These New Puritans

Idéias demais
Por Paulo Floro

THESE NEW PURITANS
Beat Pyramid
[Domino, 2008]

These New Puritans - Beat PyramidEngraçado como uma banda estreante já lança um disco cheio de pretensões. Sim, porque ser pretensioso e experimental é diferente de ser original. A idéia que a própria banda tem de si é de algo ainda incompreendido, quando na verdade estão fazendo de seus registros mero exercício de metalinguagem artística. Assim é o These New Puritans, banda de Southend, Reino Unido, em seu primeiro álbum Beat Pyramid.

O importante para eles é se debruçar sobre o próprio conteúdo, se deslumbrando com as próprias descobertas. George Barnett, Thomas Hein, Sophie Sleigh-Johnson e Jack Barnett conseguiram receber um providencial rótulo de promessa do indie-rock em 2008. Essa mesma imprensa, apressada, os comparou com o The Fall. Mas, pelo que se ouve em Beat Pyramid, estão mais próximos do electro-rock de bandas como New Young Pony Club, The Horrors e Shitdisco. Não a toa, participaram em 2006 da coletânea Digital Penetration, da Alt Delete Records, ao lado das bandas citadas acima.

O rock soturno do Joy Division só encontra semelhança no TNP no estilo contido com que se apresenta e na produção fashionista que tenta emular o rigor estético do período pós-punk 1978. Moda é um subject importante para a banda, que já fez uma música de 15 minutos para o desfile da coleção outono da Dior Homme, a pedido da amiga Hedi Slimane. Essa aproximação dos editoriais de moda antes mesmo dos perfis musicais (para fazer uma comparação jornalística) não invalida a proposta da banda, nem se trata de uma acusação de futilidade (isso seria preconceito com o próprio mundo fashion, o que não é o caso).

O que ocorre é que o conceito sonoro não foi tão bem construído, ao contrário do estilo visual. Na pretensão de ficarem entre Mark E. Smith (o cabeça do The Fall) e o post-rock, temos apenas uma banda com potencial. Se abandonassem um pouco os chistes intelectualóides do experimentalismo, como interlúdios nas faixas, referências e esnobismo, teríamos uma estréia promissora. “Colours” e “Numerology Aka Numbers” trazem acordes competentes, dosando bem um electro-punk com guitarras dançantes. “Elvis”, primeiro sucesso deles, não tem nenhuma novidade, mas é divertida, talvez a melhor do disco.

O These New Puritans foram acometidos de uma espécie de ansiedade, com uma estréia lotada de conceitos, em certos pontos, rasos (o perigo de ser pretensioso). Muito tempo pela frente ainda para mostrarem todos os conceitos em ábuns futuros.

NOTA: 7,0

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