Não, eu não estou apaixonada. Não sou mulher de repetir esse tipo de erro. Se eu já me apaixonei um dia? Claro que sim. Já chorei de borrar o rímel pensando no bofe, fiquei na chón, deixei de sair e até de trabalhar. Mas depois de descobrir os benefícios do meu Dinners concluí que o pior não é a paixão. Se for analisar com calma, uma paixão faz bem de vez em quando, dá estímulo para caprichar no cabelo, arrasar no make e gastar o dinheiro do falecido com uns frascos de Dior para impressionar outro gato. A culpa nem é do bofe que se foi, porque o ditado popular não poderia ser mais verdadeiro: “Vai um, vem oito”. A verdade é que o famoso fora é o grande vilão da desgraça feminina, traz olheiras, calorias extras e uma série de efeitos colaterais arrasadores.

Mas sabe que um fora promove milagres em algumas pessoas?! Pena que a maioria das rachas que se beneficiam do pé-na-bunda não vê a importância disso em suas vidas. Dia desses, encontrei uma colega que não via há muito tempo. Moramos no mesmo apartamento com mais quatro fulanas raquíticas (pele e osso meeeesmo) que sonhavam em modelar durante numa temporada de fome em Milão. Ela tinha problemas com a balança, coitada, e eu sentia uma certa inveja da parte dela, já que Mamá caprichou no metabolismo e me deu o dom de poder saborear uma generosa fatia de torta alemã sem correr o risco de sofrer impactos no número do manequim. Mas é claro que eu não abuso, o metabolismo é bom, mas não faz milagres, não é?! O fato é que a bunita está mesmo bonita. A pele parece mais jovem aos 25 anos do que na época dos 17. E o corpo nem se fala, ela parece ter alcançado o manequim 36 que sempre buscou, mas não demonstrou o mínimo entusiasmo diante do meu elogio. E olha que para que eu elogie outra pessoa ou é porque é super amiga, e para amiga e besha não se nega elogios, ou é porque a racha arrasou meeeeesmo.

A pobre contou com brilho nos olhos o triste fim da sua história de amor que, confesso, embrulhou o estômago, tamanho melodrama usado nas expressões, e no final me veio com a infeliz frase: “Eu preferia mil vezes estar feia, mas com ele do meu lado”. Minha filha!!! Acorda né! Então o bofe partiu lindo e louro, está bebendo madrugadas sem fim por aí, pegando várias pessoas uóhs e você, ao invés de mandar um cartão de agradecimento pelo SPA grátis que ele te proporcionou, diz que preferia estar feia, mas ao lado dele? Ô minha querida, se você estivesse feia, garanto que ele não estaria com você. Então, se é pra ficar sem o bofe, que fique só, porém magra e deslumbrante.

Os foras são um pouco ausentes em minha vida, com o tempo desenvolvi um sensor de homem em fuga. Ao menor sinal de abandono, meu alarme dispara e eu viro o jogo. Mesmo que o gato seja super cheiroso e bom de cama, eu prefiro dar o fora por um simples motivo: se ele acabar o relacionamento, vai se sentir culpado e evitar sair com você casualmente no futuro. Como nos dias de hoje não se pode descartar uma boa transa com um bofe gostoso, sou eu quem dá o pé-na-bunda. De quebra ainda o deixo a minha disposição para os dias de necessidade. Afinal, ele não vai dispensar uma saída com a mulher que o rejeitou, faz parte da personalidade dos homens, no fundo eles pensam: Chutou, mas não fica sem! O que me resta fazer é aproveitar dessa deficiência psicológica da espécie.

Mas sou humana e não estou livre de falhas. Então, se o homem consegue dar o fora sem ter acionado meu sensor, não fico mais chorando as pitangas. Chamo a minha melhor bichamigã pra me falar mal do bofe e me ajudar a renovar o guarda-roupa. Afinal de contas, nada como um homem depois do outro com uma Louis Vuitton bem no meio.

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[+] Valentina Finnochiaro é ex-maneca, socialite e hoje vive nan ponte aérea São Paulo – Recife – Milão. Escreve crônicas neste espaço toda semana.

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