DO INÍCIO
Novo filme de mutantes traz retrospectiva de Wolverine, mas só mesmo o carisma de Hugh Jackman segura trama fraca e desfile de clichês
Por Lidianne Andrade

X-MEN ORIGINS: WOLVERINE
Gavin Hood
[X-Men Origins: Wolwerine, EUA, 2009]

Desde o dia 01 de maio em cartaz, chega aos cinemas do mundo, o longa do maior astro mutante, Wolverine. Segundo os produtores da Fox, X-Men Origens: Wolverine é o primeiro de uma série de longas resgatando a história de personagens ligados aos X-Men.

O filme faz uma retrospectiva de cerca de 150 anos. Após matar o pai em um acidente, Logan (Hugh Jackman) parte com seu irmão Victor Creed (Liev Shreiber) por diversas guerras. Ambos possuem no DNA o poder regeneração, mutação que os possibilitou lutar quase todas as guerras americanas, narradas em excelente linha do tempo mostrada na introdução. Para os já iniciados nos quadrinhos da Marvel, o longa mostra o início da transformação do homem Victor na fera Dente de Sabre, inimigo mortal de Wolverine e já presente nos outros filmes da série.

Após convocados pelo governo, a dupla participa de uma operação secreta militar para roubar o DNA dos mutantes e com os genes construir-se a arma X: um mutante com todos os poderes juntos, excluído de fraquezas. Logan deixa o projeto antes de saber seu fim, mas Victor sente-se abandonado pelo irmão e segue em frente, jurando-o morte. Ambos embarcam em uma aventura mortal para seus semelhantes, traição e intrigas, com a biografia do já apresentado no X-Men 2: o general Willian Striker (Danny Huston).

Para os fãs, poucas novidades e talvez algumas revoltas. A história de Wolverine não é tão romantizada como a retratada, com direito a paixonite com a mutante Kayla (Lynn Collins), que tem ligação com a personagem das HQ’s Raposa Prateada, com quem Logan viveu durante certo tempo. A tão esperada aparição de Gambit, ausente dos outros filmes da série, é rápida e fatal, fazendo jus ao seu carisma nos quadrinhos e desenhos animados – só esqueceram do sotaque francês da Louisiana.

Tecnicamente, X-Men Origens impressiona em efeitos: muita luz, fogo, lutas eletrônicas e bonecos 3D. Efeitos especiais do começo ao fim. Difícil separar cenas sem fundo azul. Faltou apenas mais um trato, um bom acabamento, já que em alguns momentos fica nítido o fundo falso a olho nu. A sonoplastia estava à lá Hollywood: musica para dormir, acordar, contar história da lua, sofrer, pensar e sentir raiva. São raros os minutos sem fundo musical forçado, deixando a plateia um pouco atônita diante de tanta ação. O roteiro, variando do romance para a ação muito rapidamente, deixa um desconforto. Aliado à música, um cansaço nos olhos e ouvidos.

O australiano Hugh Jackman não deixa a desejar desde a primeira produção. Sem muita maquiagem, Jackman, apresentador do Oscar 2009 e recentemente nos cinemas com Nicole Kidman em Austrália, é a cara do que seria Wolverine se saísse dos HQs. Músculos bem definidos (malhou meses com ingestão de proteínas para ganhar o físico), brutalidade emanando dos poros e paixão no olhar, cativa fãs e não-fãs na excelente atuação. Vale ressaltar que foi graças ao seu desempenho na série que ganhou cada vez mais espaço (vide os três anteriores, quando aos poucos a história se volta em torno de Logan) e acabou com seu filme próprio e assinando a produção. Confiou tanto em seu trabalho que aceitou até diminuir seu cachê em troca de lucros como produtor.

O diretor Gavin Hood, cujo único grande feio foi a premiação do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por Tsotsi, resolveu priorizar o drama e a avalanche de sentimentos envolvidas na personalidade de Logan. Verdade que o carro chefe de X-Men são os dramas pessoais, mas não tão pessoais e restritos assim. A eterna luta pela igualdade entre homens e mutantes está fora neste longa, a bola da vez é a vingança de Wolverine. O filme gira em torno do drama pessoal da personagem, passando de ação a um mero romance piegas recheados de efeitos especiais. No quesito trama, o longa perdeu muitos pontos.

No conjunto da obra, X-Men Origens: Wolverine não vai decepcionar. Muitas garras, lutas e até uma palhinha do jovem Scott Summers, futuramente Ciclope. Para os fãs, espera-se mais de Gambit, pouco explorado nos anteriores e neste com participação ínfima diante de seus poderes e presença nos quadrinhos. Gera um bom divertimento. Só.

NOTA: 3,5

Filme chegou cedo na mão dos fãs

Mal chegou aos cinemas brasileiros e X-Men Origens: Wolverine já é líder de audiência. Isso porque, há pouco mais de um mês, uma cópia inacabada vazou, fazendo a festa da pirataria. Em qualquer banca de DVD pirata era possível ver o longa com a capa original de péssima qualidade, mas a que será capa do DVD daqui há uns seis meses ainda.

A cópia disponível para download registrou mais de 10 milhões de acessos até agora e não está finalizada. Muitos efeitos especiais ainda fora de cena. A luta final entre Victor, Logan e a Arma X está ainda com fundo azul, com um boneco 3D fazendo os movimentos. A ilha dos mutantes não foi coberta com imagens e as cordas que suspendem os atores em cenas de ação com pulo estão visíveis em muitos momentos. Em outras cenas, as garras de Wolverine somem. Engraçado de assistir.

Fãs se dividem entre ir ao cinema e assistir em casa. Para Paulo Souza, da comunidade X-Men Origens: Wolverine do Orkut, assistir pela cópia não causa prejuízos. “Dá pra focar na história e esquecer os efeitos especiais e não sair de casa e gastar horrores na entrada. Logan tem uma história de vida muito boa que deu para curtir baixando na net”, comenta. “Prefiro ver no cinema. Tela grande, divertido e ainda recompenso financeiramente quem trabalhou tanto na obra”, declara Roberta Ferreira, que diz ser fã de Wolverine há mais de 15 anos. “Tenho todos os quadrinhos em casa, alguns em edição de colecionador”, conta.

Para a Fox, a brincadeira não ficou cara. Segundo nota oficial, a cópia foi transmitida através de um estagiário na edição de imagem, devidamente punido com demissão. Alguns jornais maliciosos comentaram poder ter sido uma estratégia de marketing, mas longe da Fox tal fato. Afinal, X-Men tem bilheteria garantida dos fãs e teve sucesso logo na primeira semana nas três edições anteriores. Para não perder espaço para a pirataria, a distribuidora apenas adiantou o lançamento de julho para maio.

Ainda vale a pena ir ao cinema. Muitas cenas foram acrescentadas e os efeitos especiais finalizados.

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