Wolf Parade (Foto: Divulgação)

CULPE O CANADÁ POR TUDO
por Paulo Floro

WOLF PARADE
Apologies To The Queen Mary
[Sub Pop, 2005]

O Wolf Parade é a banda que você precisa ouvir antes do ano terminar. Talvez seja a banda que todos precisam ouvir em 2006. E sim, é do Canadá, a terra promissora de novas promessas para o rock e lar do Arcade Fire, a banda mais legal (e superestimada) do planeta. Por sinal, o Wolf Parade abria os shows do Arcade Fire na turnê de 2005. De Montreal, a banda liderada por Dan Boeckner chamou a atenção do grupo Modest Mouse (outra grande banda de indie-rock do Canadá) e mais especificamente de Isaac Brook, produtor e empresário do grupo que levou o WP para o selo Sub Pop, oásis indie de grupos como Beat Happening e The Shins. Depois de um EP independente lançaram o disco Apologies to the Queen Mary este ano.

Elogiados pela crítica, que logo os alçou a “mentores-de-não-sei-o-quê” do CanPop, o gélido rock do Canadá. O site Pitchfork deu nota 9.2 pra banda e a Spin escreveu que o Wolf Parade pode mudar sua vida. Mas isso não quer dizer nada. Continuassem desconhecidos e ainda seriam geniais. Consegue-se captar 30 anos de rock no Wolf Parade de Bowie a Morrissey. Mas são poucas as bandas do agora enorme gueto “indie-rock” que surgem e varrem qualquer tipo de estereótipo. Por isso é difícil, mas ainda assim espetacular, quase espiritual, mesmo, descrever o clima das músicas. Um dos vocalistas Spencer Krug canta com uma emoção sem freios.

Menos apuro vocal e mais emoção na música “I Am My Father´s Son”. Outras faixas trazem estilos e sons dos mais diversos do rock, até mesmo um theremin na depressiva “Same Ghosts Every Night” e guitarras e peso em “Dinner Bells”. A resposta para uma possível pergunta sobre a genialidade e a nota 10 lá em baixo é simples: por que o Wolf Parade consegue utilizar todas as fórmulas básicas do rock, aquilo tudo que você já ouviu, a mesma audição de acordes e instrumentos já fossilizados, de uma maneira especial e inusitada e conseguem trazer emoção de um simples indie-rock com um certo peso. É a revolução ao contrário. Espetacular e inovador se utilizando do básico. A dupla de vocalistas Dan Boeckner e Spencer Krug, com raízes musicais calcadas no punk, fabricam letras que revelam muito dos conceitos da banda, deles e do próprio rock feito hoje no Canadá (Arcade Fire, The Dears); amor gélido, fim da linha, arrebatamento, uma coisa meio mórbida, pais e mães.

Com o uso de sintetizadores, guitarras e efeitos minimalistas fica difícil descrever o som do grupo. Principalmente se levando em conta o quanto se faz inútil para uma resenha de disco tentar traduzir a sensação de se descobrir Apologies To The Queen Mary. Ah, e, além disso, a banda se despiu de marketings certeiros e/ou oportunistas, roupas, cabelo, clipes, já que quase toda banda hoje em dia mal aparece e já tem uma coleção inteira pra desfilar.

NOTA: 10

Sem mais artigos