UM CREEP APAGADO
por Paulo FloroTHOM YORKE The Eraser
[Sum, 2006]O disco The Eraser, o solo do Thom Yorke, líder da maior banda do planeta, o Radiohead, já havia sido “lançado” na internet desde o finzinho de maio/início de junho. Péssimo, pois desde essa época os fãs da banda inglesa atestaram que o creep mais querido da música pop inglesa não precisava MESMO de um disco solo. Não como esse Eraser. Chamá-lo de minimalista é ser condescendente, trata-se de um vazio criativo tremendo, que se fosse feito por um outro artista que não o líder da banda mais importante do mundo hoje, seria logo taxado de pastiche do Radiohead ou coisa pior. Esperava-se que Thom Yorke pudesse exercitar à exaustão suas feições extraterrestres, mas o Radiohead já fez isso bem melhor, até mesmo no Amnesiac (2002), um disco só de sobras. Dessa maneira, o que encontramos aqui é a tentativa de Yorke retirar o último sumo do bagaço da esquisitice que cultivou com sua banda durante 15 anos. O início tímido nos faz acreditar que veremos uma nova ode moderna ao jazz, com climas que se sobrepõem à música em si (efeitos, instrumentos, vocal), mas na verdade não temos muita surpresa. Visto que a própria banda inglesa já não assusta mais o pop, o Thom Yorke e seu Eraser é apenas mais uma obra pretensiosa de um vôo-solo de um vocalista. Discos solo são sempre complicados.

Provavelmente Thom Yorke queria transformar seu álbum numa espécie de obra radiohediana, sem se afastar muito. Todos os integrantes da banda auxiliaram de alguma forma com o disco. Jonny Greenwood criou alguns samplers e barulhos, Ed O´Brien tocou banjo, e Yorke surrupiou várias sobras de estúdio, muitos pedaços de músicas que já estavam praticamente no lixo e trechos de canções que estão nos discos oficiais do Radiohead. Mas segundo o vocalista, só os mais atentos irão perceber. Os BEM atentos. Com faixa The Eraser , Eraser começa uma lamúria meio cadenciada; depois em Analyse se afunda numa espécie de letargia que é o resto do disco. Há alguma salvação em Atoms For Peace e a faixa número nove, Cymbal Rush, mas não há do que se empolgar. Foi dito que Yorke tocou a maioria dos instrumentos, mas a impressão que se tem é que se pode fazer tudo com uma bateria eletrônica. Até um disco solo. Nem mesmo sua produção elegante e caprichada torna The Eraser um disco interessante. Este álbum dificilmente será lembrado e só servirá para calar a boca dos quem dizem que o Radiohead é Thom Yorke.

NOTA:: 5,5

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