O MELHOR DE MADONNA EM IMAGENS
Por Eduardo Dias, blogueiro d’O Grito!

Madonna Louise Ciccone não seria a Madonna se não existisse a MTV. Talvez ela ainda estivesse por Nova York procurando um emprego de bartender, mas o hit “Everybody” a jogou para o estrelato e “Like a Virgin” deu o start para a causação que marcou as duas útlimas décadas do séc. 20. E não é qualquer estrelato, estamos falando de Madonna.

A persona videoclíptica na qual Madonna se transformou e construiu sua carreira não seria a mesma sem os escândalos e as polêmicas que sempre envolveram sexo e trangressão. O Grito! elaborou um Top 5 (completamente injusto) da artista que melhor explorou o videoclipe como suporte da carreira musical e como extensão de sua obra.

É pop e é “arte”. Talvez seja a Arte do Pop e talvez seja a Pop Art no vídeo.

5
Drowned World (Substitue for Love)
Dir: Walter Stern | 1998
Do álbum Ray Of Light

Drowned World é a tentativa de remissão da polêmica cantora dos anos 80 e 90 para transformar a sua carreira daquele momento em diante para direções que apontam para palavras super-caretas: mãe, dona-de casa, criadora de galinhas. Sem esquecer que ainda é cantora, ou melhor, a principal mulher da música pop.

O clipe é um pequeno relato do cotidiando de uma popstar-mãe ou vice-versa. Paparazzi. fotógrafos, imprensa, tumulto, assédio desmedido e festas, muitas festas. Ela soube como ninguém marcar sua enésima virada na carreira artística ao opor fama e felicidade familiar.

Mais um clipe que fala por si mesmo. Contundente, procura nas imagens finais transmitir que ela agora é outra: “i’ve change my mind”. A pergunta que fica é: quando Madonna foi apenas uma?

4
Frozen
Dir: Chris Cunningham | 1998
Do álbum Ray Of Light

O retorno de Madonna ao mundo da música. Lourdes Maria ainda era um bebê e sua mãe popstar inicia uma nova fase – mais responsabilidade e menos porra-louquice. Para isso ela contou com o talentoso diretor Chris Cunningham, que trabalhou predominantemente com artistas do underground.

O frenesi que Ray of Light – o disco e o clipe – causaria no pop ainda estava para acontecer, mas as imagens azuladas e sombrias de Frozen anteciparam com choque e estranhamento a mais nova fase da carreira de Madonna, que já foi tantas personagens que não damos conta de reuni-las.

Com uma canção que beira a auto-ajuda (you’re so consumed with how much you get/you waste your time with hate and regret/you’re broken, when your heart’s not open), Madonna e Cunningham constróem um videoclipe enigmático que registra uma espécie de performance de um mensageiro da bondade. É um clipe histórico, instigante e intrigante. E provou que mesmo tendo se tornado uma mãe, ela não perdeu a mão de fazer boas canções e clipes.

3
Fever
Dir: Stephane Sednaoui | 1993
Do álbum Erotica

A música pop freqüentemente fala de amores perdidos, reencontrados e encontrados. Madonna falou do amor em zilhões de maneiras diferentes. A febre que esse amor causa nela está em cada imagem desse vídeo. Imagens saturadas, matizadas, manipuladas e toda sorte de efeitos foram usadas nesse jogo de contrastes que se chama Fever.

Cuidado com a exposição prolongada ao vídeo ou o leitor vai parar na emergência mais próxima. Use o protetor solar.

2
Bedtime Story
Dir: Mark Romanek | 1995
Do álbum Bedtime Stories

A parceria com a Björk não poderia ter um resultado mais à moda da islandesa: imagens desconexas, não-relacionadas. O clipe remete ao estímulo visual adquirido com o know-how de “Fever”.

Música bastante autoral e sui generis das duas cantoras: Madonna adquiriu certo status cult e Björk se aproximou um pouco mais do mainstream pop americano. Reverenciando o vídeo-arte, “Bedtime Story” se interessa em uma overdose visual, um impacto emocional através das imagens. Explorando as possibilidades do videoclipe, não há interesse em qualquer intenção narrativa: descontinuidade temática e visual e overdose de sensações são as normas deste clipe.

Um trecho representa o vídeo: “Today is the last day that i’m using words/they’ve gone out/lost their meaning/don’t function anymore”.

1
Human Nature
Dir: Jean-Baptiste Mondino | 1995
Do álbum Bedtime Stories

Uma das melhores músicas de Madonna. Um dos melhores clipes. Sexo e sensualidade em cada quadro. Ela soube representar como poucos em palavras e imagens a nossa natureza. Citando Bedtime Story: “words are useless”.

Menção Honrosa: Justify My Love

Soberbo, censurado, exagerado, cirticado, escandaloso e sexy. Pervertido para alguns. Para falar dessa obra-prima videoclíptica somente através de adjetivos e somente através de imagens. Não haveria clipe mais impactante na carreira da Madonna e do diretor Jean-Baptiste Mondino. Com essa citação, ela encerra o clipe e entrega a sua missão na Terra: “Poor is the man/ whose pleasures depend / on the permission of another”.


* Eduardo Dias é publicitário e mestrando da UFPE, onde pesquisa sobre arte, tecnologia e comunicação em videoclipes. É autor do blog Cultura Clipe, da Revista O Grito!

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