EXPERIMENTALISMO PARA QUEM PRECISA
Novo disco do Tunng é sucesso com pop experimental e envolvente
Por Mariana Mandelli

Do Reino Unido para o mundo. Tunng, uma banda londrina, é a mais nova sensação do indie experimental mundo afora, criando mais um gênero da música pós-moderna: o “folktronica”.
Formado essencialmente por Sam Genders e Mike Lindsay, o Tunng tem uma história bastante curiosa. Os dois começaram compondo juntos músicas de estilo soft-core porn, até que decidiram mudar de rumo e partir para experimentações em que pudessem misturar folk, indie rock e música eletrônica.

Com os vocais de Genders e a guitarra e composições de Lindsay, a dupla ainda adicionou novos elementos, como vocais femininos, programações e mais percussão – hoje a banda conta com mais membros. O resultado de tudo isso? Uma coisa chamada de “future folk” ou “folktronica”, nome dado pela crítica.

Antes do primeiro álbum, em 2005, o Tunng lançou os singles “Tale from Black” e “The Maypole Song”, em 2004, e “People Folk” (remix de Dollboy) e “Magpie Bites”, em 2005. Só depois veio This Is…Tunng: Mother’s Daughter and Other Songs, primeiro full-length da banda. No mesmo ano, o Tunng acompanhou a turnê do Doves. Entre 2006 e 2007, vieram os singles “The Pioneers” (cover do Bloc Party), “Woodcat”, “Jenny Again”, “It’s Because…We’ve Got Hair” e “Bricks”.

O segundo disco, Comments of the Inner Chorus foi lançado no ano passado e, Good Arrows, o terceiro trabalho, foi lançado em agosto deste ano. Com muita criatividade, instrumentos estranhos (até concha marítima eles já usaram) e influências de Nick Drake, Flaming Lips, Belle & Sebastian, Fairport Convention e The Beta Band, o acid folk do Tunng já apareceu até em episódio da extinta série televisiva The O.C.

LABORATÓRIO SÔNICO
Confira alguns ícones – bandas e artistas – experimentais do mundo do rock

Velvet Underground
Seminais para o surgimento de uma cena punk beat intelectualóide, Lou Reed e Cia surpreenderam o rock com o disco da banana (Velvet Underground & Nico), clássico inconteste até hoje. Experimentais no conceito e na forma, foram à sua maneira, despretensiosos e (bem) ousados para os anos 1960, falando de prostitutas, travestis e tráfico de drogas de uma Nova York decadente.

Can
Banda alemã fundada em 1968, é uma das mais importantes do movimento conhecido como Krautrock. Seu estilo era fortemente marcado pelo rock de garagem, com ecos de música experimental. Baseava sua música na livre improvisação e só então editava no estúdio.

Tortoise
Responsáveis pela popularização do rock experimental nos anos 1990, esses americanos de Chicago fazem parte da mesma gravadora do Tunng, Thrill Jockey. De discografia bem irregular, seu álbum mais elogiado foi Millions Now Living Will Never Die. Considerados por muitos pedantes e pretensiosos, não lançaram quase nada nos últimos anos (alguém sente falta?), além da participação no novo álbum do Bright Eyes, Cassadaga.

Mogwai
Os escoceses do Mogwai já foram usados por indies para posarem de inteligentes, mas a verdade é que a música da banda vai além dos limites de seu público. Sempre baseando sua música em pesquisas, o Mogwai lançou tanto bons discos (Rock Action), quanto experiência não muito felizes (Come On Die Young), mas sempre baseados na sinceridade de experimentar.

LEIA A CRÍTICA DE GOOD ARROWS

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