edições da Opera Graphica, que chegava a cobrar mais de R$ 60 reais por uma compilação de seis histórias. A tradução também não era muito boa. Agora a Pixel consegue popularizar uma das séries mais importantes do selo Vertigo, publicando desde o início na Pixel Magazine. A revista vale cada centavo. No mix, além de Y, temos DMZ, de Brian Wood e Constantine, de Azzarello. Ainda dá para acreditar nas revistas mensais de quadrinhos.

NOTA: 8,5

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