Minha gente, quem tiver seus amigos besha que os segure. Essa é uma espécime em extinção. Agora, todos os homos querem fazer carão, usar barba e ter uma atitude “i’m bad guy”. Como diria Mel C: stop right now, thank you very much. E sem as besha, quem vai nos acompanhar ao cinema quando estivermos solteiras (detalhe, eu estou!)? Quem vai nos acompanhar nos shoppings para comprar roupa? Quem vai ajudar no backstage do desfile e vai ficar lá dizendo ao pé do ouvi: arrázha migã!? Quem vai ajudar a comprar sapatos? E quando eu precisar combinar o meu Prada roxo com uma bolsa laranjérrima que acabei de comprar? Se depender dessa nova estética de representação do gay…nós mulheres estamos ferradíssimas.

A bee lôka tem uma função social muito definida. Sempre solteiras, bem arrumadas e interadas das últimas tendências elas são uma mão na roda na hora do sufoco. O namorado te trai com uma vagaba gorda: ta lá a bee lôka te consolando! Bad hair day: a bee lôka aparece com um laquê tudo e ajusta o perucão. O salto quebrou descendo a consolação: a bee lôka corre na Oscar Freire e volta com um sapato lindo pra socorrer. Ficou beba e ta querendo passar o rodo em uma festinha cheia de gente uóh: a bee lôka está lá segurando na sua mão e afastando todos os boys sebentos. Então minha gente. A bee lôka é solução. E quer saber o melhor? Elas são tão evoluídas que geralmente estão solteiras, te ajudam a escolher o bofe certo e não participam da concorrência na corrida pra arrumar homem.

Dia desses, saindo do desfile da Ellus conheci uma besha que corrobora dessa nova estética. De barba por fazer, cabelo desarrumado, coletinho preto, camisa branca e uma bota. De cara eu pensei em paquerar e chamar pra sair, mas logo vi, pela rabisaca no olho que o bunito gostava da mesma fruta que eu. Então fui bater papo. No clímax da conversa ela introduziu o caso Isabella Nardoni querendo dar uma de gay politizado. Pra cima de moi? Agiliza né. Muito mais legal e divertido é falar do Padre Voador. E por falar no assunto…Como é que pode hein minha gente? A padre lôka (porque esse padre só pode ser frango) encheu bola de aniversário pra sair voando costa do país afora. Se queria ser Mary Poppins que fosse fazer um musical. Mas voar com bola de festa? Não! Jamais. Fora que ele estava defendendo a causa dos caminhoneiros nas estradas. No mínimo ele fazia lindo com os motoristas. Padre esperto isso sim. Ia para estrada rezar pelos caminhoneiros. Sei bem a reza que o bunito fazia.

Meu amigo bshá começou a malhar e já deixou a barba por fazer. Daqui a quatro meses ele vai estar com um peitoral proeminente, uma barriga tanquinho e vai estar usando camisa de botão ensacada com calça-realça-ovo. E eu vou querer comer ele né. E vou acaba me apaixonando. Afinal, a coisa mais fácil é se apaixonar por viado. Eles são sensíveis, delicados, ótimo gosto musical e te tratam feito gente. Homem que é homem não liga se o teu sapato é givenchy ou prada. E isso é uóh. Pois a gente se esforça pra ficar com tudo nota 10 e eles passam incólume. Eu mesmo já me apaixonei por uns cinco gays em toda minha vida. Fiz com todos eles. E me comeram muito bem viu. Mas não conseguia sair pra jantar e vê-los olhando pro mesmo homem que eu paquerava na mesa ao lado sem ter um ataque de ciúmes histérico.

Na musculação, por exemplo, tem meia penca de viados. Antes eles brincavam. Iam de short rosa e ficavam fazendo estripulias no Pilates, usavam adidas último lançamento para exibir o bom gosto. Agora, todos eles ostentam na testa o lema “não afeminado e não curto”. Perderam a graça. Dia desses até peguei um deles olhando pro bumbum siliconado de uma fulana só para fazer charme. Wake up for Jesus beiber!!

Por isso, desde já acho que devemos todos boicotar a marcha da maconha e fazermos uma marcha a favor de todas as bshás! Elas são necessárias para a sobrevida de qualquer mulher e porque não de qualquer homem. Afinal, um pouco de delicadeza não faz mal a ninguém.

Deus salve a pintosa!

Beijo

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[+] Valentina Finnochiaro é ex-maneca, socialite e hoje vive nan ponte aérea São Paulo – Recife – Milão. Escreve crônicas neste espaço toda semana.

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