Novo disco do Tunng realiza a façanha de aproximar platéias para o seu folk experimental

TUNNG
Good Arrows
[Thrill Jockey, 2007]

O rock experimental nunca viveu ares tão promissores. Do Hip-Hop ao dance, todos querem mostrar sua visão livre de fórmulas. O Tunng é a experiência mais bem acabada dessa safra de artistas. Seu novo disco, que chegou às lojas semana passada fez dos rapazes ingleses ícones entre os indies cabeçudos que reviram sebos atrás de vinis antigos.

Um dos grandes feitos do Tunng – na visão de seus ouvintes, óbvio – é que, longe do hermetismo e da pecha de difíceis de outros rocks experimentais, a música da banda pode ser ouvida ao lado de suas namoradas e, quiçá, agradar aos ouvidos mais distraídos. Sem exageros, as faixas deste Good Arrows são deliciosas preciosidades baseadas num folk meio esquisito, quase inclassificável.

Minimalistas ao extremo, todas as músicas foram batizadas com uma única palavra, “Hands”, “Bullets”, “Bricks”, entre outras. As melodias surpreendem o leitor o tempo todo. Uma hora temos um grupo de folk, outra indie-rock, de repente, estamos imersos numa espécie de ritual e às vezes parece que tudo vai sumir, dada as características etéreas de algumas faixas. A voz rouca de Mike Lindsay colabora para o resultado final quase inebriante.

Para os que não se sentirem impelidos a ouvir Good Arrows (“uma banda experimental? Deus me livre!”), uma dica: escute nos fones de ouvido e com a agenda vazia. Não se deve ter pressa na colcha sonora desses ingleses. [Paulo Floro]

NOTA: 8,5

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