Liv Ullmann (Foto: Reprodução)

GOD SAVE LIV
Por Fernando de Albuquerque

O rosto angustiado de Liv Ullmann é o emblema de um cinema interessado em fazer o espectador refletir. Durante mais de 40 anos, a atriz e cineasta de origem norueguesa se revezou nos papéis de diva, colaboradora e paixão irrefutável do diretor sueco Ingmar Bergman, um dos poucos cineastas que merecem o estigma de “gênio”. Os dois formam um dos casais fundamentais do cinema. Liv atuou em dez filmes de Bergman, entre eles obras seminais como Quando Duas Mulheres Pecam (1966) e Gritos e Sussurros (1972). Teve uma filha com o cineasta, fruto de um intenso relacionamento no fim dos anos 60, e dirigiu dois filmes com roteiros dele. Sarabanda foi seu último produto cinematográfico e se configura como uma espécie de continuação de Cenas de um Casamento (1973). Trinta anos depois da separação, os personagens principais do antigo filme, Marianne (Ullmann) e Johan (Erland Josephson), reencontram-se para colocar o passado a limpo e tentar resolver o presente. O grande salto de sua carreira foi o encontro com Bergman. Os dois se apaixonaram nas filmagens de um filme e ficaram juntos por cinco anos. O romance acabou quando ela foi para os EUA gravar Os Emigrantes e viu sua carreira ruir quando chegou a Hollywood. Pouco antes de morrer o cineasta sueco disse: “Você é meu Stradivarius”.

Liv Ullmann (Foto: Reprodução)

Sarabanda » Mais recente filme de Bergaman, Sarabanda é uma espécie de capítulo conclusivo de uma autobiografia cinemática.O filme retoma o clássico Cenas de um Casamento, de 1974, numa seqüência atemporal e com os protagonistas 30 anos mais velhos. Marianne e Johan, separados no filme anterior, voltam aos velhos temas bergmanianos: as tensões nos relacionamentos e a rotina destrutiva.

Cenas de um Casamento » Nesta obra, testemunhamos momentos de enorme ternura e de inesperadas cenas de violência, tanto físicas quanto psicológicas. Assistimos à desintegração do casamento dos protagonistas Marianne e Johan, embora o amor entre eles permaneça inabalável. Como em filmes anteriores – tais como Sorrisos de uma Noite de Verão (1955), Morangos Silvestres, (1957), Quando Duas Mulheres Pecam (1966) – o trabalho de Bergman é excepcional. A fotografia de Sven Nykvist é um outro ponto alto do filme. Nele Liv Ullmann se consagra como uma dos mais expressivos e belos rostos do cinema.

Conversações Privadas » Ainda inédito no Brasil o filme é baseado em roteiro escrito por Bergman e é um dos maiores sucessos de Ullman enquanto diretora no exterior.

Mutações » Livro auto-biográfico da atriz que foi lançado em 1976. Logo que chegou nas prateleiras atingiu venda de 20 mil exemplares só na Noruega.

Persona » Lançado em 1966, o filme é considerado a segunda maior obra de Bergman. Nele, Ullman vive uma atriz que sofre uma crise emocional e emudece. Para se recuperar, parte para uma casa de campo, sob os cuidados de uma enfermeira, que a admira e tenta compreender a razão de seu silêncio. Isoladas, as duas mulheres desenvolvem uma relação de forte intensidade. A seqüência inicial e as atuações viscerais de Bibi Andersson e Liv Ullman foram imortalizadas pela história.

Sofie » Primeiro filme a ser dirigido por Ullman, Sofie recaí na mesma problemática que permeia os filmes de Bergman. Nele, uma moça judia (Mynster) se apaixona por um pintor, cristão (Josephson). Pressionada pela família, acaba aceitando casar-se com um comerciante, muito mais velho que ela, também de origem judaica, passando a levar uma vida infeliz.

Liv Ullmann – Cenas de uma Vida » Amplo documentário que reconta e remonta toda a vida da atriz e conta con narração de Woody Allen.

Infiel » Realizado em 2000 por Ullman, o filme volta a tratar de relações amorosas e traição e conta a história do relacionamento entre um músico e uma atriz, que é destroçado quando ele descobre que ela manteve um caso durante sua viagem.

Kristin – Amor e Perdição » Lançado em 1994, o principal tema desse filme é o amor entre homem e mulher, entre pais e filhos e do contato do ser humano com Deus.

Liv Ullmann (Foto: Reprodução)

Gritos e Sussurros » Conhecida como a obra-prima de Bergman o filme descarta qualquer tipo de cronologia e se adequa a qualquer data e época. Tendo na não-alegoria a principal marca em que cada detalhe do cenário, cada objeto, cada tom de vermelho, tem uma razão de existir.

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