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TRILOGIA DAS CORES
Os álbuns homônimos e cromáticos do Weezer eram tidos como o melhor material da banda, até a chegada do disco vermelho
Por Mariana Mandelli

Não é necessário gostar do Weezer para perceber a extensão da influência e o peso que a banda teve na década de 90 para a germinação do indie rock e do punk-pop (aqui está incluído o emo) do jeito que ele é conhecido hoje. O cenário alternativo da música não seria o mesmo sem Rivers Cuomo (frontman, vocal e guitarra), Patrick Wilson (bateria e vocais), Brian Bell (guitarra e vocais) e Scott Shriner (baixo e vocais).

O lançamento do sexto disco, intitulado pela terceira vez na carreira da banda simplesmente como Weezer e apelidado pelos fãs e pela mídia como Red Album, fecha uma suposta “trilogia de cores”, fazendo companhia aos discos Weezer (1994) e Weezer (2001).

A estréia da banda foi em 1994. O debut, Weezer, foi apelidado mais tarde, pela mídia e pelos fãs, como Blue Album, em uma alusão à capa azul com uma foto dos membros da banda dispostos lado a lado. O disco foi muito bem recebido pela crítica e pelo público, fazendo do Weezer um verdadeiro “fenômeno underground”, por mais estranha que a expressão possa parecer. Cuomo se tornou um ídolo nerd e ninguém conseguia parar de cantar “Undone: The Sweater Song”, “Say It Ain’t So” e, principalmente, o hit supremo e uma das mais conhecidas canções pop da história: “Buddy Holly”. Letras irônicas e espertas (“The World Has Turnded And Left Me Here”), guitarras energéticas (“Surfwax America”) e o ótimo timbre de voz de Cuomo eram ingredientes que formavam melodias empolgantes e fizeram do Blue Album um dos melhores discos da década de 90. Um álbum original que serviu de alternativa para quem queria fugir do grunge que predominava na época.

O segundo disco, Pinkerton, veio em 1996 e transformou “Tired Of Sex” e “The Good Life” em hits. Para consolidar ainda mais o sucesso da banda, Weezer veio em 2001 com sua capa verde fluorescente e um mix de post-grunge, punk-pop e post-britpop que resultou em “Photograph”, “Hash Pipe”, “Don’t Let Go” e na luminosa “Island In The Sun” (com um clipe fofíssimo, em que o grupo contracena com filhotes de animais), consolidando as influências de Dinosaur Jr., Pixies, Devo e The Cars no som da trupe do grupo de Rivers Cuomo.

A caminhada até o último álbum, que fecha o trio cromático, foi longa. Maladroit foi lançado em 2002 e a faixa “Keep Fishin’” (aquele do clipe sensacional com os Muppets) virou hit instantâneo. Três anos depois chegou Make Believe, considerado, até então, o disco mais fraco da carreira do Weezer, mesmo com boas faixas como “Beverly Hills”, “Perfect Situation” e “We Are All on Drugs”.

Agora, os fãs que demoraram a engolir Make Believe já têm outro disco para odiar. Red Album acaba de ser lançado e é um exercício de insignificância e um mancha na carreira do Weezer. A idéia dos álbuns cromáticos da banda serem a essência da banda parece ter sido contestada.

[+] CRÍTICA DO RED ALBUM DO WEEZER

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