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Minha gente, vamos combinar: tem coisa pior que bofe trintão metido a cult? Tem não. Admitam. Todos eles, sem exceção, são meio cafajestes e você ainda corre o risco de não ter uma noite tão prazerosa já que a bossa dos bunitos é sempre superior à ação libidinosa na cama. Pela mãe do guarda!!!

Bofe bom é bofe cafuçu-rico. Quando vivia em Paris, por exemplo, só pegava executivo cafuçu. Eles adoram ostentar uma mulher bonita, bem vestida, com saltão, bum-bum proeminente e vestido 100% seda. E o melhor de tudo: te enviam flores, ligam pra saber se você está bem e se esmeram na cama. Fazem esquisitices que realizam por completo tanto as beatas mais conservadoras, quanto às mais experientes. E tudo com o requinte de um hotel caro e serviço de quarto de primeira.

Bofe cult só dá dor de cabeça. Primeiro pq eles paqueram qualquer fulana que usar calcinha e tiver uma tatuagem mais bem inspirada. Traição é algo que anda junto deles. Tem escrito na testa “vou te trair e você vai continuar me amando”. Ledo engano.

A maioria deles traz impresso no rosto aquela vasta mata de pentelhos que em uma noitada ficam melados de cerveja, vinho e champagne. Quando o relógio bate quatro da matina é um cheiro insuportável de mofo que ronda a boca e você fica naquela “eu beijo ou não beijo?”. Por que se não beijar eles pensam que você não quer nada e te colocam o chifre com a primeira garçonete saidinha e bem na frente das suas amigas mais falsas. Esse estilinho homem papai Noel deveria ser extinto da face da terra. Nada melhor que uma boa barba feita.

Outro ponto negativo desse espécime é o vestuário. Calça xadrez se tornou uma praga difícil de controlar. E as outras peças são as mais esdrúxulas possíveis. É camiseta regata, colar, all-star (por favor! Fechem a fabrica da conserve, até o porteiro do prédio da minha empregada ta usando) sem meia, bolsos entulhados de coisas. Pelo amor de deus. Onde estão as consultoras de moda para orientar esse povo com tanta informação no corpo.

Pensa que é só isso? Não!!! Tem tem coisa mais chata! Tem sim. Aquelas figuras que acham pouco e usam alargador. Santo Inácio de Loyola, habitai!

Fora que eles bebem descontroladamente, fazem piadas cults demais quando os temas deveriam ser amenos e nunca sabem comer caviar. Acham tudo chato e a única coisa perfeita é o cafofo dividido com mais três amigos na Alameda Franca. Se manca né meu bem.

Conheci um bofe desses quando, na semana passada, viajei ao Recife. Uma amiga me chamou para o bar do momento, o Central. Até aí tudo ótimo. Fui em uma das minhas melhores produções. Um Chanel preto, quase impecável, curto, sóbrio e elegante. Ideal para o clima bar. Na entrada me deparo com uma barata gigante e repleta de asas. Fui obrigada esmaga-la com o sapato que ganhei de Madeleine Saade no último “saldão” da Dijon. Mas tudo bem. Sou mulher suficiente para matar baratas e nesse dia eu tava com espírito aventureiro e continuei a noite. Incólume.

Bebi litros, conversei as melhores futilidades e para fechar a noite. Claro. Faltava um bofe me agarrando pelo pescoço. Fui à luta. Fácil-fácil arranjei um “bofe-cult” trintão, barbudo, de boa aparência e jeito de malemolente trepador. Que engodo. Nunca fui tão ludibriada pelas aparências. Ele encheu a lata enquanto eu lutava para ficar sóbria e fazer daquela noite algo memorável. Fomos bêbados pro meu hotel: não deu outra. Deitou e dormiu. Fora isso ainda quis fazer comigo de manhã com bafo de noite mal dormida. Tive que colocá-lo pra fora à golpes de enxarpe molhada. Um desses? Never more. Traumatizei.

Pois acreditem queridas e queridos. Nunca dêem bola pra esses bofes cults. Os normais e trabalhadores estão sempre prontos para lhe mandar flores. Executivos batem 12, 15 20 horas de trabalho. Mas a disposição ainda é ótima.

Beijo!

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[+] Valentina Finnochiaro é ex-maneca, socialite e hoje vive nan ponte aérea São Paulo – Recife – Milão. Escreve crônicas neste espaço toda semana.

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