RISCO BAIXO, NOTA ALTA
Depois do hype, australianos lançam disco de estréia sem muita novidade
Por Paulo Floro

VAN SHE
V
[Modular, 2008]

A história dos australianos do Van She é curiosa. Eles responderam um anúncio da revista Drum Media Magazine para formação de uma banda com influências de Sepultura e Black Skull. Não foram selecionados, mas formaram o grupo, que lançou o primeiro EP homônimo em 2005. A aposta da banda no electropop com perfumes oitentistas deu muito certo, o os levou ao reconhecimento da crítica e boa resposta do público.

Três anos depois, o quarteto lança seu primeiro disco, intitulado apenas V. Desta vez, são eles quem recebem a expectativa. Sobretudo de uma mídia ávida por encontrar os novos prodígios da música eletrônica. E eles conseguem corresponder ao hype, apesar de não arriscarem ir além de um dance-rock bem executado.

“Cat & The Eye” é uma das mais agitadas, com peso e vocal que lembra muito o de bandas de indie-rock. O rock ainda marca presença em “It Could Be The Same”, bateria bem limpa e muitas guitarras. Essa estratégia da banda é muito eficaz, pois a coloca no meio termo entre dois públicos que cada vez mais se confluem: o rock e a eletrônica.

Mas o DNA dos australianos se mostra em “Talkin” e “Sunbeans”, duas faixa electro com vocais sensuais e batidas cheias de texturas. Foi por produções como essa que eles foram construindo o sucesso, sobretudo ao assinar remixes do Klaxons, Dragonete e até da Feist (no projeto Van She Tech).

Atrações do Nokia Trends do ano passado, em São Paulo, a banda agora está pronta à entrar no primeiro mundo dos grandes nomes da nova cena eletrônica ao lado do Midnight Juggernauts, Simian Mobile Disco, Dragonete e Justice. Mesmo que, na ressaca pós-hype, prefiram apostar na eficiência à inovação.

NOTA: 7,5

[audio:http://www.quarterlifeparty.com/wp-content/uploads/2008/08/virgin-suicide.mp3]
“Virgin Suicide”


“Kelly”

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