Em novo livro lançado no país, Gay Talese permite ao leitor adentrar sua vida através das reportagens
Por Julliana Araújo, especial para a Revista O Grito!

A mais recente obra do jornalista e escritor Gay Talese, Vida de Escritor, está longe de ser uma autobiografia comum. Aos 77 anos, o jornalista bem que podia ter escrito um livro de memórias românticas do ofício, mas, foi fiel até nisso ao jornalismo, que de romântico tem pouca coisa ou quase nada. E preferiu narrar os fracassos e atropelos da arte de escrever.

O labor começar já no jornal da faculdade, no Alabama, onde Talese começa a exercer não só a arte de lidar com as letras, mas sobre tudo, a de conquistar fontes. É quando ele começa a usar os eufemismos em seus textos de esportes para não chatear os atletas e perder as entrevistas. Da primeira a última página, Talese permite que adentremos em sua vida por meio do jornalismo.

Do Alabama ao New York Times, a aflição só aumentou. Começava, agora, a briga de Talese pelo conteúdo. Por dez anos, Talese entregou matérias no último minuto do prazo final. O dead line sempre perseguiu o autor, que prefere até hoje demorar anos para lançar uma obra.

Os cortes de edição também eram motivos para as queixas do jornalista, que passou depois a colaborar com revistas como New Yorker. Talese conta foram os meses que passou apurando a história de Lorena Bobbit, que, num surto de fúria, cortou com uma faca de cozinha o pênis do marido.

Mesmo não sendo considerado o melhor livro do jornalista, a obra retrata fielmente a saga de um jornalista que a todo custo prioriza a qualidade do conteúdo e foge das normas e tempos convencionais desse jornalismo raso que somos obrigados a consumir todos os dias.

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