DECADÊNCIA ANIMADA
Inovadora HQ trata em tom de paródia e crítica a trajetória de Walt Disney
Por Paulo Floro

TRÊS DEDOS: UM ESCÂNDALO ANIMADO
Rich Kowslowski (texto e arte)
[Gal Editora, 144 págs, R$ 39,90]

A história de Walt Disney e sua criação mais famosa, Mickey Mouse são recontadas de maneira nada usual nesta HQ da Gal editora, desde o mês passado nas livrarias e comic shops. Escrito e desenhado por Rich Koslowski, trata-se de uma biografia em tom de crítica de como Disney criou um império na animação dos EUA, contada através de seu maior símbolo, o rato Mickey, aqui chamado de Dizzy Walters.

Autor bem quisto entre os leitores de HQ’s alternativas dos comics americanos, Koslowski tentou adentrar ao máximo na realidade das histórias que tenta parodiar. Na trama, um misterioso ritual está amputando um dedo dos “animados”, como são chamados os seres que figuram nas animações. Isto funcionaria como um elemento primordial para alcançar sucesso dentro da indústria dos desenhos. Como bem explicou a edição do livro, nos EUA, o polegar não é considerado um dedo (finger), por isso o nome da HQ faz referência ao número de dedos que a grande maioria dos personagens de animações exibe.

O livro ganhou reconhecimento pela inovação no tema, mas é sua narrativa que melhor merece atenção. Brincando com gêneros, a HQ se trata de um documentário em quadrinhos, com depoimentos de diversos envolvidos – entre animados e humanos – do que aconteceu com Dizzy Walters e seu império. Essa interação entre uma dinâmica típica do cinema e a leitura da HQ, com as páginas dispostas na horizontal, como uma tela widescreen de cinema é a principal contribuição de Três Dedos para os romances gráficos.

Vencedor do Prêmio Ignatz de 2002, a obra é um prato farto de referências para amantes da animação, além de um exercício de imaginação e criatividade que instigará a leitura entre os fãs de quadrinhos.

NOTA: 8,0

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