Man at Work (Foto: Divulgação)

Queridos e queridas, começo desta semana estava no Rio – que é uma cidade linda e que seria mais ainda se 70% da população fosse estripada – e fui ver uma peça com uma amiga num teatro mega chinfroso. Fui foférrima. Claro! Coloquei um modelito Balenciaga do inverno de 2006 e que apesar da idade ainda arrazah muito. Sapatinhos e bolsas miu-miu. E estava lá. Modéstia à parte: linda e abalante! Na bolsa eu coloquei litros e mais litros de repelente. Até no aeroporto tem dengue esperando os turistas descerem para picar. Acho que deve estar se procriando no mar. Só pode! Mosquitinhos salobros!

Bem, vi a peça e fomos eu minha adorada amiga fazer a social no Foyer (ah, Celina é uma trava que ninguém diz que já foi homem. E se me permitam fazer um adendo: amiga trava é tudooo! A única coisa ruim é que elas, quando solteiras, te arrancam o bofe. E depois de Ronaldinho, a moda pegou! No teatro tinha dois vovôs com travas ao lado! Cada peito de fazer inveja. Preciso injetar meio litro urgente!). Lá, conheci um empresário ótimo do ramo têxtil. Elegante, o bofe pegou meu número. Pensei: é feio, mas pelo menos posso tirar o pé da lama! Segundos depois chegou um rapaz lindo e nos abordou. Ele conhecia a Celina e o papo começou a rolar. Pensei: God Save! É lindo, tem cabelo no peito e é jovem. Logo descobri que o rapaz era ator. Pior ainda: do Oficina. De cara me veio à cabeça: ele tem DST. Afinal, esse povo do Oficina trepa o tempo todo, né!? Soube que fazem coisas escabrosas nos ensaios. Meda! Sou limpinha. Mas o bof’ator não desistiu, persistiu diante dos meus foras (e olhe que sou mestra), pegou meu número e chamou pra jantar. Tá! Dei uma chance. Só uma.

Fomos pro restaurante e tudo bem. Comemos. Quando ele foi ao toalete percebi o imperdoável: debaixo do terno de excelente corte havia um all-star. Eu tou falando sério: alguém ateie fogo na fábrica da Conserve. Gente, acorda!!!! Quando eu vejo um homem de all-star só me vem uma coisa na mente: um gordinho com espinha batendo punheta de meia e allstar tradicional preto. Quem usa all-star deveria se matar. Sério. As pessoas pensam que é sinônimo de ser descolê, mas é sinônimo de falta de elegância e maturidade, principalmente financeira. Peloamordi! Quando ele voltou vi o terno com outros olhos. Afinal, C&A, Riachuello e a Leader socializaram a roupa sócia nos cortes de Ângelo Litrico (PODRE!). E depois que inventaram a palavra prestação e o cartão de crédito…todo mundo pode comprar um terno melhorzinho e passar por fashionista. O sinal disso veio quando pedimos a conta: ELE RACHOU!!!!!! E foi ele quem me chamou pra jantar. Até o garçom ficou passado! Lição número um: conta só se divide quando se janta com amigo, companheiro, marido (e olhe lá), ou algo que o valha. Na saída fomos em táxis diferentes. E claro: desliguei o celular. Não queria nem sinal de mensagens. E a triste constatação. Atores ganham pouco.

Dia seguinte Celina me disse que já havia saído com ele. Nas mesmas condições. Ela foi mais guerreira (a opção sexual de trava permite) e chegou aos finalmentes. Ela disse que ele trepa como se tivesse epilepsia. Goza rápido e dorme. E que ainda teve de gastar com hipoglós no dia seguinte devido ao surto epilético na hora H. Pulei essa fogueira. Ô Glória!

O resto da semana fiquei pensando nos tipos de homens. Os atores são homens para serem amigos. Sempre promíscuos e com o saldo no limite, eles são ótimos para te fazer entender aquela peça super conceitual que um diretor de nariz empinado acabou de fazer. Eles podem até te comer bem, mas ter um futuro mambembe não está nos planos de muitas mulheres. Muito menos nos meus. Já os bofes empresários geralmente são feios, adoram se amostrar, trepam meio mals e te traem com a secretária efusiva por mostrar serviço. Depois vem o estresse da separação e da pensão que faz a gente se acomodar. Esse é o meu caso.

Mas tem outros bofes ótimos. Os advogados são super legais. Mas, quando a relação vai mal, eles vem com mil provas de que a culpa não é deles. Psicólogos são pavorosos…te analisam full time. Dá raiva. Bati na cara de um ex-namorado psicólogo. Ele disse que eu tinha uma tulha de complexos com nomes esquisitos (eles adoram arrotar o que estudaram na faculdade) e até me receitou remédios. Os complexos são meus. Sem eles eu não vivo. Me deixem. Sô Loca! A pior das raças são os bofes jornalistas. Com eles a gente nunca sabe a opção sexual. É aquela coisa dúbia. Enrustida. Pra mim jornalista é tudo bshá enrustida. Deveriam assumir a pinta e serem lindas. Adoro Bshá!

Sei que bofe bom. Até hoje. Foi o filho de dona Neiva, minha personal costureira. Ele é mecânico. Corpo bom de carregar peso. Cabeça vazia pela falta de estudos. Nada diz. Na cama? Puro instinto. E a vontade de impressionar que não falta aos de classe inferior: paga jantar, paga táxi, paga isso e aquilo outro. Pena, que também não dá muito futuro. Essa falta de perspectiva me fez pensar que o futuro é lésbico. Mas não! Não, não, não, não! Não consigo me imaginar acordando com alguém que vai me pedir emprestado a cera quente. Valha-me! Por isso que agora só vou seguir os conselhos de uma amiga e vou fazer a nouvelle vague. Fazer cara de paisagem. Numa espécie de crise existencial-artístico-conceitual que te faz ficar meio aérea, olhando de soslaio a todos enquanto se toma champagne.

——
[+] Valentina Finnochiaro é ex-maneca, socialite e hoje vive nan ponte aérea São Paulo – Recife – Milão. Escreve crônicas neste espaço toda semana.

Sem mais artigos