MEROS COADJUVANTES
Em seu segundo lançamento banda reafirma sua incapacidade criativa em disco morno e aborrecido
Por Mariana Mandelli

WE ARE SCIENTISTS
Brain Thrust Mastery
[2008, Virgin]

Depois de With Love And Squalor, o mediano debut de 2006, o We Are Scientists volta com Brain Thrust Mastery, seu segundo disco que, se for definido em uma palavra, é apenas… mediano. De novo. Cansativo e repetitivo, o álbum é mais um tiro em direção ao pop-rock que domina o mainstream. O que há de errado nisso? Nada. O problema é tentar realizar isso por meio de (mais) um CD que está longe de ser marcante. Não se sabe se é preguiça, medo de arriscar ou falta de originalidade mesmo, mas o fato é que With Love And Squalor soa opaco e revela a principal fraqueza do grupo: a dependência total do estilo new wave e post-punk – o que dá a impressão de que se os anos 80 não tivessem existido, a banda, muito provavelmente, também não existiria.

Formado nos anos 2000 por Keith Murray (vocal e guitarra), Chris Cain (baixo) e Michael Tapper (bateria), o grupo, conhecido por suas destruidoras performances ao vivo, assinou com a Virgin depois de uma caminhada independente lançando discos e EPs. With Love And Squalor foi bem recebido, mas, apesar de ser uma estréia sólida e competente, não se diferenciava muito das adjacências que a cena indie produzia. Dois anos se passaram e a saída de Tapper da banda não abalou em nada a estagnação criativa dos norte-americanos do WAS.

A tensão oitentista está presente nas guitarras alarmantes de faixas sombrias como “Ghouls” e “Tonight”. A melhor do disco, “Let’s See It”, tem riffs viciantes e energia concentrada, tendo em vista que faixas como “Spoken For”, “Chick Lit”, “Dinosaurs”, “That’s What Counts”, “Dance Off” e “Altered Beast” (ou seja, quase metade do álbum) são dispensáveis e maçantes.

A diversão fica por conta de “Impatience” e “After Hours”, dois sólidos exemplos de indie rock – a última estranhamente lembra o som dos Strokes. Já a dançante “Lethal Enforcer” é um plágio de tudo que se produziu nesse estilo na década de 80. Pegue A-ha, Duran Duran e companhia e você vai entender.

Brain Thrust Mastery ganha pontos pela produção e qualidade do som muito bem arranjada pela dupla. Além disso, consegue soar, em alguns momentos, divertido. Contudo, o álbum afirma e perpetua a posição de coadjuvante que o WAS conquistou na cena alternativa. Não crescem, não retrocedem, não amadurecem. Mas aborrecem os nossos ouvidos.

NOTA: 5,5

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