Nunca fui afeita a igreja, missa, reza e tudo que envolva, direta ou indiretamente, esse tipo de coisa. Creio em Deus! Tá! Mas também acaba aí! Vez ou outra, quando a coisa tá muito preta, rogo aos céus que me apareça uma promoção da Channel, que me ajude a não quebrar o salto em alguma rua esburacada, que me dê uma noite maravilhosa, que me ajude a pegar o táxi quando estou completamente embriagada, que me faça arrazár, e a lista de pedidos vai por aí. E chega né! Mas, apesar de ter, praticamente, crescido em um ambiente religioso, já que estudei em colégio de freiras desde que me entendo por gente, sempre detestei qualquer credo. A única “religião” que professo com fervor é a do horóscopo. Não saio de casa sem lê-lo. Não tem jeito. E pego de várias fontes. Das recheadas previsões de Bia Abramo às tirinhas curtas e sintéticas que sai na Folha de São Paulo. E não é que eles funcionam.

Li na manhã do meu último domingo: “Hoje, você vai passar por um ritual de purificação”. Fiquei com meda! Totaaal. Liguei pra minha bichamigã, mandei ela colar em mim para evitar que qualquer maníaco xiita viesse me exorcizar. Afinal, sempre passa na televisão um pessoal que se joga no chão, rasga a roupa, dá escândalo e acaba com o que está ao redor. E como fiz promessa de usar Miele só aos domingos…morri de medo de passar por um descarrego desse e acabar perdendo um dos meus vestidos. Então a Mª Antônia (como eu chamo minha bicha-irmã, a Antoniete) ficou no meu pé. Se eu fazia diet shake, a bicha tava do meu lado vigiando. Se eu colocava um colant e corria na Paulista: a bicha tava lá do meu lado de munhequeira arrazando comigo. E foi o dia todo assim. De noite fomos para um bar novo que abriu na Vieira Souto. Champagne derramando na cabeça e mil amigotas para tricotar e pegar os últimos lançamentos. Lá fomos.

Entre uma taça e outra, Antoniete tava lôca atracada com um garçon lindérrimo nos fundos da cozinha. Do nada, chegou alguém com uma taça extra. Tá, né! Essa cantada é velhíssima, mas quando o corte é Armani tudo muda. Comecei a conversar com o bofe que tinha um papo lindo, um par de olhos azuis, uma cabeleira cheia, uma boca tuda, um peitoral durinho, uma barriguinha tanquinho e sapatos de cromo alemão. Ou seja: tudo! Não deu outra. Fomos pro apartamento dele, que o bunito era executivo de uma empresa paranaense e tava só de passagem. No quarto: P-Â-N-I-C-O! Na cabeceira da cama? Uma cruz gigante. Quando ele tirou o terno, um crucifixo gigante! Até na meia tinha bordado de cruz, minha gente. Agogô! Que bofe é esse? Mas eu tava bêba. Ele era lindo: encarei!

Recomeçamos a conversar. Tudo estava ótimo até que, entre um beijo e outro, ele perguntou: você vai à Igreja? Eu pensei: “deixa eu te mostrar como eu rezo!” Calada estava, calada fiquei e engatei outro beijo no bofe. A noite foi péssima. Toda vez que eu ousava: naaaaaaaada! Era o trivial que vinha com ele. Sempre que eu passava a mão por um canto mais ousado: naaaaaaaaada! Ele tirava minha mão. Quando eu já estava em pânico, com os hormônios pulando, ele pediu pra rezar. Creiam. Ele queria que eu rezasse!!!! E digo: valia muito a pena minha gente! Me ajoelhei e rezei linda, arrumada e maquiada.

O resultado? Um papai e mamãe dos infernos que me fizeram exortar o capeta a noite toda. Saravá, meu filho. Me esforcei, dei o melhor de mim e o resultado foi dos piores. Dos piores mesmo. Na manhã seguinte é que o caos se instalou na minha vida. O café da manhã estava lindo e o que ele queria que eu fizesse: rezar! Me veio com um papo de que queria me converter e casar comigo. E que, assim, me levaria para a luz. Pois a luz que eu tomei foi a da rua. Peguei meu vestido, retoquei a maquiagem borrada e fui pra minha casa linda.

Resultado: deixei de crer em horóscopo! A pessoa acredita demais…acaba que tudo vai acontecendo. Chega! Agora vou apostar nas runas. Acho que “sim” e “não” são respostas super conclusivas.

Beijo me liga!

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[+] Valentina Finnochiaro é ex-maneca, socialite e hoje vive nan ponte aérea São Paulo – Recife – Milão. Escreve crônicas neste espaço toda semana.

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