Um dos mais importantes livros do ensaísta e escritor , , ganha reedição pela Cepe. Quarenta anos depois de seu lançamento, a obra segue relevante não só para a literatura, mas também em áreas como história, sociologia e comunicação.

Trata-se de uma coletânea de ensaios críticos sobre a produção brasileira dos anos 1970, que alterou o pensamento vigente a partir de uma teoria desenvolvida por Santiago: o do entre-lugar, localizando o discurso cultural latino-americano. O título será lançado pelo selo Suplemento Pernambuco, da Cepe Editora, dia 28 de março, às 19h, na Livraria Travessa de Ipanema, no Rio de Janeiro.

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A obra se destaca ainda pelo pioneirismo de tratar de cultura pop no âmbito acadêmico, coisa que não se fazia no Brasil nos anos 1970. “Há textos no livro sobre Caetano Veloso e o desbunde dos anos 1970 que na época passaram despercebidos. Não era de bom tom um intelectual falar de cultura popular.

O próprio Silviano explica o que é desbunde no livro e como era viver no chamado ‘vazio cultural’ do começo dos anos 70”, destaca Schneider Carpeggiani, editor do selo Suplemento Pernambuco, em comunicado via e-mail. Nesta reedição, além dos 11 ensaios já conhecidos da obra divulgada em 1978, aparecem os outros cinco ensaios que foram excluídos da primeira edição. Na última parte do livro, chamada de Suplemento, há ainda textos inéditos sobre o autor e a obra, escritos pelos professores da PUC-RJ, Eneida Leal Cunha e Fred Coelho, e pelo sociólogo André Botelho.

A obra se destaca ainda pelo pioneirismo de tratar de cultura pop no âmbito acadêmico, coisa que não se fazia no Brasil nos anos 1970.

Vários dos ensaios de Silviano se tornaram clássicos para quem estuda literatura no Brasil. A contemporaneidade dos textos se verifica em ensaios como “Retórica da verossimilhança”, por exemplo, que se debruça sobre Machado de Assis e sua obra. Outro texto inédito é Camões e Drummond: A máquina do mundo, em que é apresentado um poema pouco conhecido de Drummond. “Silviano havia feito um ensaio sobre os paralelos entre Drummond e Camões, sobretudo pelo conceito de ‘máquina do mundo’, que não seria uma imagem tão original do poeta mineiro. Drummond não gostou do paralelo entre ele e Camões e fez um poema ironizando Silviano”, conta Schneider.

O selo Suplemento Pernambuco deriva do jornal literário de mesmo nome publicado pela Cepe e que traz um debate bem rico sobre diversos temas a partir da literatura. Dá pra assinar mensalmente com entrega em todo o Brasil ou comprar/ler pela internet.

O livro tem 369 páginas e está em pré-venda por R$ 40 (depois será vendido a R$ 60).

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