MALDIÇÃO DO TELEMÓVEL
Uma Chamada Perdida utiliza duas fixações do cinema de terror americano recente: celulares e remakes japoneses
Por Raphaella Spencer

Um incêndio, uma morte, um telefonema. Até aqui tudo bem, de repente toca o telefone, chamada não atendida e morte. Basicamente é assim que começa Uma Chamada Perdida (One Missed Call, 2008), novo thriller que estréia esta semana. Uma pessoa atende uma chamada perdida com horário e datas futuras, ao escutar o correio de voz se depara com sua própria voz. Aos poucos vamos entendendo que a data e o horário são da morte anunciada da pessoa que recebeu o telefonema e a mensagem são suas últimas palavras antes de morrer e quem deixou o número na agenda desse celular, poderá ser o próximo.

Com esse enredo, assim simples, já dá para classificar o filme como “efeito-bu!”, para ver abraçadinho comendo pipoca entre um susto e outro. Uma Chamada Perdida primeira direção hollywoodiana de Eric Valette é um remake do japonês Chakushin Ari (2003). O primeiro filme foi dirigido por um dos mestres do terror oriental, Takashi Miike. Não que o primeiro seja tão melhor, parece mais uma daquelas obras comerciais que diretor autoral faz na entre-safra, mas ainda assim é um filme um pouco mais subjetivo que aposta mais numa montagem dinâmica e trilha que dão força aos momentos de maior suspense.

Enquanto isso, na versão contemporânea, parece que tudo desandou. Fantasmas, alucinações e milhões de sustos banais tentam sustentar o filme, que não poderia depender do elenco já que seus protagonistas Beth, a estudante que nunca morre, (Shannyn Sossamon, de Regras da Atração) e o policial Jack (Edward Burns, Confidence) parecem ter perdido a aula sobre conflitos do personagem e vão do começo ao fim com a mesma versatil expressão contraída que transmite medo, cansaço, tristeza e dor simultaneamente.

Uma Chamada Perdida é a pedida para quem tiver afim de um programa filme-de-susto-no-sábado a tarde, não vai se arrepender. O espectador compra um suspense e ganha uma comédia junto, pois os sustos são tantos e de lugares tão difíceis de imaginar que o público acaba rindo depois de cada “bum!”, acho que o pensamento coletivo é algo como: – Tantos filmes e eu ainda me assusto!

UMA CHAMADA PERDIDA
Eric Valette
[One Missed Call, EUA, 2008]

NOTA: 3,5

Trailer

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