MESTRE EM HQ’S
Wellington Srbek vai lançar adaptação em quadrinhos sobre Machado de Assis. Sua produção é uma das mais relevantes das HQ’s nacionais, apesar de não contar nem 10 obras
Por Lidianne Andrade

Chega em 2010 nas livrarias mais um clássico da literatura brasileira em adaptação para os quadrinhos. Depois de Jorge Amado, Aluísio de Azevedo e Lima Barreto, chegou a vez do mestre da metalinguagem Machado de Assis ter sua obra ilustrada, e a escolhida é nada menos que o clássico do derrotismo Memórias Póstumas de Brás Cubas, com texto de Wellington Srbek e desenhos de J.B. Melado.

A obra foi escolhida pelo próprio Wellington Srbek, autor conhecido no meio autoral e com uma paixão nada oculta pelo escritor. “Este foi um dos primeiros livros que me conquistou quando iniciava minha paixão pela literatura. Sempre pensava num livro que gostaria de adaptar para os quadrinhos, a obra-prima de Machado de Assis surgia no topo da lista”, conta Wellington. Será publicado pela Desiderata, empresa do grupo Ediouro.

O álbum ainda está em fase de finalização, mas já causa muitas expectativas. Começou o seu processo de produção em 2008 e está em fase final de desenho com J.B. Melado. Wellington conta que manteve-se o mais fiel possível a obra original, para preservar a assinatura de Machado. “Trechos foram excluídos para extrair redundâncias com o desenho e, além disso, há os limites e padrões editoriais que têm que ser considerados, o que fez com que algumas partes do livro fossem excluídas. Mas, sobretudo, a história do Brás Cubas foi preservada, o texto machadiano mantido e o elemento metalingüístico que caracteriza a obra recriado na linguagem dos quadrinhos. Teremos no final será álbum de quadrinhos de alta qualidade”, explica o roteirista.


Págna Interna da adaptação de machado de Assis, feita por J.B. Melado e escreta pelo Wellington Srbek

Em busca do trabalho autoral
Wellington Srbek está desde criança no mundo dos quadrinhos. Podemos dizer que sua carreira autoral começou aos 11 anos, quando criou sua primeira personagem. “Minha primeira HQ, X – A Batalha Final, foi feita por pura diversão, sem qualquer intenção autoral. Era uma HQ de ficção científica, com naves e alienígenas. Para mim, ela foi o começo de tudo!”, conta em entrevista a Revista O Grito!.

A história do pequeno talento já começa na escola. Com 12 anos já tinha um trabalho distribuído, sobre a história da escravidão no Brasil, reproduzida em mimeógrafo e vendida para alunos da escola. Daquele momento em diante, sentiu sua verdadeira vocação e partiu para mais leituras e mais trabalhos, lendo e conhecendo mais. Graduou-se em História, com mestrado e doutorado em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais, formação que vem ajudando em seu trabalho de pesquisa para desenvolver projetos. “A formação acadêmica me deu os instrumentos para fundamentar as histórias que eu quero contar, ao mesmo tempo em que ampliou o escopo de meus quadrinhos”, explica. “Minha trajetória acadêmica e minha trajetória quadrinística se complementam, pois eu faço muita pesquisa para meus quadrinhos e sempre tento contar uma história em meus trabalhos acadêmicos”, completa o quadrinista.

Mesmo sendo um excelente desenhista, Wellington partiu para os roteiros na década de 90. “Desde que produzi minha primeira série de quadrinhos (Solar, em 1994) tenho trabalhado em parceria com outros desenhistas. Isto me permite fazer HQs nos mais variados gêneros, escolhendo o desenhista cujo estilo melhor se adeque ao trabalho. Mas penso em voltar a desenha algum dia”, conta.

Estórias Gerais
Com mais de 10 quadrinhos publicados, o desenhista e roteirista diz ser Estórias Gerais seu preferido, que já ganhou até edição especial este ano, com produção do grande Flavio Colin, responsável pelo desenho do álbum. A parceria começou com o envio de umas edições de Solar e Caliban. Colin gostou, respondeu em carta e começou ai uma amizade. Posteriormente surgiu a oportunidade do convite e Colin aceitou prontamente.

Curioso é saber que os dois nunca se falaram pessoalmente, apenas telefonemas e cartas. “Era muito prazeroso, pois o Colin era um ótimo papo e trocamos vários telefonemas e cartas. Foi também uma realização pessoal indescritível; afinal, eu estava trabalhando com um dos maiores artistas da história dos Quadrinhos, o único brasileiro que pode ser colocado lado a lado com Jack Kirby, Hugo Pratt e Osamu Tezuka”, comenta sobre a parceria. Seu quadrinho preferido é responsável por quatro dos seus 11 prêmios, incluindo melhor roteirista e melhor Graphic Novel Nacional no HQ Mix.

Para comemorar seus 20 anos de criação de quadrinhos, lançou Muiraquitã em 2006, do próprio bolso, porque não conseguiu uma editara em tempo hábil. Atualmente está trabalhando em trabalhos pessoais, anúncios, mas prentende partir para uma nova adaptação em quadrinhos, ainda não revelada porque o projeto esta em busca de editora. “Também tenho idéias para vários outros quadrinhos autorias e comerciais, e gostaria muito de produzir álbuns ou séries para o público jovem. Mas tudo isso dependerá de eu conseguir uma editora”, comenta. Vamos aguardar mais aventuras.

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